Capítulo 4
— Ela sofreu um acidente de carro? — Sterling perguntou, franzindo os lábios enquanto seus olhos escuros pousavam em Jaqueline.

De repente, ele se lembrou da ligação que havia recebido de Clarice na noite anterior. E se fosse verdade...

Nesse momento, a porta do quarto foi aberta. Clarice entrou com sua habitual elegância fria, irradiando uma aura distante.

Teresa, ao vê-la, deixou transparecer por um breve momento uma expressão sombria, mas rapidamente a substituiu por uma máscara de preocupação.

— Eu ouvi dizer que você sofreu um acidente! Venha cá, deixa eu ver se está tudo bem. Foi grave? — Teresa falou com uma urgência exagerada, como se realmente estivesse preocupada.

Os olhos de Sterling escureceram ainda mais. Para ele, aquilo só podia significar uma coisa: Clarice e Jaqueline haviam se unido para enganá-lo.

Clarice caminhou até Jaqueline e, com um gesto protetor, puxou-a para trás de si.

— Volte para casa. Deixe isso comigo. — Disse ela com firmeza.

Jaqueline, indignada, tentou argumentar:

— Eu não fiz nada! Foi ela que se bateu sozinha!

Clarice a interrompeu com um tom calmo, mas autoritário:

— Eu sei. Agora vá.

Ela sabia que, naquele momento, a presença de Jaqueline não ajudaria em nada. Não tinha ideia de como Sterling reagiria, mas era melhor lidar com isso sozinha.

Relutante, Jaqueline mordeu os lábios, bufou de raiva e saiu do quarto.

Isaac olhou para Sterling e, após um breve sinal do chefe, também deixou o ambiente.

Agora, só restavam os três no quarto.

Clarice se aproximou da cama, parando ao lado de Teresa. De cima, olhou para ela com frieza.

— Ouvi dizer que você foi agredida. Foi grave? Já fez um exame de corpo de delito?

Teresa tinha marcas de dedos no rosto, mas estavam tão suaves que não seriam suficientes para um exame formal.

Mordendo os lábios, Teresa lançou um olhar cheio de falsa mágoa para Clarice.

— Jaqueline me bateu em lugares que não deixam marcas visíveis... Não tem como fazer exame de corpo de delito. Mas se você não acredita em mim, tudo bem.

Sterling explodiu, perdendo a paciência:

— Você é idiota? Se ela te bateu em outros lugares, por que não disse nada? E se for algo grave?

Os olhos de Teresa se encheram de lágrimas imediatamente.

— Eu só não queria que você brigasse com a Clarice por minha causa... Como achei que não tinha nada sério, preferi não falar. — Respondeu, a voz cheia de “inocência”.

Sterling suspirou, visivelmente irritado.

— Você não consegue nem cuidar de si mesma, mas quer se meter nos meus problemas com ela? Use a cabeça!

Embora as palavras fossem duras, havia um tom de cumplicidade que Clarice não pôde ignorar.

Ela ficou parada, sentindo-se uma intrusa. Mesmo sendo esposa de Sterling, parecia que sempre havia uma barreira entre ela e ele. Naquele momento, percebeu que, assim como na casa onde morava, naquele relacionamento ela era apenas uma estranha. A sensação era dolorosa.

Teresa lançou um olhar de falsa irritação para Sterling e murmurou:

— Vocês dois vivem brigando, e você ainda vem descontar o mau humor em mim. É claro que fico preocupada. Como não me importar quando a tensão entre vocês afeta até o meu humor?

— Você só sabe falar besteira! — Sterling respondeu com uma expressão sombria. — Não se intrometa mais nos meus assuntos com ela.

— Quem disse que quero me meter? — Teresa retrucou, fingindo indignação.

Sterling a olhou brevemente antes de declarar:

— Vou chamar um médico para te examinar.

Ele pressionou o botão de chamada e virou-se, ignorando o olhar satisfeito que Teresa escondia por trás de sua falsa expressão de preocupação.

Clarice respirou fundo, tentando sufocar a dor crescente que sentia no peito.

Ela se lembrou de quando havia ficado gravemente doente no início do ano. Passou duas semanas internada no hospital, e Sterling não apareceu nem uma vez para vê-la. Na época, ela buscava desculpas para ele: “Ele deve estar ocupado, sem tempo.”

Mas agora, vendo como ele agia com Teresa, ficou claro que o problema nunca foi falta de tempo. O problema era que ela não era Teresa.

Quando o médico chegou para examinar Teresa, Sterling segurou Clarice pelo braço e a puxou para fora do quarto.

Teresa, ainda na cama, olhou para a porta se fechando enquanto suas mãos, escondidas sob o cobertor, apertavam os lençóis com força.

Do lado de fora, Clarice se desvencilhou do toque de Sterling e se virou para encará-lo.

— Sterling, precisamos conversar.

— Tudo bem. Podemos começar falando sobre o trending topic de ontem à noite. — Ele respondeu, olhando para ela com frieza.

Três anos atrás, ele havia se casado com Clarice por obrigação.

Mesmo depois de dividir a cama com ela por todo esse tempo, não sentia absolutamente nada.

Ele podia aceitar que Clarice sentisse ciúmes, mas não toleraria que ela tentasse prejudicar Teresa publicamente. Isso, para ele, era inaceitável.

— Já falei que não fui eu quem comprou o trending topic! — Clarice rebateu, com a testa suavemente franzida e a voz fria. — Não vou admitir algo que não fiz!

O assunto já havia sido abafado, a internet inteira não tinha mais nenhuma menção ao caso. Mesmo assim, Sterling insistia em falar sobre isso. Era um absurdo!

— O que eu decido não muda. Dou a você até o final do expediente para pensar. Quero sua resposta até lá. — O tom de Sterling era firme, deixando claro que, mesmo que ela não concordasse, o desfecho seria o mesmo.

Clarice olhou para ele, sentindo um frio que parecia atingir cada célula de seu corpo. A frieza em seus olhos e a dureza de suas palavras faziam com que ela se sentisse completamente só.

— Você me condena sem nenhuma prova. Não acha que está passando dos limites? — Sua voz saiu pausada, suas palavras carregadas de um gelo que refletia o que sentia por dentro.

Sterling estava sendo cruel, mais do que ela podia suportar.

— Teresa acabou de ganhar um prêmio. Qualquer notícia negativa pode destruir a imagem dela. Essa questão está encerrada.

Clarice soltou uma risada amarga, cheia de ironia:

— Você está disposto a me jogar no fundo do poço só para limpar a reputação da Teresa? Sterling, você já pensou nas consequências disso para mim?

Ele não tinha pensado nisso, claro. Se tivesse, jamais teria dito algo tão impiedoso.

Sterling pressionou os lábios, sua voz saindo cortante:

— Eu te dou uma mesada de cem mil reais por mês, e isso ainda não é suficiente? Por que você precisa trabalhar e se expor? Aproveite essa situação e peça demissão. Fique em casa e me sirva como deve ser.

O rosto de Clarice empalideceu levemente, mas sua determinação não vacilou.

— Esse dinheiro que você me dá todo mês é usado para as despesas da casa. Eu nunca gastei nada com minhas coisas. Além disso, eu amo o meu trabalho. Nunca passou pela minha cabeça pedir demissão. Se acha que não estou te dando atenção suficiente, por que não contrata mais empregados para te servir?

Ela sabia que ele lhe dava uma mesada generosa, mas as despesas da casa eram absurdas. No fim do mês, não sobrava nada. Para piorar, grande parte do salário dela ia para pagar o tratamento hospitalar da avó.

Se ela deixasse o trabalho, depender apenas do dinheiro que Sterling fornecia significaria não ter como pagar a internação da avó. Isso era impensável.

Sterling se aproximou, encurralando-a contra a parede. Seus olhos escuros a encararam de perto, e uma aura perigosa emanava dele.

— Eu me casei com você para que você cuidasse de mim, Clarice. Não para que eu precisasse depender de empregados para isso. Se acha que cem mil não é suficiente, vou te dar mais cem mil este mês.

O tom dele parecia uma esmola, e isso provocou nela uma tristeza profunda.

Três anos de casamento, e ele nunca a tratou como sua esposa. Clarice era apenas um acessório, uma sombra na casa dos Davis. Para ele, ela era apenas uma extensão funcional, alguém para ocupar a cama.

— Quando você se demitir, terá tempo livre para se aproximar das outras senhoras da alta sociedade. Faça amizades, construa contatos. Isso vai ajudar nos negócios. — Sterling continuou, como se estivesse dando uma ordem. Para ele, o papel de Clarice era claro: ser exatamente como as outras esposas ricas que ele conhecia.

Clarice respirou fundo, tentando segurar a onda de raiva e dor que ameaçava transbordar. Sua voz saiu baixa, mas firme:

— Por que você não pede para Teresa fazer isso? Ela pode muito bem ser uma dona de casa perfeita, não acha?

Mesmo sendo casada com o irmão mais velho de Sterling, Teresa nunca parou de competir em eventos. Se havia alguém "se expondo", era Teresa.

Sterling riu, mas sua expressão continuava fria:

— Você não é Teresa. Ela tem um palco, um brilho próprio. Quando está no palco, ela é uma estrela. Você, por outro lado, só tem um emprego comum. Trabalhar ou não para você não faz diferença. É melhor que aceite seu papel como Sra. Davis.

Ele segurou o queixo de Clarice, levantando seu rosto para que seus olhos se encontrassem.
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