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2.0 - O gosto amargo do arrependimento

Max

O despertador soou estridente ao lado da minha cabeça, mas eu já estava acordado. A noite tinha sido longa e inquieta, marcada por um turbilhão de pensamentos que se recusavam a me deixar em paz. Pisquei algumas vezes, tentando afastar a sensação incômoda no peito, mas ela continuava lá. Algo dentro de mim estava errado. Algo que eu não queria admitir.

Passei a mão pelo rosto, soltando um suspiro pesado antes de finalmente me levantar. A luz matinal entrava timidamente pelas frestas das cortinas, projetando sombras suaves pelo quarto. Caminhei até o banheiro e encarei meu reflexo no espelho. Eu parecia cansado, os traços tensos, como se a noite sem dormir tivesse cobrado seu preço. Mas não era apenas o cansaço. Era outra coisa. Algo que eu não queria nomear.

Charlotte.

As imagens da noite anterior vieram com força total. A forma como ela interveio naquela reunião, como enfrentou a situação sem hesitar. Ela estava tentando me ajudar. Mas eu não enxerguei assim. Eu vi isso como uma afronta, um desafio à minha autoridade, e explodi. Disse coisas que talvez não devesse.

Passei a mão pelos cabelos, sentindo o incômodo aumentar. O problema era que Charlotte sempre soube como me desestabilizar. Ela me fazia sentir coisas que eu não queria sentir. Eu não podia me dar ao luxo de parecer vulnerável, muito menos diante dela. Mas quando a vi chorando, quando a vi gritar comigo e depois correr para fora da minha sala...

Engoli em seco. Ela tinha ido embora. Disse que estava se demitindo.

Mas isso não significava que realmente faria isso, certo?

Balancei a cabeça, afastando aquele pensamento. Charlotte sempre foi impulsiva. Ela estava apenas com raiva. Depois de uma noite de sono, pensaria melhor e perceberia que não fazia sentido jogar tudo para o alto por causa de uma discussão.

Respirei fundo e segui para o closet, escolhendo um terno escuro. Me vesti com precisão mecânica, como fazia todas as manhãs. Cada movimento era calculado, cada botão fechado com exatidão. Era a minha rotina, a minha forma de manter o controle. Mas hoje, nada parecia no lugar.

A verdade era que a ideia de Charlotte realmente sair me incomodava mais do que deveria. Não apenas porque ela era eficiente, organizada e praticamente insubstituível no trabalho. Mas porque...

Porque eu não queria que ela fosse embora.

Apertei o nó da gravata com mais força do que o necessário, ignorando o aperto no peito.

Ela viria para o trabalho. Com certeza. Charlotte sempre aparecia.

Hora mais tarde…

— São quase meio-dia, e Charlotte ainda não deu as caras. Será que finalmente cansou de você?

A voz de Daniel preencheu o escritório antes mesmo que eu pudesse levantar os olhos dos contratos espalhados na mesa. Ele entrou como sempre fazia, sem pedir permissão, como se aquele fosse o escritório dele e não o meu.

Ignorei seu comentário e continuei fingindo que estava ocupado, mas ele não se deu por vencido.

— Estou falando sério, Max. É a primeira vez em anos que entro aqui e não vejo a todo-poderosa senhorita Grant sentada naquela mesa, te lembrando de comer ou de não ser um completo babaca com as pessoas.

Bufei, massageando as têmporas. — Não tenho tempo para as suas piadas agora, Daniel.

— Ah, mas eu tenho — ele rebateu, jogando-se em uma das poltronas de frente para minha mesa. — E eu sou ótimo nisso.

Cruzei os braços e encarei seu sorriso satisfeito.

— O que você quer?

— Eu? Nada. Só vim cumprir minha rotina diária de irritá-lo. Mas, pelo visto, você já está irritado o suficiente por conta própria.

Daniel estreitou os olhos, me observando com atenção. Eu podia ver a mente dele trabalhando, ligando os pontos antes mesmo que eu dissesse qualquer coisa.

— Ok, o que aconteceu?

Fingi desinteresse e voltei a olhar para a papelada, mas ele não desistiu.

— Max. Eu te conheço. Algo está errado, e tem a ver com Charlotte, não tem?

Soltei um suspiro pesado, recostando-me na cadeira.

— Ela não veio hoje.

— Sim, eu percebi isso sozinho, gênio. O que eu quero saber é o motivo.

Minha mandíbula travou, e Daniel percebeu na hora.

— Você fez merda, não fez?

Não respondi de imediato, mas pelo jeito como ele riu e balançou a cabeça, já tinha sua resposta.

— Eu sabia! — Ele apontou para mim, se divertindo. — O senhor frieza e controle absoluto finalmente cometeu um erro com a única pessoa que te atura sem ganhar um milhão para isso.

— Vai me deixar em paz ou quer que eu te expulse daqui?

Daniel apenas riu de novo, cruzando os braços.

Meu telefone continuava mudo. Nenhuma mensagem. Nenhuma ligação. O relógio no canto da tela marcava quase meio-dia, e Charlotte ainda não havia aparecido.

Cada minuto sem notícias apenas alimentava minha irritação. Mas não era só irritação. Era algo mais profundo.

— Isso está me divertindo mais do que deveria — a voz de Daniel trouxe minha atenção de volta. Ele estava jogado em uma das poltronas do meu escritório, as mãos cruzadas atrás da cabeça e um sorriso presunçoso nos lábios.

Lancei um olhar cortante para ele. — Por que diabos você está achando graça?

— Porque é hilário ver você, Maximilian Steele, o homem mais calculista que eu conheço, completamente perdido porque sua secretária resolveu te dar um gelo.

Minha mandíbula travou. — Eu não estou perdido.

Daniel ergueu uma sobrancelha. — Não? Então por que está verificando o celular a cada dois minutos como um adolescente rejeitado?

Joguei o telefone sobre a mesa com mais força do que o necessário. Daniel apenas riu.

— Vai me contar o que aconteceu ou tenho que adivinhar?

Cruzei os braços e olhei para a cadeira vazia onde Charlotte deveria estar.

— Discutimos ontem. Ela... interveio em uma reunião. Defendeu minha decisão quando me atacaram. Mas eu não vi desse jeito.

— E o que você fez?

Desviei o olhar. — Explodi com ela.

O silêncio de Daniel foi quase pior do que se ele tivesse me xingado. Depois de alguns segundos, ele soltou uma risada baixa e balançou a cabeça.

— Você é um idiota.

— Eu sei.

O reconhecimento saiu antes que eu pudesse me conter. Daniel piscou, surpreso.

— Espera. Você admitiu?

Passei a mão pelo rosto, sentindo o cansaço pesar sobre mim. — Sim, admiti. Agora pode parar de comemorar?

— Nem fodendo. Isso é histórico! — Ele sorriu, mas depois ficou sério. — O que vai fazer?

O que eu podia fazer? Charlotte era teimosa. Se realmente decidiu que ia se demitir, não voltaria atrás tão facilmente.

Mas eu não podia deixá-la ir.

Respirei fundo e peguei o celular, hesitando por um segundo antes de abrir a conversa com ela.

Maximilian: "Charlotte. Precisamos conversar."

Aguardei. Nenhuma resposta.

Daniel se inclinou para frente, observando minha tela. — Se acha que uma mensagem dessas vai fazê-la voltar, você realmente não a conhece.

— Eu sei.

Mas era só o começo.

Então, Charlotte aparece, entrando em minha sala como um furacão.

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