Capítulo 5
Luís e Isabela, nesses anos, realmente se viam muito pouco.

Mas, em apenas alguns encontros, Luís já conseguia perceber o quanto ela havia mudado. A Isabela de agora estava bem distante daquela jovem confiante e radiante de antigamente.

Ao se lembrar de como ela era, Luís jamais imaginou que um dia a autossuficiência de Isabela fosse dar lugar à insegurança.

Ele sabia pouco sobre o casamento de Isabela e Pedro.

Mas, de alguma forma, sabia um pouco.

Um pressentimento surgia em seu coração, mas ele não disse nada diretamente. Apenas olhou ela com seriedade e falou:

— Não se preocupe se estiver atrasada em relação aos outros. Seu talento e capacidade não são comparáveis aos de qualquer gênio comum. Isabela, enquanto ainda tiver vontade de seguir este caminho, nunca é tarde para recomeçar. Não se esqueça de que você foi a aluna de quem o professor mais se orgulhou em toda a carreira.

Isabela ouviu atentamente e sorriu.

— Se o professor ouvisse isso, provavelmente daria uma risada e diria que estava sendo forçado a escolher o menos baixo entre os mais baixos.

Ao recordar o professor, tão elegante e bem-humorado, o sorriso de Isabela se apagou um pouco.

— Eu vi o professor na televisão hoje, ele também voltou para o evento. Ele está bem?

— Está ótimo, mas você sabe como somos, sempre aparecemos para provocar, o que acaba o deixando um pouco irritado.

Isabela soltou uma risada e, sem querer, se viu lembrando dos dias em que o professor a pressionava todos os dias a escrever os trabalhos.

Luís falou então:

— Volte, Isabela.

Ela apertou a xícara em suas mãos, respirou fundo e, com um leve aceno, disse:

— Está bem.

Desde muito jovem, ela se dedicava ao estudo da inteligência artificial.

Ela realmente amava essa área.

Por causa de seu amor por Pedro, ela havia deixado seus próprios ideais de lado por seis ou sete anos.

Agora, depois de tanto tempo, talvez fosse preciso muito esforço para alcançar o que havia perdido.

Mas ela acreditava que, com dedicação, ainda havia tempo para recuperar o que ficou para trás.

Luís perguntou novamente:

— Quando você acha que pode voltar?

— O trabalho atual ainda exige que eu aguarde a entrega de algumas responsabilidades. Acho que vou precisar de um tempo.

— Não se preocupe, não há pressa.

Se ela realmente conseguisse voltar, o que seriam mais alguns dias a mais de espera?

Eles conversaram mais um pouco, e Luís, olhando para o relógio, disse:

— Meu subordinado me apresentou um gênio da área de algoritmos, disseram que ele acabou de voltar ao país há alguns dias. Marquei um encontro com ele, já que te encontrei aqui, que tal ir comigo e conhecer essa pessoa?

Isabela balançou a cabeça, recusando:

— Não conheço ninguém da sua equipe. Fica para a próxima.

— Tudo bem.

Assim que Luís se afastou, Isabela viu Amanda Santos, irmã de Pedro, se aproximando dela.

Isabela também tinha visto Amanda nas notícias.

Mas não imaginava que a encontraria ali, tão casualmente.

Ela a cumprimentou:

— Amanda.

Amanda não respondeu imediatamente, apenas franziu o cenho e perguntou:

— O que você está fazendo aqui?

— Hoje é a festa de aniversário da Universidade T. Eu vim dar uma olhada.

Isabela não precisou dizer mais nada, pois Amanda já tinha esquecido que ela também havia se formado na Universidade T.

Mas, tirando os professores e alunos da instituição, quem voltava ao campus hoje eram, basicamente, ex-alunos convidados pela escola.

O que uma pessoa comum, como ela, estava fazendo ali?

Amanda logo desistiu de se importar. Contanto que Isabela não falasse nada que prejudicasse o nome da família Santos, ela não estava disposta a perder tempo com ela.

Pensando bem, Amanda foi direta e falou do motivo de sua presença:

— O Simão disse que está com saudade dos seus pratos. Mais tarde vou mandar ele para a sua casa, junto com o Pedro.

Simão era o filho de Amanda, um ano mais velho que Ana.

O casamento de Amanda estava em crise, e ela, ocupada com o trabalho nos últimos anos, pouco se importava com o filho. Nos últimos tempos, Simão estava cada vez mais rebelde, e agora que ela tentava educá-lo, não conseguia mais manter o controle.

Ao saber que o filho gostava dos pratos de Isabela, Amanda, sempre que podia, mandava o menino para a casa dela.

Na família Santos, além da avó de Pedro, Teresa, ninguém ligava muito para Isabela.

As crianças tinham uma habilidade impressionante de imitar os adultos.

Embora Simão gostasse da comida de Isabela, ele não a respeitava, e a tratava praticamente como uma empregada, mesmo quando estava na sua casa.

Isabela sempre teve paciência com o filho de Amanda por causa de Pedro, mesmo quando ele demonstrava desdém por ela.

Mas agora que ela e Pedro estavam prestes a se divorciar, Isabela não estava mais disposta a se anular por ele.

Isabela respondeu de forma direta:

— Desculpa, Amanda, não vou poder amanhã.

Agora que ela decidiu se afastar e focar em sua carreira, Isabela sabia que, no futuro, todo seu tempo seria dedicado ao seu campo de atuação. Fosse Pedro, fosse Amanda, depois do divórcio, ela não teria mais vínculo com eles. Não iria mais desperdiçar sua vida em favor deles.

Amanda não esperava que Isabela a rejeitasse dessa forma. Afinal, antes, Isabela sempre colocava sua dignidade de lado para agradar os membros da família Santos, em especial por causa de Pedro.

Mas Amanda não pensou muito sobre isso. Isabela nunca a havia recusado antes, e agora que ela dizia que tinha algo a fazer, Amanda acreditava que, se Isabela não fosse ela mesma, teria alguma razão para agir assim. Afinal, quem se daria ao trabalho de deixar de agradar Amanda, se não fosse por algo importante?

Ainda assim, não estava muito contente e disse, com uma pitada de desdém:

— O Pedro e a Ana não estão mais com você, o que você tem de tão importante agora?

Isabela ouviu aquilo e não conseguiu evitar um sorriso amargo por dentro.

Durante todos esses anos, ela havia abandonado sua própria identidade, colocando a vida dela no centro da rotina de Pedro e de sua filha. Sempre esteve ali para servi-los. Agora, ao ouvir Amanda fazendo esse tipo de comentário, ela não podia negar que não havia sido injusta com ela mesma.

Mas, a partir de agora, ela não seria mais assim.

Nesse momento, Isabela ia abrir a boca para responder, mas, por sorte, algumas pessoas estavam se aproximando deles.

— Sra. Amanda!

Eles claramente estavam ali para falar com Amanda.

Ao ver Isabela, os desconhecidos a observaram brevemente e, em seguida, perguntaram:

— Sra. Amanda, quem é ela?

Amanda, sem revelar que Isabela era a esposa de seu irmão, falou de maneira fria:

— Uma amiga.

— Ah, uma amiga...

Como todos estavam ali para o evento da Universidade T, todos tinham um certo status, e, ao ver Amanda encontrar alguém que parecia ser importante, pensaram que seria alguém de destaque.

No entanto, ao perceberem a atitude indiferente de Amanda para com Isabela, exceto por um ou outro olhar mais longo na beleza dela, especialmente nas pernas brancas e esguias, ninguém mais se interessou por ela.

Os outros rapidamente se aproximaram de Amanda e seguiram seu caminho.

Se isso tivesse acontecido antes, Isabela provavelmente teria se sentido magoada. Mas agora, ela já não se importava mais.

Após a saída de Amanda, Isabela pegou sua bolsa e se virou para ir embora.

Naquela noite, por volta das dez horas, o avião de Pedro e Ana chegou pontualmente ao aeroporto. Quando chegaram em casa, já passava da meia-noite.

Ana ainda não havia chegado em casa quando adormeceu.

Pedro a pegou no colo e a levou para o andar de cima. Ao passar pela suíte principal, percebeu que a porta estava aberta, mas o interior estava completamente escuro.

Ele a colocou suavemente no quarto e, ao voltar para a suíte principal, acendeu a luz. Seus olhos se direcionaram rapidamente para a cama, mas ela estava vazia.

Isabela não estava lá.

Nesse momento, o mordomo apareceu com a mala que havia subido. Pedro ajeitou a gravata, soltando ela um pouco no pescoço, e perguntou:

— E ela?

O mordomo respondeu apressado:

— A Sra. Santos foi viajar a trabalho.

Há quinze dias, quando Isabela estava arrumando as malas para sair, ele justamente não estava em casa.

Outros empregados da mansão disseram que ela havia saído com as malas, provavelmente para uma viagem de trabalho.

Era estranho, afinal, Isabela raramente viajava a trabalho. Quando o fazia, geralmente ficava no máximo dois ou três dias fora.

Mas desta vez, já se passavam quinze dias e ela ainda não havia retornado.

Pedro apenas fez um gesto afirmativo e não perguntou mais nada.
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