Capítulo 7
No dia seguinte, restavam apenas três dias para Maria partir.

Logo pela manhã, Petrus chegou ao hospital com uma tigela de canja nas mãos:

— Pedi ao chef que preparasse especialmente para você. É a sua canja favorita. Experimente.

— Tudo bem. — Maria não recusou e começou a comer, devagar, uma pequena colherada de cada vez.

Depois que Petrus saiu, meia hora se passou. Maria abriu o monitoramento das câmeras de segurança. No sofá da sala, Nina fazia birra, insistindo que queria sair para fazer compras.

A chuva caía lá fora, e o chão estava escorregadio. Petrus, preocupado que ela pudesse cair e machucar o bebê, entrou em contato com marcas de luxo para irem até a casa. Ele deixou que Nina escolhesse o quanto quisesse. Além disso, ele ainda trouxe representantes de marcas de roupas infantis para recém-nascidos, para que Nina pudesse escolher os primeiros itens do bebê.

Naquela noite, o advogado Dr. Diogo visitou o quarto de Maria.

— Senhora, o acordo de divórcio entre você e o Sr. Petrus foi oficialmente finalizado.

— Obrigada. — Maria disse, pegando os papéis. Ela olhou para sua secretária, que estava ao lado. — Faça uma cópia e coloque na caixa do “Presente para um traidor”.

Depois de sete anos de casamento, tudo finalmente chegaria ao fim.

Dois dias antes da partida.

Pela manhã, Petrus apareceu no hospital com um buquê de girassóis e um colar de proteção que ele havia conseguido com um místico famoso, desembolsando uma pequena fortuna.

Ele olhou para Maria, que parecia se recuperar bem, e colocou o colar em seu pescoço. Seu rosto bonito estava iluminado com um sorriso:

— Amanhã você terá alta. Ontem à noite pedi isso a um mestre espiritual para garantir sua segurança.

Maria tocou o amuleto no pescoço, com uma expressão séria.

Na noite anterior, Nina havia se queixado de dores na barriga. Petrus, preocupado, a levou ao hospital e, em seguida, foi buscar um amuleto para proteger o bebê. O colar de Maria claramente era apenas um item comprado “de passagem”.

Depois que Petrus saiu, a secretária apareceu no quarto:

— Senhora, os convites foram preparados. Assim que você embarcar, enviaremos as versões digitais.

Ela hesitou por um momento antes de continuar:

— O Sr. Petrus acabou de comprar a casa atrás da de vocês.

Maria franziu levemente as sobrancelhas:

— Aquela casa não era ocupada por uma família há anos?

A secretária balançou a cabeça discretamente e respondeu com cuidado:

— Sim, senhora. Mas o Sr. Petrus ofereceu uma quantia alta e ainda garantiu um contrato vantajoso para que eles se mudassem. Ouvi dizer que a casa foi registrada apenas no nome da Srta. Nina. É um presente para ela, por estar grávida.

Maria pressionou os lábios, e um brilho frio surgiu em seus olhos. Petrus estava disposto a gastar muito para esconder sua amante.

Ao anoitecer, Maria verificou novamente as câmeras. Ela viu Nina, com má vontade, ordenando que os empregados arrumassem suas coisas e as transferissem para a nova casa nos fundos.

No dia seguinte, o último antes da partida de Maria, Petrus foi buscá-la no hospital.

No carro, ele ajustou cuidadosamente o cinto de segurança dela e falou com carinho:

— Maria, hoje é o seu aniversário. Preparei uma festa para você. Será às sete da noite. Não se esqueça de convidar suas amigas.

— Certo. — Maria respondeu com um tom calmo.

O carro preto entrou no condomínio. Após quatro dias fora, Maria voltou para casa. Tudo parecia exatamente como estava no dia em que ela foi internada, como se Nina nunca tivesse pisado ali.

Maria entrou no quarto principal. Na penteadeira, viu um batom. Ela olhou para ele casualmente. Era um Guerlain 539, claramente usado. Aquele batom deixado ali de propósito parecia mais uma provocação.

Maria não ficou muito tempo no quarto. Logo foi chamada pelos empregados para descer e jantar.

Na mesa, Petrus descascava camarões, colocando-os diretamente no prato de Maria. Seus gestos eram gentis e carinhosos, quase idênticos aos de dois dias antes, quando ele alimentava Nina.

Maria mastigava devagar. Ela olhou para os olhos gentis e apaixonados de Petrus e, de repente, perguntou:

— E se, só por hipótese, um dia você sonhasse que eu fui embora? Você ficaria triste?

Petrus parou de descascar os camarões. Sua expressão ficou tensa, e ele segurou a mão de Maria:

— Maria, eu não ficaria apenas triste. Eu enlouqueceria. Por favor, nunca me deixe.

Maria pressionou os lábios. Ela estava prestes a dizer algo, mas o celular de Petrus, que estava na mesa, vibrou.

Maria olhou de relance e viu a mensagem de Nina:

[Estou sangrando. Está doendo muito. Será que algo aconteceu com o bebê?]

Por um momento, os olhos de Petrus mostraram pânico. Ele se levantou rapidamente:

— Maria, houve um problema com a preparação da sua festa. Preciso resolver isso agora. Volto para te buscar mais tarde.

Ele virou-se para sair, mas Maria segurou sua mão e deu-lhe um sorriso suave.

— Petrus, adeus.

Petrus parou de repente e olhou para Maria. Ele ficou imóvel, como se tivesse levado um choque. Antes, os olhos de Maria estavam sempre cheios de amor por ele. Agora, só havia frieza:

— Maria, você…

Ele queria dizer algo, mas o celular vibrou novamente. Apressado, ele saiu.

Maria subiu para o quarto principal. Ela pegou todos os seus documentos, jogou o colar de proteção no lixo e ligou para sua secretária:

— Petrus foi encontrar Nina. Estou indo para o aeroporto. Assim que eu embarcar, siga o plano. E, aliás, certifique-se de enviar um convite para Nina. Ela merece participar de seu próprio casamento.

— Sim, senhora.

Uma hora depois, Maria chegou ao aeroporto. Após passar pela segurança, enviou uma mensagem para seus pais, avisando que embarcaria em meia hora.

Em seguida, abriu a conversa com Petrus no celular.

[Preparei duas surpresas para você esta noite. Espero que goste.]

Maria enviou a mensagem.

Petrus respondeu imediatamente:

[Maria, mal posso esperar pelas surpresas. Estou resolvendo os últimos detalhes da sua festa de aniversário. Preciso supervisionar tudo pessoalmente. Espero te buscar logo.]

Maria curvou os lábios em um leve sorriso:

[Não precisa me buscar. Eu mesma irei ao Hotel Continental.]

Ela não iria.

A festa de aniversário seria no segundo andar do Hotel Continental. No terceiro andar, o casamento estaria sendo preparado. Petrus esperaria por Maria no local, e, nesse momento, a secretária enviaria os convites para o casamento. Assim, o evento no andar de cima continuaria como planejado.

Meia hora depois, o anúncio do embarque para o voo com destino à Noruega foi feito. Maria tirou o chip de seu celular e jogou-o no lixo.

“Adeus, Petrus. A partir de agora, você nunca mais me verá.”
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