A Assistente da Máfia Está Grávida
A Assistente da Máfia Está Grávida
Por: Jully R. Oliveira
Prólogo

“Don Giovanni, por que me chamou aqui?”

O homem olhava pela janela, um charuto caro em sua boca, como se estivesse absorto em pensamentos. Eu não pude deixar de notar o cansaço em seus ombros e o esforço que o mesmo fazia para manter-se de pé.

Giovanni Vacchiano estava doente. Diagnosticado com mal de Parkinson, ele manteve-se forte, lidando com assuntos que eu não queria saber. Em seus setenta e oito anos, mantinha a mesma mão firme de antes, sendo até mais implacável quando recebeu o diagnóstico. Homem austero, calvo e baixinho, vestia sempre seu terno caro para tudo, mesmo para coisas simples. Era um homem admirável… e manteve meu segredo guardado.

Aproximei-me da cadeira à sua frente e sentei, tentando entender o motivo dele ter me chamado. Imaginei que seria por conta de sua doença.

“Boatos começaram a surgir sobre quem seria seu sucessor.”

Ele estalou os dentes, irritado.

“Bando de inúteis. Não veem a hora da minha morte. E sabe o que é mais hilário, querida?” - deu uma tragada no charuto. - “Eles não disfarçam isso.”

“Mudança na hierarquia sempre é assustador. Mas o que estão fazendo vai além da estupidez.”

Giovanni olha para mim, seus olhos acinzentados surpresos com minhas palavras. Apenas dei de ombros. Podia não ser da máfia, mas conhecia sua reputação e o que faziam. Os Campanas eram implacáveis e se tratando de coletar e vender informações, eram os melhores. Deveriam estar preocupados com a maré de conflitos que se aproximava de todos, pensei comigo mesma.

Por mais estável que as coisas estivessem, a qualquer momento tudo poderia ir para o ralo.

Ele passou a mão na cabeça e sentou-se na minha frente. Seu semblante pesado, como se não tivesse dormido à noite. Continuamos em silencio quando o secretário de Giovanni entrou na sala com alguns documentos para ele assinar. Arqueei a sobrancelha, mas não comentei nada.

O secretario então olhou para mim e sorriu.

“Senhorita Emma. É bom vê-la de novo.” – disse, endireitando o corpo.

“Igualmente, John. Como vai a família?”

“Muito bem, querida. Obrigada por perguntar.” – Giovanni pigarreou e John fez uma reverencia, nos deixando sozinhos.

Eu o olhava com preocupação enquanto ele se mantinha em silencio. O crepitar da lareira era o único som audível no recinto. Giovanni olhou pra mim, sério. Era sua tática, intimidar os outros com o olhar, mas não funcionava comigo. Independente do que ele fosse, jamais baixei a cabeça para Giovanni. Ouvia ele reclamar de como eu era peculiar.

“Estarei me aposentando em breve, nós dois sabemos que não tenho muito tempo.”

Fiquei triste. Os Campanas tinham a tradição de tirar a própria vida, caso sua enfermidade não tivesse cura.

“Essa tradição é ridícula, Giovanni. Você sabe disso.”

Ele seria morto pelo próximo sucessor, que poderia ser alguém da família ou alguém que ele confiava. Era uma tradição bárbara.

“Tradições são as diretrizes da minha família, Emma. Não posso mudar isso. Que tipo de líder eu seria?”

“Que tal um líder sensato?” – retruquei suas palavras e ele sorriu.

“Você é direta, Emma Cassano. Não nega suas opiniões para ninguém.”

“Isso não muda nada, Giovanni. Por favor, repense sobre isso.” Supliquei, angustiada.

Ele balançou a cabeça e recostou o corpo na cadeira. Ambos sabíamos que ele não cederia. A honra era grande demais para fugir como um covarde. Além disso, alguma gangue rival poderia tentar assassiná-lo no seu momento mais vulnerável. Cerrei os punhos em frustração.

“Se não me chamou para dizer que mudou de ideia, por que estou aqui?”

“Preciso de sua ajuda. Quero que você trabalhe com meu sucessor.”

A cor de meu rosto desapareceu.

“Está falando sério?” Indaguei, nervosa.

“Sim. Pelo menos, até sua gestação estiver no seu ultimo estagio.” Ele notou minha mudança de tom, saiu de seu lugar com a ajuda da moleta e sentou ao meu lado. “Sei que você não quer se envolver novamente e entendo sua posição depois do que aconteceu... Mas não há ninguém para auxiliar meu neto além de você.”

“Então você já escolheu.”

“Sim.”

Essa era sua decisão, eu não iria questionar.

“Giovanni, é arriscado.”

“Esse é meu pedido, Emma. Ajude ele.”

Nunca tinha visto um líder como ele implorar, mas o ver em sua forma vulnerável fez meu coração se partir. Eu não queria, mas sabia que não tinha escolha. Confirmo com a cabeça e um sorriso genuíno apareceu em seu rosto. Inclinando o corpo para a frente, pegou os papéis que John trouxeram mais cedo e me entregou.

Olhei o contrato com atenção, as clausulas claras. Sem as tradicionais armadilhas de contrato.

“Porque eu, Giovanni?”

“Por que, desde o dia que você me desafiou, senti confiança irradiar de você. Uma pequena joia escondida em um mundo cruel.” Ele deu de ombros, como se sua explicação fizesse sentido.

Abri a boca para protestar, mas sons estranhos ecoaram da sala ao lado. Nós trocamos olhares e levantei em alerta. Coisas foram arremessadas, vidros quebrados e uma série de xingamentos ficaram mais altos a medida que o invasor se aproximava. Giovanni permaneceu quieto, quase sereno. Seu olhar porém, mostrava um brilho assassino.

Quem em sã consciência teve coragem de desafiar Giovanni Vacchiano?

A porta foi quebrada com um chute e dois homens entraram. Ambos tinham tatuagens de teia de aranha, uma gangue pequena local. Eram ridículos e a maneira como se vestiam eram dignos de pena.

“O grande Vacchiano finalmente vai bater as botas...” Ele falou, segurando uma faca nas mãos e se aproximou de Giovanni.

Me interpus entre eles com uma frieza surreal. Era muita audácia desafiar alguém poderoso e não lidar com as consequências.

“Senhor, agendou visita?” Disse educadamente. “É falta de educação abordar um homem tão ocupado sem agendar um horário.”

O homem me olhou com escárnio, me julgando descaradamente. Mantenho meu semblante imparcial enquanto esperava uma resposta. Ele inclinou o corpo em minha direção e deferiu um tapa em meu rosto. Giovanni ergueu-se da cadeira para me defender, mas o segundo homem apontou uma arma em sua cabeça.

Meu rosto ardia e a raiva crescia. Eles não faziam ideia no que se meteram.

“Por que não cala essa boca, sua puta. Deve obediência ao novo Don da família Vacchiano.”

“Quem? Você?” Dei uma risada sarcástica e limpo meu rosto com um pano. “Como alguém tão baixo como você seria líder de algo tão grandioso.”

Via o ódio brilhando nos olhos dele e isso me fez rir ainda mais. Dei um passo em sua direção e no minuto seguinte, um tiro ecoou pelo escritório. Chocado, o homem olhou para o próprio estômago e começou a gritar. Sangue escorreu do ferimento e meu sorriso se alargou, a arma estava em minhas mãos. Recostei meu corpo na cadeira e observei, satisfeita, o homem cair duro no chão.

Olhei para o segundo intruso que tremia tanto que sequer conseguiu destravar a arma. Amador, pensei, as sobrancelhas arqueadas.

“É uma pena... Matei seu amigo tão rápido e não pude tirar informações dele.”

“Felizmente temos o outro aqui querida. O que acha?”

Um sorriso maquiavélico surgiu em meus lábios.

“Vamos provar o porque da família Vacchiano ser a mais poderosa do estado.”

 

***

 

“É surpreendente de ver como existem pessoas suicidas.”

Giovanni limpa o sangue do rosto com nojo. O corpo do intruso já sem vida jazia no chão. Ele tinha quebrado o crânio do cara e seu cérebro estava espalhado pela sala. Não pude negar que a visão era nojenta, mas aquilo não me abalava.

“Acho que estavam tentando a sorte.” – disse, dando de ombros ao completar: “Pena que escolheu o oponente errado.”

O homem riu, tirando o soco inglês de sua mão. Era difícil de acreditar que um homem tão integro como ele teria um fim tão trágico. Apesar das coisas que fazia, Giovanni Vacchiano era um amigo muito especial para mim.

Voltei para seu escritório e peguei o contrato. Era algo arriscado e, conhecendo meu amigo, ele não dava um ponto sem nó.

“Meu neto é um imbecil!”

Dei de ombros, voltando a atenção ao contrato. Estabelecia que eu teria proteção total da família Vacchiano, independente se eu levasse a gravidez adiante ou não. Nesse arranjo também deixara claro que apenas três pessoas sabem sobre ela: John Stefano, Giovani Vacchiano e eu.

Eu não fazia parte daquele mundo, mas ter sido abusada pelo neto do maior líder da máfia italiano me fez entrar na lista. Não julgo o idiota por isso, tudo que aconteceu naquela noite era um borrão. Apenas lembro as notas de dinheiro sobre o criado mudo e uma nota que dizia: ‘Pelo serviço bem feito.’

Lembrar daquilo me fez ferver de raiva.

“Se eu assinar... Poderei me vingar do seu neto?”

Giovanni arqueou a sobrancelha, e um sorriso brincalhão surgiu em seus lábios.

“Vai matar ele?”

“Não, mas quero fazer ele pagar pelo que fez. Destruirei seu maldito orgulho.”

Ele riu, uma risada que nunca tinha escutado.

“Garota, acho que tenho que te aplaudir. Fazem anos que desejo dar uma lição nesse moleque. O que acha, Emma? Temos um acordo?”

John entrou na sala, sua roupa perfeitamente impecável, sequer parecia que ele tinha massacrado varias pessoas em tão pouco tempo. Ele trazia consigo um pequeno ferro, com o símbolo duplo da família e o colocou na brasa quente. Assenti, mostrando o braço para apertar sua mão.

Giovanni sorriu e enquanto John marcava minha pele, as palavras seguintes me surpreenderam.

“Que comece o show.”

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