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Capítulo 6: Isabella Viana

A casa da Marina sempre foi meu refúgio. Desde que me mudei para cá, depois daquela noite terrível em que fui expulsa de casa, ela tem sido minha âncora. Marina é mais que uma prima; é a irmã que nunca tive. E hoje, mais do que nunca, eu precisava dela.

— Isa, você está bem? — Marina perguntou, colocando uma xícara de chá na minha frente. O cheiro de camomila era reconfortante, mas nem mesmo isso conseguia acalmar minha mente agitada.

— Não sei — respondi, segurando a xícara com as duas mãos. — Acho que estou me sentindo... culpada.

Marina sentou-se ao meu lado no sofá, seus olhos cheios de preocupação.

— Culpada por quê? Você não fez nada de errado.

— Eu deixei ela lá, Marina. Deixei minha mãe sozinha com ele. Como posso simplesmente ir embora e fingir que está tudo bem?

— Isa, você não deixou ela. Você foi expulsa. E você fez tudo o que pôde para ajudá-la. Quantas vezes você tentou convencê-la a sair daquela situação? Quantas vezes você chamou a polícia, implorou, chorou?

Eu olhei para o chão, sentindo as lágrimas queimarem meus olhos. Marina tinha razão, mas isso não tornava as coisas mais fáceis. Eu tinha lutado por tantos anos, e agora novamente, abriria mão de um sonho por escolhas erradas da minha mãe.

— Eu sei, mas... e se ele machucar ela de novo? E se algo acontecer e eu não estiver lá para protegê-la?

— Isa, você não pode carregar o mundo nas costas — Marina disse, colocando uma mão sobre a minha. — Sua mãe é uma adulta, e ela toma as próprias decisões. Por mais doloroso que seja, você não pode tomar essas decisões por ela.

Eu sabia que ela estava certa, mas era difícil aceitar. Minha mãe sempre foi minha responsabilidade, desde que eu era criança. Cuidar dela, protegê-la, tentar mantê-la segura. Agora, eu estava indo embora, e a ideia de deixá-la para trás era quase insuportável.

— E se eu tentar mais uma vez? — perguntei, minha voz quase um sussurro. — Talvez se eu conversar com ela de novo, ela entenda...

— Isa, você já tentou. Quantas vezes mais você vai se machucar tentando salvar alguém que não quer ser salvo? — Marina falou com uma firmeza que eu não esperava. — Você merece uma chance de ser feliz. De viver sua vida. Sua mãe sabe disso, mesmo que não consiga admitir.

As lágrimas finalmente escaparam, escorrendo pelo meu rosto. Marina me puxou para um abraço, e eu me agarrei a ela como se fosse a única coisa que me mantinha de pé.

— Eu só queria que ela fosse feliz — eu disse, minha voz embargada.

— Eu sei, querida. Eu sei. Mas a felicidade dela não é sua responsabilidade. E a sua felicidade também importa.

Ficamos em silêncio por um tempo, enquanto eu tentava me recompor. Marina sempre soube o que dizer, mesmo quando eu não queria ouvir. E, no fundo, eu sabia que ela estava certa. Eu não podia continuar assim, presa em um ciclo de dor e culpa.

— E essa oportunidade de au pair? — Marina perguntou, afastando-se um pouco para me olhar nos olhos. — Você ainda quer ir?

— Eu... eu não sei. Tenho medo, Marina. Medo de deixar tudo para trás, de não dar certo, de...

— De ser feliz? — ela completou, com um sorriso triste. — Isa, você merece isso. Você trabalhou tanto, estudou, cuidou da sua mãe... agora é sua vez. E se não der certo, você sempre pode voltar. Mas pelo menos tente.

Eu olhei para ela, sentindo um peso ser tirado dos meus ombros. Talvez ela estivesse certa. Talvez eu merecesse uma chance.

— E se eu precisar de ajuda com os preparativos? — perguntei, hesitante.

— Então eu vou te ajudar — Marina respondeu, sem hesitar. — Vamos fazer isso juntas. Passaportes, documentos, malas... o que você precisar.

Sorri pela primeira vez naquela noite, sentindo uma pontada de esperança.

— Obrigada, Marina. Eu não sei o que faria sem você.

— Provavelmente ficaria aí se culpando para sempre — ela brincou, fazendo eu rir. — Agora, vamos começar a planejar. Você tem uma viagem para a Espanha para organizar.

Enquanto Marina pegava o laptop e começava a pesquisar os documentos necessários, eu me sentei ao seu lado, sentindo um pouco do peso da culpa se dissipar. Talvez eu não pudesse salvar minha mãe, mas poderia salvar a mim mesma. E, pela primeira vez em muito tempo, eu estava disposta a tentar.

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