— Álvaro? — ela sussurrou, com a voz rouca de quem não sabia se aquilo era real. Ele olhou ao redor, confuso, e tentou se levantar, mas a dor o fez se retrair. O olhar dele parecia perdido, como se estivesse tentando entender onde estava e o que havia acontecido. — O que... o que aconteceu? — ele perguntou, a voz fraca, mas ainda familiar. Ele tocou a testa, onde o curativo estava, e fez uma careta de dor. Isabele tentou sorrir, mas a tensão em seu corpo não deixava a expressão se formar. Ela não sabia como lidar com isso. Ele estava ali, vivo, mas havia algo em seu olhar que não estava certo. Ele parecia distante, quase como se as memórias estivessem fragmentadas. — Você sofreu um acidente, Álvaro — disse Isabele, a voz mais suave. — Você bateu a cabeça, e... ainda está se recuperando. Álvaro passou a mão pelo cabelo, tentando organizar os pensamentos, e disse, com um tom de confusão: — Eu... estou começando a me lembrar. Eu saí da minha cobertura depois de discutir co
O silêncio pairava no quarto do hospital depois que Álvaro encerrou a ligação com seu pai. O nó na garganta de sua família se desfez assim que ouviram sua voz, e ele pôde sentir a emoção do outro lado da linha. Seu pai chegou a chorar, emocionado, perguntando se ele estava bem e se lembrava de tudo. Álvaro tranquilizou-o o máximo que pôde, mas não revelou os detalhes do que realmente estava em sua mente. — Eu quero que você ou Angélica venham me buscar. Não quero ficar aqui mais tempo do que o necessário. A resposta do pai foi imediata. — Nós estamos indo, filho. Esperamos tanto para ouvir sua voz... só o que importa agora é que você está bem. Álvaro desligou o telefone e expirou longamente, fechando os olhos por um instante. Ainda sentia a confusão pairando sobre sua mente, mas dentro dele havia uma certeza inquebrantável: ele era pai de Davi. E agora que sabia disso, nada o faria abrir mão do menino. O clique da porta se abrindo o tirou de seus pensamentos. Isabele entrou,
O silêncio na sala era denso, como um fio prestes a se romper. O peito de Isabele subiu e desceu rapidamente, uma sensação de desespero apertava sua garganta. Havia algo em Álvaro que a fazia sentir uma mistura de raiva e desejo, algo que, mesmo depois de tudo o que aconteceu, ainda a deixava sem ar. Ele sempre soubera exatamente como mexer com ela, como fazer seu coração acelerar. — E você... — Álvaro começou, sua voz agora baixa, quase um sussurro. Ele olhou diretamente nos olhos de Isabele, como se procurasse pela última peça de resistência que ainda restava nela. — Vai se arrepender de ter me privado dele por seis anos. Isabele mordeu o lábio, desviando o olhar. Não podia, não queria ceder. A dor do passado ainda ardia, mas ela se recusava a mostrar vulnerabilidade. — Eu também não tenho medo das suas ameaças — ela respondeu com firmeza, tentando não deixar transparecer a insegurança que começava a se formar dentro de si. Álvaro não a desafiou mais, mas seus olhos brilh
Gabriel, que até aquele momento havia permanecido calado, sentiu o estômago se revirar. Ele não sabia o que esperar, mas a sinceridade nos olhos de Álvaro o fazia se preparar para o pior. Ele se inclinou ligeiramente para frente, como se buscando algum sinal de que aquilo tudo fosse apenas um pesadelo. — O que aconteceu, Álvaro? — Angélica perguntou, a voz quase abafada pela preocupação. — O que você fez? Álvaro respirou fundo, o ar lhe faltando nos pulmões enquanto as palavras pesadas saíam de sua boca. — Eu… eu fiz algo horrível com Isabele. Algo que eu nunca deveria ter feito. Não tenho desculpas para o que aconteceu, mas a verdade precisa ser dita,e não vou mais me calar. O ar pareceu desaparecer da sala. O rosto de Angélica se transformou, a surpresa e a dor se refletindo em seus olhos. Gabriel, por sua vez, parecia em choque, tentando processar o que acabara de ouvir. Ele olhou para o filho, a dúvida e o medo crescendo dentro dele, mas também a preocupação com o que aq
O silêncio foi interrompido por Angélica, sua voz carregada de firmeza e decisão. — Independente de você agir com honra ou não, Álvaro, a verdade é uma só: você é o pai do Davi. E isso significa que tem o direito de fazer parte da vida dele. Gabriel assentiu ao lado da esposa, seu olhar suavizando-se levemente ao encarar Álvaro. — E eu fico muito feliz em saber que Davi é realmente meu neto — disse ele, a voz embargada. — Mas, para ser sincero, eu já o amava como se fosse. Isabele abaixou a cabeça, respirando fundo. Aquilo era inevitável. Por mais que quisesse proteger seu filho, sabia que a verdade uma hora viria à tona. — Tudo bem… — disse enfim, levantando o olhar para Álvaro. — Eu vou te dar essa chance. Você pode participar da vida do Davi. Mas eu peço um tempo. Preciso preparar ele para essa notícia. Álvaro franziu o cenho, seu maxilar travando. — Tempo? — Ele bufou, cruzando os braços. — Isabele, eu já perdi seis anos! Seis anos sem que meu próprio filho soubesse q
Angélica se aproximou da filha e, com os olhos marejados, a envolveu em um abraço apertado. — Você pode sempre contar comigo, minha querida. Se quiser, eu te ajudo a contar a verdade para o Davi — disse, sua voz carregada de carinho e preocupação. Isabele respirou fundo, lutando contra a vontade de chorar. — Obrigada, mãe… Mas essa conversa precisa ser minha. Eu devo isso ao meu filho. Angélica assentiu, compreendendo a angústia da filha. Depois daquela discussão tensa com Álvaro, Isabele passou o resto do dia inquieta, seu coração apertado pela difícil tarefa que tinha pela frente. A maneira como Davi receberia a notícia era sua maior preocupação. Como explicar para um garotinho de seis anos que tudo o que ele acreditou sobre o pai era uma mentira? Que o homem que ele achava que morava no céu, na verdade, estava vivo e sempre esteve? Ela não conseguiu comer direito, apenas beliscou um lanche. Sua mente trabalhava incansavelmente, buscando palavras que amenizassem a dor que Davi
Isabele riu sem humor, enxugando as lágrimas teimosas.— Maldita hora que voltei para São Paulo! Preferia nunca ter voltado, porque assim você nunca faria parte da minha vida novamente! Eu e o meu filho estávamos bem, como sempre estivemos!Álvaro cerrou os punhos, lutando contra a raiva que subia em seu peito.— Claro! Você continuaria mentindo para ele! Continuaria dizendo que o pai dele estava morto! Nunca me daria a chance de conhecê-lo!Ele se aproximou, seu olhar queimando sobre ela.— Mas o destino agiu ao meu favor, não é? Porque se você não tivesse voltado, nunca saberia que tenho um filho! E agora que sei, vou estar presente na vida dele! Davi precisa de mim nesse exato momento, e eu vou vê-lo!— Não! — Isabele se colocou diante da porta, bloqueando a passagem. — Você não vai aproveitar o fato de que meu filho está magoado comigo para roubá-lo de mim!Os olhos de Álvaro se estreitaram.— Roubar? É isso que você acha que eu quero?— Eu desconfio que foi você quem mandou aqu
Semanas depois Álvaro reassumiu sua montadora e, como esperado, mulheres o rodeavam por todos os lados. Ele era um homem lindo, extremamente atraente e, para muitas, um desafio irresistível. Dessa vez, no entanto, uma mulher não fazia questão nenhuma de esconder seu interesse por ele: Luana, a afilhada de Gabriel. Alta, loira, com um corpo escultural e curvas acentuadas, Luana havia chegado recentemente a São Paulo para um projeto de paisagismo e, para sua conveniência, estava hospedada na casa deles. Isabele não demorou a perceber o jogo descarado da jovem para cima de Álvaro — e, pior, ele parecia estar gostando da atenção. Isabele sentia o sangue ferver cada vez que via Luana rindo alto ao lado de Álvaro ou tocando casualmente seu braço. No entanto, se havia algo que ela não queria era demonstrar ciúmes. Por outro lado, sua proximidade com Luca começou a despertar reações inesperadas em Álvaro. Trabalhando juntos na empr