Nos últimos dias, Clarice vinha ouvindo os colegas do escritório comentando sobre o novo Bennett Jurídico. Diziam que o dono era um "cidadão do mundo", formado fora do país. Clarice, ocupada com pilhas de trabalho, não tinha tido tempo para se interessar pelo assunto. O que ela não esperava era que o escritório fosse de Asher. Afinal, a família Bennett sempre esteve envolvida com o setor de aviação. Como poderiam, de repente, abrir um escritório de advocacia? — Então você já ouviu falar! Sim, o Bennett Jurídico é meu. — Asher confirmou, com um sorriso discreto. — Eu me lembro que você era um dos melhores alunos de Direito da Universidade de Londa. Se tivesse seguido a carreira de advogado naquela época, pode ser que hoje fôssemos concorrentes! — Comentou Clarice, tentando parecer leve, apesar do cansaço. “Mesmo que eu tivesse me tornado advogado, nós nunca seríamos rivais.” Pensou Asher, sem dizer em voz alta. No fundo, ele sabia: faria qualquer coisa para ajudá-la, jamais para
Quando Clarice viu o título da notícia nos trending topics, sua mente ficou em branco por alguns segundos. Túlio não havia dito que Sterling deveria entregar o bracelete da família Davis como presente de aniversário para ela? Ela respirou fundo, tentando conter a avalanche de emoções, e clicou na notícia. A publicação tinha sido feita há cerca de meia hora, logo depois da meia-noite. Clarice se lembrou: hoje era o aniversário de Teresa. Na foto, Sterling estava sentado ao lado da cama de hospital, com um olhar cheio de ternura enquanto colocava o bracelete no pulso da mulher. Teresa, recostada no travesseiro, exibia um sorriso doce, um retrato perfeito de felicidade. Clarice segurava o celular com força. Não conseguiu sequer ler o texto da notícia. O frio que tomou conta de seu corpo parecia vir de dentro. Sterling havia dado o bracelete que era para ser dela... Para Teresa. Nesse instante, uma notificação de mensagem chegou. Era de um número desconhecido. Clarice abr
Jaqueline, apavorada, pegou o celular e ligou imediatamente para a emergência. Ao chegarem ao hospital, Clarice foi levada às pressas para a sala de emergência. Jaqueline ficou andando de um lado para o outro na frente da porta, com o coração apertado. Estava preocupada, aterrorizada. E se algo sério acontecesse com Clarice? O que ela faria? …Na suíte VIP do Hospital Esperança, propriedade do Grupo Davis, Sterling estava parado ao lado da cama de hospital, com uma expressão sombria. Ele segurava o celular na mão enquanto repreendia Teresa: — Você está grávida, Teresa. No meio da noite, ao invés de dormir, resolve discutir com a Clarice? Que maturidade a sua! Os olhos de Teresa se encheram de lágrimas, e ela respondeu, com a voz carregada de mágoa: — Foi ela quem ligou, Sterling. Eu percebi que você não estava por perto e achei que poderia ser algo urgente, então atendi. Mas, assim que atendi, ela começou a me insultar, me chamando de sem vergonha, dizendo que eu roubei o b
— Dorme logo. A Clarice sabe tomar as próprias decisões, você não precisa se preocupar com isso. — Sterling falou enquanto ajeitava o cobertor de Teresa. — Já está tarde, vou para o sofá tirar um cochilo. O tom frio e indiferente do homem não denunciava nada, e Teresa, sem conseguir interpretar suas intenções, decidiu não insistir. — Tá bom. Vai descansar. Eu também vou dormir. — Disse, fechando os olhos. Sterling ficou parado ao lado da cama por alguns instantes, depois se virou e saiu do quarto silenciosamente. Assim que a porta se fechou, Teresa abriu os olhos e murmurou para si mesma: — Clarice, espera só. Eu vou tirar o Sterling de você, custe o que custar! Do lado de fora do quarto, Sterling já estava ao telefone com Isaac. …Quando Clarice abriu os olhos, percebeu que estava deitada em uma cama de hospital. O cheiro forte de desinfetante a fez franzir a testa. Mais uma vez no hospital. — Clarinha, você acordou! Está sentindo alguma coisa? — A voz de Jaqueline vei
Foi só então que Clarice se lembrou do celular que havia sido entregue na casa de Jaqueline na noite anterior. Assim que entendeu a situação, atendeu a ligação. — A família de Fernanda precisa vir ao hospital imediatamente. Fernanda está em procedimento de emergência e precisamos da sua assinatura para confirmar o tratamento. — A voz da enfermeira do outro lado da linha era fria e direta. O coração de Clarice disparou. Ela respondeu rapidamente: — Tudo bem, eu estou indo agora! Fernanda Figueiredo era sua avó. Quando criança, Clarice havia passado alguns anos morando com a avó, que sempre fora extremamente carinhosa com ela. Nos últimos anos, porém, Fernanda havia adoecido e estava internada permanentemente, sobrevivendo graças a nutrição intravenosa e medicamentos especiais. Há poucos dias, Clarice havia ido visitá-la e achou que ela parecia melhor. Chegou até a acreditar que a avó estava se recuperando e poderia sair do hospital em breve. Como ela podia ter ido parar na
Clarice cambaleou, e Jaqueline imediatamente a segurou pelo braço. — Clarinha, você está bem? Clarice forçou um sorriso para tranquilizá-la e se virou para o médico: — Doutor, eu vou tentar resolver a questão do remédio. Agora vou ver minha avó. Com licença. Sem esperar pela resposta, ela puxou Jaqueline e saiu do consultório. O médico observou as duas se afastarem e soltou um suspiro pesado. Sabia que, no fundo, Clarice entendia que gastar dinheiro com os medicamentos apenas prolongaria o inevitável. Mesmo assim, ela insistia, como se carregasse o peso do mundo nas costas. O que ele não sabia era que para Clarice não se tratava apenas da vida de sua avó. Ela queria desesperadamente preservar algo que considerava ainda mais valioso: um lar. Se sua avó partisse, ela não teria mais ninguém. Ficaria sozinha no mundo. …No quarto da UTI, a avó de Clarice ainda estava inconsciente, conectada a diversos aparelhos. Seu corpo, antes cheio de vida, agora estava reduzido a pele e o
Desde que não ouvisse falar de Sterling e Teresa, o humor de Clarice permanecia leve. Assim que chegou ao elevador, as portas se abriram.O rosto de Teresa surgiu abruptamente em sua frente. Clarice ficou imóvel por um momento. Que coincidência.— Clarice, você veio me visitar também? — Teresa se aproximou com um sorriso doce e, sem cerimônias, segurou delicadamente o braço dela. Sua voz era suave, quase íntima, como se fossem grandes amigas.Clarice, com um movimento discreto, afastou o braço:— Um cliente meu está internado. Vim verificar o estado dele.No fundo, ela não queria que Teresa soubesse que sua avó estava naquele hospital, e acabou dizendo mais do que o necessário.— Não veio me ver? Não tem problema! Já que nos encontramos, vamos sentar e conversar um pouco. Tenho tantas coisas pra te contar! — Teresa sorriu gentilmente, ignorando completamente a expressão fria e distante de Clarice.Clarice olhou para ela, e um sorriso irônico surgiu em seus lábios:— Mesmo que você tenh
Ao ver Sterling, os olhos de Teresa brilharam com um lampejo de cálculo. Num movimento rápido, ela se atirou nos braços dele e começou a chorar baixinho:— Sterling, me desculpa. Eu não devia ter pedido o bracelete para você! Se não fosse isso, a Clarice não estaria tão chateada comigo!— O médico já não disse que você precisa manter a calma? Por que está chorando agora? — Sterling franziu as sobrancelhas, o rosto mostrando uma leve irritação. No entanto, sua voz era suave, quase afetuosa, como se estivesse tentando acalmar a mulher que segurava em seus braços.— Sterling, é melhor devolvermos o bracelete para quem ele pertence. Eu não mereço usá-lo. — Disse Teresa, pegando a mão de Sterling e colocando o bracelete em sua palma com uma expressão de mágoa e humilhação.Por dentro, no entanto, ela estava furiosa. Afinal, ela também era mulher de Sterling. Mas, no dia do aniversário dela, aquele velho da família Davis sequer lhe enviou um mísero envelope com dinheiro, enquanto Clarice não