Batom, pó, pérolas e seda estavam jogados em frente a Evie. Suas irmãs invadiram seu quarto alegando que ela precisava de ajuda para o grande baile. Evie não queria ir, mas se dissesse algo às suas irmãs, teria que contar do noivado arranjado e isso era algo que a garota estava mantendo a sete chaves. Pelo menos até pensar em um plano decente.
Heloisa e Beatriz ajeitavam tudo com um grande sorriso no rosto enquanto Evie suspirava olhando da janela a neve cair. Ela estava pensando que a noite poderia passar despercebida. Não queria nem ao menos colocar um vestido grandioso como os de suas irmãs. A vontade de atazanar o Visconde no baile havia passado e agora a garota gostaria apenas de silêncio para pensar com clareza. Ela precisava ser esperta se quisesse vencer Johnny. — Vamos, Evie — Beatriz a puxou pelo braço colocando-a no centro do quarto. Bia e Heloisa a rodearam uma de cada vez enquanto Evie mordia os lábios olhando para o vestido verde simples que usava. Estava pensando em descer para o baile com aquele mesmo vestido, mas suas irmãs se revoltaram totalmente com a ideia. Tentando deixar a cabeça vagar com uma distração, Evie permitiu que suas irmãs a embonecassem toda. — O vestido azul— Falou Bia. — Não, irmã— Heloisa analisou Evie mais uma vez— Acho que o verde esmeralda seria de extrema perfeição! Evie abriu a boca para falar, mas seus protestos foram logo deixados de lado pois um tópico mais importante a ser discutido surgiu entre as duas irmãs mais velhas: Vestidos. Desistindo de enfrentar as irmãs, ela voltou seu olhar para a janela. A escuridão da noite tinha um ótimo contraste com os flocos de neve. Sua intenção era permanecer no centro do quarto, mas algo fez com que ela fosse de encontro a janela e a abrisse. Um vento gelado a fez estremecer, esvoaçando alguns fios de cabelo. Evie apertou os olhos, tentando enxergar nitidamente o que acontecia fora de sua janela e acabou vislumbrando uma sombra peculiar. Algumas carruagens já chegavam e de lá saiam mulheres de alta classe com suas saias escandalosamente bufantes. Evie continuava a observar a mesma sombra que se mantinha afastada de todos os que chegavam. De uma forma estranha, o desconhecido parecia estar a observando de volta. A garota estremeceu novamente e dessa vez nada tinha a ver com o frio. Evie fechou a janela e se afastou um passo no mesmo instante em que as irmãs gritaram: — O vermelho! A irmã mais nova encarou os olhos igualmente azuis de Heloisa e Bia e tentou dar um minúsculo sorriso. Era um baile. Pessoas estão chegando. É apenas um convidado, ou até mesmo um intruso. Mas por algum motivo, ela não estava totalmente convencida com o que pensava. Evie balançou a cabeça uma vez, desistindo de se assustar com pouco e voltou ao centro do quarto onde as irmãs fizeram de tudo. Meia hora depois, Evie sentia sua cabeça dolorida por conta dos puxões do penteado. Sua respiração quase não lhe chegava pois Bia apertou o espartilho mais do que devia. Pronta e totalmente convencida de que fizera a escolha errada ao deixar suas irmãs mais velhas lhe arrumarem, Evie se permitiu sentar na cama. — Me recorde de nunca mais aceitar a ajuda de vocês— resmungou de mal-humor. Respire. Inspire Observando a calda vermelha do vestido, Evie se recordou do sonho. Mordeu os lábios caminhando até o espelho perto do guarda-roupas. As três se espremeram para ver suas aparências em conjunto e Evie sentiu-se o recheio de um sanduíche. Avaliando seu reflexo a garota se encontrou radiante, embora muito diferente das irmãs. Ela observou as meninas loiras, esbeltas e de olhos azuis cintilantes. Em seguida comparou sua própria aparência, os cabelos mel e os olhos dourados que tanto lhe diziam parecer com a mãe. Ela era tão estranhamente diferente das irmãs que às vezes se sentia confusa. O vestido vermelho escorregava pela pele macia da garota. Ele era feito de seda, com mangas compridas e decote em coração. Os ombros estavam à mostra, tornando-a sensual e deslumbrante. Aquela peça de roupa lhe caiu muito bem, ela admitia, mas não iria para o baile se sentir radiante e muito menos querendo se parecer com a mãe. Observou as pérolas do cabelo brilharem um pouco mais e incomodada com a lembrança, saiu da frente do reflexo respirando fundo. Talvez ela conseguisse encarar o pai sem sentir remorso. — O visconde está aqui!— Bia anunciou com a voz fina como uma criança. Evie se alertou rapidamente, assistido a irmã mais velha sair lentamente de perto da janela. Sua expressão de pânico fez com que Evie se despedaçasse por dentro. Seus olhos lacrimejaram, mas ela os limpou antes que uma das duas pudessem ver. — Ele não te fará mal algum— garantiu Evie. — Sim, minha irmã — Heloisa esfregou as mãos nos ombros de Bia— Estaremos com você. Bia assentiu, engolindo em seco e exibindo um sorriso que não lhe chegava aos olhos azulados. Evie cerrou o punho, com a raiva esquentando seu sangue. Ela saiu pela porta, decidida a dar um jeito na situação terrível que Louis estava planejando colocar Bia. Aquilo não continuaria daquele jeito, ela não deixaria. Suas irmãs disseram algo, mas a garota já havia chegado às escadas, pronta para descer até o salão de bailes. Assim que chegou às grandes portas, tomou fôlego e as abriu com um empurrão só. Infelizmente Evie chamou mais atenção do que desejava. As portas fizeram um barulho alto e seus braços esticados ficaram paralisados quando percebeu que os convidados fizeram silêncio com tanto barulho. Todos se viraram para observá-la. Assim que se recuperou da vergonha, Evie entrou na sala, sorrindo para os conhecidos que encontrava pelo caminho. A cauda de seu vestido se arrastava e os sapatos faziam um barulho oco diante o salão grandioso. Evie encontrou os olhos verdes do visconde, mas não era com ele que ela desejava se encontrar e sim com seu pai. Seus olhos fizeram uma breve varredura no salão e encontraram os olhos azuis do duque. Respirando fundo, ela seguiu em sua direção. — Meu pai— Fez uma breve reverência. Quando voltou os olhos para o duque, se viu surpresa com todo o encanto encontrado nele. Louis continha uma expressão estranha de sentimentos misturados. Parecia doloroso olhar para ela, assim como também parecia nostálgico. — Está parecendo sua… — Clareou a garganta— Sua… — Mãe— Completou Evie em tom triste. Ele concordou sem tirar os olhos dela. Evie sentiu um aperto no peito ao falar sobre sua finada mãe. Ela sabia que ele a culpava pela morte da esposa. Todo aquele sofrimento era culpa de Evie. Um fardo que a garota teria que carregar pelo resto de sua vida. — Uma bela comemoração — Disse ela partindo o silêncio sufocante. Ele engoliu em seco e voltou a ser desagradavel, abrindo um sorriso sínico. — Se veio me fazer mudar de ideia sobre o casamento de sua irmã, não obterá sucesso algum. Evie suspirou alisando a saia vermelha. Como ela conseguiria que o noivado fosse cancelado? — Meu pai, o senhor sabe o quanto Bia teme este homem — Choramingou— Não posso acreditar que permitiu sua mão a ele. O duque virou uma taça de vinho garganta abaixo rugindo. — Eu já lhe avisei que eu decido o que é melhor para Bia! Evie engasgou, revoltada. — Melhor para Bia?— Repetiu em negação— O visconde será o pior marido do mundo para Bia. Está claro que não sabe o que é melhor para ela. O duque já havia ficado vermelho. Apontou o dedo indicador na cara de Evie, como se sua constatação fosse revoltante e não correta. — Não ouse me desrespeitar, Evie— A tomou pelos ombros chamando atenção dos convidados — Ou te jogo para viver nas ruas! Evie empurrou o pai quase rugindo. Seus olhos já estavam com lágrimas quando disse: — Não faria diferença! — berrou — Os ratos me dariam mais amor que o senhor! O duque paralisou por um instante. O clima no salão estava tenso e os olhos ao redor de si estavam atentos e curiosos. Evie fungou, sentindo as mãos trêmulas e a revolta esquentando suas veias. Estranhamente conseguia sentir o sangue quente correndo pelo seu corpo, como chamas acesas.Ela estava queimando em uma noite gélida de neve. Decidiu se virar para sair daquele baile ridículo, mas para seu azar acabou trombando com os olhos verdes que tanto a irritavam. O visconde a segurou pelos ombros e a levou para um canto afastando, com Louis logo atrás. — Me largue! — Evie se remexia. — Quietinha, querida — Sorria irônico— Vou resolver seu problema. Evie arqueou a sobrancelha para Johnny que praticamente a arrastava até o canto do salão. Os convidados cochichavam uns com os outros, mas ninguém tinha coragem de ajudar a filha do duque. Evie percebeu suas irmãs paradas na entrada do salão,olhando boquiabertas. Ela tentou dar-lhes um sorriso falso de segurança, mas as mãos em seus braços a incomodavam de todos os modos possíveis. — Aqui está, Louis— Johnny a jogou para um canto da parede— Tenho uma proposta para os dois. — Chega de propostas, Johnny— Rugiu o duque virando outra taça de vinho goela a baixo. Evie o observou repugnada por nem ao menos prestar atenção nela. Suas mãos tremiam de raiva e tristeza. A garota não sabia mais o que fazer em relação ao pai, não sabia mais o que fazer em relação a si mesma. Fungou uma vez e se virou para Johnny. — Qual sua proposta, senhor?— Perguntou desesperada por uma saída. — Eu disse chega de propostas!— O duque se opôs na frente dela. — E eu digo que desejo ouvir— Ela se passou por seu pai ficando em frente ao visconde novamente — De quais problemas exatamente se refere, milorde? Johnny sorriu. — Eu sei que não quer que eu me case com sua irmã, senhorita Beaumont— Pigarreou— E eu não o farei se for o que desejar. Ela sentiu um alívio tomar-lhe o corpo. Um alívio estranho, mas qualquer sentimento benéfico em meio ao caos era bem vindo. Mesmo sendo falso. — Faria isso, senhor Howard?— Perguntou a menina, ainda não acreditando em uma palavra sequer. — Do que está falando?— O duque tomou-lhe a frente — Já planejamos tudo. Você irá se casar com minha filha! Evie cerrou os punhos e se virou para ficar cara a cara com seu pai. As palavras engasgadas estavam na ponta de sua língua, entretanto antes que pudesse berrar com Louis, Johnny falou: — A, decerto que sim, Louis. Só não será com a senhorita Beatriz. O duque e Evie o olharam confusos. Ela engoliu em seco pensando que o alívio não lhe serviu de nada. — O que quer dizer?— Engasgou ela. O visconde suspirou e a encarou com seu sorriso familiar. As entranhas de Evie se balançaram com aquele olhar malicioso. — Não esperava que desistisse tão fácil, não é?— Perguntou rindo— Eu não vou sair perdendo. Ou me caso com a senhorita Beatriz, ou com você, senhorita Evie. Evie se desequilibrou apoiando-se no duque que encarava o visconde com a boca entreaberta. — Comigo? — Perguntou num sussurro fino e amedrontado. — Sim — Johnny suspirou — a senhorita é tão encantadora quanto Beatriz. Olhando de cima a baixo, o visconde deu um minúsculo sorriso que fez com que Evie sentisse enjoo. Ela não queria se casar com ele, mas se não o fizesse, Bia pagaria. — O que está dizendo, homem?— Seu pai finalmente tomou frente da situação— Tínhamos combinado a mão de Beatriz e não Evie! O visconde riu — E que diferença faz?— Perguntou — E olhe por este lado duque, o senhor nem gosta desta bastarda. — Eu não sou bastarda!— Gritou Evie sentindo o calor retornar. Como ele ousa insultá-la? Ela sabia desde sempre que seu pai a odiava, agora chamá-la de bastarda é um insulto não só a ela, mas sim a sua finada mãe. — Johnny! — Berrou o duque apontando-lhe um dedo— Nem mais uma palavra. — Ora, mas ainda não contou a ela? — Do que ele está falando, meu pai— Perguntou virando para Louis.. — Que você não é nada mais que uma bastarda e o melhor que conseguirá em sua vida miserável será aceitar se casar comigo! O visconde a puxou pelo braço rugindo. — Largue minha filha agora!— O duque empurrou o visconde para longe puxando Evie para si. Os convidados fizeram uma pequena roda ao redor do conflito, cochichando uns com os outros sobre tal discussão. As irmãs de Evie saíram de perto da escada e começaram a seguir em direção ao tumulto. Enquanto isso, Evie olhava abismada para o pai e para o visconde — Como ousa tocar em mim?— Disse ela baixo. — Você será minha esposa, farei coisas piores— Confessou Johnny com um misto de prazer. A irritação chegou de tal forma que Evie não pensou antes de dar um passo à frente e virar sua mão na cara do visconde. O som do tapa fez com que todos parassem de respirar, inclusive Heloisa e Bia, que pararam no meio do salão assustadas. O duque arregalou os olhos pela primeira vez na noite, quieto e surpreso. Evie parecia desequilibrada, animalesca e principalmente sedenta por vingança. O visconde apalpava o rosto vermelho e inchado, com os olhos trêmulos e a boca ofegante em surpresa. — Nunca mais me toque ou me ofenda — Disse ela para Johnny que ainda permanecia perplexo — Fui clara? — Vai se arrepender— Rosnou ele. — Chega!— O duque pegou Johnny pelo colarinho— Não encoste em minha filha outra vez, entendeu? Nosso acordo é que se case com Beatriz. Evie ficará aqui! O visconde teve a audácia de sorrir para o homem. — Só achei que assim resolveria seu problema, meu amigo— Se afastando das mãos de Louis, o visconde clareou a garganta e encarou Evie— Me desculpe mademoiselle, pelo comportamento inadequado. Evie riu à beira da insanidade. Odiava a maneira sonsa que Johnny agia, como se nada que fizesse afetasse de fato as outras pessoas. Ele era como um predador nato, observando cada movimento de suas presas e naquele momento, Evie estava sendo caçada. Ela queria mais do que nunca entender a história de bastarda, mas tinha assuntos mais importantes para discutir. Olhou para os olhos assustados de Bia e engoliu o choro que lhe ameaçava cair novamente. — Quero você longe de minha irmã — Rosnou ao visconde. — Com certeza— Assentiu Johnny — Se a senhorita se tornar minha esposa, é claro. — Ela não se casará com você! — Cuspiu o duque. — Então sinto lhe dizer, milady, mas sua irmã ficará mais próxima de mim do que imagina. Evie encarou o pai lhe pedindo ajuda, lhe implorando ajuda. Ela faria qualquer coisa por Bia, mas como contrariaria as ordens do pai? Olhou uma última vez para o duque e então de volta ao visconde. Seus lábios tremeram, mas ela não tinha outra alternativa. Heloisa e Bia se aproximavam quando ela disse com a voz rouca: — Eu me caso com o senhor.As irmãs de Evie derraparam abruptamente no meio do caminho, tamanho era a surpresa ao ouvirem as palavras da mais nova. Os convidados tentavam de todo modo se aproximar dos anfitriões a fim de ouvir a conversa completa. Até mesmo os músicos cochichavam entre si, deslumbrados com a possível fofoca da elite. Entretanto, para Evie, aquilo não era um espetáculo qualquer, era a vida de sua família seguindo um rumo decepcionante e infeliz. O visconde sorria tão descaradamente que não seria possível esconder sua vitória. — O que está fazendo? — O duque, pela primeira vez, parecia genuinamente preocupado com a filha mais nova. Evie passou grande parte da sua vida esperando receber aquele olhar, mas naquele momento não sentia nada que não fosse revolta. Estava decepcionada e com raiva.— A escolha certa — Disse em tom amargo— Já que o senhor optou pela errada.— Não — Falou entre os dentes — Não tomei a escolha errada. Você não deveria ter se metido nesse assunto, Evie.— O que está aco
A fera sentiu alguém tocar o muro de espinhos. Em específico uma das três grandes rosas. E isso o assustou. Com um rugido feroz, correu pela floresta de sua corte, assustando as pequenas criaturas que habitavam a noite nebulosa. Troye berrou sobre o vento observando o muro — que dividia o seu mundo do mundo asqueroso dos humanos — cada vez mais próximo. Quando enfim chegou a divisa, parou abruptamente sobre o local exato em que as rosas encantadas eram protegidas. Havia uma para cada corte: Ar, Fogo e Gelo. Significavam a criação. A existencia de todas as criaturas mágicas. Elas criaram raizes juntos as plantas seculares que encobriram a barreira. Eram protegidas pelo espirito dos deuses dos três elementos do mundo mistíco. E uma delas não estava ali. Ninguém além dos guardiões poderiam tocá-las. Troye observou a rosa de sua corte e da corte de Gelo intactas. Mas a rosa de fogo havia sumido e o guardião legítimo, herdeiro do fogo, estava muito longe para necessitar de sua r
—Eu devia matá-la — Disse Troye encostado em uma árvore — Te cortar em pedacinhos. Agora, com o sol sob sua cabeça, o rei desfrutava de seu corpo humanoide novamente. O rei amaldiçoado não conseguia tirar os olhos da humana desmaiada na neve, passou a noite toda a velando e protegendo. Mesmo com o dia nascendo ela ainda permanecia adormecida. Troye não entendia o que o havia feito hesitar na noite passada, mas algo naquela menina era peculiar. Talvez seus olhos tão encantadores ou o modo como ela conseguia parecer ainda mais bonita quando dormia, quase como uma deusa. Não que Troye tivesse reparado em como ela era bonita… — Tsc!— Resmungou e apontou o dedo indicador para a garota— A senhorita é uma encrenca. Eu vou te matar agora mesmo! Ele se aproximou em um pico de coragem e se ajoelhou em frente ao corpo dela. Pegou uma faca e apontou para seu peito. Suas mãos tremeram. Percebeu a lâmina brilhar e a jogou longe da garota. Troye grunhiu se perguntando o que havia de er
O céu azulado foi a primeira coisa que ela viu ao despertar. Flocos de neve caiam em seu rosto enquanto a garota sentia uma tremenda dor de cabeça. Evie se levantou grunhindo e percebeu que estava na entrada da floresta negra. Ajeitou o vestido e a túnica sobre o corpo, ainda com a mente nublada e bagunçada. Dali já via sua casa.— Quem me trouxe aqui? — Se perguntou observando a floresta.A última lembrança que tinha da noite passada era a nevasca violenta…E a besta…Evie estremeceu ao se lembrar da fera. Alarmada, olhou ao redor com medo de que o monstro voltasse a aparecer em sua frente. Sua respiração acelerou. Seus pelos se arrepiaram e a memória, antes confusa, tornou-se clara. O sonho sangrento que a atormentava todas as noites era real! Apavorada, ela deu um passo apressado em direção a mansão, mas se lembrou de que alguém lhe tirara da floresta noite passada.A fera não havia lhe devorado!Percebeu com um pouco de atraso. A questão em si lhe perturbou instantaneamente. Por
CORTE DO AR- HÁ 50 ANOS Ele encarava seu reflexo observando como suas íris destilavam ódio. Um criado ajeitava seu terno branco enquanto Troye analisava ao redor, com um ar enojado. De sua janela conseguia ver as grandes torres de pedra infestadas de soldados armados e os muros decorados de rosas vermelhas com fadas do fogo enfeitando seus portões. Sentia o cheiro do pó mágico invadindo suas narinas e ouvia as criaturas das três cortes chegando em seus portões. O vento forte sussurrava em seus ouvidos que os minutos estavam passando rápido demais e que o tempo não possuía paciência alguma diante de sua situação. Troye odiava tudo o que seus olhos capturavam. Seu castelo estava com a decoração mais feia que já tinha visto e seus criados já não eram mais os mesmos. A rosa tatuada em seu pulso estava quase aberta por completo e o impaciente tempo estava prestes a terminar. Quando a coroação chegasse, seria seu fim. O fim de sua vida. O fim de seu reinado. Ninguém gostaria de ter u
Seus passos eram desleixados pela floresta densa e esbranquiçada. A neve caia em peso grudando em sua capa comprida e quente enquanto ela vagava por entre as árvores sem folhas, afundando os pés na neve fofa e gélida. A garota sentiu alguém se aproximando, mas não se importou em verificar quem poderia ser, apenas continuou sua caminhada arrastando o vestido vermelho como sangue pelo cenário claro. Evie sentiu a presença estranha cada vez mais próxima, estava perto o bastante para que conseguisse enxergar a silhueta masculina, embora não conseguisse identificar suas feições, pois seu rosto era um borrão escuro e esganiçado. Desse modo, ela desistiu de observar o homem sem rosto e seguiu para longe, se emanharando nos confins da floresta. O sol estava se pondo junto ao sorriso genuíno que a menina possuía ao começar sua caminhada inocente. Avistou de longe algo que lhe chamou atenção. Era vermelho, da cor de seu vestido, e cintilava sobre a neve branca. A rosa vermelha brilhava int