Capítulo 7
As duas colegas de Isabela, uma de cada lado, furtavam olhares para Sofia enquanto recuavam rapidamente, se colando à parede.

Isabela também viu Sofia.

No entanto, Sofia logo desviou o olhar com frieza, claramente indiferente, e logo se afastou em direção ao elevador, cercada pelos gerentes.

Quando as portas do elevador se fecharam, as colegas de Isabela suspiraram aliviadas e começaram a conversar animadamente.

— Aquela ali deve ser a namorada do Presidente Pedro, né? Que linda! O traje dela deve ser caríssimo, não é? Não é à toa que ela é rica, tem uma postura tão confiante, imponente, e a presença dela... Realmente diferente da nossa!

— É verdade, é verdade!

Elas murmuraram entre si, mas logo se voltaram para Isabela, sussurrando:

— Isabela, o que você acha?

Isabela abaixou os olhos e, com um tom seco, respondeu:

— Sim.

Sofia, na verdade, era filha ilegítima de seu pai.

Dizer que Sofia era filha ilegítima talvez não fosse totalmente correto.

Quando Isabela tinha oito anos, seu pai, para evitar que Sofia e sua mãe sofressem qualquer injustiça, insistiu em se divorciar da mãe de Isabela e casar com a mãe de Sofia.

Após o divórcio, Isabela foi viver com a mãe, que sofria de transtornos mentais, além de sua avó e tio.

Nos últimos anos, o negócio de seu tio foi de mal a pior, enquanto os negócios da família Mendes só prosperavam.

Se dizia que, para compensar as dificuldades da infância de Sofia, o pai dela tinha dado a ela tudo o que de melhor pudesse oferecer, investindo uma fortuna em sua educação.

E Sofia, ao que parecia, não havia decepcionado ninguém, pois era uma pessoa de grande talento.

Portanto, aquela filha ilegítima, Sofia, que um dia fora motivo de escândalo, agora era uma mulher de alta posição.

Após mais de dez anos de vida luxuosa, a sofisticação e a elegância que Sofia exalava eram ainda mais marcantes do que quando tinha uma vida confortável na infância.

Isabela sempre acreditou que, depois de adulta, não teria mais nenhum contato com Sofia.

No entanto, o destino parecia ter um carinho especial por Sofia.

Ela e Pedro se conheciam desde crianças, mas, por mais que Isabela tentasse, Pedro jamais a via. E foi ao ver Sofia pela primeira vez que ele se apaixonou completamente por ela.

— Isabela, você está bem?

As duas colegas de Isabela perceberam que ela estava pálida e demonstraram preocupação.

Isabela recobrou a consciência e disse:

— Eu estou bem.

Ela e Pedro logo iriam se divorciar, e o que Pedro sentia por quem quer que fosse, a partir de agora, não era mais problema dela.

Naquele dia, Isabela não se preocupou mais com o que acontecia entre Pedro e Sofia.

Ela continuou a trabalhar até quase nove da noite e, quando já estava terminando o que precisava fazer, seu celular tocou. Era uma ligação de sua boa amiga Dolores Soares.

Isabela atendeu, e Dolores, claramente embriagada, lhe pediu para ir buscá-la no restaurante e levá-la para casa.

Isabela se apressou para terminar o que estava fazendo, pegou as chaves do carro e saiu da empresa.

Vinte minutos depois, ela chegou ao destino.

Ao sair do carro, estava prestes a seguir em direção à porta, quando uma pequena garota surgiu do outro lado do estacionamento.

Ao ver o perfil nítido da menina, Isabela parou por um momento.

Ana?

Ela não deveria estar estudando no País A? Como podia estar ali? Será que ela tinha voltado com Pedro?

Embora sua posição e cargo a impedissem de acessar documentos confidenciais da empresa, ela sabia que o trabalho de expansão de Pedro no País A ainda levaria um bom tempo para ser concluído.

Ela imaginava que Pedro estava apenas fazendo uma visita curta ao país para resolver alguns assuntos.

Não imaginava que a filha também tinha voltado...

Não sabia exatamente quando haviam voltado, mas, com base no fato de que havia visto Pedro mais cedo naquela manhã, poderia deduzir que, no mínimo, já estavam no país há um dia.

No entanto, a filha nunca lhe havia ligado para avisar sobre o retorno deles.

Com esse pensamento, Isabela apertou o bolso da bolsa com força, enquanto observava a pequena figura alegremente pulando à frente. Ela decidiu seguir em silêncio.

Ao virar a esquina no saguão, ela avistou Sofia e alguns amigos de Pedro no final do corredor.

Isabela rapidamente se escondeu, e, em seguida, ouviu sua filha chamar alegremente por Sofia e correr em sua direção, pulando direto para os braços dela.

Isabela se sentou no sofá ao lado, de costas para eles, usando as plantas verdes e o encosto da cadeira para esconder seu corpo.

— Ana, você também voltou para o país?

— Por causa da tia Sofia, eu voltei. Eu e papai estávamos com saudades de você, então ele adiantou o trabalho e me trouxe para o Brasil. E a gente voltou um dia antes do seu aniversário para não perder a data! Olha, tia Sofia, esse colar foi eu e o papai que fizemos com as nossas mãos, para você. Feliz aniversário!

— Foi vocês dois que fizeram esse colar? Fazer isso deve ter dado muito trabalho e exigido bastante tempo e energia... Ana, você é incrível. Eu amei, muito obrigada!

— Fico feliz que tenha gostado, tia Sofia. — Ana fez um charme para Sofia. — Faz uma semana que não te vejo, tia Sofia... Eu morro de saudades de você. Se não fosse por poder te ligar todos os dias, eu não conseguiria ficar esses dias inteiros no País A...

— Eu também sinto muita falta de você, Ana.

Nesse momento, um som de passos foi ouvido do lado.

Isabela parou.

Era Pedro.

Mesmo que ela não o visse, só pelo som dos passos, ela já podia ter certeza disso.

E ela podia ter tanta certeza porque, ao longo desses seis ou sete anos de casamento, ela passava os dias todos esperando por ele.

Os passos de Pedro eram como ele próprio, calmos, tranquilos e seguros.

Mesmo com pessoas muito próximas dele, como a família, ele se mantinha sereno, como se não se importasse com nada. Era como se, não importasse o que acontecesse, ele se manteria sempre frio e calmo, mesmo que o mundo estivesse desabando.

Ela sempre achou que nada nesse mundo poderia perturbá-lo.

Mas naquele momento, Sofia surgiu.

E isso fez tudo ser diferente.

Enquanto Isabela refletia sobre o passado, antes que pudesse pensar mais profundamente, ouviu a filha chamando o pai.

Os amigos de Pedro também cumprimentaram-no.

Pedro respondeu com um simples "sim", e então se virou para Sofia, dizendo:

— Feliz aniversário.

Sofia sorriu e respondeu:

— Hum.

— Papai, você não tinha outros presentes de aniversário para a tia Sofia? Dê para ela logo!

De repente, o ambiente ficou quieto. Então, um dos amigos de Pedro riu e se abaixou para apertar a bochecha de Ana.

— Esse presente é algo pessoal que seu pai preparou para sua tia Sofia. Ele provavelmente vai dar para ela em particular, sem a gente se envolver nas coisas deles.

Os outros amigos riram de maneira insinuante.

Neste momento, Pedro disse:

— Já enviei.

— Ah? Quando? — Ana perguntou, e logo em seguida completou. — Pai, você foi se encontrar com a tia Sofia sem me levar!

Os amigos de Pedro caíram na risada.

Isabela, no entanto, se lembrou que, naquela manhã, Sofia havia ido ao Grupo Santos.

Provavelmente, foi nesse momento que Pedro entregou o presente para Sofia.

Sofia sorriu, um pouco sem graça, e disse:

— Vamos sair daqui, vamos subir logo.

Os passos ficaram mais distantes.

Isabela, porém, ficou com a mente em branco.

Seu peito estava apertado, uma dor constante que a consumia. Só muito tempo depois, ela voltou à realidade, em silêncio, entrou no elevador e subiu para ajudar a amiga a descer.

O salão onde Dolores e Sofia estavam jantando ficava na mesma ala.

Quando Isabela estava ajudando Dolores a entrar no elevador, o passo de Diogo Ribeiro, amigo de Pedro, vacilou.
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