Em seu escritório, enquanto aguarda a chegada de seu cliente, Victor analisa os detalhes do caso que pegou e um leve sorriso de satisfação surge em seus lábios. Ele percebe que será mais fácil do que havia imaginado inicialmente. As falhas na posição da outra parte eram evidentes, e as estratégias necessárias para vencer estavam claras em sua mente.Inclinando-se para trás na cadeira, ele entrelaça os dedos atrás da cabeça e massageia as têmporas por um instante, permitindo-se um momento de alívio. O dia prometia ser produtivo, e a confiança renovada o fazia sentir-se no controle. Ainda assim, sabia que o sucesso exigiria atenção aos detalhes e uma execução impecável, como sempre.Com um último olhar para os documentos sobre a mesa, ajusta a postura, pronto para atender o cliente e apresentar as soluções que tornariam aquele caso mais uma conquista em sua carreira.Seu olhar recai sobre o relógio no canto da mesa, percebendo que já está quase na hora de Otávio Mendes, CEO da AgroTech S
Após descobrir que precisaria lidar com Marina profissionalmente, Victor sente como se um peso esmagador caísse sobre ele. Seu peito aperta e sua cabeça começa a latejar, como se seu corpo estivesse reagindo à frustração e à confusão que tomavam conta de sua mente.Ele se recosta na cadeira, passando as mãos pelo rosto enquanto tenta organizar seus pensamentos. Nada mais parecia fazer sentido naquele escritório. A pilha de papéis em sua mesa, normalmente um estímulo para seu foco, agora era apenas um amontoado de distrações que ele não conseguia encarar.Seu bom humor, que o acompanhava nos últimos dias, parecia ter evaporado. A sensação de que o dia estava completamente arruinado o consumia. Ele sabia que a situação com Marina não era apenas profissional; era pessoal, e isso tornava tudo ainda mais complicado.Levantando-se da cadeira, ele anda de um lado para o outro no escritório, como se o movimento pudesse aliviar o nervosismo. Cada vez que pensava em enfrentar Marina no tribunal,
— Olha, não se preocupe por antecipação. Sei que vai dar tudo certo entre você e a Marina — comenta Rodrigo, tentando passar confiança ao irmão. — Você e ela têm algo forte, cara. Isso é só um desafio, e vocês vão superar. Mas, para isso, você precisa ser honesto com ela. Acredite, a Marina vai valorizar mais a sua transparência do que qualquer tentativa de proteger os sentimentos dela, escondendo o que está acontecendo.Victor solta um suspiro profundo, balançando a cabeça.— É, você tem razão. Ela disse que virá ao meu escritório mais tarde, então aproveitarei para tocar nesse assunto o mais rápido possível.Rodrigo assente, mas sua expressão endurece novamente, refletindo a gravidade do assunto que tinha em mente.— Olha, eu sei que você não quer se envolver com o assunto do nosso pai — começa, com um tom sério —, mas fiquei sabendo que a polícia esteve em casa procurando por ele.Victor pressiona os lábios, inclinando-se ligeiramente para frente enquanto encara o irmão. O silêncio
Quando chega ao escritório onde Victor trabalha, Marina é recebida pela visão de Katrina logo na entrada. A ex-colega de trabalho, com sua postura altiva e olhar avaliador, não perde tempo em se aproximar, carregando consigo um ar de superioridade forçada.— Que surpresa ver você por aqui — diz Katrina, com um tom de voz que mal consegue esconder a falsidade. O sorriso em seus lábios parece mais uma máscara do que um gesto genuíno.Mantendo a postura firme, Marina recusa-se a ser intimidada. Sem delongas, responde com tranquilidade:— Vim visitar o meu namorado.A resposta atinge Katrina como um golpe inesperado. Por um instante, sua expressão vacila e o brilho de inveja em seus olhos é impossível de disfarçar. Ela tenta recompor-se rapidamente, forçando um sorriso, mas o desconforto é evidente.— Ah… claro. Que sorte a sua — responde Katrina, com um leve riso que transborda falsidade. — Achei que vocês não estavam mais juntos — comenta, lançando um olhar de soslaio para Marina, com u
— Não é isso que quero ignorar! — Victor responde com a voz elevada e irritada. Ele passa a mão pelos cabelos, claramente nervoso, antes de continuar. — Eu só não quero me meter na confusão que o meu pai arrumou e, pior, tentou colocar a Marina no meio disso.Rodrigo o observa com atenção e tenta conversar de um modo que não irrite o irmão.— Sei que isso te incomoda, mas você precisa entender que precisamos ficar atentos. Por um lado, esse Leonel tem razão — admite, olhando de relance para Marina, que permanece em silêncio. — O papai deve estar furioso com tudo o que está acontecendo. Você o desmascarou na frente da mamãe, depois bloqueou as contas dele. Ele deve estar se sentindo encurralado… e, pior, culpando todos nós por isso. Quando ele se sente pressionado, age sem pensar. Já vimos isso antes, Victor. E agora ele pode estar ainda mais imprevisível.— Enquanto a Marina estiver ao meu lado, nada de mal vai acontecer com ela — Victor declara, determinado, deixando claro que não est
Confusa com as palavras de Victor, Marina se levanta bruscamente, enquanto um sorriso amarelo surge em seus lábios.— Abandonar o caso? — pergunta, incrédula. — Por que está me pedindo para fazer isso?Victor, visivelmente desconfortável, massageia a barba rala, recém-feita, enquanto a encara, ainda sentado. Ele respira fundo antes de responder, tentando manter o tom calmo.— Porque não é um bom caso para você iniciar sua carreira — explica, evitando o olhar direto dela, como se soubesse que suas palavras não seriam bem recebidas.Marina estreita os olhos, cruzando os braços enquanto o encara de pé.— Não é um bom caso? — Indaga. — Que conversa é essa? — pergunta.Ele ergue o olhar, agora encontrando o dela, mas sua postura continua tensa.— Loirinha, eu só quero o melhor para você. E esse caso não é bom, apenas me escute. Eu sei do que estou falando — insiste, num tom sério e quase suplicante.Marina solta uma risada curta e amargurada, enquanto balança a cabeça, claramente frustrada
Inconformado com a atitude da namorada, Victor não permite que ela vá embora sem esclarecer as coisas. Ele sai do escritório apressado, alcançando-a no corredor. Quando Marina está prestes a apertar o botão do elevador, ele a segura pelo braço com firmeza, mas sem agressividade.— Espere, Marina. Para onde pensa que vai assim? — pergunta ele, determinado.Ela respira fundo, sem sequer olhar para ele, e responde em um tom controlado.— Eu já disse que tenho que visitar uma testemunha — revela, tentando se soltar do aperto dele.Victor a encara, frustrado pela frieza com que está sendo tratado.— Não estou falando sobre isso. Estou perguntando por que está saindo assim, tão nervosa comigo — insiste, mantendo a mão firme no braço dela.Marina suspira pesado, levantando finalmente o olhar para encontrar o dele. Seus olhos demonstram o quanto ela está magoada com tudo o que conversaram na sala dele.— Como espera que eu fique, Victor? — retruca, ofendida. — Após ouvir o quanto você desprez
Já são quase sete da noite, e Victor está em sua casa, sentado no sofá, com o celular na mão, seus olhos desviam-se para a tela a cada minuto. Ele espera, ansioso, por uma notificação de Marina. Uma ligação, uma mensagem, qualquer coisa que indique que ela quer falar com ele ou, pelo menos, que permita que ele a busque na casa dos pais para vir para a sua.Mas até aquele momento, nada.A ausência de contato o deixa inquieto. Ele tamborila os dedos no braço do sofá, suspira, levanta-se, caminha até a janela e volta a se sentar, tudo em uma tentativa inútil de dissipar o nervosismo que cresce a cada minuto de silêncio. Ele revisita mentalmente a última conversa deles, tentando encontrar o ponto exato onde as coisas começaram a desmoronar.“Será que fui longe demais? Será que deveria ter deixado para falar depois?”, pensa, passando a mão pela nuca, como se pudesse massagear os pensamentos inquietos para longe.Ele desbloqueia o celular mais uma vez, abre a conversa com Marina e lê as últ