ANASTASIAQuando desci as escadas, vi o gerente atrás do balcão. Havia duas garotas e um garoto com ele, e parecia que estava lhes dando instruções.Já era noite, e o bar estava bem mais cheio do que quando cheguei.Ao parar diante do balcão, a garota e o garoto de antes me lançaram sorrisos tímidos antes de voltarem ao que estavam fazendo. Retribuí o gesto e olhei para o gerente.No instante em que seu olhar encontrou o meu, ele deixou os funcionários e veio até mim apressado.Lançou um rápido olhar para a porta antes de falar:— Me desculpe, ele ainda não voltou. Você tentou entrar em contato com ele? — Ele começou a enfiar a mão no bolso. — Posso ligar para ele, se quiser...— Não precisa, gerente. — Interrompi. Eu ficaria louca se tivesse que esperar mais um segundo.— Sinto muito, eu...— Não precisa, tá tudo certo. Só decidi esperar por ele em casa.Ele pareceu mais tranquilo e assentiu.— Tudo bem, então. Vou avisar ele que você passou aqui quando ele voltar.— Muito obrigada.C
ANASTASIA— Ele? — Ele sorriu e seu olhar percorreu meu rosto e a estrada algumas vezes antes de se fixar novamente na estrada.— Sim. — Eu disse, puxando a palavra, mordendo o lábio. Eu tinha esquecido completamente de contar para ele. — Fizemos o exame e é um menino.As sobrancelhas dele se ergueram enquanto ele me olhava.— Você fez mesmo?— Desculpa por não ter te informado. Eu esqueci. — Eu fiz uma careta.Ele apenas assentiu. E o silêncio desceu novamente.Eu me perguntei se ele estava bravo enquanto olhava para o lado do rosto dele. Além do silêncio repentino, não havia nenhum sinal de que ele estivesse bravo. Então, deixei para lá. Não queria adicionar mais uma preocupação à lista de preocupações que eu já tinha.Respirei fundo e virei para olhar pela janela. De repente, senti o bebê chutar. Meus olhos se arregalaram e eu soltei um pequeno suspiro.Acho que o meu suspiro foi mais alto do que eu imaginava, porque Aiden lançou um olhar para minha direção, mas logo voltou a olhar
DENNISEu bati o punho na mesa de Cole, fazendo tudo que estava em cima tremer.— O que diabos você quer dizer com não conseguir encontrar ele? Eu ouvi direito ou de repente desenvolvi algum problema no ouvido?Cole se encolheu. Seus olhos estavam arregalados de medo e remorso.— Desculpa, cara, eu tentei de tudo. O James simplesmente... Desapareceu sem deixar rastro depois de levar todo o nosso investimento.A raiva ferveu dentro de mim. Eu agarrei Cole pela gola e o joguei contra a parede.— Você é o especialista! Foi você quem garantiu por esse cara!— Eu sei, eu sei. — Cole gaguejou, levantando as mãos defensivamente. — Acredite em mim, eu tô tão arrasado quanto você. Eu perdi cada centavo também!Eu dei uma risada irônica.— Sério? Bem, para você é mais fácil ficar tranquilo por perder trocados. Eu investi 6 milhões reais, cara! Você tem ideia do quanto eu sacrifiquei para juntar esse dinheiro?As lembranças voltaram, de tudo que eu tive que abrir mão para levantar aquele dinheiro
ANASTASIA — Está esperando um bebê em oito meses?! — Eu exclamei, boquiaberta, enquanto olhava para a legenda. — Por que diabos o Aiden não me contou isso?Joguei meu celular para o outro lado da cadeira onde estava sentada e passei as mãos pelo meu cabelo. Como ele pôde deixar ela grávida enquanto eu estava carregando o filho dele?“Bem, ela é a esposa dele e você não é. Além disso, não é como se você fosse deixar ele ter o filho dela depois que a Amie estiver bem.”, uma voz disse na minha cabeça.— Eu sei, eu sei. — Murmurei. Mas aquilo vai gerar complicações. Aquela gravidez, naquele momento, de alguma forma, só complicaria as coisas para todos nós. Deus, por que minha vida sempre tinha que ser cheia de complicações? Por que tudo tinha que dar errado? Por que as coisas sempre saíam do caminho certo toda vez que eu conseguia colocá-las lá?Fechei os olhos e respirei fundo."Calma, Anastasia, tudo vai ficar bem. Nada precisa dar errado só porque a esposa legítima do Aiden está grávid
CLARAEu olhei ao redor do quarto enquanto mastigava a comida que tinha acabado de chegar. Dei uma tapinha nas minhas costas, orgulhosa de mim mesmo. Não, não foi uma tapinha mental. Eu realmente bati nas minhas costas, e se sente melhor do que um imaginado.Algumas horas atrás, o quarto estava cheio de caixas e móveis que precisavam ser montados. Eu tinha começado pelo quarto. Queria ter um lugar onde eu pudesse relaxar caso a energia para continuar limpando acabasse.Naquele momento, tudo o que restava era mover as cadeiras para os lugares que eu desejava e...Franzi a testa ao olhar para as caixas marrons ao lado da cadeira.— Ah, não! Achei que já tinha levado essas para dentro. — Eu falei, dando um gole no suco de laranja antes de caminhar até as caixas.Chutei-as antes de me agachar e abri-las.Minha mente já estava se perguntando o que havia na caixa e como eu poderia encaixá-las nas partes da casa onde poderiam pertencer. Eu realmente não tinha deixado espaço no meu quarto para
ANASTASIAApertei minha barriga com mais força e me perguntei se aquele era o meu fim.Será que era daquele jeito que eu estava destinado a morrer?E... Amie!Só de pensar nela, abri os olhos rapidamente. Minha morte provavelmente significaria a morte do meu bebê, o que significaria que Amie não teria mais chances de viver. Ela provavelmente morreria logo depois da minha morte ou viveria mais alguns anos sofrendo antes de finalmente partir.Não.Eu agarrei as pernas da cadeira e tentei me levantar, mas não conseguia tirar minhas mãos da barriga. A dor estava por toda parte, em todos os lugares doía, mas parecia que minha barriga era a raiz de tudo. Mas eu não desisti. Não podia.Me perguntei quanto meu bebê estaria sofrendo se a dor que eu sentia era daquele jeito.Não queria imaginar como Dennis ficaria devastado. Não queria pensar que o choque da minha morte poderia tirar a vida de Amie. E se aquilo não acontecesse, além da dor física que ela teria que suportar, nos próximos anos ela
DENNISEmpurrei a porta do bar, sentindo uma dor de cabeça terrível. Minha mente estava cheia de pensamentos sobre como eu poderia ter investido aquele dinheiro em algo melhor, como eu poderia rastrear aquele desgraçado e fazer ele pagar por nos enganar.Normalmente, não deixava as coisas me afetarem. Odiava me exaltar ou ficar com raiva, por isso sempre tentava manter a calma. Mas nos últimos meses, vinha sendo difícil. A cada dia, minha paciência era testada.Mas aquele dia tinha sido o pior de todos. Foi a gota d'água que me fez explodir. 6 milhões malditos reais! Como eu iria justificar aquilo? Como eu poderia recuperar todos os ativos que vendi?Não tinha como eu não estar estressado. Eu estava mentalmente exausto, fisicamente desgastado. Eu estava estressado em todos os sentidos possíveis.Desde que saí do encontro com Cole, eu vinha lançando olhares carrancudos para qualquer um que tivesse o azar de cruzar meu caminho.O bar estava lotado como sempre. Era o mais movimentado dos
DENNIS— Não é impossível, mas pode levar tempinho.Ah, exatamente.Quase revirei os olhos enquanto girava a cadeira. Me virei completamente para encarar Tabitha, arqueando as sobrancelhas, esperando uma resposta diferente, uma que fizesse sentido. Mas eu sabia que ela não tinha.Ela deu de ombros de novo.— Estou falando sério. Não é impossível. Nada é impossível. Só vai levar tempo.Joguei a cabeça para trás e soltei um gemido.— Só me diz como recuperar isso. — Encarei ela de novo. — Se vai levar tempo ou não, tanto faz. Só me diz.Ela mordeu o lábio e desviou o olhar para a minha mesa antes de voltar a me encarar.— É que...O toque estridente do meu celular a interrompeu. Soltei um suspiro pesado, peguei o aparelho do bolso e olhei para o identificador de chamadas.Franzi o cenho. "Por que diabos a Clara está me ligando?", murmurei, jogando o celular sobre a mesa com um estalo irritado.Tabitha olhou do meu rosto para o celular, mas não disse nada.Quando a chamada caiu, fiz um ge