Capítulo 5
— Sacrificar a mim para ajudar Teresa? Nem sonhe, Sterling! — Clarice falou com um sorriso no rosto, mas com a dor rasgando seu peito. — Além disso, já decidi: quero o divórcio. Me diga quando terá tempo para irmos ao cartório resolver isso.

O sorriso dela era radiante, mas quanto mais brilhava, mais dolorido era o vazio dentro dela.

Ela sempre soube que Sterling favorecia Teresa, mas nunca imaginou que a preferência dele fosse tão descarada. No entanto, deixar Teresa se aproveitar dela para subir na vida? Nunca!

— Quer o divórcio? Então resolva primeiro o assunto do trending topic de Teresa. Depois disso, eu te dou o que você quer. Mas se eu tiver que agir, não será tão simples quanto você fazer uma retratação. — Sterling respondeu com firmeza, sem nem pensar duas vezes.

Para ele, o pedido de divórcio de Clarice era apenas uma estratégia para chamar sua atenção. Ele não acreditava que ela realmente quisesse terminar o casamento.

Afinal, três anos atrás, Clarice havia usado todos os meios para se casar com ele. Mais do que isso, durante esses anos de casamento, ela sempre manteve a cabeça baixa, cuidando dele com dedicação. Como alguém que se acostumou a viver para agradá-lo poderia simplesmente ir embora?

Clarice sentiu algo dentro dela quebrar de vez. Ela sorriu friamente e assentiu.

— Está bem! Aceito. Mas lembre-se do que acabou de dizer. E, além disso, quero que esqueça a confusão com Jaque.

Se no final o resultado seria o mesmo, o melhor era assumir o controle da situação. Era a única forma de minimizar os danos.

Quando Sterling encontrou o olhar vazio e sem emoções de Clarice, por um momento sentiu um leve desconforto. Mas logo se recompôs.

Ele tinha certeza de que Clarice estava apenas blefando. Não demoraria para ela voltar e implorar por ele.

— Vou esperar sua resposta. — Ele disse, antes de virar as costas e entrar novamente no quarto.

A presença opressora de Sterling finalmente desapareceu, mas Clarice sentiu as pernas fraquejarem. Encostou as mãos na parede e respirou fundo, tentando se recompor.

Sterling havia concordado com o divórcio. Isso deveria deixá-la aliviada, mas a dor que sentia no peito era insuportável.

Quando finalmente conseguiu se acalmar, ajeitou as roupas e se preparou para sair. No entanto, ao passar pela porta, viu pela fresta um momento íntimo entre Sterling e Teresa. Ele estava inclinado sobre a cama, beijando-a de forma carinhosa. A cena era tão doce e romântica que parecia saída de um filme.

Os olhos de Clarice se encheram de lágrimas, e ela fechou as mãos em punhos, tentando conter a dor.

Nove anos. Nove anos amando aquele homem, e mesmo decidindo se divorciar, ela sabia que não conseguiria apagar todos os seus sentimentos de uma hora para outra.

Um toque repentino do celular a tirou de seus pensamentos.

Clarice piscou algumas vezes, limpando discretamente os olhos. Ao ver que quem ligava era sua assistente, Lilian, atendeu.

— Sra. Clarice, só para lembrá-la: hoje às dez da manhã temos uma audiência de divórcio no tribunal.

— Estou indo para o escritório agora.

Depois de desligar, Clarice saiu do hospital sem olhar para trás.

No quarto, Teresa havia terminado de ser examinada. Quando o médico saiu, ela percebeu o semblante carregado de Sterling e soube que ele e Clarice haviam discutido.

— O que aconteceu, Sterling? — Ela perguntou com uma voz doce, mas o desconforto era evidente.

Sterling apertou os lábios antes de responder, com um tom frio:

— Mesmo que você quisesse dar um jeito em Jaqueline, não precisava se machucar para isso.

O rosto de Teresa ficou pálido, e sua expressão passou por uma série de mudanças. Gaguejando, ela tentou se justificar:

— Ela me insultou! Me chamou de... De vagabunda, de ladra de marido... Eu fiquei tão irritada que acabei...

Teresa parou, nervosa. O que Clarice havia dito a ele? Por que Sterling parecia subitamente tão irritado com ela?

— Chega! — Ele a interrompeu, sem paciência. — Esse assunto acabou aqui.

Teresa baixou a cabeça, obediente.

— Entendido.

Mas, por dentro, ela estava furiosa. Esse assunto não acabaria assim. Não depois de tudo o que ela havia feito. Não depois de ter se machucado de propósito.

Sterling continuou:

— Quanto ao trending topic, eu vou garantir que Clarice dê uma explicação. Mas a partir de agora, não procure mais confusão com ela.

Ele não estava tentando proteger Clarice, apenas queria evitar mais problemas.

Independentemente de seus sentimentos, Sterling nunca havia planejado se divorciar de Clarice.

No círculo social em que viviam, era comum que os homens tivessem diversas amantes. Mas Sterling nunca teve interesse em outras mulheres. Ele só queria Clarice.

Talvez fosse porque, além de sua beleza, o corpo dela era macio e os dois tinham uma conexão física perfeita. Com ela, ele sempre se sentia satisfeito, tanto física quanto emocionalmente.

— Eu nunca provoquei a Clarice! — Teresa disse, com os olhos marejados de lágrimas e uma expressão de injustiça no rosto.

Mas, por dentro, seu coração fervia de raiva. O que aquela vadia da Clarice tinha dito para Sterling dessa vez?

Sterling franziu a testa, mas permaneceu em silêncio, pensativo.

Teresa não conseguia decifrar se ele acreditava nela ou não. A dúvida a deixava angustiada.

Clarice passou o dia inteiro mergulhada no trabalho no escritório de advocacia.

Já estava quase na hora de encerrar o expediente quando recebeu uma ligação do avô de Sterling, Túlio Davis.

Ela suspirou, colocou os papéis de lado e atendeu.

— Clarinha, venha jantar hoje à noite. Pedi para a cozinha preparar seus pratos favoritos. — A voz firme e calorosa de Túlio soou do outro lado. O coração de Clarice se aqueceu um pouco.

De toda a família Davis, Túlio era o único que realmente a tratava com carinho, como se fosse parte da família. Ele a mimava de verdade.

Mas, se ela e Sterling se divorciassem, provavelmente nunca mais teria a chance de estar tão próxima do avô.

— Vô, hoje à noite eu preciso ficar no escritório. Tenho que preparar os documentos para uma audiência amanhã cedo. Não vou poder ir jantar. — Ela tentou recusar, sabendo que, com o divórcio iminente, seria melhor começar a se afastar de Túlio.

— Vou mandar o motorista te buscar! Não aceito desculpas! Ou será que está me evitando porque acha que fiquei muito velho e não quer mais dividir a mesa comigo? — Túlio respondeu, fingindo estar bravo.

Clarice sorriu, sentindo o peso da culpa.

— Vou me arrumar e já estou indo.

Ela sabia que Túlio se sentia solitário. Apesar de estar cercado por empregados, ele comia sozinho quase todas as noites. No passado, sempre que podia, ela fazia questão de jantar com ele e conversar. Mesmo com o divórcio se aproximando, não tinha coragem de rejeitá-lo.

— Vou mandar o carro te buscar. Não demore! — Túlio disse animado antes de desligar.

Clarice suspirou, massageando as têmporas antes de voltar ao trabalho. Sabia que, com o motorista vindo buscá-la, não precisava ter pressa para sair.

Meia hora depois, o celular tocou novamente.

— Alô, vô.

— Clarinha, desça logo. O motorista já está te esperando!

Após encerrar a ligação, Clarice arrumou a mesa, pegou a bolsa e saiu do escritório.

Ao chegar na porta do prédio, ficou surpresa ao ver o Bentley de Sterling estacionado. Ela parou por um momento, confusa.

Lembrando-se da discussão que tiveram no hospital, não queria dividir o carro com ele. Estava prestes a recusar quando a voz impaciente de Sterling a interrompeu:

— O vô pediu para eu te buscar. Entre logo no carro!

Ele estava claramente de mau humor e sem paciência, especialmente porque Túlio o havia obrigado a ir buscá-la.

Clarice mordeu o lábio, engoliu as palavras que queria dizer e entrou no carro rapidamente. O movimento foi tão rápido que parecia que estava fugindo de algo, preocupada que alguém pudesse vê-la.

No escritório, as pessoas eram extremamente curiosas. Se vissem Clarice entrando no Bentley, certamente começariam a inventar histórias. Ela não se importava com as fofocas, mas evitava problemas sempre que podia.

Sterling percebeu o comportamento dela e estreitou os olhos, incomodado. Será que ela tinha tanta vergonha assim de ser vista com ele?

Assim que entrou no carro, Clarice se acomodou perto da janela, mantendo a maior distância possível de Sterling.

Ele achou estranho. Normalmente, a mulher fazia de tudo para ficar perto dele, como se quisesse grudar em seu corpo. Mas agora, ela parecia querer fugir.

Clarice, no entanto, estava mergulhada em seus próprios pensamentos e nem percebeu o desconforto de Sterling.

De repente, o carro fez uma curva brusca. Sem estar preparada, Clarice foi jogada para o lado e caiu diretamente sobre Sterling.

O corpo macio dela pressionado contra o dele e a fragrância suave e envolvente que exalava fizeram os sentidos de Sterling entrarem em alerta. O impacto foi instantâneo, e ele sentiu o corpo reagir de forma involuntária.

— Hm... — Ele gemeu baixo, quase sem querer.
Sigue leyendo en Buenovela
Escanea el código para descargar la APP

Capítulos relacionados

Último capítulo

Escanea el código para leer en la APP