Eu precisava que aquela senhora me ajudasse.— Por favor… me diga tudo o que sabe.Implorei, com a voz embargada. — Ayla… Ayla está morta. E depois de partir, uma mulher apareceu na floresta para mim. Ela dizia ser a vó de Ayla… e pediu para que eu fosse ao seu encontro. Foi por isso que vim até aqui.As palavras saíram rasgando minha garganta, como se cada sílaba carregasse o peso do meu luto. Eu ainda não conseguia aceitar aquela verdade, mas precisava usá-la como combustível. Se houvesse algo além da morte, alguma chance de reverter o que aconteceu, eu encontraria. Nem que para isso eu tivesse que rasgar o céu e o inferno com as próprias mãos.Eliza levou a mão à boca, os olhos marejando, chocada com a notícia.— Morta? Sussurrou, como se aquela palavra não fizesse sentido algum. — Quem… quem matou Ayla?— Foi um ataque. Um dos nossos, mas não um dos meus.Respondi, tentando resumir o horror que ainda me corroía por dentro pela atitude destrutiva de Laila. — Eu não pude protegê-
Eu não sabia o que ela quis dizer com " A sua jornada está só começando", mas eu estava ali para descobrir.— Entre.Ela disse, afastando-se para o lado. Você também, rapaz.Acrescentou, lançando um breve olhar para Ethan.Cruzamos a porta. O cheiro da casa era de ervas, chá quente e madeira antiga. Havia símbolos por todos os lados, coisas que agora, olhando melhor, reconheci: Magia. Era magia antiga. Forte. E uma leve lembrança veio como flash como se eu já tivesse vivenciando algo como aquilo.Nos sentamos. Ela à nossa frente. Seus olhos cravados em mim.E então, com uma tristeza profunda, ela falou:— O seres de luz me mostraram a verdade. Vi minha neta Ayla em meio as sombras. Ela estava tentando fugir, até que a escuridão a alcançou. Vi seu corpo pálido, e sua alma de desprender.Sua voz falhou, os olhos marejados. — Ela morreu, com medo e sozinha.Engoli seco. Não havia dor maior do que ouvir aquilo. Eu, um anjo obsessor, projetado para despertar o desejo... agora estava que
O silêncio tomou conta da sala por um instante, como se o mundo inteiro tivesse prendido a respiração. Eu não sabia como reagir. A presença daquela senhora, o olhar cheio de dor e sabedoria, e a lembrança da Ayla... tudo parecia me esmagar por dentro. — Você sentia que amava ela, não é? A senhora perguntou com a voz baixa, mas firme.Assenti, engolindo em seco.— Sim.Respondi. — Mesmo antes de saber quem ela era. Mesmo sem compreender o que estava acontecendo. Eu lutei contra isso… mas era como se minha alma não tivesse escolha.Ela sorriu, mas era um sorriso triste, como quem conhece as dores do tempo.— Isso porque você nunca teve escolha, Azrael. E Ayla também não.Me aproximei devagar, confuso.— Como assim?Ela suspirou e se sentou numa cadeira de balanço que rangia levemente com o movimento.— A história que você conhece, é apenas a ponta do véu. Muito antes de Ayla nascer, antes mesmo de Eliza, Clara, ou qualquer outra das mulheres da nossa linhagem, nós já éramos caçadas.
Eu estava me lembrando de alguns detalhes da minha história. Eu sempre soube que havia algo de quebrado no meu passado. Algo rachado em minha origem. Os outros anjos diziam que meu pai era um dos mais poderosos da casta dos obsessores, um mestre em manipular destinos, um estrategista frio, cruel e reverenciado. Mas ninguém contava como ele morreu. Ou por quê.Agora, sentado naquela sala repleta de símbolos antigos e registros proibidos, tudo estava vindo à tona, por boca da avó de Ayla, a única que ainda sabia a história completa.— Azrael… você sabe por que seu pai foi condenado?Balancei a cabeça, devagar.— Sempre me disseram que ele desapareceu em batalha. Nunca explicaram os detalhes.Ela se encostou à cadeira, os olhos mergulhados em lembranças amargas.— Seu pai foi condenado porque fracassou. Não uma vez. Mas repetidas vezes. Cada vez que você se apaixonava por Ayla, cada vez que sua memória resistia aos encantamentos dele… cada lembrança sua era um furo na autoridade dele. No
Eu encontrei Hariel onde sempre o via, entre os mundos, pairando sobre a neblina onde os vivos e os mortos se confundem. Quando apareci diante dele, percebi em seus olhos algo que nunca vi antes.Medo.— Você falou com ela, e ela usou magia em você.Ele disse antes que eu dissesse qualquer coisa.— Sim. Ela me contou tudo. Sobre meu pai. Sobre Ayla. Sobre mim.O silêncio dele foi a confirmação que eu precisava.— Então é verdade...continuei, me aproximando...— Você sabia de tudo. Sempre soube.Hariel desviou o olhar. Pela primeira vez, ele parecia menor que eu.— Era o único jeito de mantê-los vivos.Ele murmurou. — Se você soubesse, teria tentado impedir o ciclo. E isso quebraria as regras do equilíbrio. Você teria morrido, Azrael.— E Ayla morreu todas as outras vezes por sua causa! Gritei. — Você me impediu de lembrar. De protegê-la. De salvá-la!— Porque o amor de vocês ameaça tudo o que conhecemos!Ele retrucou. — Você é um anjo obsessor, Azrael. Ela é sangue legítimo de Cl
AYLA..Meu nome é Ayla, e durante 18 anos, vivi sobre o manto das tradições da minha família.Fui ensinada desde pequena que a pureza era o meu maior tesouro, algo a ser protegido a todo custo.As mulheres da minha linhagem só podiam se casar aos 21 anos, e até lá, a virgindade deveria ser mantida como prova de honra e respeito, era uma regra inquestionável, e eu nunca pensei em desafiá-la.Havia muitos pretendentes à minha volta, todos de boas famílias, todos sabendo que, até os 21 anos, não poderiam me tocar.Para eles, era um privilégio poder esperar, uma prova de paciência e desejo. Para mim, era uma responsabilidade que eu carregava com orgulho.Eu acreditava plenamente no valor dessa tradição e no que ela representava para mim e para a minha família.Mas então, algo aconteceu. Algo que eu jamais poderia prever ou entender.Tudo começou em uma noite comum, como qualquer outra.Eu estava no meu quarto, pronta pra dormir, quando senti um frio estranho, que parecia emanar das pare
Desde que Azrael apareceu, eu dormia inquieta, mas no dia seguinte em que estive com a minha avó, durante a noite, caí num sono profundo, como se uma força invisível me puxasse para um mundo desconhecido. Eu estava em um campo, a grama alta balançando suavemente ao vento, a lua cheia iluminando tudo com um brilho prateado. O ar era fresco, e uma sensação de paz me envolveu, tão diferente do que eu vinha sentindo nas últimas semanas.De repente, senti uma presença atrás de mim, me virei e o vi. Azrael estava ali, ainda mais bonito e envolvente do que eu me lembrava. Suas asas se abriam lentamente, como se estivesse prestes a me abraçar. E, naquele momento, não senti medo, mas um desejo intenso e desconhecido que começou a queimar dentro de mim.Ele se aproximou lentamente, seus olhos fixos nos meus, me hipnotizando. Quando estava perto o suficiente, senti sua mão deslizar pelo meu braço, um toque leve que enviou uma onda de calor pelo meu corpo. Era como se cada célula minha responde
Ele baixou a cabeça, o rosto perto do meu, seus olhos brilhando com um calor inexplicável. Seus dedos começaram a deslizar suavemente sobre meu pescoço, descendo pelo meu colo até chegarem aos meus seios. Quando ele os tocou, senti um arrepio intenso percorrer meu corpo, como se sua pele estivesse carregada de eletricidade. Era um toque delicado e ao mesmo tempo possessivo, que fazia minha pele queimar e minha respiração acelerar.— Você sente isso, Ayla?Ele sussurrou, a voz baixa e carregada de promessas perigosas. — Sente como seu corpo responde ao meu? É isso que você deseja, mesmo que tente negar.Eu queria gritar, afastá-lo, mas as palavras se prendiam na minha garganta. Meu corpo parecia estar fora do meu controle, reagindo ao toque dele de maneiras que eu não conseguia evitar. Fechei os olhos, tentando bloquear as sensações, mas era impossível. Cada movimento dos dedos dele sobre minha pele fazia com que eu perdesse um pouco mais do controle.— Pare... Consegui murmurar, mas