Cheguei em casa sem grandes surpresas depois de acompanhar Lorenzo até o porto onde a mercadoria fora apreendida. De fato, suas suspeitas eram de ter um agente infiltrado entre seus membros, caso contrário, uma apreensão dessa magnitude não teria sucesso.
Suspirei, me jogando sobre o sofá. Aquilo era uma loucura. Eu poderia rapidamente ser suspeita, já que todos sabiam meu rancor por mafiosos e sendo irônico que eu trabalhava exatamente para eles. Mas meu acordo com Giovanni era claro: eu não podia interferir nas operações, caso contrário, minha cabeça estaria a prêmio. Isso era frustrante, para não dizer o mínimo. Enquanto tomava banho, peguei-me pensando no que acontecera mais cedo: o toque de Lorenzo ainda ardia em minha pele. O desejo em seus olhos ainda me sondava, me forçando mesmo sem dizer uma palavra que eu seria dele. Tive muita força de vontade para me afastar. Lorenzo representava tudo que eu odiava e fugia por muito tempo. Mas havia algo em seu comportamento que me atraia para ele. Sempre ficávamos nos provocando, atiçando um ao outro e isso uma hora nos levaria ao limite. Ele sabia, mas não tinha nenhum problema com isso. Na verdade gostava. - Merda! – xinguei em russo, minha língua nativa. Depois de tomar banho, tentando ignorar meus desejos e pensamentos impróprios, vesti minhas camisola de seda vermelha e sentei na frente do computador. Tinha coisas que ainda precisava resolver. Liguei o canal da máfia e a voz da apresentadora transmitia um relatório sobre os acontecimentos recentes.A noite caía sobre a cidade como um véu de sombras, ocultando as atividades ilícitas que se desenrolavam nas ruas escuras. A máfia, liderada pelo implacável Don Lorenzo, movimentava-se silenciosamente, coordenando uma operação de distribuição de drogas que abasteceria as gangues locais por semanas. Fiz uma careta. Aquilo parecia uma fanfic de quinta categoria.No submundo do crime organizado, a disputa pelo controle da região era feroz. Duas gangues rivais, os "Diablos" e os "Rebeldes", lutavam há meses pelo domínio do território. A máfia Vacchiano, astutamente, jogava ambos os lados contra si mesmos, fornecendo armas e drogas para ambas as facções.Nessa noite, um carregamento de cocaína estava programado para chegar ao cais da cidade. Don Lorenzo havia designado seu homem de confiança, o temido Victor "O Sombra", para supervisionar a operação. Victor era conhecido por sua eficiência e brutalidade, capaz de resolver qualquer problema que surgisse sem hesitar.Enquanto o carregamento era descarregado, os Diablos e os Rebeldes se reuniam em locais separados, ansiosos para receber sua quota de drogas. No entanto, um informante havia vazado informações sobre a operação para a polícia, que agora se aproximava do cais com uma equipe de oficiais disfarçados. Nem todo seu relatório era verdade, pensei enquanto ouvia atentamente o desenrolar do relatório.Victor, alertado por um de seus homens, rapidamente reagiu, ordenando que o carregamento fosse transferido para um local seguro. Os Diablos e os Rebeldes, desconhecendo o perigo iminente, começaram a se mover em direção ao cais, prontos para pegar sua carga.A noite explodiu em tiros e gritos quando a polícia invadiu o cais. As gangues, surpresas, começaram a lutar entre si, acreditando que o outro lado havia os traído. Victor e seus homens desapareceram nas sombras, deixando para trás um rastro de destruição e morte.A operação da máfia havia sido comprometida, mas Don Lorenzo já estava planejando sua próxima jogada. A guerra entre as gangues continuaria, e a máfia se beneficiaria do caos, consolidando seu poder sobre a região.No fim da noite, a cidade estava em chamas, e o som de sirenes ecoava pelas ruas. A máfia, no entanto, já havia desaparecido nas sombras, pronta para planejar seu próximo movimento. A transmissão encerrou, mas eu estava tendo uma crise de riso com os absurdos. Ninguém sabia, mas eu não iria divulgar a verdade do que realmente aconteceu. Poucas pessoas sabiam do ocorrido, assim, ficava fácil para mim manipular o relatório da operação. Ainda estava rindo quando meu celular tocou. Atendi sem olhar e uma voz estranhamente fria chamou minha atenção. - Acha isso engraçado? Por mais estranha que a situação fosse, eu não seguia parar de rir. A pessoa pareceu irritada, o que me fez rir ainda mais. - Calma Lorenzo. Olha pelo lado bom, as coisas se resolveram e você parece bem na fita. - Está se divertindo com tudo isso, não está? Parece até que você fez isso de propósito. - Sua voz estava baixa e perigosa e eu não pude deixar de rir da cara dele. - Muito! E para sua informação, a ideia foi do John. Um silencio se fez na linha, mas de repente ouvi sua risada profunda e sexy. Meu coração palpitou, meu corpo respondeu aquele som. Suspirei, frustrada por desejar esse homem. Seria mais fácil se ele fosse feio, só então poderia odiá-lo com todas as forças. - Admito que a historia pareceu muito surreal aos meus ouvidos. Eu sabia que você mudaria os fatos, mas queria um pouco de ação. Ou até mesmo um romance... – disse, sugestivo. Romance? Ele enlouqueceu de vez? Até parece que uma história assim viraria romance. Não me deixei abalar por sua provocação e respondi: - Achei que nossa comentarista foi romântica o suficiente, chefe. - ironizei, provocando-o. - Fez até você parecer desejável, quem diria! Não pude deixar de provocá-lo, e pelo ranger da cadeira ele parecia nervoso. Julguei que deve estar em seu escritório, seguro em casa. - Seja honesta. O que você acha? Como a policia descobriu sobre a carga? - Acho que há um traidor infiltrado. Isso é algo que precisa ser descoberto o quanto antes. Se ele não for pego agora, pode afetar as próximas operações. Ele estalou a língua. - Concordo. Se realmente há um rato entre nós, precisamos erradicar essa peste. Por hora apenas nós dois sabemos da situação. – falou e eu concordei, olhando para a tela do computador. – Quanto ao problema do fornecimento das gangues... - Já foi resolvido. - Tem certeza? – questionou. - Sim. Vamos discutir isso segunda. - E por que não amanhã? - Não trabalho nos fins de semana. Preciso comprar algumas coisas também. Não posso fazer isso depois do trabalho, você sabe. – já que saio muito muito tarde. Lorenzo não disse nada e apenas suspirei. Odiava admitir, mas eu esperava ansiosamente o fim de semana para me manter afastada dele. Considerei encerrar a ligação quando ele ordenou, sua voz fria como gelo, sem se importar com o que eu falei um pouco antes. - Emma Cassano, vejo você amanhã às 9h em ponto. Não teste minha paciência. Só então desligou. Fiquei parada, olhando o celular sem acreditar no que tinha escutado dele. Eu vou matar esse arrombado! - Maldito! Filho da puta! Eu poderia gritar em frustração, mas isso não me ajudaria em nada. Não pude deixar de me irritar com a sua prepotência e frieza. Será que esperava que eu abaixasse a cabeça e aceitasse suas ordens? Coitado! Lorenzo Vacchiano não fazia ideia com quem mexera. Afastei-me do computador e deitei na cama, estendi as mãos até a cabeceira e peguei meu álbum de fotos. Folheei as páginas, um misto de dor e saudade tomando conta dos meus pensamentos. Sentia saudades de casa, de como as coisas eram antes. Eu era a filha mais velha de uma prestigiada família russa de sete pessoas. Meu pai trabalhava como ministro da defesa e minha mãe era uma física bem renomada. Vivi como se nada pudesse me alcançar, não era arrogante, mas vivia em minha própria bolha cor de rosa. Me arrependi disso há muito tempo. Meu pai era mafioso e descobrir isso destruiu minha vida. Um dia, ao entrar no escritório de meu pai, notei alguns documentos sobre a mesa. A curiosidade me venceu e olhei com atenção. Uma solicitação de noivado foi feita por um dos amigos de meu pai; um casamento de interesses onde eu não tinha direito de opinar. Maximillian Czar, líder da família Czar e chefe da máfia local. Eu não fazia ideia disso até as coisas se desenrolarem na minha mente, buscando uma explicação, até a realidade me atingir. Meu pai tinha envolvimento com a máfia por anos e eu era a criança prometida a um velho pervertido para formar um grupo invencível. Não pensei duas vezes. Fugi de madrugada, com o homem que eu amava e não olhei para trás. Mas, ao chegarmos na Itália, ele me abandonou dizendo que, sem minha herança, eu não valia mais nada. A dor da traição foi sufocante e jurei para mim mesma que nunca mais entregaria meu coração. Agora, depois de alguns meses, me pegava pensando neles. Será que estavam bem? Sentiam minha falta? Ou falaram para as pessoas que eu morri? Eu não queria saber. Mudei minha identidade para não ser encontrada e pretendia continuar dessa forma. Mas, quando esta criança nascer me mudarei novamente para longe. Um lugar seguro onde ninguém irá nos encontrar. Acariciei minha barriga lentamente, dizendo: - Sei que você é só uma pequena bolinha nesse momento, mas eu prometo que vou te proteger. Nunca fará parte desse mundo cruel. Eu vou proteger essa criança de tudo e de todos. Até mesmo de mim, se necessário. Com isso em mente, adormeci, abraçando minha barriga.Batidas altas na porta me fizeram pular da cama. Olhei para o relógio na mesa de cabeceira e praguejei baixinho. Estava atrasada! Duas horas atrasada! Tinha certeza que Lorenzo estava surtando. Sentei na cama, coçando meus olhos sonolentos enquanto as batidas seguiram cada vez mais insistentes. Vesti meu robe e fui atender a porta, sem expressar surpresa ao ver Lorenzo parado em minha frente.Para uma reunião profissional, era estranho vê-lo com roupas casuais: uma camisa polo preta que evidenciava seus músculos e uma calça jeans. Porém, seus sapatos não combinavam com o arranjo, me passando a sensação de um típico playboy.Seu olhar misturava alívio e irritação e sem nenhum convite, ele invadiu minha casa. Cruzei os braços e o observei como se ele estivesse louco.— Algum problema?Ele passou a mão nos cabelos, seu olhar vagando pelo meu corpo por um momento, antes de seu olhar se fixar ao meu.— Por que ainda está vestida assim? Eu estava a sua espera desde cedo. — Ele caminhou lent
Seus lábios eram o paraíso.Eu não conseguia descrever as sensações que inundavam meu corpo. O cheiro dela me inebriava, me seduzia a um ponto que me fazia perder a razão. Meus sentimentos sempre ficavam mais claros quando Emma estava em meus braços e eu tinha a absoluta certeza de que ela seria minha.Quando fui até o lugar e vi o corpo desovado, meu primeiro pensamento dizia que era Emma ali, morta por alguém. Fui tomado por pavor e desolação, mas quando me aproximei e vi que não era ela, suspirei de alivio. A ideia de ver minha secretária morta provocou um embrulho em meu estomago. Agora, aqui com ela, meu nervosismo fora embora e minha mente estava calma. Trouxe-a para junto de mim, mas sua rigidez me fez congelar.Afastei um pouco de Emma, nossos lábios se separando no processo. Quando olhei seu rosto, senti meu sangue gelar. Ela estava irritada, a frieza tomou conta de suas belas feições. A cor sumiu do meu rosto e me afastei dela instantaneamente. Seu silencio me incomodou, seu
Passei o final de semana alternando entre o medo e a raiva. Depois que Lorenzo foi embora, me permiti desmoronar. Se aquela mensagem era realmente para mim, significava que tinham me encontrado. Só por considerar isso me dava náuseas.As horas seguintes foram borrões. Conversei com John por telefone. Ele mais do que ninguém, conhecia minha situação. Expressei minhas preocupações a respeito do que tinha acontecido e na possibilidade de Maximillian ter me encontrado. John fora categórico, me passando algumas informações. Aquele homem estava na Itália, tentando se estabelecer na região. Porém, deixara claro de que eu não deveria me preocupar.— Pense comigo, Emma. Todo o treinamento que você recebeu de Giovanni servirá perfeitamente. Não se renda! Lute! E caso seja demais para você, use os Vacchiano. — Dissera ele.Isso me acalmou um pouco, considerando quão estressada estava com a situação. Conhecendo aquele homem, em breve entraria em contato com os mafiosos locais para formar alianças
Não demorou muito para Dimitri entrar no escritório com alguns documentos nas mãos. Emma tinha saído para pegar o café, então era o tempo que eu precisava para analisar o dossiê. Mas antes disso, olhei para ele com o cenho franzido.— Alguma novidade?Dimitri se mexeu, desconfortável.— Notamos uma movimentação suspeita nos arredores da casa de Emma. — Fechei a cara, mas o homem não se intimidou e continuou o relatório. — Além disso, ela fez uma ligação para o secretario anterior. Permaneceram na linha por duas horas e depois disso ela seguiu com suas atividades normais.John novamente. O que diabos eles conversaram? Por que eram tão próximos? Será que tinha alguma relação com o acordo que fez com meu avô. Cada vez que essas perguntas surgiam em minha mente mais irritado eu ficava. Eu sou o líder da família. Eu sou capaz de proteger a Emma. Mas cada movimento que eu fazia para me aproximar a fazia se afastar ainda mais, como se tivesse aversão a mim. Não faz sentido, pensei. Nada esta
Os gritos de Miguel encheram a sala.Lorenzo não teve piedade e o torturou por horas a fio, mas o homem não abriu a boca, mesmo passando pelas piores torturas. Precisava admitir que era admirável o quanto Miguel suportou nas mãos de Lorenzo, mas até mesmo o mais determinado sucumbira nas mãos dele.Me recostei na cadeira enquanto meu chefe arrancava a pele das costas do homem, que urrava de dor. Tentei ignorar o sangue que respingava aos montes, fazendo poças no chão ou mesmo o cheiro nauseante de sangue. Lorenzo estava se divertindo, sua cara tão sádica que até mesmo minha indiferença era substituída pelo medo.— Sabe... — Lorenzo passou a faca pela carne exposta do pobre coitado. — Para um vermezinho insignificante, até que suporta a dor. O que acha querida? Devo parar?Seus olhos eram frios e inexpressivos. Sua voz estava repleta de sarcasmo. Será que esperava um elogio de minha parte? Ri suavemente.— Parece que está perdendo o jeito, meu amor. Quer uma ajuda?Algo brilhou em seus
“Don Giovanni, por que me chamou aqui?”O homem olhava pela janela, um charuto caro em sua boca, como se estivesse absorto em pensamentos. Eu não pude deixar de notar o cansaço em seus ombros e o esforço que o mesmo fazia para manter-se de pé.Giovanni Vacchiano estava doente. Diagnosticado com mal de Parkinson, ele manteve-se forte, lidando com assuntos que eu não queria saber. Em seus setenta e oito anos, mantinha a mesma mão firme de antes, sendo até mais implacável quando recebeu o diagnóstico. Homem austero, calvo e baixinho, vestia sempre seu terno caro para tudo, mesmo para coisas simples. Era um homem admirável… e manteve meu segredo guardado.Aproximei-me da cadeira à sua frente e sentei, tentando entender o motivo dele ter me chamado. Imaginei que seria por conta de sua doença.“Boatos começaram a surgir sobre quem seria seu sucessor.”Ele estalou os dentes, irritado.“Bando de inúteis. Não veem a hora da minha morte. E sabe o que é mais hilário, querida?” - deu uma tragada
Capitulo 1Dois meses depois...Como eu odeio esse emprego. Papéis, drogas, cartéis, milícias... Odiava tudo isso. Tentei ao máximo me manter afastada desse mundo por medo. Minha família era da máfia russa e, não suportando a pressão e um casamento contra minha vontade, fugi para a Itália. Mudei meu sobrenome, aparência, cor dos olhos, tudo que eles pudessem usar para me encontrar. Meus olhos prateados se tornaram castanhos, meu cabelo loiro tingido de castanho claro.Tentei viver no anonimato, longe de tudo que era perigoso ou estivesse envolvido com atividades ilícitas. Por ironia do destino, alguém da máfia cruzou meu caminho e, por consequência, me envolvi novamente nesse mundo que tanto tentei fugir. Mas essa era minha punição depois de fazer um acordo com o líder antecessor. Era uma situação complicada, reconheço, mas para ter o que procuro com tanto desespero, precisava suportar todos esses meses ao lado de Lorenzo. 'Isso será complicado', pensei comigo mesma. Mantive um olhar
- Che donna astuta! – sussurrei quando minha assistente deixara meu escritório.Eu não conseguia tirar ela da minha mente desde o dia que meu avó nos apresentou. Emma aparentava ser uma mulher fria, mas eu conseguia enxergar algo nessa garota e fiquei fascinado por ela. Belos cabelos compridos, olhos castanhos e desafiadores, corpo curvilíneo e sensual. Não era tão baixa, chegando à altura do meu queixo. Vestia sempre ternos, que realçavam ainda mais seu corpo lindo. Hoje, porém, Emma usava um vestido preto, formal para quem o visitava, mas sexy aos seus olhos. Por mais estranho que pudesse parecer, algo acontecia entre eles. Tensão sexual, talvez. Mas desde que a vira, ela não saía de seus pensamentos. Voltei para a minha mesa, considerando minhas opções. Se o velho me visse desse jeito, estaria dando risadas da minha cara nesse momento. Cerrei os dentes, fechando a pasta que estava em minhas mãos com força. Parece que matar o maldito não foi suficiente, já que eu podia ouvir sua r