Capítulo 2
Já passava das nove da noite quando Pedro e a filha voltaram para casa.

Ana segurava a barra da roupa de Pedro, e desceu do carro lentamente.

Porque sua mãe estava em casa, ela, na verdade, não queria voltar.

Mas a tia Sofia disse que a mãe tinha vindo especialmente para passar a noite com ela e com o pai, e que, se não voltassem, ela ficaria triste.

O pai também falou que, se não voltassem, a mãe com certeza iria se juntar a eles no passeio do dia seguinte.

Ela não teve escolha e acabou concordando em voltar.

Mesmo assim, ainda estava um pouco preocupada e, com um ar de frustração, disse:

— Papai, e se a mamãe insistir em ir com a gente amanhã?

— Não vai insistir. — Pedro respondeu com firmeza.

Nos anos de casados, embora Isabela sempre procurasse formas de passar mais tempo com ele, ela também sabia se comportar. Desde que ele demonstrasse que não queria, ela jamais ousaria contrariá-lo.

Na memória de Ana, Isabela sempre foi muito obediente às palavras de Pedro.

Se ele dizia que não ia acontecer, então ela sabia que não aconteceria.

Finalmente, Ana se acalmou.

Seu humor melhorou instantaneamente e, esquecendo a irritação que sentiu antes, ela entrou saltitando e foi direto até dona Rose para avisar que queria tomar banho.

— Tá bom, tá bom. — Dona Rose respondeu, acenando com a cabeça. Se lembrando da instrução de Isabela, entregou um envelope ao Pedro. — Sr. Pedro, a Sra. Santos pediu para entregar isso ao senhor.

Pedro pegou o envelope e perguntou casualmente:

— E ela?

— A Sra. Santos foi embora na hora do almoço, o senhor não sabia?

Pedro parou por um instante e, se voltando para perguntar, disse:

— Ela foi embora?

— Sim.

Isabela ter vindo de repente para o País A havia sido algo que Pedro nem deu oportunidade para ela explicar.

E ele não se importava.

Quando soube que ela já tinha partido, não deu muita importância.

Ana também ficou surpresa.

Ao ouvir, sentiu uma pontada de tristeza no peito.

Ela ainda estava pensando que, se a mamãe não fosse com eles no passeio, seria bom ter a companhia dela à noite.

Além disso, quando estava lixando as conchas, os dedos sempre doíam e ela pensava em pedir para a mãe ajudá-la.

Pedro e Isabela já estavam há meses sem se ver. Isabela havia finalmente conseguido vir, mas nem sequer teve a chance de ver Pedro. Dona Rose, ao se lembrar de como Isabela parecia ter uma expressão estranha ao partir, não pôde deixar de comentar:

— Sr. Pedro, a Sra. Santos não parecia bem quando foi embora, parecia até um pouco irritada.

Dona Rose havia inicialmente pensado que Isabela tinha algo urgente e por isso precisou voltar para o país de forma tão apressada. Mas, agora que soube que Pedro não sabia de sua partida, percebeu que algo não estava certo.

Irritada?

Isabela, diante dele, sempre se mostrou tão pacífica e compreensiva.

Nunca imaginou que ela pudesse ficar brava.

Isso, sim, era novidade.

Pedro deu um sorriso indiferente, respondeu de maneira vaga a dona Rose e subiu para o andar superior.

Ao chegar ao quarto, estava prestes a abrir a carta que Isabela lhe havia deixado, quando o telefonema de Sofia tocou. Após atender, Pedro jogou o envelope para o lado e saiu rapidamente.

Pouco depois, o envelope caiu do lado da cama, indo parar no chão.

Naquela noite, Pedro não voltou para casa.

No dia seguinte, quando dona Rose subiu para limpar o quarto, viu o envelope no chão e o reconheceu como o mesmo que Isabela lhe pediu para entregar ao Pedro no dia anterior.

Ela achava que Pedro já tinha lido a carta e, como sempre, a deixou de lado, guardando ela no armário.

...

Isabela desembarcou do avião e, ao chegar em casa, subiu diretamente para o andar superior para arrumar suas coisas. Afinal, já se passavam seis anos, e ainda havia muitos itens dela pela casa.

Porém, ela levou consigo apenas algumas roupas, dois conjuntos de utensílios diários e alguns livros profissionais.

Após o casamento, Pedro depositava uma quantia mensal para ela e para a filha, dividida entre duas contas bancárias.

Uma era dela, e a outra, da filha.

Mas Isabela sempre usou a sua própria conta para fazer compras e pagar suas despesas.

Ela nunca tocou no dinheiro da filha, e raramente gastava do que tinha na sua conta.

Ela amava Pedro, e sempre que ia às compras, não resistia a adquirir algo que achasse que ficaria bem nele, como roupas, sapatos, abotoaduras, gravatas...

Quanto a ela mesma, devido à profissão, não tinha muitos gastos. Ela se importava apenas com o marido e a filha, e fazia tudo para dar o melhor para os dois. Por isso, a maior parte do dinheiro que Pedro lhe enviava acabava sendo gasto com eles.

De acordo com essa situação, o saldo da conta bancária deveria estar bem baixo agora.

No entanto, durante mais de um ano, devido ao fato de sua filha ter ficado praticamente o tempo todo com Pedro no País A, ela teve poucas oportunidades de comprar coisas para eles.

Agora, na conta bancária ainda restavam mais de três milhões de reais.

Pedro provavelmente não se importaria com esse valor, mas para ela não era uma quantia pequena.

Já que o dinheiro era, de fato, dela, Isabela não fez rodeios e transferiu ele.

Deixou os dois cartões de banco, arrastou as malas e saiu sem olhar para trás.

Ela tinha um apartamento não muito longe da empresa onde trabalhava.

O apartamento não era grande, com pouco mais de cem metros quadrados.

Há quatro anos, ela comprou o imóvel para ajudar uma amiga que tinha se afastado de casa, mas nunca havia morado nele.

Agora, ele finalmente estava sendo útil.

O apartamento era limpo, pois ela havia contratado alguém para fazer a limpeza regularmente, então só foi necessário um toque rápido antes de se instalar.

Após um dia cansativo, já passava das dez da noite quando Isabela se lavou e foi para o quarto descansar.

O som estridente do despertador a acordou de um sono profundo.

Repentinamente acordada, Isabela ficou alguns segundos sem entender o que estava acontecendo.

Quando sua mente se clareou, ela percebeu que era uma da manhã, o que significava que no País A, onde Pedro e sua filha estavam, já passava das sete horas da manhã.

Pedro e sua filha geralmente tomavam café da manhã nessa hora.

Desde que a filha foi para País A com Pedro, ela costumava ligar para a filha nesse horário.

Ela, que geralmente estava cansada do trabalho e acostumada a dormir cedo, temia perder a oportunidade de falar com a filha e, por isso, havia colocado o despertador nesse horário.

No começo, quando a filha chegou no País A, ela não se acostumou e sentia muita falta dela, pensando em ligar a todo momento.

Mas, conforme o tempo foi passando e ela ficou cada vez mais adaptada, as ligações se tornaram menos emocionais, com a filha ficando cada vez mais impessoal e impaciente nas conversas.

Na verdade, o despertador já não fazia mais sentido.

Era apenas ela, relutante, que não conseguia deixar de usá-lo.

Pensando nisso, Isabela deu um sorriso amargo.

Depois de hesitar um pouco, ela apagou o alarme e, desligando o telefone, voltou a dormir.

Do outro lado, Pedro e Ana já haviam terminado o café da manhã.

Embora Pedro soubesse que Isabela geralmente ligava para a filha todos os dias nesse horário, ele não estava em casa todos os dias e, por isso, não se importava tanto com isso.

Hoje, quando ele percebeu que Isabela não havia ligado, notou, mas não deu muita importância. Terminou o café da manhã e subiu para trocar de roupa.

Ana achava que Isabela estava ficando cada vez mais chata e que ela já não gostava de conversar com ela tanto quanto antes.

Quando percebeu que, mesmo tão tarde, Isabela ainda não tinha ligando, pensou que talvez algo tivesse atrasado a mãe.

Seus olhinhos escuros brilharam de um jeito travesso, e ela pegou a mochila, correndo para fora de casa.

Dona Rose viu e, apressada, a seguiu, dizendo:

— Ana, ainda está cedo. Você pode sair mais tarde, ainda dá tempo!

Ana não ouviu e, feliz, correu até o carro.

Era raro que sua mãe não ligasse no horário habitual.

Se ela não saísse agora, quando a mãe ligasse, teria que conversar com ela, e ela não queria isso de jeito nenhum!

...

Após o casamento, Isabela entrou para o Grupo Santos.

Ela havia se juntado àquela empresa por causa de Pedro.

Agora, que o divórcio estava decidido, ela não tinha mais razão para continuar na empresa.

Na manhã seguinte, ao chegar ao trabalho, Isabela entregou sua carta de demissão a Antônio Oliveira.
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