Charlotte
— Eu ainda não acredito que você vai me abandonar, Clara — dramatizei, levando a xícara de café aos lábios.
Clara riu, revirando os olhos enquanto passava manteiga na torrada. — Você está falando como se eu estivesse me mudando para outro país. É literalmente a cinco quarteirões daqui.
— E ainda assim, longe o suficiente para eu ter que lidar sozinha com minha própria vida. — Suspirei, fingindo desespero.
— Talvez seja a hora, né? — Ela ergueu uma sobrancelha com um sorriso malicioso. — Além disso, quem sabe assim você finalmente leva um homem para casa sem medo de me traumatizar?
Quase engasguei
Me aproximei da mesa com calma, sentindo o olhar de Maximilian ainda grudado em mim. Ele apertava os copos de café nas mãos, os dedos levemente tensos.Quando parei diante dele, ele pigarreou e engoliu em seco, desviando o olhar por um segundo antes de me encarar novamente.— Esse... esse café é para você. — Ele estendeu um dos copos, e eu olhei de relance para o líquido quente antes de erguer uma sobrancelha.— Sério? — Cruzei os braços, fingindo surpresa. — Porque, por um segundo, achei que estava tendo um delírio matinal.Max apertou os lábios, claramente se esforçando para manter a compostura.— Eu... só achei que você gostaria.Aquilo era inédito.Maximilian Steele, o homem mais arrogante e mandão que eu conhecia, trazendo café para mim.— Bom, obrigada. — Peguei o copo, observando seu olhar cair para as minhas mãos, como se não esperasse que eu realmente aceitasse. Dei um pequeno gole, apenas para provocá-lo. — Está do jeito que eu gosto.Ele pareceu relaxar um pouco, mas logo pi
Depois de um banho quente e demorado, fiquei em frente ao espelho, avaliando as opções de vestido que tinha separado. Nada muito chamativo, nada muito simples. Eu queria estar impecável, mas sem parecer que estava tentando demais.Escolhi um vestido preto de cetim, com alças finas e um decote discreto. O tecido abraçava minhas curvas no ponto certo, caindo suavemente até a altura dos joelhos. Um blazer estruturado por cima dava um toque profissional, mas não escondia completamente o vestido.— Elegante e perigosa — murmurei para mim mesma, sorrindo ao prender o cabelo em um coque baixo, deixando algumas mechas soltas para suavizar o visual.Clara passou pela porta do quarto no exato momento em que finalizei a maquiagem, com um brilho nos lábios e um
Victor girou o copo de uísque entre os dedos, um sorriso divertido dançando nos lábios enquanto seus olhos se fixavam em mim mais do que o necessário.— Então, Charlotte, me diga… há quanto tempo trabalha para o Steele?Ajeitei a postura, mantendo um tom profissional. — Um pouco mais de dois anos.— Dois anos? — Ele ergueu uma sobrancelha, impressionado. — E ainda não fugiu? Isso é admirável.Soltei um pequeno sorriso, mas antes que pudesse responder, Maximilian interveio.— Charlotte sabe reconhecer uma boa oportunidade quando vê uma.Victor soltou uma risada baixa. &md
Victor encostou-se relaxadamente na cadeira, o sorriso presunçoso nunca deixando seus lábios. Ele tomou mais um gole do uísque antes de falar:— Steele, você sempre foi um homem de sorte. Mas preciso admitir que, nesse caso, sua sorte foi além dos negócios.Maximilian apertou o copo com tanta força que, por um momento, temi que o vidro fosse estilhaçar em sua mão.— Do que exatamente você está falando? — Ele perguntou, a voz baixa e controlada, mas carregada de irritação.Victor ignorou a tensão crescente e girou o olhar de forma apreciativa para mim.— Charlotte, é claro. Inteligente, elegante… e linda. Acho que subestimei sua capacidade de manter talentos ao seu lado, Max.Segurei o garfo com mais força do que deveria. Eu já estava acostumada a ser tratada como um mero adorno em reuniões de negócios, mas Victor estava indo além. Ele estava provocando Max deliberadamente.E estava funcionando.Maximilian se inclinou para frente, os olhos faiscando.— Se está interessado na minha assi
— Maximilian! — Chamei seu nome pela terceira vez, mas ele parecia não me ouvir.Sua mão estava firme na minha cintura, me guiando com passos largos e determinados até o carro. Não era um toque doloroso, mas era forte o suficiente para me fazer sentir sua raiva fervendo sob a pele.— Max, se acalma! — insisti, tentando puxar meu braço de leve, mas ele não soltou.Ele abriu a porta do carro com força e praticamente me colocou dentro antes de dar a volta e entrar no banco do motorista.O silêncio durou exatamente dois segundos.— Filho da puta! — Max bateu as mãos no volante, seus olhos queimando de fúria. — Aquele des
O cheiro de café fresco se espalhava pelo apartamento enquanto eu me sentava à mesa, puxando os joelhos contra o peito.Fazia uma semana desde que Clara havia se mudado, e, apesar de estar genuinamente feliz por ela, o silêncio deixado por sua ausência era ensurdecedor.Não havia ninguém para me apressar de manhã, para discutir sobre quem escolheria o filme da noite ou para aparecer na minha porta com uma garrafa de vinho depois de um dia ruim.Soltei um suspiro, levando a xícara aos lábios.Eu sempre fui independente, nunca precisei de ninguém para me sentir completa. Mas, naquele momento, não pude evitar a sensação de que algo estava… faltando.Sacudi a cabeça, afastando o pensamento.Tinha trabalho a fazer.Levantei-me, peguei meu celular e chequei a hora. Se eu quisesse evitar qualquer atraso, precisava me apressar. Afinal, Maximilian Steele não era exatamente um homem paciente.E, se havia algo que eu aprendera ao longo dos anos, era que um Max impaciente nunca era uma boa notíci
Me sentei à minha mesa, pronta para organizar os e-mails do dia, quando o som de passos firmes ecoou pelo corredor. Levantei o olhar e, para minha absoluta falta de surpresa, Victor Ward passou direto por mim sem nem diminuir o ritmo, indo diretamente para a sala de Maximilian.Suspirei, balançando a cabeça. Desde que a fusão havia sido oficializada, Victor estava por aqui o tempo todo. Ele tinha sua própria sala, sua equipe, tudo o que precisava. Mas, de alguma forma, parecia que o ponto alto do seu dia era dar sua visita diária para irritar Max.E o pior? Ele se divertia horrores com isso.A porta se abriu sem cerimônia, e eu ouvi claramente a voz de Victor:— Steele! Como está o humor do nosso rei dos n&uacu
Maximilian bufou, o peito subindo e descendo com a respiração pesada. Seus dedos deslizaram pela minha cintura antes de me soltar, apenas para agarrar minha mão com firmeza.Antes que eu pudesse protestar, ele a levou até seu peito, pressionando-a contra o tecido quente da camisa social. Seu coração batia forte, ritmado, denunciando a tempestade dentro dele.— Viu isso? — Sua voz saiu rouca, carregada de algo que eu não soube definir.Engoli em seco, sentindo o calor irradiando de seu corpo.— Max...— Ele me tira do sério — ele interrompeu, seus olhos ardendo nos meus. — Mas nada me irrita mais do que ver outro homem tocando em voc&ec