- Acampei muitas vezes com a Stefany. Para onde foram?- Para o Guarujá, num acampamento a beira mar, Jheniffer. No primeiro dia, fizemos macarrão com salsicha. No segundo, também. No terceiro teve variação, macarrão com sardinha. Cansados, os padres resolveram nos levar para um restaurante na cidade. Foi a primeira vez que comi filé a parmegiana.- Que virou seu prato favorito?- Exatamente. Foi um dos primeiros que aprendi a fazer. Nunca imaginei que fazia tanta frio a beira mar.- Realmente, as temperaturas despencam devido a proximidade com o mar.- Não levamos cobertores, nem um lençol. Nas barracas, o frio chegou com força. Por sorte, eu tinha comprado uma toalha de praia enorme, com uns coqueiros desenhados. Foi a minha salvação. Os outros seminaristas dormiram encostados uns nos outros para se aquecer.- Que presepada.- Fomos a praias lindas. Foi legal. Sempre estávamos em bandos, com medo de alguém se perder ou se afogar no mar.- Imagino, um monte de rapazes bonitos ve
- Não creio que estamos juntos.- Pode acreditar, Estela. É real.Estela e Velasco se beijaram. As carícias aumentando, o fogo do desejo tomando conta deles. Em Lima, Jheniffer serviu champanhe ao noivo, olhando as fotos que Humberto tinha lhe enviado.- Uau. Champanhe a essa hora?- Nem são onze da noite. Não quer?Ele deixou o celular de lado.- Não se recusa champanhe, ainda mais vindo de uma mulher incrível.Eles brindaram.- Me acha incrível?- Sim. É mais que gostosa e linda, é incrível.- Galanteador. Quando um homem diz a uma mulher que ela é incrível, está elogiando o interior dela, o coração.- É onde eu quero chegar.- Você já chegou lá a muito tempo.- Isso é fantástico. O meu também é seu.Ela roçou o pé na coxa dele, erguendo um pouco o pijama.- Já aprendeu a armar barraca?Apollo riu, quase engasgando com o champanhe.- Aquela do camping não. Essa outra sim.Ela sentou-se no colo dele e o beijou. Ela colocou a taça no aparador e avançou sobre Apollo, beijando todo seu
Marcela desceu para o café da manhã, no restaurante do hotel, onde reencontrou Endrigo.- Bom dia, juíza. Dormiu bem?Ele se levantou e a beijou na face. Em seguida, afastou a cadeira para que ela sentasse.- Muito bem, graças a você, meu caro. Tenha um ótimo dia.Ele sorriu.- Então, merecemos esse café lindo, com tantas delícias. Eu já provei as empanadas e estão divinas.- Sim, merecemos. Formamos uma bela equipe. Você me salvou, resgatando a caneta. Como fez isso tão rápido?- Devido a experiência de décadas viajando de hotel em hotel. Assistir a séries policiais também ajuda.- Eu amo séries policiais. Algumas aumentam e exageram nos enredos mas tudo bem.- Descrevem os juízes como super heróis?- Nem todas. Somos humanos e sujeitos a falhas. - Fato. Joguei meu charme para uma camareira mas não funcionou. Apelei para os dólares e bingo. Ganhou duzentos dólares só pra abrir o quarto e pegar a caneta. Não levou um minuto. O que há na caneta?- Uma micro câmera e gravador. A Jhenif
São Paulo, inverno brasileiro.- Hora de voltar a realidade, bebê.Jheniffer saiu da cama, dando as costas para Bruno, o rapaz de ombros largos e abdômen trincado, esparramado na cama. Ele admirou o corpo dela. Uma perfeição. Uma grande tatuagem se destacava nas costas da moça. - Linda essa tattoo. O que significa?Ela se virou.- É um nó celta, um amuleto. Significa trindade, unidade e eternidade.- Que profundo.Ele abraçou o travesseiro.- Quero fazer um mantra no braço direito, Bruninho.Jheniffer esvaziou a taça de champanhe. Em seguida, vestiu a lingerie preta.-Seria capaz de ficar a vida inteira aqui, Jheniffer.Ela sorriu.- A vida não é só prazer e glamour.- Seus treinos têm dado resultado. Você está com um corpo incrível.- Sei disso. Você não é o único que repara. Tenho que voltar ao trabalho. Vou passar no fórum pra recolher uns documentos.Ela sentou-se na cama pra calçar as sandálias. Bruno a abraçou.- Foi mara. Teremos um replay?Ela colocou o relógio, a pulseira e
- Sou Alfredo Nascimento, advogado e fiscal do concurso. Que Deus lhe dê em dobro o que fez por mim.Jheniffer estendeu a mão.- Amém. Prazer, sou Jheniffer Stuart, estudante de Direito e, se passar nessa prova, talvez uma funcionária do INSS.Nascimento riu. Ela bateu no ombro dele com a palma da mão, uma de suas manias.- Pode rir. Sei que meu nome remete a personagens de livros de romance americano ou daquelas séries policiais. Acho que foi de onde meus pais tiraram meu nome.- É um nome forte, diferente. Você se expressa muito bem. Já comprovei que é uma pessoa gentil e bondosa. Trabalha onde?-Era garçonete mas fiz um acordo. Forneci o traseiro, a empresa forneceu o pé. Fui despedida por me atrasar. Estou desempregada. Preciso de um emprego pra ajudar meus pais a pagarem minha facul.Nascimento tirou um cartão do bolso.- Nascimento e Gomes Advocacia. Passe lá, na segunda feira. Temos uma vaga de secretária, se quiser. Poderá também me auxiliar nos processos. Ela tremia ao pegar
- Terminei minha rotina, Stefany. Faria uma aula de pilates, se não tivesse que pousar no hospital, como acompanhante do Nascimento.Como de praxe, o movimento da academia aumentou no fim da tarde. Jheniffer e Stefany foram até a área das bicicletas ergométricas.- Vamos pedalar um pouco. Apreciar o movimento e a música.- Você quer dizer paquerar.- Isso, Stefany. Ver se tem carne nova no açougue. Um boy magia ou um novinho.- Esse é o horário dos bombados. Disfarça, Stefany. Tem três deles nos secando, na prancha abdominal. Melhor olhar para a recepção. O próximo que entrar, é seu. Se for um gato, é meu.Stefany lidava bem com o fato dos rapazes terem mais olhos pra Jheniffer, que realmente era linda e chamava muito a atenção.- Jheniffer, você é terrível. Passa o rodo geral. Tirando os instrutores, que são gays por imposição do Michel, todos pagam pau pra você.- Esqueceu das mulheres. Não é minha praia mas respeito. Por enquanto, não.- Olha. Novidade isso. Ficaria com outra mul
Tempo depois, após um banho e um lanche rápido, Jheniffer chegou ao hospital Redenção. Preferiu ir num carro de aplicativo, pra não ter que deixar o seu veículo na rua. Estava de tênis, calça jeans e camiseta. Tinha uma sacola com cobertor e toalha de rosto. Levou um livro, maçãs, uma caixa de bombons e duas tupperwares. Numa delas, torradas com geléia de mirtilo. Noutra, frango grelhado com batata doce e quinoa.- Marcela. Cheguei.Ela abraçou a esposa de Nascimento, na recepção do hospital.- Que bom que veio, Jheniffer. Fred, meu sobrinho, ficou com ele um pouco. Nascimento ainda está dormindo. Já está no quarto, o que é ótimo. Eu entrei pra vê-lo, rapidinho.- Está bem. Que boa notícia. Ele vai se recuperar. Vim de máscara contra o Covid19, ainda que as medidas de proteção tenham diminuído, estamos num hospital. Trouxe até meu álcool gel. Eu assumo o turno da noite. Precisarei de carona, amanhã cedo.- Sem problemas. Eu virei, às seis da manhã, na troca de turno. Eu a levarei, c
Jheniffer devolvia os halteres aos seus lugares quando Apollo se aproximou.- Boa tarde. Vou ajudá-la.Ela sorriu.- Enfim um cavaleiro. Muito obrigada. Sou Jheniffer.- Prazer. Sou Apollo Hermann. O instrutor Maurício me mandou para o Full Body.Jheniffer o mediu da cabeça aos pés. - Full Body é para iniciantes. Você tem um corpo perfeito. Com todo respeito.- Acha mesmo? Deve ser porquê sou novato aqui, que me colocaram na iniciação. Estava afastado dos treinos.Ela mordiscou o lábio inferior. Apollo tinha dois olhos verdes, incrustados como jóias naquele rosto másculo. A barba por fazer. Ele guardou o último peso, erguendo os braços e evidenciando as veias saltadas deles. O olhar dela passeou, das coxas grossas e torneadas ao peitoral, sua parte preferida na anatomia masculina. - Terei que dobrar minha carga de exercícios para que meu coração suporte sua beleza.- Essa cantada de academia é velha, Apollo. Vou encarar como elogio.- Me desculpa. Sua beleza é desconcertante. Ele e