Túlio ficou tão irritado que quase desmaiou de verdade. Sterling, famoso no mundo dos negócios por sua inteligência e habilidade, parecia esquecer metade do cérebro toda vez que o assunto era Teresa. Clarice, com a expressão tranquila, serviu uma tigela de sopa e colocou na frente de Túlio. Sua voz era suave: — Vô, tome um pouco de sopa. Túlio pegou a tigela e tomou um gole. O sabor quente e reconfortante ajudou a aliviar sua raiva. Depois de colocar a tigela na mesa, ele lançou um olhar afiado para Sterling e disse: — Já que você tocou no assunto, vou falar. Clarinha, toda vez que vem aqui, faz questão de cozinhar para mim. Ela sabe o que eu gosto de comer, e, quando tem peixe, ainda tira as espinhas para mim. Clarinha cuida de mim com toda a dedicação! Já a Teresa... Toda vez que aparece, só sabe se jogar no sofá, cheia de manha, enquanto os empregados ficam correndo para servi-la. E eu? Quem cuida de mim? A expressão de Túlio ficou ainda mais séria. — As duas são de fa
Sterling foi completamente desarmado pelo tom da voz de Clarice. Suas mãos firmes seguraram sua cintura, puxando-a ainda mais para perto, como se quisesse fundi-la ao próprio corpo. — Clarice, você também sentiu minha falta, não sentiu? Vamos, me chama de amor. Eles estavam casados há três anos, e quase todas as noites faziam amor. Sterling conhecia cada ponto sensível do corpo dela, sabia exatamente o que fazer para deixá-la sem fôlego e como levá-la ao limite do prazer. Fazia dois dias que não estavam juntos. A saudade já o consumia, e agora, com ela tão macia em seus braços, não pretendia deixá-la escapar. Além disso, fazer amor ao ar livre era algo que ele ainda não havia experimentado. Clarice mordia os lábios, tentando conter os sons que queriam escapar de sua garganta. Sterling, que parecia tão sério e contido na vida pública, era completamente diferente na intimidade. Ele adorava provocá-la, adorava vê-la implorar por ele. E fazia questão de só satisfazê-la quando ela o
Teresa estava furiosa, mas teve que conter seu ódio e forçar um sorriso: — Clarice está chamando você. Vai lá, não precisa se preocupar comigo. — Peça ao motorista que te leve ao hospital. Eu vou logo mais. — Sterling respondeu, colocando Teresa no carro e ordenando ao motorista que seguisse. Dentro do veículo, Teresa observava a silhueta de Sterling ficando cada vez menor enquanto ele se afastava. Suas mãos se fecharam em punhos, as unhas cravando na palma. “Velho desgraçado! Um dia, vou te assistir morrer com meus próprios olhos!” Sterling, depois de se certificar de que Teresa havia partido, voltou para dentro da casa. Na sala de estar, Clarice estava sentada no sofá, calmamente comendo frutas. João estava ao lado dela, conversando, e o ambiente parecia leve e descontraído. Sterling parou por um momento, observando a cena. Clarice sempre se dava bem com os funcionários da mansão. Por que, então, era sempre tão hostil com Teresa? Ao vê-lo entrar, Clarice colocou um pe
— Eu não vou apostar com você! De qualquer forma, se a Clarice não quiser mais você, nem pense em voltar choramingando pra mim! Que vergonha! — Resmungou Túlio com um toque de desprezo. Disse isso enquanto se levantava e caminhava em direção à porta. Sterling, com sua habitual arrogância, estava certo de que Clarice nunca o abandonaria. Mas haveria um dia em que ele se arrependeria. “Haverá um dia em que você vai engolir essas palavras!” Pensou Sterling, arqueando as sobrancelhas enquanto pegava a pasta de documentos e seguia em frente. Do lado de fora, Clarice já havia descido as escadas. João, ao notar sua expressão sombria, demonstrou preocupação. — Dona Clarice, a senhora está se sentindo bem? Está com a aparência pálida. Clarice balançou a cabeça, tentando disfarçar. — Não é nada, estou bem. Mas, por dentro, as palavras de Sterling ainda ecoavam, machucando-a profundamente. Não era à toa que seu rosto refletia tanta dor. — Sente-se um pouco, vou buscar um copo d’
Sterling franziu as sobrancelhas com força e perguntou em um tom grave: — O que está acontecendo? — Clarice comprou um trending topic dizendo que ganhei o prêmio de dança por causa de favores! Disse ainda que eu tenho um amante rico e que estou grávida do filho dele! Agora a minha reputação está destruída, nunca mais vou ter chance de pisar em um palco! Meu futuro... Minha vida... Tudo acabou! Não faz sentido continuar viva! Eu vou me matar! — Teresa gritou, completamente histérica. O rosto de Sterling imediatamente ficou sombrio. — Que trending topic? O que aconteceu exatamente? — Pergunte à Clarice! Foi ela quem armou tudo isso! Ela com certeza sabe! — Teresa gritou ainda mais alto. Mesmo pelo telefone, sua raiva era palpável. — Tudo bem, não se exalte. Vou perguntar a ela. — Sterling encerrou a ligação com um tom calmo, mas seu olhar já estava carregado de tensão. Clarice, que estava prestes a fechar os olhos para descansar um pouco, ouviu o diálogo entre Sterling e Tere
Clarice virou o rosto rapidamente, desviando da mão do homem. Cerrando os dentes, respondeu, com firmeza: — Eu sou a esposa de Sterling Davis. É melhor você pensar bem nas consequências antes de encostar em mim! Naquele lugar deserto, sem ninguém para ajudar, tudo o que ela podia fazer era mencionar o nome de Sterling. Sterling era conhecido em toda Londa como um verdadeiro demônio. Diziam que ele era astuto, cruel e impiedoso. Talvez o medo que ele inspirava fosse suficiente para afastar aqueles homens. — Todo mundo em Londa sabe que o Sterling está com a Teresa. Nunca ouvi ninguém falar que ele é casado! — Disse o homem, com uma risada debochada, enquanto agarrava o queixo de Clarice com força, levantando-o. Um sorriso perverso surgiu em seu rosto. — Tá enrolando a gente por quê? Tá esperando que eu te leve pro carro no colo? Clarice cerrou os dentes, tentando manter a calma. — Eu não estou mentindo. Sou mesmo a esposa dele! Se vocês não acreditam, eu posso ligar para ele a
Justo quando a mão do homem estava prestes a entrar debaixo do vestido de Clarice, gritos de dor ecoaram ao redor. O homem congelou por um instante, assustado, e sua mão tremeu. Os olhos de Clarice brilharam com uma fagulha de esperança, e ela gritou com todas as forças: — Socorro! No segundo seguinte, o homem que estava sobre ela foi brutalmente puxado para fora. Uma jaqueta masculina foi jogada sobre o corpo de Clarice, cobrindo-a. Um leve aroma de colônia masculina invadiu seu olfato, e as emoções tensas que a dominavam começaram a se dissipar. — Fecha os olhos, não olha. — Uma voz masculina e suave sussurrou ao seu ouvido. Clarice não conseguiu evitar e olhou para o homem. — Asher? — Sua voz carregava incredulidade. Como ele poderia estar ali, naquele momento? — Sou eu. Fica tranquila, fecha os olhos. Eu vou te levar para o meu carro. — Os olhos negros de Asher transmitiam calma, e sua voz era gentil. Clarice mordeu o lábio, querendo dizer algo, mas desistiu. Obed
Nos últimos dias, Clarice vinha ouvindo os colegas do escritório comentando sobre o novo Bennett Jurídico. Diziam que o dono era um "cidadão do mundo", formado fora do país. Clarice, ocupada com pilhas de trabalho, não tinha tido tempo para se interessar pelo assunto. O que ela não esperava era que o escritório fosse de Asher. Afinal, a família Bennett sempre esteve envolvida com o setor de aviação. Como poderiam, de repente, abrir um escritório de advocacia? — Então você já ouviu falar! Sim, o Bennett Jurídico é meu. — Asher confirmou, com um sorriso discreto. — Eu me lembro que você era um dos melhores alunos de Direito da Universidade de Londa. Se tivesse seguido a carreira de advogado naquela época, pode ser que hoje fôssemos concorrentes! — Comentou Clarice, tentando parecer leve, apesar do cansaço. “Mesmo que eu tivesse me tornado advogado, nós nunca seríamos rivais.” Pensou Asher, sem dizer em voz alta. No fundo, ele sabia: faria qualquer coisa para ajudá-la, jamais para