Capítulo 4
Ana pulou da cama, cheia de entusiasmo.

— Sério?!

— Humm.

— Então, por que a tia Sofia não me disse isso antes?

— Acabamos de decidir, ainda não deu tempo de contar a ela.

Ana estava eufórica.

— Então, papai, não conte para a tia Sofia ainda! Quando voltarmos ao Brasil, vamos dar a ela uma surpresa, pode ser?!

— Pode ser.

— Você é o melhor, papai! Eu te amo!

Após desligar o telefone, Ana continuou radiante, cantando e pulando pela cama.

Passado um tempo, de repente, ela se lembrou de Isabela.

Nos últimos dias, como sua mãe não havia ligado, Ana estava se sentindo muito bem.

Na verdade, para evitar falar com a mãe, ela havia se antecipado nas saídas e, quando voltava da escola, deixava o celular longe ou desligado.

Depois de dois dias, preocupada que sua mãe ficasse brava ao descobrir, Ana decidiu parar com isso.

O que a surpreendeu foi que, nos dias seguintes, sua mãe não havia feito nenhuma ligação.

A princípio, Ana achou que a mãe havia percebido o que ela estava fazendo.

Mas, ao refletir, ela percebeu que, com base na experiência, se sua mãe soubesse que ela havia feito algo errado, com certeza a teria corrigido imediatamente, e não teria ficado zangada a ponto de não ligar.

Afinal, para a mãe, ela era a coisa mais importante, e Ana sabia que a mãe a amava profundamente, portanto, ela não acreditava que a mãe seria capaz de deixá-la sem uma ligação por estar irritada com ela.

Pensando nisso, Ana de repente sentiu falta de Isabela.

Era a primeira vez em muitos dias que ela pensava em Isabela.

Não resistiu e fez a ligação para ela.

No entanto, assim que o telefone começou a tocar, ela se lembrou de algo: embora fosse ver a tia Sofia logo após a volta ao Brasil, com o temperamento da mãe, ela sabia que seria difícil encontrar a tia com frequência.

Não poderia mais ver a tia Sofia a qualquer momento, como fazia ali.

Esses pensamentos fizeram Ana se sentir triste de repente.

Naquele momento, já era de madrugada no Brasil.

Isabela estava dormindo.

Ela foi acordada pela chamada de Ana.

Isabela acordou e viu a ligação de Ana. Quando estava prestes a atender, Ana desligou o telefone com raiva.

Embora Isabela tivesse declarado em seu acordo de divórcio com Pedro que abriria mão da guarda de Ana, Ana ainda era sua filha.

Ela sentia uma certa responsabilidade por Ana.

Quando viu que Ana havia ligado e, de repente, desligado, ficou preocupada, temendo que algo tivesse acontecido. Imediatamente, tentou ligar de volta.

Ana, ao ver a ligação, virou o rosto, se recusando a atender.

Isabela ficou ainda mais preocupada e, sem perder tempo, ligou para a mansão.

Dona Rose atendeu rapidamente. Depois de ouvir o que Isabela tinha a dizer, respondeu prontamente:

— A Ana não deve estar em problemas. Ela foi dormir muito tarde ontem e acordou tarde hoje. Quando eu subi, ela ainda estava dormindo. Vou subir agora para ver como ela está e já ligo de volta.

Ao ouvir as palavras de Dona Rose, Isabela se acalmou um pouco.

— Certo, obrigada.

Quando Dona Rose subiu, Ana já estava no banheiro, se arrumando.

Depois de explicar a situação, Dona Rose a viu escovando os dentes e, enquanto se olhava no espelho, disse, com um olhar de mentira:

— Eu apertei sem querer.

Dona Rose não suspeitou de nada, viu que Ana estava escovando os dentes e desceu para retornar a ligação para Isabela.

Ana, ao ouvir, resmungou baixinho, mas finalmente começou a se sentir um pouco melhor.

Isabela, ouvindo as palavras de Dona Rose, ficou mais tranquila.

No entanto, ao ser acordada abruptamente, não conseguiu voltar a dormir, e no dia seguinte, quando se levantou para o trabalho, estava com o ânimo baixo.

O envelope contendo o acordo de divórcio que Isabela preparou para Pedro estava ali, mas Pedro, desde o dia em que atendeu a ligação de Sofia, não tinha mais pensado nisso.

No dia do retorno à sua cidade natal, Pedro colocou o último documento em sua pasta, conferiu se não estava esquecendo nada e desceu as escadas.

— Podemos ir.

O carro logo saiu da mansão, indo em direção ao aeroporto.

...

Pedro e os outros retornaram ao país, mas Isabela não sabia disso.

Ninguém lhe havia contado.

Já fazia mais de quinze dias desde que ela havia saído da mansão.

Durante esse tempo, ela aos poucos se acostumou e passou a gostar da vida tranquila e solitária que levava.

Hoje, sendo fim de semana, ela acordou um pouco mais tarde.

Depois de se levantar e se arrumar, ela abriu as cortinas da janela. Ao ver que a luz do sol estava perfeita, se esticou e, após regar as plantas que cuidava, estava prestes a preparar um café da manhã simples para si, quando o som da campainha a interrompeu.

Era sua vizinha do outro lado, Sra. Beatriz.

— Srta. Isabela, não a acordei, espero?

Isabela respondeu com uma voz suave:

— Não, já estou acordada.

— Que bom. — Sra. Beatriz falou com entusiasmo. — Trouxe um pão que acabamos de assar, queria que provasse.

— Muito obrigada, a senhora é muito generosa.

— Isso é o mínimo que eu posso fazer. Se não fosse por você ter salvado nossa Nina há uns dias, não sei o que teria acontecido com ela, talvez aquela cadela louca a tivesse mordido ainda mais. Estes dias eu estava querendo te agradecer direitinho, mas meu marido e eu estamos tão ocupados no trabalho que não conseguimos arrumar um tempo, me perdoe...

— Não foi nada demais, Sra. Beatriz, a senhora é que é generosa.

Depois de algumas palavras de cortesia, Sra. Beatriz se despediu.

Isabela voltou para o interior da casa e, enquanto tomava seu café da manhã, se dedicava à análise de um mecanismo de algoritmo de inteligência artificial no qual estava trabalhando ultimamente.

À tarde, uma notificação com uma notícia sobre o centenário da Universidade T apareceu no seu celular.

Ela parou, olhou a data e então se deu conta de que hoje, de fato, era o aniversário da Universidade T.

Foi até a internet, e logo encontrou várias notícias sobre o evento de celebração do centenário.

O motivo de tanta repercussão na mídia era claro: além de ser uma das universidades mais prestigiadas do país, cada ação da Universidade T atraía atenção, e essa comemoração tinha um peso ainda maior por ser a primeira celebração de um centenário.

Por isso, muitos ex-alunos ilustres, considerados grandes talentos em diversas áreas, foram convidados a retornar para participar da cerimônia.

Isabela olhou várias vezes.

Ao ver várias faces familiares aparecendo na tela, a mão que segurava o celular tremeu.

Memórias dos tempos de faculdade logo invadiram sua mente.

De repente, seu coração ficou emaranhado.

Se não tivesse casado logo após a graduação, talvez hoje, entre os convidados para a cerimônia de retorno à escola, ela também tivesse sido incluída como ex-aluna ilustre.

Isabela desligou o computador e, após hesitar por um momento, pegou o carro e seguiu para a Universidade T.

Já era final de tarde. Muitos dos grandes nomes convidados para a cerimônia já haviam ido embora, mas o fluxo de pessoas ainda era grande dentro do campus.

Sozinha, Isabela vagava pelo campus e, ao passar em frente ao familiar prédio de laboratórios, uma voz conhecida a chamou.

— Isabela?

Vinte minutos depois, em uma cafeteria fora da Universidade T, Luís Lima serviu uma xícara de café para Isabela.

— Como você tem estado ultimamente?

Isabela segurou a xícara, olhando para baixo com um sorriso suave.

— Bem, só que estou me preparando para me divorciar.

Luís ficou surpreso com a resposta e, após uma pausa, disse:

— Sinto muito.

— Não tem problema.

— E o que você pretende fazer agora? Vai voltar para a empresa?

— Tenho pensado nisso, mas...

Luís não sabia o que estava por trás da hesitação dela, mas falou de maneira sincera:

— Isabela, a empresa precisa de você. Você tem uma parte dela, e eu realmente espero que você volte para ajudar a gerenciar.

— Eu...

Ao ver a seriedade no olhar de Luís, Isabela se sentiu desconfortável e não soube como expor sua dificuldade.

Ela não era contra voltar à empresa.

O problema era que o campo da inteligência artificial estava se desenvolvendo muito rápido.

Ela estava há seis anos fora da área, e mesmo que decidisse retornar agora, temia não conseguir acompanhar os avanços do setor. E muito menos ser capaz de liderar a equipe na vanguarda como antes.
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