Cap 5 Onde o erro começou.

EULÁLIA

Éramos um emaranhado de meus cabelos entre nós, nos juntando ao mesmo tempo. Só notei isso quando ele se mexeu.

— Espera um pouco! — pedi, tentando tirar meus fios de seu corpo e rosto. No processo, tive que deslizar meus dedos, tocando sua pele e seu corpo por cima da roupa.

Meu rosto esquentou com o choque elétrico nas pontas dos meus dedos. Tentei não pensar se ele sentia ou não, porque ele leria meus pensamentos.

Mas minha mente tinha vontade própria, e, uma hora ou outra, eu acabaria pensando em algo muito pior do que um choque elétrico e arrepios gostosos pelo corpo.

Parecia que os segundos eram eternos. Os fios vermelhos dos meus cabelos o enrolando apenas o deixavam ainda mais bonito.

Mas não durou muito, porque ele logo se desfez daquela situação e conseguiu se soltar. Ele não queria ser preso mais nenhum segundo. A situação seria engraçada se ele não fosse um completo desconhecido.

"Devo pedir desculpas?"

— Não há necessidade! — ele disse imediatamente. Mesmo com pressa, tomou cuidado para não quebrar nenhum fio de cabelo. Ele tinha precisão.

O homem se pôs de pé em milissegundos, parecendo ter encontrado algo de muito errado. Então me deu a mão, de forma estranhamente gentil, apesar da face séria.

— Levante-se, temos que ir! — avisou.

"Ah! O conselho." Suspirei internamente, esticando a mão para ele.

Ele arqueou uma sobrancelha e então me puxou para algum lugar. Antes de chegar ao seu carro, vi um grupo da minha antiga alcateia entrar lá, e, antes que eu pudesse pensar, um deles me viu.

— Acabou a busca! Achamos ela! — gritou aquele que me viu. Todos os olhos se voltaram para nós.

O desconhecido me encarou depois de encará-los.

— Olha! Parece que sua antiga alcateia deseja mais o seu pescoço do que eu. — Ele brincou, sombrio.

— Pois é. Meu lugar não é nesse plano terreno. — Suspirei, os vendo se aproximar devagar por notarem o homem comigo.

— Já conformada? — Ele quase riu.

— Era escolher eles ou o conselho. No caso, você. Prefiro que você me mate. — Digo sem pesar.

— Pois bem. Pelo menos por isso não irei brigar. — Me lançou um quase sorriso.

Meu coração pareceu balançar de um lado a outro, minha face esquentou sem motivo, e minhas palavras foram silenciadas.

"Que tipo de poder é esse?" Queria saber qual era o motivo de eu ficar assim na sua presença.

"Ele está dizendo que vai me matar e eu fico assim? Só posso estar louca."

Ele ignorou meu comentário, finalmente aceitando minha privacidade. Esperava eu.

— Está ajudando essa fugitiva? Ao menos a conhece? — um dos homens perguntou a poucos metros de nós.

Ele cheirou o ar e, mesmo assim, não sentiu, assim como eu, nada naquele homem que estava comigo.

— Um humano? Que idiotice, ele nem sabe o que tá levando com ele. — Riu o lobo para o grupo.

Todos riram acompanhando ele, começando a fazer piadas sem graça e até mesmo depreciativas conosco.

"Quero ver quando souberem que ele não é um lobo comum." Eu ri. Os olhos do meu raptor me sorriram.

Pelo visto, ele ainda ouvia meus pensamentos. Meu coração continuou galopante. Eu não podia pensar em nada embaraçoso.

— Vamos embora daqui. — Disse ele, me incentivando a entrar no seu carro alto.

— Ei! Não pode nos ignorar! Ela é nossa. Nossa presa e nossa caça! — gritou o homem que parecia o novo beta. Talvez fosse seu irmão.

— Presa e caça? Eu a peguei primeiro, não foi? Não é assim a lei da natureza?

Eu fiquei entre a porta aberta e o carro.

— O que está insinuando? Você não sabe de nada, é um comum de merda.

— Tá querendo morrer? — Disse outro.

Eu já sentia um arrepio me dominar só por imaginar que o desconhecido ao meu lado iria matá-los rápido. Pelo menos era meu desejo.

— Pelo visto, ninguém dessa matilha segue as regras… — Ele me lançou um olhar desconfiado, mas ao mesmo tempo interessado. Talvez recordando que eu não havia me transformado em loba para fugir dele por seguir as leis?

Ou poderia ser porque ele pediu que eu não fugisse, e foi exatamente o que fiz?

Quase escondi minha cara de vergonha. No pior dos casos, eu estava sendo comparada àquele grupo ridículo da minha antiga matilha. Preferia ser considerada uma covarde e medrosa a isso.

— Ainda bem que você não é tão burro, sabe o que somos. Isso pelo menos nos ajuda.

Continuaram insultando-o, e eu fiz um sorriso quadrado, os achando extremamente idiotas por tal coisa.

— Vamos, como quer morrer? Rápido e indolor? — Perguntou outro para o meu estranho.

O homem riu com uma leve fungada. Eu quase ri junto, de nervoso.

— Tortura. Eu gosto de tortura. — Disse o loiro, cruzando os braços sem se preocupar.

O grupo gargalhou, e eu me mantive na porta, sem saber se assistia de dentro ou ainda fora. Olhei para a porta do outro lado, onde daria acesso a mim, e vi outro cara vindo por ali. Provavelmente para me pegar dentro do carro e puxar.

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