- Che donna astuta! – sussurrei quando minha assistente deixara meu escritório.
Eu não conseguia tirar ela da minha mente desde o dia que meu avó nos apresentou. Emma aparentava ser uma mulher fria, mas eu conseguia enxergar algo nessa garota e fiquei fascinado por ela. Belos cabelos compridos, olhos castanhos e desafiadores, corpo curvilíneo e sensual. Não era tão baixa, chegando à altura do meu queixo. Vestia sempre ternos, que realçavam ainda mais seu corpo lindo. Hoje, porém, Emma usava um vestido preto, formal para quem o visitava, mas sexy aos seus olhos. Por mais estranho que pudesse parecer, algo acontecia entre eles. Tensão sexual, talvez. Mas desde que a vira, ela não saía de seus pensamentos. Voltei para a minha mesa, considerando minhas opções. Se o velho me visse desse jeito, estaria dando risadas da minha cara nesse momento. Cerrei os dentes, fechando a pasta que estava em minhas mãos com força. Parece que matar o maldito não foi suficiente, já que eu podia ouvir sua risada fria até mesmo de olhos fechados. Bufei, tornando-me a levantar e pegar uma dose de uísque. E agora essa! A policia se metendo nos meus assuntos novamente. Pensei que tinha sido claro ao subornar o alto escalão, mas parece que os infelizes não têm amor à vida, certo? Enquanto dava um gole em minha bebida, digitei uma mensagem ao meu parceiro, exigindo sua presença em meu escritório. O telefone da mesa começou a tocar e caminho para perto, atendendo-o. - Diga, Emma. - O inspetor de policia está aqui e solicita um encontro. – Sua voz estava neutra, porém, consegui perceber sua irritação. – Devo acompanhá-lo? Sorri comigo mesmo. Essa atitude dela era tão sexy vindo dela. - Deixe-o entrar, e querida? – seu silêncio do outro lado da linha me fez rir. – Mande preparar aquela sala para nós. Emma suspirou. - Sim, senhor. – disse e desligou. Voltei para trás da mesa e sentei. Juntando as mãos em cima da mesa dou um sorriso frio quando um homem de meia idade entrou em meu escritório. Ele estava visivelmente desconfortável, olhando as coisas com extrema atenção. Atrás dele, Emma observava com um sorriso maldoso a vítima entrar na jaula. Isso não me impediu de sorrir e voltar a atenção para o estranho. - O que um homem da lei faz tão longe de seu território? Ele pigarreou, se mexendo de forma desconfortável. Achava mesmo que eu o convidaria para sentar? Coitado. - Sou Miguel Germano, estou aqui para te fazer algumas perguntas. - Jura!? – ronronei e tive a satisfação de vê-lo estremecer. - Estou sendo interrogado? Tem um mandato? Emma avançou, parando ao meu lado em silêncio, passando alguns papéis e recuando para trás da minha cadeira. Miguel olhou para ela de forma estranha. - Ela precisa ficar aqui? Isso é algo que... - ... Uma secretária como eu não pode saber? – ela completou, arqueando a sobrancelha. – Não acha que sua atitude está totalmente equivocada, considerando o lugar em que você está? Ele não respondeu e não pude deixar de esconder um sorriso bem humorado. Emma agia como sempre, mas sabia muito bem como intimidar sem levantar um único dedo. Ela era incrível. - Peço desculpas, então. – murmurou a contragosto. – Um carregamento de heroína foi apreendido pelo rio Pó. Testemunhas disseram que a embarcação era da sua família. - Mesmo? – disse, cerrando os olhos. – Tem alguma prova de que era meu? Acho que não, caso contrário, estaria com um mandato, não acha? Vi Miguel perder a paciência e colocar as mãos nos bolsos. Emma se manteve silenciosa, observando cada movimento dele com extremo desinteresse. Aquilo era um incômodo totalmente desnecessário. Tinha coisas mais importantes para resolver e aquele homem estava atrapalhando. - Que tal ser direto, oficial. Se queria arrancar algumas confissões, deveria mostrar seu gravador e revelar suas verdadeiras intenções desde o momento que chegou aqui. Levantei e ao dar a volta pela mesa, caminhei calmamente até o inspetor, que recuava, assustado. Ele tinha escolhido um péssimo dia para aparecer aqui e me irritar. - Acha que não sei quem você é? – falei de forma ameaçadora, enquanto caminhava até ele. – Oficial de policia uma ova. - Miguel Germano, você era integrante da milícia do norte, mas foi expulso por consumir a mercadoria e roubar de seu chefe. – Emma falou, folheando os papéis que tinha em mãos. – Foi expulso há algumas semanas. Desde então, fica pulando de lugar como um bicho desprezível. – ela terminou a leitura e bateu os papéis sobre a mesa. – Achou mesmo que não sabíamos disso, Miguel? Olhei para ela, sorrindo. - Mas foi você que permitiu a entrada dele, Emma. O que tem a dizer sobre isso? - Estava apenas seguindo suas ordens, senhor. - Tem razão... Isso foi um erro meu. – voltei meu olhar para o homem, minha expressão fria e calculada. – Posso atirar nele? Isso resolveria nossos problemas, certo? - É a sua escolha, senhor. Mas acho que manter ele vivo terá mais utilidade. Um sorriso maldoso se formou em meus lábios. Miguel tentara correr para a porta, mas Emma tinha trancado a porta quando entrou, prendendo-o junto com eles. Ela pensou bem rápido e eu daria um belo diamante como forma de compensação. - Imagine, Lorenzo. Um membro exilado, que ainda não foi assassinado pelos seus. Pense na quantidade de informações que ele pode ter. Vai ficar um passo a frente deles. - Não... Por favor... E-eu não fiz nada... - Pode até ser. - respondi friamente. - Mas quando um inseto entra no meu território, sabe muito bem o que acontece. A porta se abriu e meus dois homens de segurança entraram na sala. Sem surpresas, Miguel foi imobilizado e derrubado ao chão. Seus gritos de pavor estavam incomodando meus ouvidos, balancei minha mão para tirarem esse merda da minha frente, mas então Emma se aproximou de mim e sem hesitar, chutou o rosto do cara. Eu não fiquei surpreso com sua atitude, já esperava isso dela, mas não com tanta ferocidade. Fiquei observando seu rosto, esperando alguma emoção, mas a usual indiferença estava estampada em seus olhos castanhos. - Emma, pare. – adverti, preocupado com sua gravidez. – Vamos dar um jeito nele, não deve se estressar. Ela apenas me olhou, sem expressão, considerando algo. Com um suspiro, se afastou e ficou do meu lado. Era difícil me conter. Quase todos os dias estranhos chegavam com conversas absurdas dizendo que eram da polícia. Um padrão ridículo. As máfias russas usavam essa estratégia para conseguir informações sobre as rivais. Sempre dava certo, pois a abordagem costumava ser sutil. Mas os espiões daqui eram uma vergonha. Emma queria bater no infeliz um pouco mais. Eu, porém, a impedi. - Prendam ele na sala vermelha. Usem todos os meios necessários e façam esse imprestável falar. – olhei para meus homens, friamente. – E se ele se recusar a falar, tragam seus entes queridos pra mim. Miguel gritou, suplicando por clemencia. Isso não me intimidou, pelo contrário, aumentou a minha fúria e senti que eu mesmo estava perto de perder o controle. Irritado, apenas balançou a mão e meus homens o levaram para longe da minha vista. À medida que os gritos se afastavam, soltei um palavrão e caminhei novamente para o pequeno bar e pegar uma bebida. Emma se sentou no sofá e observei, calmamente ela tirando os saltos. Embora sua barriga não estivesse visível, as mudanças da gravidez começaram a se mostrar: desde seus pés inchados até o leve aumento de seus seios perfeitos. Esse ultimo me pegou de surpresa e senti meu corpo reagir instintivamente. Qual é? Eu não era jovem, mas parecia estar no início de minha puberdade. Emma tinha esse poder sobre mim e se ela sabia disso, fingia não saber. Observei ela tensionado os dedos dos pés com um carranca, percebi seu incômodo e sem pensar duas vezes, caminhei até ela. Coloquei meu copo de lado e me abaixei, tocando sua perna lentamente e com extremo cuidado. Quando segurei um de seus pés em minhas mãos e os massageei, Emma soltou um leve suspiro de satisfação. Ela parecia estar gostando bastante, então, comecei a subir minhas um pouco mais para cima. Massageei sua panturrilha e mantinha meus olhos fixos nela. Emma fechou os olhos, entregue ao meu toque e parecia aproveitar. Eu não podia estar mais feliz ao observar sua cara de satisfação. Palavras não foram ditas, apenas meu toque se comunicava com sua pele. Não sabia seus motivos para me manter afastado, porém, era inegável para nós dois que algo mais forte existia ali. Sem perceber, me inclinei sobre Emma que, ao abrir os olhos, me observava em silêncio. Meu coração palpitou. Seus olhos castanhos, estavam ainda mais escuros e dilatados. Meu desejo por ela falando mais alto e a sondei, aguardando pacientemente sua permissão. Queria beijá-la. Queria que o muro que ela tinha erguido entre nós caísse. Eu senti aquela velha tensão sexual nos rodeando, Emma sentia o mesmo. O desejo nos rodeava e, naquele momento, eu poderia ceder e beijar aqueles lábios carnudos que tanto desejei. Ela, porém, me afastou com palavras tão frias que provocaram um arrepio em meu próprio corpo. - Sugiro que afastei suas mãos de mim, Lorenzo. A não ser que deseje ficar sem elas. Recuei, respeitando por hora seus limites. Em silêncio, ela pegou os sapatos e sem me olhar, saiu de meu escritório.Cheguei em casa sem grandes surpresas depois de acompanhar Lorenzo até o porto onde a mercadoria fora apreendida. De fato, suas suspeitas eram de ter um agente infiltrado entre seus membros, caso contrário, uma apreensão dessa magnitude não teria sucesso.Suspirei, me jogando sobre o sofá. Aquilo era uma loucura. Eu poderia rapidamente ser suspeita, já que todos sabiam meu rancor por mafiosos e sendo irônico que eu trabalhava exatamente para eles. Mas meu acordo com Giovanni era claro: eu não podia interferir nas operações, caso contrário, minha cabeça estaria a prêmio. Isso era frustrante, para não dizer o mínimo.Enquanto tomava banho, peguei-me pensando no que acontecera mais cedo: o toque de Lorenzo ainda ardia em minha pele. O desejo em seus olhos ainda me sondava, me forçando mesmo sem dizer uma palavra que eu seria dele. Tive muita força de vontade para me afastar. Lorenzo representava tudo que eu odiava e fugia por muito tempo. Mas havia algo em seu comportamento que me atraia
Batidas altas na porta me fizeram pular da cama. Olhei para o relógio na mesa de cabeceira e praguejei baixinho. Estava atrasada! Duas horas atrasada! Tinha certeza que Lorenzo estava surtando. Sentei na cama, coçando meus olhos sonolentos enquanto as batidas seguiram cada vez mais insistentes. Vesti meu robe e fui atender a porta, sem expressar surpresa ao ver Lorenzo parado em minha frente.Para uma reunião profissional, era estranho vê-lo com roupas casuais: uma camisa polo preta que evidenciava seus músculos e uma calça jeans. Porém, seus sapatos não combinavam com o arranjo, me passando a sensação de um típico playboy.Seu olhar misturava alívio e irritação e sem nenhum convite, ele invadiu minha casa. Cruzei os braços e o observei como se ele estivesse louco.— Algum problema?Ele passou a mão nos cabelos, seu olhar vagando pelo meu corpo por um momento, antes de seu olhar se fixar ao meu.— Por que ainda está vestida assim? Eu estava a sua espera desde cedo. — Ele caminhou lent
Seus lábios eram o paraíso.Eu não conseguia descrever as sensações que inundavam meu corpo. O cheiro dela me inebriava, me seduzia a um ponto que me fazia perder a razão. Meus sentimentos sempre ficavam mais claros quando Emma estava em meus braços e eu tinha a absoluta certeza de que ela seria minha.Quando fui até o lugar e vi o corpo desovado, meu primeiro pensamento dizia que era Emma ali, morta por alguém. Fui tomado por pavor e desolação, mas quando me aproximei e vi que não era ela, suspirei de alivio. A ideia de ver minha secretária morta provocou um embrulho em meu estomago. Agora, aqui com ela, meu nervosismo fora embora e minha mente estava calma. Trouxe-a para junto de mim, mas sua rigidez me fez congelar.Afastei um pouco de Emma, nossos lábios se separando no processo. Quando olhei seu rosto, senti meu sangue gelar. Ela estava irritada, a frieza tomou conta de suas belas feições. A cor sumiu do meu rosto e me afastei dela instantaneamente. Seu silencio me incomodou, seu
Passei o final de semana alternando entre o medo e a raiva. Depois que Lorenzo foi embora, me permiti desmoronar. Se aquela mensagem era realmente para mim, significava que tinham me encontrado. Só por considerar isso me dava náuseas.As horas seguintes foram borrões. Conversei com John por telefone. Ele mais do que ninguém, conhecia minha situação. Expressei minhas preocupações a respeito do que tinha acontecido e na possibilidade de Maximillian ter me encontrado. John fora categórico, me passando algumas informações. Aquele homem estava na Itália, tentando se estabelecer na região. Porém, deixara claro de que eu não deveria me preocupar.— Pense comigo, Emma. Todo o treinamento que você recebeu de Giovanni servirá perfeitamente. Não se renda! Lute! E caso seja demais para você, use os Vacchiano. — Dissera ele.Isso me acalmou um pouco, considerando quão estressada estava com a situação. Conhecendo aquele homem, em breve entraria em contato com os mafiosos locais para formar alianças
Não demorou muito para Dimitri entrar no escritório com alguns documentos nas mãos. Emma tinha saído para pegar o café, então era o tempo que eu precisava para analisar o dossiê. Mas antes disso, olhei para ele com o cenho franzido.— Alguma novidade?Dimitri se mexeu, desconfortável.— Notamos uma movimentação suspeita nos arredores da casa de Emma. — Fechei a cara, mas o homem não se intimidou e continuou o relatório. — Além disso, ela fez uma ligação para o secretario anterior. Permaneceram na linha por duas horas e depois disso ela seguiu com suas atividades normais.John novamente. O que diabos eles conversaram? Por que eram tão próximos? Será que tinha alguma relação com o acordo que fez com meu avô. Cada vez que essas perguntas surgiam em minha mente mais irritado eu ficava. Eu sou o líder da família. Eu sou capaz de proteger a Emma. Mas cada movimento que eu fazia para me aproximar a fazia se afastar ainda mais, como se tivesse aversão a mim. Não faz sentido, pensei. Nada esta
Os gritos de Miguel encheram a sala.Lorenzo não teve piedade e o torturou por horas a fio, mas o homem não abriu a boca, mesmo passando pelas piores torturas. Precisava admitir que era admirável o quanto Miguel suportou nas mãos de Lorenzo, mas até mesmo o mais determinado sucumbira nas mãos dele.Me recostei na cadeira enquanto meu chefe arrancava a pele das costas do homem, que urrava de dor. Tentei ignorar o sangue que respingava aos montes, fazendo poças no chão ou mesmo o cheiro nauseante de sangue. Lorenzo estava se divertindo, sua cara tão sádica que até mesmo minha indiferença era substituída pelo medo.— Sabe... — Lorenzo passou a faca pela carne exposta do pobre coitado. — Para um vermezinho insignificante, até que suporta a dor. O que acha querida? Devo parar?Seus olhos eram frios e inexpressivos. Sua voz estava repleta de sarcasmo. Será que esperava um elogio de minha parte? Ri suavemente.— Parece que está perdendo o jeito, meu amor. Quer uma ajuda?Algo brilhou em seus
“Don Giovanni, por que me chamou aqui?”O homem olhava pela janela, um charuto caro em sua boca, como se estivesse absorto em pensamentos. Eu não pude deixar de notar o cansaço em seus ombros e o esforço que o mesmo fazia para manter-se de pé.Giovanni Vacchiano estava doente. Diagnosticado com mal de Parkinson, ele manteve-se forte, lidando com assuntos que eu não queria saber. Em seus setenta e oito anos, mantinha a mesma mão firme de antes, sendo até mais implacável quando recebeu o diagnóstico. Homem austero, calvo e baixinho, vestia sempre seu terno caro para tudo, mesmo para coisas simples. Era um homem admirável… e manteve meu segredo guardado.Aproximei-me da cadeira à sua frente e sentei, tentando entender o motivo dele ter me chamado. Imaginei que seria por conta de sua doença.“Boatos começaram a surgir sobre quem seria seu sucessor.”Ele estalou os dentes, irritado.“Bando de inúteis. Não veem a hora da minha morte. E sabe o que é mais hilário, querida?” - deu uma tragada
Capitulo 1Dois meses depois...Como eu odeio esse emprego. Papéis, drogas, cartéis, milícias... Odiava tudo isso. Tentei ao máximo me manter afastada desse mundo por medo. Minha família era da máfia russa e, não suportando a pressão e um casamento contra minha vontade, fugi para a Itália. Mudei meu sobrenome, aparência, cor dos olhos, tudo que eles pudessem usar para me encontrar. Meus olhos prateados se tornaram castanhos, meu cabelo loiro tingido de castanho claro.Tentei viver no anonimato, longe de tudo que era perigoso ou estivesse envolvido com atividades ilícitas. Por ironia do destino, alguém da máfia cruzou meu caminho e, por consequência, me envolvi novamente nesse mundo que tanto tentei fugir. Mas essa era minha punição depois de fazer um acordo com o líder antecessor. Era uma situação complicada, reconheço, mas para ter o que procuro com tanto desespero, precisava suportar todos esses meses ao lado de Lorenzo. 'Isso será complicado', pensei comigo mesma. Mantive um olhar