O silêncio foi interrompido por Angélica, sua voz carregada de firmeza e decisão. — Independente de você agir com honra ou não, Álvaro, a verdade é uma só: você é o pai do Davi. E isso significa que tem o direito de fazer parte da vida dele. Gabriel assentiu ao lado da esposa, seu olhar suavizando-se levemente ao encarar Álvaro. — E eu fico muito feliz em saber que Davi é realmente meu neto — disse ele, a voz embargada. — Mas, para ser sincero, eu já o amava como se fosse. Isabele abaixou a cabeça, respirando fundo. Aquilo era inevitável. Por mais que quisesse proteger seu filho, sabia que a verdade uma hora viria à tona. — Tudo bem… — disse enfim, levantando o olhar para Álvaro. — Eu vou te dar essa chance. Você pode participar da vida do Davi. Mas eu peço um tempo. Preciso preparar ele para essa notícia. Álvaro franziu o cenho, seu maxilar travando. — Tempo? — Ele bufou, cruzando os braços. — Isabele, eu já perdi seis anos! Seis anos sem que meu próprio filho soubesse q
Angélica se aproximou da filha e, com os olhos marejados, a envolveu em um abraço apertado. — Você pode sempre contar comigo, minha querida. Se quiser, eu te ajudo a contar a verdade para o Davi — disse, sua voz carregada de carinho e preocupação. Isabele respirou fundo, lutando contra a vontade de chorar. — Obrigada, mãe… Mas essa conversa precisa ser minha. Eu devo isso ao meu filho. Angélica assentiu, compreendendo a angústia da filha. Depois daquela discussão tensa com Álvaro, Isabele passou o resto do dia inquieta, seu coração apertado pela difícil tarefa que tinha pela frente. A maneira como Davi receberia a notícia era sua maior preocupação. Como explicar para um garotinho de seis anos que tudo o que ele acreditou sobre o pai era uma mentira? Que o homem que ele achava que morava no céu, na verdade, estava vivo e sempre esteve? Ela não conseguiu comer direito, apenas beliscou um lanche. Sua mente trabalhava incansavelmente, buscando palavras que amenizassem a dor que Davi
Isabele riu sem humor, enxugando as lágrimas teimosas.— Maldita hora que voltei para São Paulo! Preferia nunca ter voltado, porque assim você nunca faria parte da minha vida novamente! Eu e o meu filho estávamos bem, como sempre estivemos!Álvaro cerrou os punhos, lutando contra a raiva que subia em seu peito.— Claro! Você continuaria mentindo para ele! Continuaria dizendo que o pai dele estava morto! Nunca me daria a chance de conhecê-lo!Ele se aproximou, seu olhar queimando sobre ela.— Mas o destino agiu ao meu favor, não é? Porque se você não tivesse voltado, nunca saberia que tenho um filho! E agora que sei, vou estar presente na vida dele! Davi precisa de mim nesse exato momento, e eu vou vê-lo!— Não! — Isabele se colocou diante da porta, bloqueando a passagem. — Você não vai aproveitar o fato de que meu filho está magoado comigo para roubá-lo de mim!Os olhos de Álvaro se estreitaram.— Roubar? É isso que você acha que eu quero?— Eu desconfio que foi você quem mandou aqu
Semanas depois Álvaro reassumiu sua montadora e, como esperado, mulheres o rodeavam por todos os lados. Ele era um homem lindo, extremamente atraente e, para muitas, um desafio irresistível. Dessa vez, no entanto, uma mulher não fazia questão nenhuma de esconder seu interesse por ele: Luana, a afilhada de Gabriel. Alta, loira, com um corpo escultural e curvas acentuadas, Luana havia chegado recentemente a São Paulo para um projeto de paisagismo e, para sua conveniência, estava hospedada na casa deles. Isabele não demorou a perceber o jogo descarado da jovem para cima de Álvaro — e, pior, ele parecia estar gostando da atenção. Isabele sentia o sangue ferver cada vez que via Luana rindo alto ao lado de Álvaro ou tocando casualmente seu braço. No entanto, se havia algo que ela não queria era demonstrar ciúmes. Por outro lado, sua proximidade com Luca começou a despertar reações inesperadas em Álvaro. Trabalhando juntos na empr
Luana sorriu cruelmente. Foi a gota d’água. Com um movimento rápido, Isabele segurou o braço de Luana, apertando-o com força. — Escuta aqui, sua cobra peçonhenta. Se você acha que pode se aproximar de mim só para me provocar, pense bem. Porque você vai encontrar exatamente o que está procurando. Uma surra para aprender a me deixar em paz e como diz o ditado," não mexer com quem sta quieto ." Luana arregalou os olhos. — Me solta! Eu vou chamar meu padrinho! — É mulher para provocar, mas não é mulher para enfrentar? Vai em frente. Chama o Gabriel. Eu mesma conto a ele sobre a víbora que ele acolheu em casa. Quer o Álvaro? Faça bom proveito. Mas me deixe em paz. Isabele a soltou bruscamente, vendo Luana massagear o pulso, fingindo um olhar de medo. Mas a jovem era esperta. Assim que Álvaro entrou na casa, ela correu para ele, forçando lágrimas e mostrando os braços arranhados — arra
Isabele secou as lágrimas com as costas da mão, respirando fundo antes de dar um passo à frente. Sua voz saiu embargada, carregada de arrependimento e amor. — Davi… filho, por favor, fala comigo… O menino permaneceu encolhido na cama, o rostinho vermelho, úmido de lágrimas. Seus pequenos braços estavam cruzados, um gesto infantil de defesa contra a dor. — Vai embora! — ele gritou, a voz embargada de mágoa. — Eu não quero mais ver você nunca mais! Aquelas palavras foram como facadas no coração de Isabele. Ela estremeceu, sentindo uma dor insuportável rasgar seu peito. Queria correr até ele, abraçá-lo, prometer que tudo ficaria bem. Mas sabia que, naquele momento, Davi não a deixaria se aproximar. Ao lado dela, Álvaro respirou fundo e deu um passo à frente. — Davi… e eu? Você quer me ver?
Álvaro xingou baixo, respirando fundo enquanto tentava recuperar o controle. — Isso ainda não acabou — prometeu, mordendo levemente o lábio inferior dela antes de se afastar, ajeitando a camisa amarrotada. Isabele ainda estava com o corpo trêmulo quando viu Álvaro sair do vestiário, deixando-a ali, com a respiração descompassada e os lábios inchados pelo desejo. Ela passou a mão pelos cabelos, tentando recuperar a compostura. O jogo entre eles ainda estava longe de terminar. E dessa vez, talvez fosse impossível resistir. ,O som de passos apressados e uma voz aflita do lado de fora do vestiário chamaram sua atenção. — Isabele! Era sua mãe, Angélica. Isabele respirou fundo, tentando parecer natural, e saiu para encontrá-la. Mas Angélica não demorou a notar algo estranho.
Se estivesse sóbria, ele já a teria jogado sobre os ombros e levado à força para casa. Mas, considerando o estado em que estava, sabia que só conseguiria uma coisa: ter sua roupa suja de vômito. Suspirando, passou os braços ao redor dela e a pegou no colo. Dessa vez, ela não protestou. Pelo contrário, sua cabeça pendeu contra o peito dele, e, antes mesmo de saírem da boate, Isabele já havia apagado em seus braços. Colocou-a cuidadosamente no banco de trás do carro antes de voltar para dentro da boate. Chamou Luana, explicando rapidamente a situação, e que por isso tinham que ir embora Somente depois disso, entrou no carro e seguiu pela estrada rumo à casa deles ,sabendo que Luana não gostou nada de ter a noite de distração deles interrompida ,mas ele nunca ia deixar Isabele do jeito que estava sozinha ,ou com um irresponsável como Lucas. No silêncio da viagem, Luana não conseguiu