OITO

Os gritos de Miguel encheram a sala.

Lorenzo não teve piedade e o torturou por horas a fio, mas o homem não abriu a boca, mesmo passando pelas piores torturas. Precisava admitir que era admirável o quanto Miguel suportou nas mãos de Lorenzo, mas até mesmo o mais determinado sucumbira nas mãos dele.

Me recostei na cadeira enquanto meu chefe arrancava a pele das costas do homem, que urrava de dor. Tentei ignorar o sangue que respingava aos montes, fazendo poças no chão ou mesmo o cheiro nauseante de sangue. Lorenzo estava se divertindo, sua cara tão sádica que até mesmo minha indiferença era substituída pelo medo.

— Sabe... — Lorenzo passou a faca pela carne exposta do pobre coitado. — Para um vermezinho insignificante, até que suporta a dor. O que acha querida? Devo parar?

Seus olhos eram frios e inexpressivos. Sua voz estava repleta de sarcasmo. Será que esperava um elogio de minha parte? Ri suavemente.

— Parece que está perdendo o jeito, meu amor. Quer uma ajuda?

Algo brilhou em seus
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