Sandro soltou um sorriso enigmático enquanto refletia sobre como Isabela, que um dia o amava intensamente, havia partido sem olhar para trás, ignorando todas as suas tentativas desesperadas de fazê-la ficar ao seu lado.— Você promete que nunca vai me abandonar? — Indagou ele com voz quase suplicante, inclinando a cabeça para roçar os lábios no rosto de Clara.O corpo delicado da jovem estremeceu entre seus braços enquanto seu rosto adquiria um tom rosado. Aninhando-se contra o peito dele, Clara murmurou com emoção:— Nunca, jamais vou te deixar. Meu amor por você é para sempre.O "para sempre" era uma medida de tempo mais extensa para ser prometida num simples momento de emoção. Mal sabia ela que, em breve, tudo se transformaria completamente.— A gente não vai terminar, né? — Perguntou Clara em voz baixa. — Eu quero muito me casar com você.— Claro que não. — Respondeu Sandro com um leve aceno de cabeça.Os olhos de Clara cintilaram de pura felicidade ao ouvir aquela confirmação tão
Clara arregalou os olhos, completamente chocada com a revelação inesperada.— O Sandro tentou mandar a ex-mulher para cadeia? — Perguntou ela, sua voz oscilando entre surpresa e incredulidade.Até aquele momento, Clara sabia apenas que ele era divorciado e sempre imaginou que o casamento tinha acabado pelo motivo mais comum do mundo. O amor simplesmente se esgotou com o tempo. Mas descobrir que ele havia tentado colocar a ex na prisão era algo diferente e, para ela, a prova definitiva de que não restava nada entre Sandro e Isabela.Um sorriso de satisfação iluminou seu rosto. Ela nunca escondeu sua aversão por Isabela, sentimento que só se intensificou depois daquele dia em que a flagrou nos braços de Sandro. Já tinha até elaborado planos para se livrar dela de alguma forma, mas depois da revelação de Jorge, sua raiva diminuiu consideravelmente.Na verdade, agora sentia até uma certa compaixão pela ex-mulher dele. Afinal, quatro anos de casamento para terminar com o próprio marido quer
Clara descia apressadamente as escadas atrás de Jorge, tentando alcançá-lo antes que partisse.— Jorge, você já não é mais tão jovem assim. Já passou da idade de casar, né? A mamãe só está preocupada com você, isso é super normal. — Argumentou ela, sua voz ecoando pelo corredor.Afinal, entre todos os Neves, ele era o único herdeiro direto da família, tornando compreensível a ansiedade dos pais quanto ao seu futuro.— Cuide da sua vida. — Cortou Jorge secamente, sem nem sequer se virar para olhá-la.Clara fez um biquinho de descontentamento ao vê-lo entrar no carro e partir. Assim que o perdeu de vista, pegou o celular e ligou rapidamente para Luan. O telefone mal completou o primeiro toque e já foi atendido.— Vem aqui em casa agora. — Ordenou ela sem rodeios.— Sim. — A resposta do outro lado foi curta e direta....Golden Law.Isabela se encontrava reunida com uma cliente cujo caso se revelava consideravelmente mais complexo do que sugeriam os documentos iniciais.— Meu marido me tr
Isabela não tinha pressa alguma, apenas aguardava com paciência a decisão da cliente. Afinal, não se tratava de uma escolha qualquer. Era uma decisão crucial entre dinheiro e liberdade.Na verdade, para a maioria das pessoas, a vida se resumia a esses dois elementos fundamentais: dinheiro e liberdade.A cliente se encontrava diante de um dilema complicado, como se estivesse entre a cruz e a espada, precisando de tempo para ponderar com cuidado.Se Isabela estivesse no lugar dela, escolheria a liberdade sem hesitar, pois tempo era um recurso precioso demais. Com ele sempre existia a possibilidade de recomeçar e construir algo novo do zero.Depois de alguns minutos de hesitação, a cliente finalmente tomou sua decisão.— Quero minha liberdade. — Ela declarou com firmeza.Isabela acenou com um gesto compreensivo.— Vou fazer tudo ao meu alcance para garantir que você consiga a maior parte dos bens.A cliente respirou fundo e concordou com determinação:— Obrigada, Dra. Isabela.Para qualqu
Isabela não se irritou com a hostilidade de César. Pelo contrário, compreendia seu estado de espírito naquele momento difícil. Provavelmente, a notícia sobre sua situação já havia se espalhado entre familiares e amigos, algo que, para um homem com seu orgulho, devia ser absolutamente insuportável.Afinal, ele sentia que jamais voltaria a ser "um homem de verdade" aos olhos da sociedade. Era evidente que se sentia humilhado e, de fato, sua situação atual era constrangedora. Perder completamente suas funções íntimas, como não estaria revoltado?Com voz serena e gentil, Isabela se apresentou:— Olá, sou a advogada que representa sua esposa. Eu gostaria de...— Não tenho nada para conversar com ela! — Cortou César imediatamente, seu tom carregado de raiva e sem a menor disposição para ouvi-la. — Se você veio aqui para tentar me convencer de alguma coisa, pode dar meia-volta e sair agora mesmo!Sem se abalar com a reação explosiva, Isabela puxou calmamente uma cadeira e se sento ao lado da
César olhou para Isabela e perguntou:— Como a gente resolve toda essa situação?Isabela manteve a voz tranquila e profissional e respondeu:— Sua esposa está disposta a ceder a maior parte dos bens para você, como uma forma de compensação pelo que aconteceu. César baixou os olhos, sentindo o peso da culpa se acentuar sobre seus ombros. Um suspiro profundo escapou de seus lábios.— No nosso casamento, ela nunca errou comigo de verdade... — Ele murmurou, a voz embargada. — Fui eu que estraguei tudo desde o início. Essa situação toda é culpa minha, não dela. Eu mereço o que aconteceu. Acabei destruindo minha esposa e a mim mesmo com minhas escolhas.Por dentro, Isabela revirou os olhos mentalmente. "Agora que caiu a ficha? Depois que o estrago já está feito?" Ele claramente não sabia controlar os próprios impulsos e agora estava pagando o preço de suas escolhas.— Você também foi seduzido nessa história toda. — Comentou Isabela em tom compreensivo. — A culpa maior é daquela mulher, nã
— Você também vai deixar alguma parte dos bens para ela, não é? Afinal, uma mulher divorciada não tem vida fácil. Você entende? — Perguntou Isabela.César permaneceu em silêncio por um momento, ponderando a situação.— Metade para cada um. — Declarou ele finalmente, com voz resignada.Isabela já havia conduzido a conversa até este ponto. Se ele insistisse em ficar com tudo, pareceria mesquinho diante dela.Mesmo sentindo certo desconforto, César acabou concordando com a proposta.— Quer ver sua esposa? — Indagou Isabela suavemente. — Ela está esperando lá fora.César apenas balançou a cabeça em negativa.Não havia mais nada a dizer. Ele estava derrotado, e o casamento também chegava ao fim.— Tudo bem. — Respondeu Isabela, levantando-se da cadeira. — Vou transmitir a ela o quanto você foi generoso nessa situação toda. Tenho outros compromissos, então preciso ir.César soltou um sorriso fraco, quase imperceptível.— Não vou te acompanhar.Quando Isabela saiu do quarto e fechou a porta,
A voz de Viviane ecoava tão estridente pelo telefone que Isabela precisou afastar o aparelho do ouvido, franzindo o rosto com desconforto.— Estou chegando, já estou chegando! — Ela respondeu, tentando acalmar a amiga.— Dez minutos, nem um segundo a mais. — Advertiu Viviane com firmeza. — Se não aparecer, juro que acabo com você.Ela desligou sem esperar resposta.Isabela ficou parada por um instante, olhando para o celular mudo em sua mão.— Dr. Jorge, eu...— Vamos jantar juntos. — Interrompeu ele. Ela nem teve tempo de terminar sua frase. Percebendo sua hesitação, Jorge a observou com atenção. — Tem algum compromisso urgente?— Não exatamente... — Isabela coçou levemente a cabeça, desconfortável com a situação. — É que hoje é meu aniversário. A Vivi já me ligou um milhão de vezes e agora está uma fera comigo. Acho que não vai dar para jantar com o senhor.Jorge ergueu os olhos, demonstrando genuína surpresa.— Seu aniversário?Isabela acenou, meio sem jeito.— Sim. Dr. Jorge, preci