Capítulo 5
Os olhos de Nina estavam vermelhos de emoção. Ela assentiu repetidamente, sem conseguir conter suas palavras:

— Eu aceito! É claro que aceito! Casar com você é tudo o que eu quero!

Ao redor, a equipe de filmagem e fotografia começou a comemorar animadamente:

— Felicidades ao casal! Vocês merecem!

Dentro do carro, Maria observava a cena com o rosto pálido e uma expressão fria. Todo o calor que ela um dia sentiu parecia ter desaparecido. Cinco anos atrás, Petrus havia se ajoelhado diante dela da mesma forma, com a mesma expressão apaixonada.

Na época, ele também vestia um terno preto impecável, segurava um buquê de rosas vibrantes e apresentava um anel de noivado cuidadosamente escolhido. Ele até chorou quando pediu sua mão.

— Maria, você é a única mulher que amarei em toda a minha vida. Nenhuma outra jamais terá espaço no meu coração. Eu imploro, case comigo. Eu juro, se algum dia eu trair você, que eu morra imediatamente.

Maria soltou duas risadas curtas e amargas. Riu até que as lágrimas começaram a rolar por seu rosto. Tudo aquilo havia sido mentira. As promessas, as palavras, a suposta sinceridade tudo falso. Até o que ela acreditava ser o amor dele havia desaparecido como fumaça.

Carolina, sentada ao lado de Maria, observava a amiga com um olhar cheio de preocupação. Sua voz saiu baixa e gentil:

— Eles já foram. Você quer continuar seguindo?

— Sim. — Maria respondeu, com os olhos baixos, antes de olhar para fora da janela. Ela precisava saber para onde Petrus e Nina iriam em seguida.

Uma hora depois, o Bentley parou em frente a um restaurante. Era um dos melhores de Cidade Saumo, localizado em uma área nobre e com janelas grandes que ofereciam uma vista deslumbrante. Conquistar uma mesa ali, especialmente perto da janela, era quase impossível sem uma reserva feita com semanas de antecedência.

Não era horário de pico, e havia poucas pessoas no local. As mesas eram separadas por divisórias que garantiam privacidade. Petrus havia tomado todas as precauções para evitar ser descoberto.

Maria viu Petrus e Nina entrarem no restaurante juntos. Ela saiu do táxi e, antes de entrar, passou em uma loja vizinha para comprar roupas que a deixassem com uma aparência mais madura. Colocou um chapéu grande e uma máscara, garantindo que ninguém a reconhecesse. Só depois disso ela entrou no restaurante.

Carolina já havia resolvido tudo. Usando um bom argumento e um pouco de dinheiro a mais, conseguiu reservar a mesa bem atrás de Petrus e Nina. Quando Maria e Carolina se sentaram, elas notaram que um casal de meia-idade havia acabado de ser guiado por um garçom até a mesa de Petrus.

O casal parecia ter cerca de cinquenta anos, e suas roupas simples indicavam que eram pessoas comuns. Maria observou a mulher cuidadosamente e percebeu que, ao olhar mais de perto, ela tinha traços faciais semelhantes aos de Nina.

— Não acredito. — Carolina sussurrou, chocada. — Ele está conhecendo os pais da Nina?

Maria permaneceu em silêncio. Com uma expressão inabalável, ela pegou o celular e encontrou um ângulo perfeito para tirar algumas fotos através da pequena abertura entre as divisórias. Ela capturou o exato momento em que Petrus entregava um cartão preto para a mãe de Nina.

— Esse desgraçado é bem generoso, hein? — Carolina murmurou, indignada.

Maria abaixou os olhos e guardou o celular. Lembrou-se do dia em que Petrus conheceu seus pais. Naquela ocasião, ele também havia oferecido um cartão sem limite, como prova de sua seriedade e compromisso. No entanto, seus pais recusaram. Eles não precisavam vender a filha para ganhar dinheiro. Agora, Petrus repetia o mesmo gesto, mas com outra família.

— Vamos embora. — Maria disse, levantando-se. Ela não queria ficar ali por mais um segundo.

As duas desceram para o primeiro andar do restaurante. Carolina se ofereceu para levar Maria de volta para casa, mas Maria balançou a cabeça:

— Não, Carolina. Minha mente está uma bagunça agora. Preciso ficar sozinha por um tempo.

Carolina não insistiu, mas pediu que Maria tivesse cuidado.

Maria saiu andando sozinha pelas ruas da cidade. A temperatura havia caído para abaixo de zero, e sua fina jaqueta não era suficiente para protegê-la do frio. Ainda assim, o desconforto físico não se comparava ao vazio gelado em seu coração.

Ela não sabia quanto tempo havia caminhado quando seu celular começou a vibrar. Era uma mensagem de Petrus. Maria abriu o aplicativo e viu três fotos de casamento.

Na primeira, Nina estava encostada no ombro de Petrus, com um sorriso doce no rosto. Na segunda, eles estavam se beijando apaixonadamente. E na terceira, Petrus estava ajoelhado, segurando flores, enquanto Nina ria triunfante.

Em seguida, chegaram várias mensagens de Nina:

[Hoje tiramos nossas fotos de casamento. Ele me pediu em casamento na frente de todos, e eu fiquei muito emocionada.]

[Ele também quis conhecer meus pais. Só não podemos oficializar no papel, mas seguimos todos os outros passos de um casamento.]

[Quem disse que dividir um marido é ruim? Eu estou bem com isso. A questão é: você consegue aceitar? Porque, sinceramente, eu não perco nada com isso.]

Maria leu as mensagens de Nina sem mudar sua expressão. Não respondeu nada.

Ela enviou as três fotos do casamento para sua secretária, junto com as imagens que havia tirado do jantar com os pais de Nina. Também incluiu uma captura de tela das mensagens de Nina. Sua instrução foi clara:

[Quero que tudo isso seja exibido durante o casamento.]

Depois de enviar a mensagem, Maria guardou o celular no bolso e continuou andando, como se estivesse em transe. Ela estava tão distraída que não percebeu o carro desgovernado que vinha em sua direção.

O impacto foi forte. Maria foi arremessada a dois metros de distância e caiu no chão. Parecia ter passado uma eternidade até que ela abrisse os olhos novamente. O cheiro de desinfetante era forte, e tudo o que ela via era o teto branco de um quarto de hospital.

Petrus estava ao lado da cama. Quando percebeu que Maria havia acordado, ele deu um passo apressado em sua direção. Seus olhos estavam vermelhos, cheios de preocupação e medo:

— Você acordou! Está sentindo alguma dor?

Maria virou os olhos lentamente para ele. A expressão de Petrus era a de um homem genuinamente preocupado, como se desejasse que fosse ele quem estivesse ferido em vez dela.

Mas Maria só sentia repulsa. As imagens de Petrus e Nina, tão íntimos nas fotos de casamento, passaram por sua mente, e seu estômago revirou.

"Quem é você de verdade, Petrus? Qual é o verdadeiro você?"

— Por que você não está falando? Está sentindo algo? Vou chamar o médico agora.

Petrus se virou para sair, mas Maria segurou sua mão antes que ele pudesse ir. Sua voz saiu rouca e fraca:

— O que você está fazendo aqui?
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