Clarice virou o rosto rapidamente, desviando da mão do homem. Cerrando os dentes, respondeu, com firmeza: — Eu sou a esposa de Sterling Davis. É melhor você pensar bem nas consequências antes de encostar em mim! Naquele lugar deserto, sem ninguém para ajudar, tudo o que ela podia fazer era mencionar o nome de Sterling. Sterling era conhecido em toda Londa como um verdadeiro demônio. Diziam que ele era astuto, cruel e impiedoso. Talvez o medo que ele inspirava fosse suficiente para afastar aqueles homens. — Todo mundo em Londa sabe que o Sterling está com a Teresa. Nunca ouvi ninguém falar que ele é casado! — Disse o homem, com uma risada debochada, enquanto agarrava o queixo de Clarice com força, levantando-o. Um sorriso perverso surgiu em seu rosto. — Tá enrolando a gente por quê? Tá esperando que eu te leve pro carro no colo? Clarice cerrou os dentes, tentando manter a calma. — Eu não estou mentindo. Sou mesmo a esposa dele! Se vocês não acreditam, eu posso ligar para ele a
Justo quando a mão do homem estava prestes a entrar debaixo do vestido de Clarice, gritos de dor ecoaram ao redor. O homem congelou por um instante, assustado, e sua mão tremeu. Os olhos de Clarice brilharam com uma fagulha de esperança, e ela gritou com todas as forças: — Socorro! No segundo seguinte, o homem que estava sobre ela foi brutalmente puxado para fora. Uma jaqueta masculina foi jogada sobre o corpo de Clarice, cobrindo-a. Um leve aroma de colônia masculina invadiu seu olfato, e as emoções tensas que a dominavam começaram a se dissipar. — Fecha os olhos, não olha. — Uma voz masculina e suave sussurrou ao seu ouvido. Clarice não conseguiu evitar e olhou para o homem. — Asher? — Sua voz carregava incredulidade. Como ele poderia estar ali, naquele momento? — Sou eu. Fica tranquila, fecha os olhos. Eu vou te levar para o meu carro. — Os olhos negros de Asher transmitiam calma, e sua voz era gentil. Clarice mordeu o lábio, querendo dizer algo, mas desistiu. Obed
Nos últimos dias, Clarice vinha ouvindo os colegas do escritório comentando sobre o novo Bennett Jurídico. Diziam que o dono era um "cidadão do mundo", formado fora do país. Clarice, ocupada com pilhas de trabalho, não tinha tido tempo para se interessar pelo assunto. O que ela não esperava era que o escritório fosse de Asher. Afinal, a família Bennett sempre esteve envolvida com o setor de aviação. Como poderiam, de repente, abrir um escritório de advocacia? — Então você já ouviu falar! Sim, o Bennett Jurídico é meu. — Asher confirmou, com um sorriso discreto. — Eu me lembro que você era um dos melhores alunos de Direito da Universidade de Londa. Se tivesse seguido a carreira de advogado naquela época, pode ser que hoje fôssemos concorrentes! — Comentou Clarice, tentando parecer leve, apesar do cansaço. “Mesmo que eu tivesse me tornado advogado, nós nunca seríamos rivais.” Pensou Asher, sem dizer em voz alta. No fundo, ele sabia: faria qualquer coisa para ajudá-la, jamais para
Quando Clarice viu o título da notícia nos trending topics, sua mente ficou em branco por alguns segundos. Túlio não havia dito que Sterling deveria entregar o bracelete da família Davis como presente de aniversário para ela? Ela respirou fundo, tentando conter a avalanche de emoções, e clicou na notícia. A publicação tinha sido feita há cerca de meia hora, logo depois da meia-noite. Clarice se lembrou: hoje era o aniversário de Teresa. Na foto, Sterling estava sentado ao lado da cama de hospital, com um olhar cheio de ternura enquanto colocava o bracelete no pulso da mulher. Teresa, recostada no travesseiro, exibia um sorriso doce, um retrato perfeito de felicidade. Clarice segurava o celular com força. Não conseguiu sequer ler o texto da notícia. O frio que tomou conta de seu corpo parecia vir de dentro. Sterling havia dado o bracelete que era para ser dela... Para Teresa. Nesse instante, uma notificação de mensagem chegou. Era de um número desconhecido. Clarice abr
Jaqueline, apavorada, pegou o celular e ligou imediatamente para a emergência. Ao chegarem ao hospital, Clarice foi levada às pressas para a sala de emergência. Jaqueline ficou andando de um lado para o outro na frente da porta, com o coração apertado. Estava preocupada, aterrorizada. E se algo sério acontecesse com Clarice? O que ela faria? …Na suíte VIP do Hospital Esperança, propriedade do Grupo Davis, Sterling estava parado ao lado da cama de hospital, com uma expressão sombria. Ele segurava o celular na mão enquanto repreendia Teresa: — Você está grávida, Teresa. No meio da noite, ao invés de dormir, resolve discutir com a Clarice? Que maturidade a sua! Os olhos de Teresa se encheram de lágrimas, e ela respondeu, com a voz carregada de mágoa: — Foi ela quem ligou, Sterling. Eu percebi que você não estava por perto e achei que poderia ser algo urgente, então atendi. Mas, assim que atendi, ela começou a me insultar, me chamando de sem vergonha, dizendo que eu roubei o b
— Dorme logo. A Clarice sabe tomar as próprias decisões, você não precisa se preocupar com isso. — Sterling falou enquanto ajeitava o cobertor de Teresa. — Já está tarde, vou para o sofá tirar um cochilo. O tom frio e indiferente do homem não denunciava nada, e Teresa, sem conseguir interpretar suas intenções, decidiu não insistir. — Tá bom. Vai descansar. Eu também vou dormir. — Disse, fechando os olhos. Sterling ficou parado ao lado da cama por alguns instantes, depois se virou e saiu do quarto silenciosamente. Assim que a porta se fechou, Teresa abriu os olhos e murmurou para si mesma: — Clarice, espera só. Eu vou tirar o Sterling de você, custe o que custar! Do lado de fora do quarto, Sterling já estava ao telefone com Isaac. …Quando Clarice abriu os olhos, percebeu que estava deitada em uma cama de hospital. O cheiro forte de desinfetante a fez franzir a testa. Mais uma vez no hospital. — Clarinha, você acordou! Está sentindo alguma coisa? — A voz de Jaqueline vei
Foi só então que Clarice se lembrou do celular que havia sido entregue na casa de Jaqueline na noite anterior. Assim que entendeu a situação, atendeu a ligação. — A família de Fernanda precisa vir ao hospital imediatamente. Fernanda está em procedimento de emergência e precisamos da sua assinatura para confirmar o tratamento. — A voz da enfermeira do outro lado da linha era fria e direta. O coração de Clarice disparou. Ela respondeu rapidamente: — Tudo bem, eu estou indo agora! Fernanda Figueiredo era sua avó. Quando criança, Clarice havia passado alguns anos morando com a avó, que sempre fora extremamente carinhosa com ela. Nos últimos anos, porém, Fernanda havia adoecido e estava internada permanentemente, sobrevivendo graças a nutrição intravenosa e medicamentos especiais. Há poucos dias, Clarice havia ido visitá-la e achou que ela parecia melhor. Chegou até a acreditar que a avó estava se recuperando e poderia sair do hospital em breve. Como ela podia ter ido parar na
Clarice cambaleou, e Jaqueline imediatamente a segurou pelo braço. — Clarinha, você está bem? Clarice forçou um sorriso para tranquilizá-la e se virou para o médico: — Doutor, eu vou tentar resolver a questão do remédio. Agora vou ver minha avó. Com licença. Sem esperar pela resposta, ela puxou Jaqueline e saiu do consultório. O médico observou as duas se afastarem e soltou um suspiro pesado. Sabia que, no fundo, Clarice entendia que gastar dinheiro com os medicamentos apenas prolongaria o inevitável. Mesmo assim, ela insistia, como se carregasse o peso do mundo nas costas. O que ele não sabia era que para Clarice não se tratava apenas da vida de sua avó. Ela queria desesperadamente preservar algo que considerava ainda mais valioso: um lar. Se sua avó partisse, ela não teria mais ninguém. Ficaria sozinha no mundo. …No quarto da UTI, a avó de Clarice ainda estava inconsciente, conectada a diversos aparelhos. Seu corpo, antes cheio de vida, agora estava reduzido a pele e o