Isabela já havia escalado corajosamente o abismo, dando a si mesma uma segunda chance. Agora, como poderia voltar atrás?— Sandro, vamos terminar isso de forma civilizada. — Disse ela com uma calma que não deixava espaço para emoções exageradas, como se estivesse apenas declarando um fato simples.Se ela estivesse agitada, ressentida ou cheia de ódio, talvez ainda houvesse uma chance de reconciliação. Porém, sua serenidade era como uma faca afiada, cravada diretamente no coração de Sandro. Seu coração já estava cinza, e ela não nutria mais nenhuma esperança em relação a ele.Sandro deu um passo para trás, cambaleando, quase caindo. Apoiou-se na parede ao lado, segurando o corpo com dificuldade, e sua voz saiu rouca:— Você já me disse que me amaria para sempre. Você não pode quebrar essa promessa.— E você também disse que me amaria, confiaria em mim, me valorizaria e me protegeria. Contudo, em vez disso, me machucou, me enganou, me traiu. — A voz de Isabela era fria como gelo. — Duran
As palavras de Isabela deixaram Sandro com uma expressão sombria e abalada. Ele a encarou, questionando com a voz baixa e contida:— Isabela, é assim que você me vê?Isabela não quis prolongar a discussão. Empurrou a porta e entrou no quarto, a fechando atrás de si. A firmeza e a calma que demonstrou diante de Sandro eram apenas uma fachada. Agora, sozinha, ninguém podia ver sua fragilidade interior. As lágrimas, no entanto, a traíram, escorrendo silenciosamente pelo rosto dela. Ela fechou os olhos, sentindo as gotas quentes deslizarem por suas bochechas. Era como se seu amor e seu casamento tivessem morrido naquele momento, sem chance de ressurreição.Do lado de fora, Sandro permaneceu imóvel, encarando a porta fechada como se pudesse ver através dela e avistar as costas de Isabela. Ele murmurou com uma voz grave e cheia de convicção:— Você vai voltar para mim.Ele conhecia os pontos fracos de Isabela e, mesmo naquele momento, ainda acreditava que havia uma chance de reconciliação..
— Não tenho interesse em coisas que homens compram. — Disse Jorge, com um tom de voz que carregava uma leveza quase imperceptível de ciúme.Isabela ficou paralisada, piscando os olhos, completamente confusa.— Homens? Eu mesma comprei essas flores no shopping. Que homem têm a ver com isso? Como ele poderia achar que alguém as comprou para ela?Logo, ela pareceu entender algo e franziu a testa explicando:— Você não está pensando que foi o Sandro quem me deu isso, está? Ele nunca faria algo assim. Além disso, já estamos divorciados. Não temos mais nenhuma ligação. Nós...O rosto de Jorge escureceu, claramente incomodado com a menção ao nome de Sandro, especialmente aquela palavra “nós” parecia uma farpa, o irritando profundamente.Isabela percebeu a mudança em seu humor e ficou ainda mais intrigada. Por que ele estava agindo como o clima de junho, mudando de repente? Um momento estava calmo e ensolarado, e no seguinte, nuvens escuras cobriam o céu, como se uma tempestade estivesse pres
Jorge ergueu o olhar, e em seus olhos parecia haver uma leve centelha de expectativa. No entanto, Isabela não percebeu a profundidade daquele olhar e respondeu com sinceridade:— Ganhei de alguém, e pensei que você ainda não tivesse comido..— Não estou com fome. — Interrompeu Jorge, com uma voz fria e cortante.Isabela ficou sem palavras, a confusão tomava conta dela. Ela não conseguia entender o que havia feito para irritá-lo tanto. Com os lábios levemente apertados, colocou o café e o bolo de volta na bandeja e se preparou para sair.— Deixe o café. — Disse Jorge, com voz rouca.Um brilho de alívio apareceu nos olhos de Isabela, e ela rapidamente colocou o café na frente dele, com cuidado. Jorge parecia ter algo a dizer, mas acabou apenas franzindo a testa, engolindo as palavras. Como adulta, ela deveria ser capaz de refletir por si mesma, e ele não precisava explicar tudo.— Volte ao trabalho. — Disse ele, sua voz ainda era distante, mas um pouco mais suave do que antes.Isabela ac
— Que nojo! — Lara cuspiu sem cerimônia, com a voz carregada de repulsa. — Seu canalha, você é mesmo sem vergonha! Refazer o casamento? Minha Isa pode ficar solteira a vida inteira, mas nunca mais vai se casar com você! Foi culpa minha ter sido cega e não perceber que você era um cachorro, dando a você a chance de machucar minha filha. Some daqui, e quanto mais longe, melhor!Lara jogou todos os presentes que Sandro levou para fora da casa e, em seguida, fechou a porta com força, como se quisesse trancar toda a raiva e decepção do lado de fora.Caio ficou parado ao lado, observando a esposa em silêncio, surpreso e, ao mesmo tempo, aliviado. Afinal, Lara já havia adorado Sandro, quase o tratando como um filho.Percebendo o olhar do marido, Lara suspirou, com uma mistura de resignação e determinação na voz:— Para ser sincera, se eu não tivesse visto ele com outra mulher com meus próprios olhos, hoje, quando ele veio pedir reconciliação, eu teria aceitado e até tentado convencer a Isa a
As luzes do elevador se apagaram repentinamente, mergulhando tudo na escuridão.— O que aconteceu? — A voz de Isabela tinha um leve tom de apreensão.Jorge manteve a calma, respondendo com suavidade reconfortante: — Não se preocupe, deve ser apenas uma pane elétrica. Ficaremos bem.Com movimentos precisos, ele pegou o celular, cuja luz azulada iluminou o espaço. Pressionou o botão de emergência e discou para o serviço de socorro, mas nenhuma resposta veio do outro lado linha.— A campainha de emergência também está quebrada? — Perguntou Isabela, controlando a respiração.Jorge examinou os botões sob a luz trêmula. — Parece que sim.Isabela tentou ligar para o 190, mas as barras de sinal haviam desaparecido. — Então, só nos resta esperar pelo resgate? — Perguntou, ansiosa.— Por enquanto, sim. — Confirmou Jorge, acionando sequencialmente todos os botões do elevador como precaução contra quedas bruscas. A lanterna do celular projetava sombras dançantes no rosto pálido de Isabela.— Es
— Posso me agachar? — Sussurrou Isabela, com a voz embargada pela exaustão.Jorge envolveu seu antebraço com firmeza, a protegendo. — Vamos encostar na parede. É mais seguro.Ela assentiu, com seus cabelos esvoaçando na penumbra. — Certo.Tentou mover as pernas, mas horas imóveis deixaram os membros pesados como chumbo, já sentia formigamentos subindo pelas panturrilhas. Ao se curvar para massagear a panturrilha, o elevador mergulhou em queda livre.— Meu Deus! — O grito ecoou enquanto ela agarrava desesperadamente o que encontrava.O elevador despencou como pedra. Jorge cambaleou, seu instinto superou a gravidade. Num piscar de olhos, a puxou contra si num redemoinho de tecido e calor, três passos largos até o canto. A mão direita agarrou o corrimão até os nós dos dedos esbranquiçarem, enquanto a esquerda se moldou à curva da cintura dela como uma luva.O rangido metálico dos cabos cortou o ar quando a queda cessou.Isabela desabou contra o peito dele, ofegante. Seus lábios entreabe
— Não, estou bem. — Isabela baixou a cabeça, dizendo com a voz um pouco fraca.— Precisa ir ao hospital para uma verificação? — O bombeiro perguntou com preocupação.Isabela balançou a cabeça, e Jorge interveio:— Não precisa, obrigado.— É nosso dever. — O bombeiro acenou com a cabeça e então se afastou.A administração do prédio logo chamou os técnicos de manutenção do elevador para verificar o problema. Isabela e Jorge decidiram subir de escada até o apartamento. O local de onde foram resgatados era o térreo, e o destino deles era o sexto andar.Isabela estava exausta, as pernas pareciam feitas de chumbo, cada passo era uma luta. Ela se agarrou ao corrimão, usando a força dos braços para sustentar o corpo, subindo lentamente. Jorge caminhava ao lado dela, com passos firmes e uma expressão serena.O vento frio do lado de fora soprava suavemente, levando embora o suor de ambos. O rosto de Isabela já não estava mais tão vermelho, e sua respiração também se acalmou.Finalmente, ao chega