Festa de aniversário de casamento dos pais de David Queen.
A orquestra parou de repente e, no mesmo instante, palmas invadiram o som até então harmônico, não eram aplausos, lamentavelmente, eram somente duas mãos se chocando vis, fúnebres, duras. Girei na direção da entrada ao mesmo tempo em que segurei a mão fria de David, um arrepio correu minha espinha logo que cruzei com os olhos do diabo. Ele sorria de canto enquanto saudava os convidados, desfilando entre os corpos como o astro que sentia ser. Seus passos cravavam em linha reta, sem desvio, nós éramos seu destino.
Impossível não se alterar, meu todo gritava por socorro e, mesmo se houvesse uma saída estratégica a qual pudesse escapar, David não permitiria, seus dedos esmagavam os meus, fundindo-se, álgidos. Houve três oportunidades para eu evita
— Calma, David. — Ele soltou minha mão e voltou-se com os olhos vermelhos, furiosos. Não, nem em sonho partiria do escritório sem ter conhecimento desse fato. — O que houve, David? Eu quero saber.Ele inspirou fundo.— Aurora, isso não é problema seu — Sara afirmou.— Talvez não fosse mesmo — rondei cada olhar pávido do ambiente —, mas agora é, sei que tem um segredo, desculpe… David, quero saber por você.— Fale, David… — Nicholas afrontou. — Fale, seu traidor…— Seu desgraçado. — O avanço fatal aturdiu o movimento, vi Sara cobrir a boca e Robert perpassar na direção. — Maldito…Um soco, outro e outro… golpes trocados.Retirei a sandálias e corri na tentativa de deter o massacre. Mútuo.— Pare, David,
Tempos antes...— David, qual o seu problema?Perdi o ar quando através dos vidros escuros avistei o jatinho — que para mim não passava de um aterrorizante convite para o desespero —, olhei aflita antecipando sua entrada, um longo tapete vermelho indicava o caminho.— Amor, como seria possível ir a Nova Iorque… — Quê? Nova Iorque? Juro, o choque me calou. — De trem?— Deus, você é maluco.Um dos seguranças abriu a porta e me pus para fora. Admito, senti- me parte da família real com toda aquela proteção, estávamos cercados por seguranças, armados e alertas como se protegessem o presidente. Provavelmente os dias de cativeiro o fizeram diferente, acredito que toda essa cautela refletia no quanto aqueles momentos agonizantes transformaram sua rotina (sua vida). O estado grave em que David deu entrada no hospital foi o relato físico da tortura, da desumanidade daqueles bandidos, da monstruosidade sem limites do d
Desembarcamos em Nova Iorque, logo a temperatura arrepiou a minha pele, David não permitiu que trouxesse uma mala, mas providenciou roupas que vestiriam um país inteiro assim que nos acomodássemos no hotel mil e uma estrelas. O período na cidade dos sonhos seria curto, porém o suficiente para um tempo só nosso, como eu disse, uma pausa do mundo real. Fora isso, ele teria duas reuniões que não fez questão de priorizar, ordenou que sua assistente desmarcasse, gerando muita dor de cabeça para a coitada da Valéria.Entre as peças escolhida a dedo por ele, uma em especial, a que vestia naquele instante paralisou-me diante do espelho — o tom escarlate coloria o tecido de seda, num caimento justo que marcou cada curva da minha silhueta. O comprimento tocava o chão com elegância, o vestido era o sonho de princesa, algo surreal.— Você está linda! — A rouquidão na voz moveu meus ombros.— Muito linda!David segurou minha cintura e nosso reflexo se formou ali. Ele
Não demorou nada e um blecaute inebriou tudo, para que canhões colorissem a entrada dos atores e bailarinos, a primeira canção foi Grease e depois de algumas cenas de atuação Summer Night. Olhei para David com um sorriso enorme no rosto, fiz uma careta engraçada e voltei para o espetáculo regado por champanhe. Por mais que tentasse descrever, não seria possível, era magnífico — a sincronia dos atores, as coreografias e o romance entre Danny Zuko e Sandy Olsson, soando em notas musicais e acordes, era lindo testemunhar o colegial dos anos 70, a gangue dos garotos T-Birds com suas jaquetas de couro liderados por Zuko e a turma das garotas Pink Ladies, nem piscava com medo de perder algum detalhe, cantava baixinho cada canção, eu conhecia todas. Durante a apresentação os atores fizeram algumas referências a nós dois, eu suspirava como uma boba, sorrindo para eles.
Caros leitores,Preparem-se para mergulhar em uma das minhas criações mais intensas e envolventes até hoje. Se você aprecia um romance ardente, de pegar fogo, linguajar improprio e um put@ desejo de querer se enfiar dentro dessa história, significa que chegou no lugar certo.Um beijo da sua autora, Darlla VI ♡XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXCom as vozes de Aurora Baker:— Chegamos! — disse minha mãe com empolgação, assim que estacionou em frente ao prédio azul.— Sim, chegamos — murmurei e virei para olhar através do vidro o prédio todo espelhado do lado de fora, calculei rapidamente quantos andares poderia ter o edifício luxuoso, talvez uns trinta, já que, mesmo me esforçando, ficou impossível ver seu topo.— Calma, bebê da mamãe, vai dar tudo certo.— Sim, vai. — Inspirei e joguei as costas para trás, ao encontro do banco. — Meu primeiro dia de estágio — lembrei num fio de voz o motivo célebre de eu estar ali.Dona Ana leu cada sinal que meu corpo transm
— Oi… — respondi confusa, tentando reconhecê-lo.— Você não se lembra de mim? Sou eu, Lucca! Estreitei os olhos, buscando seu rosto na memória. Não, não lembro!— Eu… — Tentei disfarçar a resposta que piscava na minha mente.— No dia da entrevista, no prédio da seleção, nos falamos brevemente na sala de espera — ele esclareceu. E eu quase gargalhei, pois realmente foi breve esse primeiro contato. Não lembro desse cara e sou péssima em memorizar fisionomia.Droga!— Claro! Como sou distraída. — Sorri, mentindo descaradamente.— Como vai?— Ansioso! Você não?Pude sentir sua empolgação, assim que ele colou as palmas das mãos e as esfregou freneticamente.— Sim, estou muito ansiosa.— Estou sentado bem ali. — Ele apontou para a primeira fileira. — Quer me fazer companhia?Condenei o lugar, primeira fileira não estava nos meus planos, geralmente quem se senta nos primeiros assentos é obrigado a expor suas opiniões, e francamente, pretendia me manter invisível tempo suficiente para não com
Assim que entramos, inalei o cheiro divino de carne e a fome movimentou o meu estômago, seguimos em fila para o fundo da hamburgueria lotada, sendo difícil não apreciar cada detalhe, uma decoração retrô dos anos oitenta compunha cada pedacinho do lugar… SENSACIONAL!Como assim, morava em São Paulo, passeei diversas vezes pelo centro e nunca havia entrado ali? Aurora, sua distraída!Deixei a turma continuar e parei para olhar as fotos de um chinês abraçado a alguns artistas, o dono do lugar parecia ser importante.— Nossa, que lugar legal! — exclamei e me juntei ao grupo, admirada com tudo.Raica escolheu um cantinho bem ao fundo, onde não havia uma concentração muito grande de pessoas famintas.— Vocês já são muito bem-vindos! — sucateou um baixinho de olhos puxados e bandeja embaixo do braço. — Chill, Chill, vai rolar aquela porção de fritas grátis? — Raica esperta, tentou descaradamente.Chill fingiu se espantar, mas saquei que estava acostumado com o pedido.— Já querem falir o Chi
Aproveitei e voltei a respirar…Nossa, o que foi aquilo?Tentei raciocinar à medida que a máquina subia, só que as sensações que fluíam no meu corpo me confundiram um pouco. Era um misto de curiosidade com fascínio — estupidamente interessante.— Acho que você arrumou um fã — Lucca cochichou no meu ouvido.— Como? — sussurrei temendo que alguém o ouvisse.— Você viu como ele estava te olhando?— Quem?— O executivo bonitão.— Não… eu…— Chegamos — falou Renan, aliviado.A turma passou por mim, apressados, intrépidos, ao passo que minha mente abusada processava aquele rosto — intenso, atraente e sinuoso. Havia alguma coisa incomum ali, não sei explicar, ou compreender, só sei que aquele cara acordou algo adormecido em mim. Não levamos nenhuma bronca, pelo contrário, o supervisor Maico foi até compreensivo com o fato de o elevador ter dado pau.No segundo período as horas passaram rápido, o treinamento fluiu com uma preciosa lição: raciocínio rápido. Eles eram exigentes com cada detalhe