Capítulo 6
No dia seguinte.

Quando Pedro chegou à empresa, ele encontrou Isabela justamente no momento em que ela chegava.

Isabela não sabia que Pedro e Ana já haviam retornado ao país.

Ao vê-lo de repente, seu passo vacilou por um instante.

Pedro, ao encontrar Isabela, também sentiu um leve surpresa em seus olhos, mas logo pensou que ela apenas tivesse voltado de uma viagem de negócios, sem dar muita atenção ao fato.

Com um semblante impassível, ele a tratou como uma estranha, passando por ela com frieza e entrando na empresa sem mais palavras.

Se fosse antigamente, ao saber que ele havia voltado de repente, Isabela teria ficado extremamente surpresa.

Em uma situação como essa, mesmo que não pudesse se jogar nos braços dele, ela ficaria emocionada e feliz, olhando ele com um sorriso e dizendo-lhe "bom dia" com entusiasmo, mesmo que ele fosse frio.

Mas agora, ao olhar para o belo rosto de Pedro, ela apenas abaixou os olhos, e no seu semblante não havia mais nem a excitação nem a alegria de antes.

Pedro, no entanto, não percebeu nada disso e já havia se afastado.

Isabela observou as costas do homem, firmes e imponentes. Não sabia quando ele havia retornado, mas, já que ele estava de volta, provavelmente o divórcio aconteceria em breve, não?

Tendo tomado a decisão de se divorciar, Isabela não se preocupou mais com Pedro. Assim que voltou à sua mesa, logo entrou no modo de trabalho.

Meia hora depois, Antônio ligou e lhe pediu:

— Prepare duas xícaras de café e leve para o escritório do Presidente Pedro.

Na época em que tentava fazer Pedro gostar dela, ao descobrir que ele adorava café, ela dedicou muito tempo e esforço para aprender a prepará-lo.

Seus esforços não foram em vão.

Após provar o café que ela preparava, Pedro, tanto em casa quanto no trabalho, passou a pedir exclusivamente o café feito por ela.

Quando soube que Pedro realmente gostava do café que ela preparava, ela ficou eufórica, acreditando que isso seria o primeiro passo para o sucesso.

Na realidade, ela subestimou a antipatia e a resistência que Pedro nutria por ela.

Ele gostava, de fato, do café que ela preparava, mas era apenas isso.

Quanto a ela, a atitude dele permanecia fria e distante.

Por isso, quando ele desejava beber o café feito por ela, geralmente pedia ao Antônio para entrar em contato com ela, e quando o café estava pronto, era Antônio quem o pegava.

Ele não lhe dava nenhuma oportunidade de se aproximar dele.

Somente quando Antônio e os outros estavam ocupados era que Isabela tinha a chance de pessoalmente levar o café até o escritório dele.

E desta vez, pelo que parecia na voz de Antônio, ela deveria preparar o café e entregá-lo diretamente a Pedro.

Isabela preparou o café e colocou na bandeja para levá-lo até o escritório de Pedro.

A porta do escritório de Pedro estava aberta.

Quando chegou na entrada, prestes a bater na porta com educação, ela viu Sofia sentada no colo de Pedro, e os dois pareciam estar se beijando.

O passo de Isabela hesitou, e sua cor de rosto se perdeu repentinamente.

Ao vê-la, Sofia se levantou apressadamente do colo de Pedro.

Pedro, com uma expressão extremamente sombria, disse em tom frio:

— Quem te deu permissão para entrar?!

Isabela apertou a bandeja com as mãos e respondeu:

— Eu vim aqui para te entregar o café.

— Chega, secretário Isabela. — Nesse momento, Bruno Rodrigues, outro assistente próximo de Pedro, chegou.

Ele sabia da relação entre Isabela e Pedro.

Disse com desdém:

— Isso tudo é bem sem graça, na verdade.

Bruno não disse diretamente, mas Isabela de repente entendeu o que ele queria insinuar.

Ele achava que ela sabia que Sofia estava na empresa e, para atrapalhar o momento deles, ela teria se aproveitado da desculpa do café para aparecer ali...

Pelo olhar de Pedro, parecia que ele também pensava assim.

Se fosse antes, ela realmente poderia ter feito isso.

Mas agora, ela já havia decidido se divorciar dele, como poderia ainda fazer algo assim?

Mas não deram a ela nenhuma chance de explicar.

Bruno, com tom frio, ordenou:

— Saia imediatamente!

Os olhos de Isabela se encheram de lágrimas, e sua mão, que segurava a bandeja, tremia ligeiramente. O café derramou da xícara e queimou seus dedos. Isabela sentiu uma dor aguda nos dedos, mas não fez nenhum som, apenas se virou e saiu.

Porém, quando ela deu dois passos, a voz de Pedro ecoou do escritório:

— Se isso acontecer novamente, você nunca mais precisará vir à empresa.

Ela já havia se demitido.

Mesmo sem esse incidente, ela já havia decidido sair assim que encontrasse alguém para ocupar seu lugar.

Mas sabia que, no fundo, ninguém aqui se importava com o que acontecia com ela.

Dizer algo não faria diferença.

Isabela permaneceu em silêncio, segurando a bandeja, se virando para sair.

Antes de ir embora, ainda ouviu Sofia, com uma voz suave, acalmando Pedro:

— Está bem, Pedro, acho que ela não fez por mal, não fique tão irritado...

Isabela derramou o café, colocou os dedos queimados debaixo da torneira para aliviar, e então, com destreza, abriu a bolsa e aplicou o creme nas mãos.

Não se deixou enganar pelo fato de ela ser agora uma excelente cozinheira, e também de preparar um café muito bom.

Na realidade, antes de se casar com Pedro, ela não sabia fazer tarefas domésticas, nem cozinhar, e jamais tinha bebido café.

Mas, após o casamento, por Pedro, por seu filho, ela aprendeu tudo.

Ela se dedicou imensamente, gastou muito tempo até se adaptar, e agora, tudo parecia perfeito.

A dor que sentia ao lembrar dessa jornada, só ela sabia.

Quanto aos medicamentos na bolsa, toda mãe que cuidava sozinha do filho acabava ficando acostumada a levar alguns remédios, não era mesmo?

Porém, desde que Ana e Pedro foram para o País A, esses medicamentos raramente eram usados.

Ainda bem que não estavam vencidos.

Após tratar do ferimento, Isabela abafou a dor que subia de seu peito como uma agulhada, e retornou ao seu posto de trabalho.

Acabava de organizar os documentos na mesa quando ouviu alguém comentar:

— Ouvi dizer que a namorada do Presidente Pedro veio à empresa!

— Namorada? O Presidente Pedro tem uma namorada agora? Quem será? De onde vem? Bonita?

— Não sei de onde ela vem, mas ouvi no balcão que a família dela também é muito rica, e ela é lindíssima, com uma presença incrível!

Enquanto as duas colegas conversavam, notaram que Isabela se levantava, e se lembrando de que teriam que descer com ela para a reunião, rapidamente se calaram, sorrindo de forma constrangida, e se aproximaram para dizer:

— Vamos trabalhar agora, depois conversamos mais.

Isabela sabia que estavam se referindo à Sofia, a namorada do Presidente Pedro.

Mas, ao ouvir isso, não demonstrou nenhum tipo de reação. Se virou e deixou o escritório, indo em direção ao elevador junto com as duas colegas.

Ao saírem do elevador, estavam prestes a seguir para a sala de reuniões, quando encontraram Sofia e os quatro executivos da empresa vindo em direção a elas.

Quatro altos executivos rodeavam Sofia, com expressões cautelosas, bajuladoras e agradáveis.

Se ouviu então a voz de Sofia, suave e levemente zombeteira:

— Deixem-me que eu agradeça a esses gerentes por me acompanharem na visita à empresa. Deve ter sido um grande esforço para vocês.

Sofia estava vestida com roupas caras, e cada movimento seu exalava uma elegância refinada. Falava de maneira apropriada, mas com ares de quem já se via como a dona da companhia, sua voz carregando uma leve frieza, tratando os gerentes como se fossem meros subordinados.

Os gerentes, sorrindo, tentaram agradá-la ainda mais:

— Considerando sua relação com o Presidente Pedro, o que fizemos foi apenas o nosso dever, Srta. Sofia, você está sendo formal demais conosco.

— Isso, isso mesmo.

Enquanto falavam, notaram Isabela saindo do elevador. Mesmo que elas já tivessem se posicionado automaticamente aos lados, sem obstruir o caminho, os gerentes não puderam deixar de franzir a testa ao vê-las.

— Como vocês caminham desse jeito? E se esbarrassem na Srta. Sofia? Que falta de educação!
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