Capítulo 2
Maria ignorou completamente a declaração pública de amor de Petrus. Ela se levantou do restaurante, pegou sua bolsa e foi para casa. Ao chegar no quarto, pediu uma tesoura a uma das empregadas.

Maria tirou do armário a camisa feminina do par de camisas que havia mandado fazer sob medida para o casal. Sem hesitar, ela cortou a peça em tiras finas, reduzindo-a a pedaços irreconhecíveis. Em seguida, pegou a certidão de casamento e fez o mesmo, transformando-a em fragmentos de papel. Maria colocou tudo em uma caixa de presente e, com uma caneta preta, escreveu na tampa: [Presente para um traidor.]

Assim que Maria terminou, ouviu o som de passos e se virou. Petrus havia acabado de chegar. O rosto dele estava iluminado por um sorriso caloroso e apaixonado. Ele se aproximou, segurou a mão dela e a puxou para descer as escadas:

— Amor, preparei uma surpresa para você. Venha ver.

Maria o seguiu até a entrada da casa, onde uma grande caminhonete estava estacionada. No alto da carroceria, havia uma enorme caixa de presente cor-de-rosa.

Petrus bateu palmas, e a caixa se abriu automaticamente. Balões e confetes subiram ao céu, revelando uma luxuosa Maybach rosa claro. Dois funcionários ergueram uma faixa com os dizeres:

[Presente para a princesa Maria.]

O espetáculo atraiu olhares curiosos e invejosos de todos ao redor.

Petrus tirou a chave do carro do bolso e a entregou a Maria com um olhar cheio de emoção:

— Maria, você comentou que queria trocar de carro. Eu lembrei disso, e como seu marido, é meu dever realizar todos os seus desejos.

Quando Maria pegou as chaves, seus olhos captaram um detalhe perturbador. No pulso esquerdo de Petrus, havia uma pulseira improvisada, feita com uma alça de sutiã. O estômago de Maria revirou, e seu rosto se contraiu em uma expressão de nojo.

— O que foi? Não gostou do carro? Ou não gosta de rosa? — Petrus perguntou, percebendo a reação dela. Seus olhos escuros estavam cheios de preocupação.

Maria balançou a cabeça lentamente. Seus olhos, agora avermelhados, encararam Petrus com uma profundidade que ele não pôde decifrar:

— O carro é lindo.

O que Maria não queria, na verdade, não era o Maybach. Era ele.

Aliviado, Petrus soltou um suspiro e sorriu. Os dois voltaram para o quarto, mas antes de entrar, Petrus notou uma caixa na penteadeira. Ele se aproximou, curioso, mas Maria foi mais rápida e cobriu a inscrição na tampa com a mão.

— Maria, isso é para mim? — Petrus perguntou, enquanto um brilho de expectativa surgia em seus olhos.

Maria forçou um sorriso frio e respondeu:

— Sim, mas ainda não pode abrir. Estou preparando uma segunda parte, e em sete dias vou te dar as duas surpresas juntas. Tenho certeza de que você vai adorar.

— Duas surpresas? — Petrus repetiu, com um sorriso animado. Ele parecia genuinamente empolgado, mas ficou pensativo por um momento. Após alguns segundos, algo lhe ocorreu e ele saiu apressado do quarto, pegando o celular para ligar para seu assistente:

— Como pude esquecer? Daqui a sete dias é o aniversário da Maria! Organize uma festa grandiosa. Sim, quero algo espetacular. Ela merece o melhor.

Enquanto Petrus falava ao telefone, Maria, que estava parada na porta do quarto, ouviu tudo. Seu rosto, no entanto, permaneceu gelado. Não havia surpresa, apenas desprezo.

Eles estavam juntos há sete anos, e Petrus nunca havia esquecido o aniversário dela. Mas naquele ano, com Nina de volta, ele simplesmente apagou a data da memória até que alguém precisasse lembrá-lo. Também não fazia diferença. Maria estava curiosa apenas para ver a reação dele quando descobrisse que a aniversariante não compareceria à festa.

Maria pegou o celular e enviou uma mensagem para sua secretária:

— Descubra onde Petrus planeja organizar minha festa de aniversário. Quero a cerimônia de casamento no andar acima.

— Entendido, senhora.

Maria guardou o celular e foi para o banheiro. Enquanto isso, Petrus, ao desligar o telefone, lembrou de outro compromisso e recebeu uma ligação de seu assistente:

— Sr. Petrus, não se esqueça de levar a Sra. Maria à confeitaria perto da universidade para comer o bolo. Ela pode ficar triste se não for hoje.

— Ah, é mesmo! Quase esqueci disso. Reserve o bolo no sabor que ela gosta. Vou levá-la lá agora.

Petrus entrou no quarto apressado e tirou a toalha de banho das mãos de Maria, colocando-a de lado.

— Maria, vamos à confeitaria perto da universidade. Pedi para a dona fazer o bolo do jeito que você gosta.

A confeitaria era especial para Maria. Durante a época da universidade, era o lugar preferido dela. Foi lá, inclusive, que ela e Petrus se conheceram. Dois anos depois, eles se casaram, e todos os anos, no aniversário de casamento, Petrus fazia questão de levá-la para comer o bolo.

Mas, agora, Maria não pôde deixar de notar a diferença. Antes, ele planejava tudo sozinho. Agora, precisava de lembretes de um assistente.

Uma hora depois, o Bentley preto de Petrus estacionou na frente da pequena confeitaria. O carro luxuoso chamou a atenção de todos.

Uma influenciadora que estava transmitindo ao vivo reconheceu o casal e correu animada com o celular:

— Meu Deus, é o Sr. Petrus! O famoso “marido perfeito”! Gente, vejam, eles são lindos juntos. Dizem que ele traz a esposa aqui todos os anos no aniversário de casamento. É verdade mesmo!

Quando Petrus desceu do carro, ele segurou a mão de Maria. No caminho para a confeitaria, ele notou que o cadarço do sapato dela estava desamarrado.

Sem hesitar, Petrus se abaixou e amarrou o cadarço com cuidado. A cena deixou as mulheres ao redor encantadas. Uma estudante mais ousada se aproximou para parabenizá-los:

— Um bilionário se abaixando para amarrar o sapato da esposa. Isso nunca aconteceria nem nos meus sonhos! Que vocês sejam felizes para sempre!

Maria olhou para Petrus, que estava ajoelhado, e deu um sorriso educado, mas frio, para a estudante.

Dentro da confeitaria, o casal escolheu a mesa de sempre, perto da janela. Petrus olhou para a dona do estabelecimento e perguntou:

— O bolo está pronto? Quero que o recheio seja de manga e a cobertura de creme de morango. Maria adora essa combinação. E escreva em cima: "Feliz cinco anos de casamento."

A dona do lugar, que conhecia Petrus e Maria há anos, trouxe o bolo com um sorriso caloroso:

— Cinco anos já? Vocês continuam tão apaixonados quanto sempre. Quando vão nos dar a alegria de um bebê?
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