Marcelo.Entrei no carro e bati a porta com força, xingando a mim mesmo por ser tão emocionado e me deixar atingir por algo besta. Soquei o volante quando as palavras Thalia vieram à minha mente.“Não estamos namorando, Marcelo, só nos demos prazer, não há motivos para haver ciúmes.”Soquei o volante mais uma vez, fervendo de raiva e, ao mesmo tempo, frustrado por me deixar ser tão afetado por ela. Sim, não temos nada além de uma bonita amizade, uma que se construiu em poucos dias.Mas que merda, eu estava com a minha cabeça enterrada entre suas coxas, com o meu pau entre seus seios gostosos e quase desfaleci após gozar como um louco e ela me solta uma dessa? Eu sou o quê? Um pau, amigo? Um objeto que ela usa, goza e depois descarta? Inferno, Thalia! Coloquei a cabeça no volante. Eu me apeguei a ela e pensar que posso ser algo passageiro para ela é angustiante. Thalia é a mulher que qualquer homem anseia ter em sua vida. Linda, gostosa, engraçada, leve, gentil, simpática e inteligent
Marcelo.— Sim, eu sei, e não, não quero ser assaltado de novo. — Estremeci ao me lembrar do fatídico dia.Esse fato ocorreu há uns dois anos e quem me salvou foi Mariah. Havia sido esfaqueado durante o assalto e casou de ela estar passando pelo local e me ver. Mariah também é médica, ginecologista obstetra, e prestou os primeiros socorros até a ambulância chegar. A facada havia pegado na lateral da barriga e eu poderia vir a falecer se ela não tivesse aparecido e contido o sangramento.— Mas o que está fazendo aqui? — Cumprimentei os seguranças e a recepcionista.— Vim conversar com você. E te bater por ter desligado o celular na minha cara. — Deu um soco em meu braço. Estávamos parados diante das portas do elevador, esperando elas se abrirem para entrarmos.— Precisei fazer isso. — Entramos no elevador. — Estava resolvendo um assunto importante. — Apertei o botão. As portas se fecharam e o elevador começou a subir. Iríamos para o sexto andar.— Sim, eu sei, é muito importante gozar
Marcelo.— Eu conheci a Thalia no hospital no dia em que fui conhecer seu filho, Mateus. — Olhei para o meu irmão.Ele havia se sentado na cadeira vaga ao lado de Catarina.— Ela estava passando mal, então a ajudei.— Um bom samaritano? — Meu irmão debochou e eu lhe dei o dedo.Algo muito maduro, eu sei.— Por que não a levou para ser atendida por um médico ou enfermeiro? — questionou minha prima.Soltei um suspiro, eu queria fazer isso, mas a teimosa da Thalia não aceitou.— Ela havia acabado de sair de uma consulta médica e se recusou a voltar para a sala do médico que a havia atendido. Então, apenas a auxiliei para que não desmaiasse e algo mais grave acontecesse. — Isso foi gentil da sua parte, mano. Mamãe sempre nos ensinou a ajudar e respeitar o próximo. — Podia sentir o orgulho na voz de meu irmão.Assenti e meus olhos focaram em Catarina. Ela era mais arredia, desconfiada, então eu sabia que iria tirar tudo que pudesse de mim para ter a certeza de que eu não havia caído em u
Marcelo.— Sei disso e preciso contar a verdade, mas estamos nos dando tão bem e construindo uma linda amizade que agora temo que se afaste quando souber a verdade. Thalia não se permite ser ajudada, ela acha que precisa lidar com tudo sozinha. Não é uma aproveitadora, mas pensa que é se aceitar algo. Saber que sou o dono do hotel pode fazer com que se afaste e não quero ficar longe dela.— Isso é fodido, irmão. — Concordei com um meneio de cabeça.— Sei que devia ter sido honesto desde o início, mas agora... — me calei. Estava em conflito interno e temia perder Thalia. Eu havia me apegado a ela e só a possibilidade de não a ter mais me sufocava.— Não acredito que ela vá deixá-lo. — Minha prima tentou ser positiva. — Se Thalia é como diz, irá entender. Você não a enganou, apenas deixou as coisas seguirem seu rumo. Ela perguntou em que você trabalhava? — Neguei com a cabeça. — Então, se ela tivesse perguntado, você teria dito.— Sim, mas também poderia ter dito quando a encontrei no
Thalia.Dois dias depois...Acordei com o estômago revirado. Desde que amanheceu, eu estava debruçada no vaso, colocando tudo o que eu não tinha para fora. Minha cabeça estava doendo e parecia que um carro havia passado por cima de mim.— Deus, eu não aguento mais.Fechei a tampa da privada e dei descarga. Sentei-me e comecei a chorar.— Thalia? — ouvi meu nome ser chamado, mas me mantive no mesmo lugar, chorando e pedindo a Deus que a ânsia parasse.— Thalia?!Não demorou para que Marcelo surgisse na porta do meu quarto e corresse até mim. Não me ative ao fato de ele ter entrado na minha casa sem que eu tivesse aberto a porta para ele, mas sim agradeci por ter alguém para me ajudar.Eu estava morrendo.— O que houve? — Ele me ajudou a levantar.— Não aguento mais vomitar. — Meu choro se tornou alto e ele me abraçou. — Minha cabeça está doendo muito e minha barriga também.— Calma. Vamos tomar um banho e eu vou te levar para o hospital, tudo bem?— Não, eu tenho consulta hoje. — Tente
Thalia Retirei o sabão do meu corpo e ele me enrolou na toalha. Saímos do banheiro.— Se sente melhor? — Me sentou na cama.— Sim. — Falei para não o deixar tão preocupado, mas a verdade era que minha cabeça ainda está um pouco pesada.— Já tomou café? — Me entregou outra toalha para secar os cabelos.— Não. Não consegui comer. — Levantei-me e fui até o guarda-roupa. Peguei o sutiã, a calcinha, um short e um vestido longo, com estampas de flores brancas com o fundo azul.Marcelo se manteve de costas enquanto eu me trocava.— E comeu que horas ontem?Fiquei calada porque não havia comido. Estava enjoada e nada do que havia aqui em casa me agradou.— Thalia...— Eu almocei a comida que você pediu para mim, mas estava sem fome à noite, então só tomei um copo de suco de laranja e fui dormir.— Céus... — Ele se virou quando disse que já havia me trocado.— Está grávida, mulher teimosa. Não pode ficar sem comer. — brigou e meus lábios tremeram. Estava sensível e tudo era motivo para chorar
Marcelo.Thalia estava cada vez mais pálida e isso já começava a me deixar aflito. Sabia que vomitar nos primeiros meses de gravidez era normal, presenciei a gravidez de Mariah e até sei que isso é um dos sintomas de gravidez, mas não do modo como ela estava vomitando.Nada parava em seu estômago e ela começava a perder peso.Hoje seria seu primeiro dia de pré-natal e eu iria acompanhá-la, já havia acertado tudo e ela não havia me negado isso. Acredito que gostou do meu oferecimento, pois não havia ninguém para acompanhá-la. Vivian não podia se ausentar da creche de cachorro e Thalia não possuía mais amigos.Assim que acordei, liguei para Raquel e pedi que desmarcasse todos os meus compromissos de hoje, pois passaria o dia com Thalia. Depois de falar com minha secretária, tomei banho, me troquei e tomei café. Dispensei o motorista e segui no meu carro direto para a casa de Thalia, apenas parando em uma padaria para comprar bolo, pão, queijo, leite e suco de laranja. Havia visto que su
Marcelo.— Oi, mano, como está? — Mateus, meu irmão mais velho, chegou quando a enfermeira levava Thalia para a ala médica. Eu já estava passando os dados dela para a recepcionista.— Preocupado. Thalia tem passado muito mal desde que descobriu a gravidez.Seu rosto se tornou pesaroso.Ele tocou meu ombro.— De quantos meses ela está?— Dois, parece que vocês medem as gestações por semanas e ela está para completar doze semanas.— Sim, isso corresponde a dois meses mais ou menos. O que ela tem sentido? Não quer entrar com ela?— Eu posso? — Meu tom se elevou um pouco. — Não sou nada dela e... não sei se ela me quer lá dentro.— Você me disse há dois dias que iria acompanhá-la no pré-natal, você a trouxe e está quase tendo um treco de tão preocupado, acha mesmo que, estando tão mal, ela vai querer ficar sozinha?Soltei um suspiro.— Tem razão. Ela tem vomitado muito e tem sentido muita dor de cabeça. Quase desmaiou também.— Certo. Tem mulheres que têm o que chamamos de hiperêmese grav