Bônus da madrugada!
Confusa com as palavras de Victor, Marina se levanta bruscamente, enquanto um sorriso amarelo surge em seus lábios.— Abandonar o caso? — pergunta, incrédula. — Por que está me pedindo para fazer isso?Victor, visivelmente desconfortável, massageia a barba rala, recém-feita, enquanto a encara, ainda sentado. Ele respira fundo antes de responder, tentando manter o tom calmo.— Porque não é um bom caso para você iniciar sua carreira — explica, evitando o olhar direto dela, como se soubesse que suas palavras não seriam bem recebidas.Marina estreita os olhos, cruzando os braços enquanto o encara de pé.— Não é um bom caso? — Indaga. — Que conversa é essa? — pergunta.Ele ergue o olhar, agora encontrando o dela, mas sua postura continua tensa.— Loirinha, eu só quero o melhor para você. E esse caso não é bom, apenas me escute. Eu sei do que estou falando — insiste, num tom sério e quase suplicante.Marina solta uma risada curta e amargurada, enquanto balança a cabeça, claramente frustrada
Inconformado com a atitude da namorada, Victor não permite que ela vá embora sem esclarecer as coisas. Ele sai do escritório apressado, alcançando-a no corredor. Quando Marina está prestes a apertar o botão do elevador, ele a segura pelo braço com firmeza, mas sem agressividade.— Espere, Marina. Para onde pensa que vai assim? — pergunta ele, determinado.Ela respira fundo, sem sequer olhar para ele, e responde em um tom controlado.— Eu já disse que tenho que visitar uma testemunha — revela, tentando se soltar do aperto dele.Victor a encara, frustrado pela frieza com que está sendo tratado.— Não estou falando sobre isso. Estou perguntando por que está saindo assim, tão nervosa comigo — insiste, mantendo a mão firme no braço dela.Marina suspira pesado, levantando finalmente o olhar para encontrar o dele. Seus olhos demonstram o quanto ela está magoada com tudo o que conversaram na sala dele.— Como espera que eu fique, Victor? — retruca, ofendida. — Após ouvir o quanto você desprez
Já são quase sete da noite, e Victor está em sua casa, sentado no sofá, com o celular na mão, seus olhos desviam-se para a tela a cada minuto. Ele espera, ansioso, por uma notificação de Marina. Uma ligação, uma mensagem, qualquer coisa que indique que ela quer falar com ele ou, pelo menos, que permita que ele a busque na casa dos pais para vir para a sua.Mas até aquele momento, nada.A ausência de contato o deixa inquieto. Ele tamborila os dedos no braço do sofá, suspira, levanta-se, caminha até a janela e volta a se sentar, tudo em uma tentativa inútil de dissipar o nervosismo que cresce a cada minuto de silêncio. Ele revisita mentalmente a última conversa deles, tentando encontrar o ponto exato onde as coisas começaram a desmoronar.“Será que fui longe demais? Será que deveria ter deixado para falar depois?”, pensa, passando a mão pela nuca, como se pudesse massagear os pensamentos inquietos para longe.Ele desbloqueia o celular mais uma vez, abre a conversa com Marina e lê as últi
Balançando a cabeça, claramente irritado com a situação, Victor responde:— Não sei. Eu só fui direto com ela, como sempre faço — admite, com um tom defensivo.A fala do irmão deixa Rodrigo preocupado. Ele sabia que Victor tinha muitas qualidades, mas ser cuidadoso ao medir as palavras definitivamente não era uma delas.— Me fala, Victor, como você começou a conversa? — questiona, cruzando os braços, já antecipando uma resposta problemática.— Eu simplesmente disse a ela para abandonar o caso, pois iria perder — declara, como se fosse algo natural.Rodrigo arregala os olhos, incrédulo.— Assim? Sem introdução? Sem preparar o terreno? — pergunta, espantado.Visivelmente incomodado, Victor rebate.— Eu disse que fui direto, você não entendeu? — retruca, irritado.Rodrigo solta uma risada breve, mas sem humor, balançando a cabeça em descrença.— Pelo amor de Deus, Victor, se você começou a conversa desse jeito mesmo, não tem como não ficar do lado da Marina. — Ele aponta para o irmão, en
Desde que chegou da casa de uma das testemunhas que a auxiliaria no caso de Dona Valquíria, Marina sente um vazio crescente no peito. Ela entra no quarto, liga o notebook e mergulha nos detalhes do caso, analisando cuidadosamente as informações e as declarações das testemunhas. No entanto, mesmo com o foco no trabalho, um sentimento de medo começa a dominar seus pensamentos.As palavras de Victor ecoam em sua mente, trazendo uma insegurança que ela não quis admitir na frente dele. Saber que Victor, com toda a sua experiência, nunca havia perdido um caso era uma pressão silenciosa que a fazia questionar suas próprias capacidades. “E se eu não conseguir defender Dona Valquíria corretamente?”, ela pensa, com o coração apertado. Apesar disso, decide seguir em frente. Ela sabe que precisa fazer o que é necessário, mesmo que o medo persista.Após horas diante da tela do computador, sente a cabeça pesada e decide fazer uma pausa para comer algo. Caminhando pela casa, ao passar pelo quarto da
Ainda abraçada ao namorado, Marina confessa, num sussurro suave:— Não esperava que viesse até aqui hoje.Victor se afasta um pouco, apenas o suficiente para encontrar o olhar dela, então seus lábios esboçam um sorriso leve.— Acha mesmo que eu conseguiria ficar longe de você? — pergunta ele, com uma sinceridade que aquece o seu coração. — Ainda mais após nos afastarmos daquele jeito pela manhã.Marina sente um nó na garganta ao ouvir as palavras dele. Ela sabia que ambos tinham muito para resolver, mas o simples fato de ele estar ali, fazendo questão de consertar as coisas, fazia toda a diferença.— Eu também não queria que fosse assim — admite, com um brilho nos olhos que mistura emoção e alívio. — Não gosto de ficar distante de você, Victor.Ele toca suavemente o rosto dela, enxugando os vestígios de lágrimas com o polegar.— E eu não gosto de te ver chateada, loirinha. Vamos dar um jeito nisso, eu tenho certeza — sugere, num tom reconfortante.Marina assente, sentindo que, apesar
Os dias se passam, e Victor e Marina encontram um equilíbrio delicado em sua convivência. Decidiram, mutuamente, evitar falar sobre trabalho, conscientes de que o confronto iminente no tribunal seria inevitável. Cada um respeitava o espaço do outro, buscando preservar o relacionamento em meio à tensão crescente.Apesar da aparente harmonia, ambos sabiam que a sombra do caso pairava sobre eles. O fato de Dona Valquíria ter rejeitado a proposta de acordo sugerida pela AgroTech apenas intensificava o peso da situação. Victor entendia que, para seu cliente, o acordo teria sido uma saída estratégica, mas também sabia que a rejeição era um reflexo da determinação de Dona Valquíria — uma qualidade que Marina parecia compartilhar.Com o passar dos dias, o caso de Xavier também começava a tomar um rumo mais sombrio. Após semanas de especulações e falhas em comparecer para prestar depoimento, ele desapareceu completamente, levando as autoridades a declará-lo oficialmente como um foragido da just
As palavras dele atingem-na como uma onda de calor, dissipando qualquer sombra de insegurança que ainda pudesse carregar. Seus olhos brilham com a emoção, e ela sente que, naquele instante, tudo o que importava no mundo estava ali, diante dela, na forma do homem que tanto amava.— Isso foi lindo — diz ela, com a voz suave e emocionada. Seu coração parecia correr em disparada, acelerado pelo impacto das palavras que ouviu.Victor sorri, claramente apaixonado.— Lindo é tudo o que estou vivendo com você — rebate, antes de inclinar-se para beijá-la.Enquanto a beija, a segura com firmeza, suas mãos envolvem-na com uma intensidade que fazia parecer que ele queria fundir suas almas naquele momento. O aperto em sua cintura, a forma como seus corpos se conectavam, transmitiam mais do que desejo; era como se ele quisesse que Marina sentisse o quanto ela significava para ele, cada emoção, cada batida do seu coração.Marina, completamente entregue, entrelaça os braços ao redor do pescoço dele,