No vestiário, Luísa pegou os pertences e, em seguida, trocou de roupa. Por vezes, ela parava e enxugava as lágrimas.Em algum momento, segurou o buquê de flores que Carlo havia lhe dado e então engoliu em seco. Lembrou-se de que o advogado ainda estava no restaurante, tentou ir para lá após sair do vestiário, mas foi impedida pelos seguranças que bloquearam sua passagem.— Precisa sair pela porta dos fundos, signora! — Um dos grandalhões enfatizou a ordem dada pelo gerente.— Posso falar com a Milena?— Lamento! — O outro segurança negou com a cabeça.Escoltada pelos dois brutamontes, Luísa se retirou. Havia um nó insuportável em sua garganta enquanto continha a vontade de chorar.Por volta de uma da manhã, ela saiu num beco nos fundos do restaurante.— Hei, Luísa! — Uma voz masculina chamou, mas ela não olhou para trás. — Fique onde está ou vou te furar agora! Ela parou no instante em que sentia algo pontudo nas costas. O buquê de girassóis caiu no chão conforme o estranho a puxava
Com os ombros encolhidos, Luísa entrou na casa e acompanhou o homem alto que andava na frente enquanto falava com os seguranças. Don Morano parou e deixou os outros irem à frente e então fitou a mulher de estatura mediana. — Entra! — Ele ergueu o queixo para dentro da sala depois que abriu a porta. O escritório possuía móveis rústicos e um leve cheiro de tabaco impregnado no ambiente. Sem hesitar, Luísa deu alguns passos para dentro do escritório. Seus ombros continuavam levemente caídos, e as mãos apertavam o tecido da bolsa como se isso pudesse conter a ansiedade. Ele a observou de perto enquanto fechava a porta, analisando-a como se tentasse desvendar seus pensamentos. — Sente-se! — Preciso voltar para a Japigia. — A voz de Luísa tremia. — Senta aí, porra! — Ele deu um soco na mesa que fez o seu corpo estremecer. Após sentar, o semblante de Luísa estava estático como se estivesse congelado. O tom pálido de sua pele destaca os traços do cansaço. — Você acha que vai ficar seg
Sentado numa poltrona do outro lado, ele admirava Luísa enquanto milhares de pensamentos atravessavam a mente de Paolo. Não se tratava apenas de um mero tesão por aquela mulher esticada na cama, com parte dos seios aparecendo no decote da camisola; ele ansiava por dominá-la e sentir cada reação que seu toque provocaria enquanto entrava em seu corpo. Com um gesto brusco, Don Morano levantou e parou antes de puxar o lençol, arrancando-a do torpor do sono.Luísa ergueu-se num sobressalto. Puxou o lençol conforme seus olhos arregalados focaram no homem ao lado de sua cama.— O que faz aqui, senhor Morano?Sob o tecido da camisa de linho branca, o peitoral dele subia e descia agitadamente para dominar os seus impulsos primitivos. — Levante-se ou vai se atrasar! — Ele vociferou.— Que horas são? — Luísa murmurou, esfregando os olhos sonolentos.— São quase sete da manhã. Vista-se e desça para o café. — Ordenou, impaciente.Ele se virou abruptamente e tocou em sua dureza que medrava no tec
Mortificada de medo, Luísa colocou a mão para trás na intenção de esconder o cartão com o contato da gravadora Aurora Records. — O que está escondendo? — Ele franziu os olhos. — Na-nada… — Não insulte a minha inteligência. — Vencendo a distância, ele a alcançou e tocou em seu punho e tomou o cartão de sua mão. — Por que ligou? — O olhar sombrio a escrutinou. — Já disse que vou te ajudar. — Está me machucando… — ela puxou o braço para tentar se livrar dos dedos que apertavam o seu pulso. Don Morano, afrouxou a mão, mas continuou bem próximo. — Vamos logo! — A lufada morna de suas palavras tocaram a face de Luísa. Ao saírem pela porta principal, Paolo seguiu até o Porsche Taycan Turbo preto, onde o motorista já segurava a porta aberta. Luísa hesitou. Equilibrando-se no salto alto, caminhou lentamente. O portão da propriedade parecia absurdamente distante. — Você vai andar bastante até sair da propriedade e encontrar um ponto de ônibus. — Num tom impassível, ele comentou. — Onde
— O que está esperando? — Um sorriso debochado surgiu nos lábios de Giulia quando a provocou. Franzindo a testa, Luísa avançou com a intenção clara de socar o rosto daquela mulher insolente. — Signora Rossi! — A voz crepitante do consiglieri ressoou, detendo-a no último instante. Luísa interrompeu o movimento antes que seu punho atingisse o rosto de Giulia, que, de imediato, encolheu-se. — Essa louca tentou me atacar! — A voz trêmula da assistente pessoal soou ao se dirigir a Fausto. — Não sou ingênuo, Giulia. — O velho advertiu. — Você é uma funcionária competente, mas se continuar provocando a pianista, Don Morano não hesitará em dispensá-la. Capisci? — Sim, senhor! — Resignada, Giulia baixou a cabeça. — Volte ao trabalho. — O conselheiro ordenou. Sem mais argumentos, Giulia rumou para o lado oposto, parecendo um animal submisso após uma reprimenda. Luísa quase sorriu, mas conteve-se. — Qual a graça, signora Rossi? — O tom de Fausto endureceu. — Controle seus impulsos e não
Luísa já estava há dez minutos no banco traseiro do carro de luxo. Sua mente fervilhava com suposições, temendo que Consiglieri tivesse contado ao Don Morano sobre ela estar falando no celular no banheiro.Enquanto o motorista trocava palavras com o segurança, ela tentou abrir a porta, mas a mesma estava trancada. Com um movimento cauteloso, enfiou a mão na bolsa e pegou o celular. Assim que seus dedos deslizaram pela tela para digitar uma mensagem para o advogado, a porta se abriu abruptamente.— Se eu fosse você, não faria isso! — Paolo asseverou com frieza ao entrar no veículo e acomodar-se ao lado dela.O perfume amadeirado e marcante do mafioso preencheu o interior do automóvel, envolvendo Luísa em uma fragrância intensa e autoritária. O aroma mesclava-se ao ar carregado, tornando a atmosfera ainda mais sufocante. Ela prendeu a respiração por um instante, sentindo um arrepio involuntário percorrer sua nuca, antes de soltar o ar lentamente e fixar o olhar na janela, tentando ignor
Embora as suas pernas começassem a bambear, ela só conseguia pensar no filho. O coração saltou ferozmente. Ali, ela não teria escolha se ele a levasse para cama. Sua única opção foi torcer para existir um resquício de bondade dentro daquele homem perigoso. A boca dele já passava pela base de seu pescoço a caminho do colo dos seios.— Tenho que voltar para a Japigia, Don Morano — Aflita, Luísa anunciou.— Cazzo! — Xingou. — Vai insistir nisso? — Don Paolo franziu o cenho.— A diretora da escola quer falar comigo. — As palavras saíram carregadas de angústia. — Estou com saudades do meu filho.— Não pode remarcar para outro dia? — Com os olhos fixos nos seus, ele inquiriu.Temerosa, ela negou com a cabeça. Seu instinto de mãe gritava que algo estava errado. Precisava ver Enzo.— Vou mandar meus seguranças para acompanhá-la. Não arrume problemas, Luísa! — Grunhiu antes de soltá-la.— Grazie, Don Morano.Sem perder tempo, ela virou-se e andou até a porta.— Luísa! — A voz ríspida a chamou
Com passos firmes e precisos, Paolo atravessou o saguão principal, direcionando-se para a escada, mas desviou de seu caminho ao captar o aroma familiar de comida caseira e risos provenientes da cozinha. Ao adentrar o ambiente, deparou-se com Luísa de costas, mexendo em uma panela sobre o fogão, enquanto uma criança procurava algo na geladeira.Os olhos pequenos e curiosos do menino se voltaram para ele assim que se virou, segurando uma caixinha de suco. — Mamãe! — A criança chamou enquanto apontava para o homem com o semblante sisudo.A colher escorregou das mãos de Luísa ao reconhecer a postura intimidante de Don Morano.— Temos que conversar, — A irritação estava impregnada em sua voz quando falou.A governanta surgiu na cozinha e ofereceu-lhe algo para comer, mas ele recusou com um gesto brusco e permaneceu parado à porta por longos e cruciais segundos.— Ele vai bater em você igual ao que papai fazia? — A voz infantil ressoou na cozinha, direcionada à mãe.— Não! — Luisa se abaix