Clara descia apressadamente as escadas atrás de Jorge, tentando alcançá-lo antes que partisse.— Jorge, você já não é mais tão jovem assim. Já passou da idade de casar, né? A mamãe só está preocupada com você, isso é super normal. — Argumentou ela, sua voz ecoando pelo corredor.Afinal, entre todos os Neves, ele era o único herdeiro direto da família, tornando compreensível a ansiedade dos pais quanto ao seu futuro.— Cuide da sua vida. — Cortou Jorge secamente, sem nem sequer se virar para olhá-la.Clara fez um biquinho de descontentamento ao vê-lo entrar no carro e partir. Assim que o perdeu de vista, pegou o celular e ligou rapidamente para Luan. O telefone mal completou o primeiro toque e já foi atendido.— Vem aqui em casa agora. — Ordenou ela sem rodeios.— Sim. — A resposta do outro lado foi curta e direta....Golden Law.Isabela se encontrava reunida com uma cliente cujo caso se revelava consideravelmente mais complexo do que sugeriam os documentos iniciais.— Meu marido me tr
Isabela não tinha pressa alguma, apenas aguardava com paciência a decisão da cliente. Afinal, não se tratava de uma escolha qualquer. Era uma decisão crucial entre dinheiro e liberdade.Na verdade, para a maioria das pessoas, a vida se resumia a esses dois elementos fundamentais: dinheiro e liberdade.A cliente se encontrava diante de um dilema complicado, como se estivesse entre a cruz e a espada, precisando de tempo para ponderar com cuidado.Se Isabela estivesse no lugar dela, escolheria a liberdade sem hesitar, pois tempo era um recurso precioso demais. Com ele sempre existia a possibilidade de recomeçar e construir algo novo do zero.Depois de alguns minutos de hesitação, a cliente finalmente tomou sua decisão.— Quero minha liberdade. — Ela declarou com firmeza.Isabela acenou com um gesto compreensivo.— Vou fazer tudo ao meu alcance para garantir que você consiga a maior parte dos bens.A cliente respirou fundo e concordou com determinação:— Obrigada, Dra. Isabela.Para qualqu
Isabela não se irritou com a hostilidade de César. Pelo contrário, compreendia seu estado de espírito naquele momento difícil. Provavelmente, a notícia sobre sua situação já havia se espalhado entre familiares e amigos, algo que, para um homem com seu orgulho, devia ser absolutamente insuportável.Afinal, ele sentia que jamais voltaria a ser "um homem de verdade" aos olhos da sociedade. Era evidente que se sentia humilhado e, de fato, sua situação atual era constrangedora. Perder completamente suas funções íntimas, como não estaria revoltado?Com voz serena e gentil, Isabela se apresentou:— Olá, sou a advogada que representa sua esposa. Eu gostaria de...— Não tenho nada para conversar com ela! — Cortou César imediatamente, seu tom carregado de raiva e sem a menor disposição para ouvi-la. — Se você veio aqui para tentar me convencer de alguma coisa, pode dar meia-volta e sair agora mesmo!Sem se abalar com a reação explosiva, Isabela puxou calmamente uma cadeira e se sento ao lado da
César olhou para Isabela e perguntou:— Como a gente resolve toda essa situação?Isabela manteve a voz tranquila e profissional e respondeu:— Sua esposa está disposta a ceder a maior parte dos bens para você, como uma forma de compensação pelo que aconteceu. César baixou os olhos, sentindo o peso da culpa se acentuar sobre seus ombros. Um suspiro profundo escapou de seus lábios.— No nosso casamento, ela nunca errou comigo de verdade... — Ele murmurou, a voz embargada. — Fui eu que estraguei tudo desde o início. Essa situação toda é culpa minha, não dela. Eu mereço o que aconteceu. Acabei destruindo minha esposa e a mim mesmo com minhas escolhas.Por dentro, Isabela revirou os olhos mentalmente. "Agora que caiu a ficha? Depois que o estrago já está feito?" Ele claramente não sabia controlar os próprios impulsos e agora estava pagando o preço de suas escolhas.— Você também foi seduzido nessa história toda. — Comentou Isabela em tom compreensivo. — A culpa maior é daquela mulher, nã
— Você também vai deixar alguma parte dos bens para ela, não é? Afinal, uma mulher divorciada não tem vida fácil. Você entende? — Perguntou Isabela.César permaneceu em silêncio por um momento, ponderando a situação.— Metade para cada um. — Declarou ele finalmente, com voz resignada.Isabela já havia conduzido a conversa até este ponto. Se ele insistisse em ficar com tudo, pareceria mesquinho diante dela.Mesmo sentindo certo desconforto, César acabou concordando com a proposta.— Quer ver sua esposa? — Indagou Isabela suavemente. — Ela está esperando lá fora.César apenas balançou a cabeça em negativa.Não havia mais nada a dizer. Ele estava derrotado, e o casamento também chegava ao fim.— Tudo bem. — Respondeu Isabela, levantando-se da cadeira. — Vou transmitir a ela o quanto você foi generoso nessa situação toda. Tenho outros compromissos, então preciso ir.César soltou um sorriso fraco, quase imperceptível.— Não vou te acompanhar.Quando Isabela saiu do quarto e fechou a porta,
A voz de Viviane ecoava tão estridente pelo telefone que Isabela precisou afastar o aparelho do ouvido, franzindo o rosto com desconforto.— Estou chegando, já estou chegando! — Ela respondeu, tentando acalmar a amiga.— Dez minutos, nem um segundo a mais. — Advertiu Viviane com firmeza. — Se não aparecer, juro que acabo com você.Ela desligou sem esperar resposta.Isabela ficou parada por um instante, olhando para o celular mudo em sua mão.— Dr. Jorge, eu...— Vamos jantar juntos. — Interrompeu ele. Ela nem teve tempo de terminar sua frase. Percebendo sua hesitação, Jorge a observou com atenção. — Tem algum compromisso urgente?— Não exatamente... — Isabela coçou levemente a cabeça, desconfortável com a situação. — É que hoje é meu aniversário. A Vivi já me ligou um milhão de vezes e agora está uma fera comigo. Acho que não vai dar para jantar com o senhor.Jorge ergueu os olhos, demonstrando genuína surpresa.— Seu aniversário?Isabela acenou, meio sem jeito.— Sim. Dr. Jorge, preci
Naquele dia, quando Isabela Lopes foi levada ao tribunal pelo próprio marido, Sandro Marques, uma nevasca intensa tomava conta da cidade.Ela ainda se lembrava de como acreditava em seu amor. Durante sete anos, desde que se apaixonaram até o casamento, sempre teve certeza de que ele amava ela e que viviam um casamento feliz.Tudo mudou, porém, quando ele entregou ela às autoridades, sem hesitar, por causa de uma palavra dita por Milena.O juiz começou a leitura do caso de Isabela, acusada de porte de substâncias proibidas.— No dia 23 deste mês, durante uma blitz na Rua Oeste, agentes encontraram substâncias ilícitas no veículo conduzido pela Sra. Isabela. — Declarou o juiz. — Esta audiência é para examinar os detalhes da acusação. Solicito que o autor leia suas alegações.Sandro se levantou, o corpo alto e imponente vestido com um terno preto impecável, que só aumentava seu ar sério e afiado. Seus olhos, que um dia transbordavam de amor por sua esposa, agora mostravam apenas desaponta
Isabela se virou para olhar Sandro. Era curioso como palavras tão decisivas agora pareciam deslizar com facilidade.Sandro, com uma expressão gélida, retrucou sem titubear:— Não vou me divorciar de você. Você sabe disso muito bem.— Você é advogado, deveria entender o que está em jogo. Se eu for condenada, vou parar na cadeia...— Com as provas contra você, Isabela, não posso fazer nada além de seguir o que a lei manda...— Não, Sandro. Não é sobre provas. É sobre você acreditar na Milena e não em mim.Isabela sentia cada palavra pesando no ar. Era mais do que simplesmente uma questão de confiança: ele estava disposto a vê-la presa para defender Milena.Ele baixou os olhos e, evitando a intensidade do olhar dela, depois caminhou para as escadas, sem oferecer qualquer explicação:— Vamos para casa.Isabela ajustou o casaco grosso ao corpo e seguiu até o carro. Aquele dia estava frio e o vento cortava o rosto dela como pequenas lâminas geladas. Ela entrou no carro e o silêncio entre ele