As irmãs de Evie derraparam abruptamente no meio do caminho, tamanho era a surpresa ao ouvirem as palavras da mais nova. Os convidados tentavam de todo modo se aproximar dos anfitriões a fim de ouvir a conversa completa. Até mesmo os músicos cochichavam entre si, deslumbrados com a possível fofoca da elite. Entretanto, para Evie, aquilo não era um espetáculo qualquer, era a vida de sua família seguindo um rumo decepcionante e infeliz.
O visconde sorria tão descaradamente que não seria possível esconder sua vitória. — O que está fazendo? — O duque, pela primeira vez, parecia genuinamente preocupado com a filha mais nova. Evie passou grande parte da sua vida esperando receber aquele olhar, mas naquele momento não sentia nada que não fosse revolta. Estava decepcionada e com raiva. — A escolha certa — Disse em tom amargo— Já que o senhor optou pela errada. — Não — Falou entre os dentes — Não tomei a escolha errada. Você não deveria ter se metido nesse assunto, Evie. — O que está acontecendo aqui?— Heloisa interrompeu a sucessão de discussões. Bia estava logo atrás com expressão confusa . Olhou por sobre os ombros da irmã e teve um breve olhar com Johnny. Houve algo ali, Evie sentiu. Entretanto não tinha tempo para analisar mais a fundo. — Senhoritas Beaumont — O visconde fez uma breve reverência— Estão encantadoras. Ele disse isso olhando para Bia, que engoliu em seco e abriu um sorriso frio por debaixo dos cílios compridos. Evie pela primeira vez se perguntou se o visconde já fizera algo grave contra Beatriz para ela ter tanto receio dele. — Nada, irmã— Respondeu Evie com um sorriso falso— Só estamos comemorando meu noivado. E com isso entrelaçou seu braço no do visconde. Ele pareceu surpreso com o gesto mas logo em seguida ergueu o queixo de um jeito satisfeito. —Noivado?! — Berrou Bia. O coração da irmã mais nova doeu por estar mentindo descaradamente para as pessoas que mais amava e confiava no mundo. Porém se não o fizesse, a vida de Beatriz seria infernal e entre a vida da irmã e a sua, Evie preferia encarar o inferno. — Não haverá noivado!— Contrapôs seu pai cada vez mais desesperado. — Haverá se eu disser que sim— Evie empinou o queixo— Se nos der licença, preciso conversar a sós com o meu noivo. Heloisa não conseguia formular uma única frase, estava surpresa e aborrecida demais para encontrar forças, ao contrário de Bia, que parecia prestes a quebrar algo. O duque ergueu o queixo irritado e o visconde não conseguia conter a satisfação em suas feições. No fim, Evie lançou um último olhar de socorro a seu pai. Era um aviso. Louis poderia acabar com aquilo se não houvesse trato de noivado com nenhuma de suas filhas, mas como esperado, ser cruel parecia animá-lo. — Pois bem — Disse Louis olhando da filha para o visconde— Vou começar a aprontar o necessário para o noivado. Mesmo esperando por aquilo, Evie sentiu-se desmoronar. Ela esperou mais uma vez pela consideração que nunca chegaria. A garota sentiu uma pontada no peito, mas encarou sua irmã novamente e percebeu que estava fazendo o certo. — Vamos, querida— Johnny saiu arrastando a noiva consigo. Evie estava segurando as lágrimas. Havia selado seu futuro ao lado de um homem que não sentia sequer simpatia. A garota não tinha muitas perspectivas para sua vida, imaginava que conseguiria ao menos um casamento respeitoso para que pudesse sair de onde era vista como um incômodo. Porém, até mesmo seus planos mais simples haviam sido soterrados por uma realidade ainda mais cruel. Não havia volta, ela sabia. Johnny a levou para fora da mansão, no jardim. Ali era um refúgio, nos dias em que Evie precisava se acalmar. Entretanto, nem a calmaria das flores conseguiria ajudá-la. — Que bom que concordou com tudo, senhorita Evie— Ele sorriu e pigarreou-— Agora que é minha noiva já posso te chamar de Evie, não é? Evie se abraçou e ergueu os olhos até encontrar com os de Johnny. Ela quis gritar com ele. Queria lhe dizer que ele nunca poderia chamá-la de qualquer coisa que fosse mais íntima. Queria mandá-lo sumir de sua vida como mágica. Mas manteve a calma e assentiu lentamente, com certa derrota. Ela estava cansada demais para travar qualquer batalha nova. O vento frio a fez estremecer, a neve caia durante a noite em flocos brancos e incômodos. Evie esqueceu de pegar sua túnica. — Ótimo — Ele se aproximou e a puxou pela cintura— Muito bom, Evie. Evie congelou com a ação. O visconde abaixou a cabeça até estar na altura da dela e aproximou os seus lábios. Mas antes que pudesse finalizar o ato repentino, Evie o empurrou com incredulidade e repulsa. — O que pensa que está fazendo?— Berrou — Sou sua noiva mas não quero que me toque. O senhor sabe que nem ao menos queria te conhecer! Sabe que se estou nessa situação é para que minha irmã não esteja! Johnny rugiu e se aproximou com passos pesados. Os dentes trincados formaram um sorriso maldoso. — Você é minha agora, Evie — Ele passou o polegar pelo rosto da menina — Aceite. Evie se afastou com os dentes trincados e estremeceu quando um vento frio lhe atingiu a pele. Ela se virou para voltar à mansão, porém observou a silhueta de seu pai se aproximando. — Senhor Louis — Disse Johnny com muito entusiasmo — Já posso chamá-lo oficialmente de sogro? — Ora seu patife não me venha com fingimentos — Exclamou o duque lhe apontando um dedo acusador — Meu assunto agora é com Evie, mas não vou impedi-lo se quiser ficar, afinal você será marido dela. Evie engoliu em seco, estremecendo com a fala debochada. Aquilo tudo era culpa dele. Se ele não tivesse prometido Bia em casamento ela ainda estaria no baile com suas irmãs comendo e se divertindo como uma jovem comum. Ela se aproximou do duque tentando reprimir o frio do inverno que lhe consumia. — Estou ouvindo, meu pai — Falou estremecendo. — Eu lhe trouxe isso — Ele estendeu sua túnica negra e quente. Evie a puxou e murmurou um agradecimento enquanto colocava a túnica em volta de si. Seus olhos se demoraram nos do duque antes de ele dizer: — Você é não é minha filha— disse em um tom sério como se ele estivesse conversando sobre seus negócios e não sobre sua filha — O visconde tem toda a razão. Evie primeiramente pensou ter entendido errado. Não poderia ser uma fala verdadeira. Louis estava apenas punindo-a por ter atrapalhado seus planos com o visconde. Tinha que ser aquilo! Sua respiração acelerou antes de finalmente murmurar: — O que disse? — Falou com uma voz tão fina quanto a de uma criança. O visconde a encarou surpreso e logo em seguida olhou para o duque confuso. Louis respirou fundo e fechou os olhos antes de voltar a encará-la. Evie percebeu que seu olhar estava mais frio e distante do que nunca. — É uma bastarda. Sua mãe era minha irmã mais nova. — Louis, não é hora para discutir sobre esse assunto— Alertou o visconde. O duque riu ironicamente. Saiu de perto da filha para se aproximar de Johnny. — Foi o senhor mesmo quem revelou a ela — Apontou para a filha — E quer dizer a mim que não é momento? O visconde ergueu o queixo com total confiança e endireitou a coluna pondo-se em frente a Evie de um modo protetor, a fazendo recuar um passo. — Eu disse aquilo apenas para atiçar seus nervosos — Disse com convicção—Sua amada caçula nunca acreditaria em mim, duque. Evie sentiu sua mente girar e seu estômago doer. Não conseguia prestar atenção nos dois homens a sua frente, pois sua visão embaçou e por algum motivo, respirar estava sendo um trabalho muito difícil. Ela simplesmente não acreditava em tudo que estava ocorrendo diante de si. Seu pai acabou de dizer que seus dezessete anos foram uma mentira. Todos aqueles anos sentindo uma profunda dor por perder a mãe amada, se culpando pela morte da mãe que nem mesmo lhe deu a luz. — Você mentiu?— Berrou ela soluçando — Mentiu sobre eu ser a culpada pela morte de minha mãe! O duque sem responder as defesas do visconde se voltou a filha e rugiu. — Não menti sobre isso. Sua mãe morreu no seu parto— Disse fazendo-a se encolher— Sua mãe morreu sim por sua causa! Se deitou com um plebeu qualquer mesmo estando noiva! Você é uma montanha de erros que a levou a morte, Evie. E como a mãe de Bia e Heloisa era boa demais, se viu criando-a como se fosse sua própria filha. — Por que não me lembro dela? — Perguntou Evie tentando guardar a dor dentro do peito — Da mãe de minhas irmãs. De minha tia! — Por que? — Perguntou em um tom acusatório e ameaçador — No seu aniversário de um ano, Clarisse fez um belo baile. Eu poderia até mesmo aceitá-la, Evie, por Clarisse eu poderia te chamar de filha! Mas naquela noite…minha amada morreu coberta de chamas. Evie engasgou se afastando um passo. Johnny pela primeira vez na noite parecia surpreso. — Como? — Perguntou em um murmúrio. — Queimada, Evie! — Berrou o duque engasgando nas próprias lágrimas — Porque é isso que acontece quando você está por perto. Desastres! Evie soluçou alto. Sabia que seu pai a odiava por sua mãe ter morrido em seu parto, mas aquilo ia além de tudo. A confissão fez com que ela se desse conta de que ele a culpava por algo que não fazia sentido algum. — Louis, culpa Evie por um acidente? — Perguntou o visconde se pondo em frente a Evie — Isso é algo completamente inaceitável! — Inaceitável é o senhor vir em minha propriedade, desfazer os acordos que fizemos e ainda ousa me desafiar! — Não, senhor Howard — Interrompeu Evie com os olhos encharcados— Não precisa dizer nada. Meu pai já me fez pagar por todos esses anos, talvez casar-se com o senhor me faça bem, afinal. Louis riu, se engasgando com as próprias lágrimas. — Você nunca vai entender, não é? — O homem passou a mão pelo rosto, de maneira perturbada e agoniante — Você fez isso. Você, Evie, é uma aberração! O visconde se virou e encarou os olhos dourados de Evie que estavam inchados pelo choro. Pela primeira vez ele estampava certa preocupação e surpresa com toda a reviravolta de desastres naquela mísera discussão. Antes que tudo desabasse ao seu redor, Evie passou pelos dois homens se afastando daquela mansão. Correndo para qualquer lugar que fosse longe o bastante dele, a menina se viu cega pelas lágrimas. Perguntas sem respostas rodavam em sua mente como um tormento. Imaginou como seria sua mãe verdadeira e qual era sua verdadeira história. Imaginou Clarissa, mãe de suas amadas irmãs, lhe acolhendo em sua própria casa. Imaginou duas mulheres incríveis que ela nunca pode conhecer. O duque estava louco se pensasse que a culpa de sua mulher estar em um túmulo era dela. Como ela poderia ser culpada? Estava amaldiçoada? Sua irmã. Outra pergunta que não se cansava de rodar em sua mente. Como o duque pode esconder sua própria irmã do mundo? Como pode privar a sobrinha de conhecer sua própria história? A garota não parou de correr, sentindo neve entrar em seus sapatos e as lágrimas inundar sua visão. Evie só percebeu estar longe o bastante quando suas pernas tremeram e ela caiu na neve fofa. A ventania já forte, pareceu crescer e se tornar um tormento completo, dificultando sua visão. Evie limpou as lágrimas e quase gritou ao perceber onde estava. Na floresta. As árvores negras se destacavam no meio da neve, deixando o cenário tenebroso. O barulho medonho que a ventania causava, fazia os pelos de Evie se eriçarem. Ela respirou fundo, imaginando que a morte estava prestes a encontrá-la. Em uma tentativa inútil de sobrevivência, ela se pôs de pé ajeitando a túnica no corpo. Olhou para a noite e decidiu que tentaria sobreviver. Não sabia se, de fato,sua vida valia tanto esforço , no entanto não queria se encontrar com a morte. Então, começou a dar passos lentos e hesitantes a fim de encontrar o caminho para casa. Evie se lembrou do seu pesadelo frequente e estremeceu com tanta semelhança. Ela precisava sair dali o quanto antes, pois seu coração covarde tinha medo de tudo virar realidade. Seus pulmões estavam se esgotando e sua visão começando a ficar turva. Seus dentes batiam uns contra os outros ao sentirem os açoites cruéis do vento, ainda que estivesse coberta com a túnica quente que sempre adorou. Ela seguiu caminho e viu algo que a fez recuar. Um muro feito de árvores. Não às escuras, às quais a floresta estava infestada. Eram árvores de espinhos, decoradas com três pontos rubros que se destacavam em todo aquele cenário. Hesitante, Evie se aproximou até se deparar com três rosas tão perfeitas que seria impossível estarem vivas com toda aquela tempestade de neve. Seu coração acelerou quando uma pétala de rosa vermelha caiu em sua frente. Ela se agachou e tomou a pétala nas mãos trêmulas, sentindo a respiração falha ao perceber que aquele cenário realmente era real. — Por que venho sonhando com você?— quetionou a examinando de todos os ângulos. A pétala se perdeu de sua mão quando a ventania se tornou mais forte, agitando os flocos de neve em todas as direções. O capuz da túnica voou espalhando suas madeixas para todos os lados. Ela soltou um grito de pavor quando não conseguia enxergar nada além de uma tempestade de neve. Ainda assim, não desistiu de encontrar o caminho para casa, segurando nos troncos feios para permanecer em pé. Seu coração batia descontroladamente quando percebeu que talvez estivesse perdida na floresta que tanto a atormentava. Seus instintos foram fugir imediatamente, mas como fugir se não conseguia ao menos enxergar o caminho direito? Evie caiu tentando ajeitar o capuz de sua túnica , sem sucesso. Então, desolada, apenas fechou a mão em torno do rosto para se proteger dos flocos de neve. A garota engatinhou até conseguir tocar um dos troncos de uma árvore e se colocar em pé. Com certa dificuldade, tentou abrir um dos olhos, mas com aquela ventania toda, não conseguiu enxergar nada. Com as mãos agarradas a árvore, tentou pensar em algo que pudesse resolver seu problema, entretanto antes que chegasse a alguma solução um rugido alto a fez estremecer dos pés à cabeça. Por um momento pensou ser apenas sua mente lhe perturbando, mas o segundo rugido foi o suficiente para lhe dar certeza de seu medo. Respire. Respire. Respire. Seu cérebro barulhento mandava. Segundos depois ela fez de tudo para não imaginar uma fera destroçando seus ossos, mas o rugido ficou mais próximo...mais perigoso...mais feroz. Evie apertou os lábios e soltou as mãos do tronco dando um passo diante a ventania. Suas pernas estavam bambas com o medo de encontrar-se com o monstro dos seus sonhos. Sua mente e corpo estavam em completo pânico. Ainda assim a adrenalina a fazia tentar se salvar. Evie reprimiu um soluço quando trombou com um tronco de árvore e caiu sentada novamente. Meio tonta, a garota levantou o olhar sentindo a ventania se acalmar e sua visão finalmente ficar nitida. Arregalando os olhos, ela percebeu que não tinha trombado em um tronco qualquer. A figura grande e peluda se virou em sua direção... A fera mostrou os dentes e as unhas afiadas antes de abrir a boca para rugir.A fera sentiu alguém tocar o muro de espinhos. Em específico uma das três grandes rosas. E isso o assustou. Com um rugido feroz, correu pela floresta de sua corte, assustando as pequenas criaturas que habitavam a noite nebulosa. Troye berrou sobre o vento observando o muro — que dividia o seu mundo do mundo asqueroso dos humanos — cada vez mais próximo. Quando enfim chegou a divisa, parou abruptamente sobre o local exato em que as rosas encantadas eram protegidas. Havia uma para cada corte: Ar, Fogo e Gelo. Significavam a criação. A existencia de todas as criaturas mágicas. Elas criaram raizes juntos as plantas seculares que encobriram a barreira. Eram protegidas pelo espirito dos deuses dos três elementos do mundo mistíco. E uma delas não estava ali. Ninguém além dos guardiões poderiam tocá-las. Troye observou a rosa de sua corte e da corte de Gelo intactas. Mas a rosa de fogo havia sumido e o guardião legítimo, herdeiro do fogo, estava muito longe para necessitar de sua r
—Eu devia matá-la — Disse Troye encostado em uma árvore — Te cortar em pedacinhos. Agora, com o sol sob sua cabeça, o rei desfrutava de seu corpo humanoide novamente. O rei amaldiçoado não conseguia tirar os olhos da humana desmaiada na neve, passou a noite toda a velando e protegendo. Mesmo com o dia nascendo ela ainda permanecia adormecida. Troye não entendia o que o havia feito hesitar na noite passada, mas algo naquela menina era peculiar. Talvez seus olhos tão encantadores ou o modo como ela conseguia parecer ainda mais bonita quando dormia, quase como uma deusa. Não que Troye tivesse reparado em como ela era bonita… — Tsc!— Resmungou e apontou o dedo indicador para a garota— A senhorita é uma encrenca. Eu vou te matar agora mesmo! Ele se aproximou em um pico de coragem e se ajoelhou em frente ao corpo dela. Pegou uma faca e apontou para seu peito. Suas mãos tremeram. Percebeu a lâmina brilhar e a jogou longe da garota. Troye grunhiu se perguntando o que havia de er
O céu azulado foi a primeira coisa que ela viu ao despertar. Flocos de neve caiam em seu rosto enquanto a garota sentia uma tremenda dor de cabeça. Evie se levantou grunhindo e percebeu que estava na entrada da floresta negra. Ajeitou o vestido e a túnica sobre o corpo, ainda com a mente nublada e bagunçada. Dali já via sua casa.— Quem me trouxe aqui? — Se perguntou observando a floresta.A última lembrança que tinha da noite passada era a nevasca violenta…E a besta…Evie estremeceu ao se lembrar da fera. Alarmada, olhou ao redor com medo de que o monstro voltasse a aparecer em sua frente. Sua respiração acelerou. Seus pelos se arrepiaram e a memória, antes confusa, tornou-se clara. O sonho sangrento que a atormentava todas as noites era real! Apavorada, ela deu um passo apressado em direção a mansão, mas se lembrou de que alguém lhe tirara da floresta noite passada.A fera não havia lhe devorado!Percebeu com um pouco de atraso. A questão em si lhe perturbou instantaneamente. Por
CORTE DO AR- HÁ 50 ANOS Ele encarava seu reflexo observando como suas íris destilavam ódio. Um criado ajeitava seu terno branco enquanto Troye analisava ao redor, com um ar enojado. De sua janela conseguia ver as grandes torres de pedra infestadas de soldados armados e os muros decorados de rosas vermelhas com fadas do fogo enfeitando seus portões. Sentia o cheiro do pó mágico invadindo suas narinas e ouvia as criaturas das três cortes chegando em seus portões. O vento forte sussurrava em seus ouvidos que os minutos estavam passando rápido demais e que o tempo não possuía paciência alguma diante de sua situação. Troye odiava tudo o que seus olhos capturavam. Seu castelo estava com a decoração mais feia que já tinha visto e seus criados já não eram mais os mesmos. A rosa tatuada em seu pulso estava quase aberta por completo e o impaciente tempo estava prestes a terminar. Quando a coroação chegasse, seria seu fim. O fim de sua vida. O fim de seu reinado. Ninguém gostaria de ter u
Seus passos eram desleixados pela floresta densa e esbranquiçada. A neve caia em peso grudando em sua capa comprida e quente enquanto ela vagava por entre as árvores sem folhas, afundando os pés na neve fofa e gélida. A garota sentiu alguém se aproximando, mas não se importou em verificar quem poderia ser, apenas continuou sua caminhada arrastando o vestido vermelho como sangue pelo cenário claro. Evie sentiu a presença estranha cada vez mais próxima, estava perto o bastante para que conseguisse enxergar a silhueta masculina, embora não conseguisse identificar suas feições, pois seu rosto era um borrão escuro e esganiçado. Desse modo, ela desistiu de observar o homem sem rosto e seguiu para longe, se emanharando nos confins da floresta. O sol estava se pondo junto ao sorriso genuíno que a menina possuía ao começar sua caminhada inocente. Avistou de longe algo que lhe chamou atenção. Era vermelho, da cor de seu vestido, e cintilava sobre a neve branca. A rosa vermelha brilhava int
Batom, pó, pérolas e seda estavam jogados em frente a Evie. Suas irmãs invadiram seu quarto alegando que ela precisava de ajuda para o grande baile. Evie não queria ir, mas se dissesse algo às suas irmãs, teria que contar do noivado arranjado e isso era algo que a garota estava mantendo a sete chaves. Pelo menos até pensar em um plano decente. Heloisa e Beatriz ajeitavam tudo com um grande sorriso no rosto enquanto Evie suspirava olhando da janela a neve cair. Ela estava pensando que a noite poderia passar despercebida. Não queria nem ao menos colocar um vestido grandioso como os de suas irmãs. A vontade de atazanar o Visconde no baile havia passado e agora a garota gostaria apenas de silêncio para pensar com clareza. Ela precisava ser esperta se quisesse vencer Johnny. — Vamos, Evie — Beatriz a puxou pelo braço colocando-a no centro do quarto. Bia e Heloisa a rodearam uma de cada vez enquanto Evie mordia os lábios olhando para o vestido verde simples que usava. Estava pensando e