Eu estava adorando a atenção de Danilo. Ele estava fazendo de tudo para passar mais tempo comigo, e meu plano com Leandro estava funcionando perfeitamente.No jantar do dia seguinte, contei para Leandro que era casada com Danilo, de todo o problema com Juliete e da proposta de disputa. Ele ficou admirado ao descobrir que eu era a esposa secreta do Danilo e concordou que nós dois realmente não tínhamos nada a ver, mas poderíamos ser amigos. Pedi para ele continuar fingindo que não sabia de nada e que ainda disputava minha atenção. Em troca, prometi arrumar alguns projetos para ele fazer sem supervisão.Danilo, previsível como sempre, rapidamente começou a passar algumas de suas funções para Leandro. Isso sobrecarregava o rival e, ao mesmo tempo, lhe dava mais tempo para passar comigo. Todos saíam ganhando.A única coisa que faltava nesse relacionamento que estava indo tão bem era sexo. E eu já estava subindo pelas paredes. Pensei em chamar Danilo para vir à minha casa no sábado. Eu que
A viagem até a França foi tranquila, quase perfeita. Para mim, foi um momento ideal: eu estava de férias da faculdade, e John tinha terminado com Laila. Ele conseguiu uma bolsa para fazer residência em um hospital nos Estados Unidos e decidiu que a ruptura seria a melhor solução. Ele só tinha mais um semestre para terminar a faculdade.Laila estava bem com isso, até porque eles já tinham começado a namorar sabendo dessa possibilidade – ele poderia sair do país dois anos antes de ela terminar o curso dela. Mesmo assim, não deixava de ser triste, e sair do país por alguns dias parecia uma boa distração para ela.E foi mesmo. Eu me senti acolhida na casa de Rafelle e Alain. Enquanto os homens se trancavam para trabalhar, Rafelle levava nós duas para passear. Conversávamos, nos divertíamos... Nenhum dos problemas que imaginei antes de sair do Brasil aconteceu.Eu confesso que pensei bastante sobre ir ao país que acolheu Danilo, onde ele viveu por tantos anos, se formou e escreveu sua hist
A volta pra casa foi marcada por uma ruga de preocupação. O evento tinha sido um sucesso, e Danilo fez de tudo para me deixar à vontade. Eu me senti maravilhosa. Ele foi indicado para dois prêmios, e se ganhasse, teríamos que voltar à França para outro evento daqueles em três meses. Rafelle ainda comentou, toda animada, que por sorte tinha comprado todos os vestidos que experimentei!Achei melhor deixar os vestidos na França mesmo. Eu não tinha onde usar tudo aquilo no Brasil. Um dia antes de voltarmos, Danilo me levou para visitar alguns lugares. O último foi uma casa de vidro, próxima a um lago, bem afastada da civilização. Levamos cerca de uma hora e meia para chegar lá, partindo do centro de Annecy. Danilo me contou que, se viajássemos mais uns dez minutos, daríamos de cara com o castelo medieval de Chillon.Eu estava encantada. A casa era perfeita, e as paisagens eram de tirar o fôlego. Foi então que ele me disse que estava procurando uma nova casa para comprarmos e que eu estava
Na tarde do acidente da minha mãe, ao sair do escritório, percebi que precisava parar de agir como uma louca e criar um plano sólido. Fui até a universidade, consegui o endereço dos pais de Isadora e, naquele mesmo dia, fui para Mairiporã.Quando cheguei lá, só tinha o endereço da empresa. Achei muita coincidência Isadora ter vindo da mesma cidade do casal que morreu no acidente de Danilo e Juliete. Quando cheguei na empresa, Thomas me atendeu, e em menos de cinco minutos, tudo ficou claro: Isadora era a garota que Danilo estava procurando.Também percebi que as desconfianças de Danilo, na época do acidente, faziam sentido. Thomas escondia algo, eu tinha certeza.A partir disso, comecei a desenhar um plano de verdade. A sonsa da Isadora jamais aceitaria ficar com Danilo se soubesse que ele matou os pais dela. E não precisei pensar muito para perceber que Danilo sabia, sim, quem eram os pais dela. Afinal, foi só ele descobrir que ela era a filha deles para abandonar sua obsessão por aq
Tentei manter a calma, mas era quase impossível. Danilo percebeu que algo estava errado, fez com que eu me sentasse e trouxe um copo d’água para mim.— O que aconteceu, Isadora? — ele perguntou, com preocupação evidente.Antes que eu pudesse responder, Eleanor soltou: — Será que ela não está grávida, Danilo?Respirei fundo e respondi, tentando manter a compostura: — Não estou grávida, Eleanor. Estou bem. Talvez tenha sido só uma queda de pressão. Danilo, posso ir pra casa?Ele hesitou, mas acabou concordando: — Claro, vou levar você.— Não, eu ligo pra Laila me buscar. Tenho algumas coisas pra resolver com ela. E você está há algum tempo sem ver sua irmã. Fiquem bem.Peguei o celular e liguei para Laila. Em menos de quinze minutos, ela estava na porta do prédio. Assim que entrei no carro, não consegui mais segurar e desabei a chorar.— O que Eleanor fez para deixar você assim, Ju? — Laila perguntou, sem tirar os olhos da estrada.— Não fez nada. Absolutamente nada. Eu surtei quando
Estava em casa, desempenhando meu papel de boa moça. Aquele velho idiota saiu para trabalhar, e aproveitei para ir ao quarto da minha mãe.— Ontem, Isadora me perguntou se fui eu quem te acertou na saída do banho naquele dia. O que você disse a eles?Ela suspirou antes de responder: — Não disse nada, Eleanor. Sei que, se contasse para alguém, você seria procurada por tentativa de assassinato. O nome de Paulo e Danilo seria estampado nas mídias como uma fofoca horrível do seu crime hediondo. Teria estragado sua vida, a imagem de Paulo. Mas depois que você voltou, vejo que foi melhor assim. Você está diferente, mais madura, consciente. Está feliz, e isso me deixa feliz, filha. Foi por isso que lutei toda a vida e por isso não contei nada a ninguém sobre aquele dia.Sorri, sabendo que ela ainda acreditava na imagem que eu projetava. — Mamãe, você não lutou. Nem sabe tudo o que perdeu ao assinar aquele contrato pré-nupcial, abrindo mão de tudo que Paulo tinha. E depois, deixou que ele d
Assim que Laila foi embora, depois que chamei Danilo, aproveitei para tomar um banho. Quando saí do banheiro, vi uma mensagem dele no celular avisando que estava trazendo o almoço. Vesti um camisetão com a Minnie estampada, prendi o cabelo em um coque desajeitado e comecei a colocar a mesa para o almoço.Depois de arrumar tudo, sentei no sofá, dobrando os joelhos e cruzando os braços, apoiando a cabeça neles. Minha mente estava uma bagunça. "Caramba, já não bastava ele ter que pagar por mim, ter uma mulher bem abaixo da sua classe social para acompanhar, agora tinha que lidar com mais esse problema! Eleanor escavacou nas profundezas do inferno para trazer o Thomas de volta às nossas vidas!"Perdida nesses pensamentos, não ouvi as chaves na porta. Minha cabeça continuava afundada nos joelhos, e senti meus olhos começarem a lacrimejar. Um pensamento me atravessou como uma lâmina: e se isso fosse demais para ele? E se Danilo decidisse que não me queria mais?Danilo entrou e, quando o vi,
Depois que Isadora me contou tudo, fiquei um tempo pensando. Ela parecia mesmo acreditar que eu ia deixá-la por causa do tamanho do problema.— Olha, Danilo. Eu sei que sou um problema pra você. Sou a ralé, não sirvo pra ser sofisticada como a esposa de um CEO. Você teve que me comprar, e agora estou trazendo esse problema enorme para toda sua família...— Espera, o que você está falando?— Você está aí pensando em como vai me dar o fora. Sou problema demais pra você...— Claro que não, Isadora. Você é perfeita pra mim. Eu te amo, Isa. Te amo de verdade. Tenho algo pra conversar com você, algo que se tornou ainda mais urgente com essa situação que você me contou, mas acredito que quem vai me deixar será você. Só que, infelizmente, não dá pra ser agora. Preciso garantir a segurança da minha mãe primeiro.— Claro. Primeiro a Sheila e o Douglas. Eu sei que a Eleanor quem bateu nela. Por mais que as duas neguem, eu sei. Já o Thomas, não tenho certeza do que ele é capaz. Ele é ex-presidiár