DOIS

- Che donna astuta! – sussurrei quando minha assistente deixara meu escritório.

Eu não conseguia tirar ela da minha mente desde o dia que meu avó nos apresentou. Emma aparentava ser uma mulher fria, mas eu conseguia enxergar algo nessa garota e fiquei fascinado por ela. Belos cabelos compridos, olhos castanhos e desafiadores, corpo curvilíneo e sensual. Não era tão baixa, chegando à altura do meu queixo.

Vestia sempre ternos, que realçavam ainda mais seu corpo lindo. Hoje, porém, Emma usava um vestido preto, formal para quem o visitava, mas sexy aos seus olhos. Por mais estranho que pudesse parecer, algo acontecia entre eles. Tensão sexual, talvez. Mas desde que a vira, ela não saía de seus pensamentos.

Voltei para a minha mesa, considerando minhas opções. Se o velho me visse desse jeito, estaria dando risadas da minha cara nesse momento. Cerrei os dentes, fechando a pasta que estava em minhas mãos com força. Parece que matar o maldito não foi suficiente, já que eu podia ouvir sua risada fria até mesmo de olhos fechados.

Bufei, tornando-me a levantar e pegar uma dose de uísque. E agora essa! A policia se metendo nos meus assuntos novamente. Pensei que tinha sido claro ao subornar o alto escalão, mas parece que os infelizes não têm amor à vida, certo? Enquanto dava um gole em minha bebida, digitei uma mensagem ao meu parceiro, exigindo sua presença em meu escritório.

O telefone da mesa começou a tocar e caminho para perto, atendendo-o.

- Diga, Emma.

- O inspetor de policia está aqui e solicita um encontro. – Sua voz estava neutra, porém, consegui perceber sua irritação. – Devo acompanhá-lo?

Sorri comigo mesmo. Essa atitude dela era tão sexy vindo dela.

- Deixe-o entrar, e querida? – seu silêncio do outro lado da linha me fez rir. – Mande preparar aquela sala para nós.

Emma suspirou.

- Sim, senhor. – disse e desligou.

Voltei para trás da mesa e sentei. Juntando as mãos em cima da mesa dou um sorriso frio quando um homem de meia idade entrou em meu escritório. Ele estava visivelmente desconfortável, olhando as coisas com extrema atenção. Atrás dele, Emma observava com um sorriso maldoso a vítima entrar na jaula. Isso não me impediu de sorrir e voltar a atenção para o estranho.

- O que um homem da lei faz tão longe de seu território?

Ele pigarreou, se mexendo de forma desconfortável. Achava mesmo que eu o convidaria para sentar? Coitado.

- Sou Miguel Germano, estou aqui para te fazer algumas perguntas.

- Jura!? – ronronei e tive a satisfação de vê-lo estremecer. - Estou sendo interrogado? Tem um mandato?

Emma avançou, parando ao meu lado em silêncio, passando alguns papéis e recuando para trás da minha cadeira. Miguel olhou para ela de forma estranha.

- Ela precisa ficar aqui? Isso é algo que...

- ... Uma secretária como eu não pode saber? – ela completou, arqueando a sobrancelha. – Não acha que sua atitude está totalmente equivocada, considerando o lugar em que você está?

Ele não respondeu e não pude deixar de esconder um sorriso bem humorado. Emma agia como sempre, mas sabia muito bem como intimidar sem levantar um único dedo. Ela era incrível.

- Peço desculpas, então. – murmurou a contragosto. – Um carregamento de heroína foi apreendido pelo rio Pó. Testemunhas disseram que a embarcação era da sua família.

- Mesmo? – disse, cerrando os olhos. – Tem alguma prova de que era meu? Acho que não, caso contrário, estaria com um mandato, não acha?

Vi Miguel perder a paciência e colocar as mãos nos bolsos. Emma se manteve silenciosa, observando cada movimento dele com extremo desinteresse. Aquilo era um incômodo totalmente desnecessário. Tinha coisas mais importantes para resolver e aquele homem estava atrapalhando.

- Que tal ser direto, oficial. Se queria arrancar algumas confissões, deveria mostrar seu gravador e revelar suas verdadeiras intenções desde o momento que chegou aqui.

Levantei e ao dar a volta pela mesa, caminhei calmamente até o inspetor, que recuava, assustado. Ele tinha escolhido um péssimo dia para aparecer aqui e me irritar.

- Acha que não sei quem você é? – falei de forma ameaçadora, enquanto caminhava até ele. – Oficial de policia uma ova.

- Miguel Germano, você era integrante da milícia do norte, mas foi expulso por consumir a mercadoria e roubar de seu chefe. – Emma falou, folheando os papéis que tinha em mãos. – Foi expulso há algumas semanas. Desde então, fica pulando de lugar como um bicho desprezível. – ela terminou a leitura e bateu os papéis sobre a mesa. – Achou mesmo que não sabíamos disso, Miguel?

Olhei para ela, sorrindo.

- Mas foi você que permitiu a entrada dele, Emma. O que tem a dizer sobre isso?

- Estava apenas seguindo suas ordens, senhor.

- Tem razão... Isso foi um erro meu. – voltei meu olhar para o homem, minha expressão fria e calculada. – Posso atirar nele? Isso resolveria nossos problemas, certo?

- É a sua escolha, senhor. Mas acho que manter ele vivo terá mais utilidade.

Um sorriso maldoso se formou em meus lábios. Miguel tentara correr para a porta, mas Emma tinha trancado a porta quando entrou, prendendo-o junto com eles. Ela pensou bem rápido e eu daria um belo diamante como forma de compensação.

- Imagine, Lorenzo. Um membro exilado, que ainda não foi assassinado pelos seus. Pense na quantidade de informações que ele pode ter. Vai ficar um passo a frente deles.

- Não... Por favor... E-eu não fiz nada...

- Pode até ser. - respondi friamente. - Mas quando um inseto entra no meu território, sabe muito bem o que acontece.

A porta se abriu e meus dois homens de segurança entraram na sala. Sem surpresas, Miguel foi imobilizado e derrubado ao chão. Seus gritos de pavor estavam incomodando meus ouvidos, balancei minha mão para tirarem esse merda da minha frente, mas então Emma se aproximou de mim e sem hesitar, chutou o rosto do cara.

Eu não fiquei surpreso com sua atitude, já esperava isso dela, mas não com tanta ferocidade. Fiquei observando seu rosto, esperando alguma emoção, mas a usual indiferença estava estampada em seus olhos castanhos.

- Emma, pare. – adverti, preocupado com sua gravidez. – Vamos dar um jeito nele, não deve se estressar.

Ela apenas me olhou, sem expressão, considerando algo. Com um suspiro, se afastou e ficou do meu lado.

Era difícil me conter.

Quase todos os dias estranhos chegavam com conversas absurdas dizendo que eram da polícia.

Um padrão ridículo.

As máfias russas usavam essa estratégia para conseguir informações sobre as rivais. Sempre dava certo, pois a abordagem costumava ser sutil. Mas os espiões daqui eram uma vergonha. Emma queria bater no infeliz um pouco mais. Eu, porém, a impedi.

- Prendam ele na sala vermelha. Usem todos os meios necessários e façam esse imprestável falar. – olhei para meus homens, friamente. – E se ele se recusar a falar, tragam seus entes queridos pra mim.

Miguel gritou, suplicando por clemencia. Isso não me intimidou, pelo contrário, aumentou a minha fúria e senti que eu mesmo estava perto de perder o controle. Irritado, apenas balançou a mão e meus homens o levaram para longe da minha vista.

À medida que os gritos se afastavam, soltei um palavrão e caminhei novamente para o pequeno bar e pegar uma bebida. Emma se sentou no sofá e observei, calmamente ela tirando os saltos. Embora sua barriga não estivesse visível, as mudanças da gravidez começaram a se mostrar: desde seus pés inchados até o leve aumento de seus seios perfeitos.

Esse ultimo me pegou de surpresa e senti meu corpo reagir instintivamente. Qual é? Eu não era jovem, mas parecia estar no início de minha puberdade. Emma tinha esse poder sobre mim e se ela sabia disso, fingia não saber.

Observei ela tensionado os dedos dos pés com um carranca, percebi seu incômodo e sem pensar duas vezes, caminhei até ela. Coloquei meu copo de lado e me abaixei, tocando sua perna lentamente e com extremo cuidado. Quando segurei um de seus pés em minhas mãos e os massageei, Emma soltou um leve suspiro de satisfação.

Ela parecia estar gostando bastante, então, comecei a subir minhas um pouco mais para cima. Massageei sua panturrilha e mantinha meus olhos fixos nela.

Emma fechou os olhos, entregue ao meu toque e parecia aproveitar. Eu não podia estar mais feliz ao observar sua cara de satisfação. Palavras não foram ditas, apenas meu toque se comunicava com sua pele. Não sabia seus motivos para me manter afastado, porém, era inegável para nós dois que algo mais forte existia ali.

Sem perceber, me inclinei sobre Emma que, ao abrir os olhos, me observava em silêncio. Meu coração palpitou. Seus olhos castanhos, estavam ainda mais escuros e dilatados. Meu desejo por ela falando mais alto e a sondei, aguardando pacientemente sua permissão.

Queria beijá-la. Queria que o muro que ela tinha erguido entre nós caísse. Eu senti aquela velha tensão sexual nos rodeando, Emma sentia o mesmo. O desejo nos rodeava e, naquele momento, eu poderia ceder e beijar aqueles lábios carnudos que tanto desejei.

Ela, porém, me afastou com palavras tão frias que provocaram um arrepio em meu próprio corpo.

- Sugiro que afastei suas mãos de mim, Lorenzo. A não ser que deseje ficar sem elas.

Recuei, respeitando por hora seus limites. Em silêncio, ela pegou os sapatos e sem me olhar, saiu de meu escritório.

 

 

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