Capítulo 3
— Você não disse que alguém queria te matar? Só liguei para confirmar se você já morreu. — A voz do homem era carregada de sarcasmo.

Clarice apertou o celular com força, respondendo palavra por palavra:

— Eu sou dura na queda. Não vou morrer tão fácil!

Assim que terminou de falar, desligou a ligação e bloqueou o número de Sterling em um movimento rápido e decidido.

Na suíte VIP de um hospital pertencente ao Grupo Davis, Teresa estava deitada na cama. Sua pele parecia pálida demais, quase translúcida, como se uma brisa pudesse derrubá-la.

Sterling estava encostado em uma das paredes, segurando o celular. Seu rosto estava impassível, difícil de ler.

Teresa, nervosa, tentou medir suas palavras:

— Sterling, a Clarice está bem?

Ele guardou o celular no bolso, sem mudar a expressão:

— Ela está bem.

Por dentro, Teresa amaldiçoava Clarice, mas manteve a voz doce e preocupada:

— Você deveria ir para casa ficar com ela. Aqui tem médicos e enfermeiros, não precisa se preocupar comigo.

Sterling permaneceu frio, respondendo com indiferença:

— Durma. Hoje à noite eu fico aqui.

Apesar de sua expressão controlada, Teresa sentiu um prazer oculto. Mas fingiu hesitação:

— Se você não voltar para casa hoje à noite, amanhã a Clarice vai reclamar com seu avô. Sabe que ele não pode passar por mais estresse, a saúde dele é frágil!

— Pare de falar e durma.

Teresa mordeu o lábio inferior, fingindo estar ainda mais vulnerável. Seus olhos buscaram o dele desesperadamente:

— Você vai mesmo ficar comigo?

— Sim. Agora durma.

Na manhã seguinte, Clarice abriu os olhos e encontrou Jaqueline ao seu lado, com uma expressão furiosa.

— Você já está assim logo cedo? O que aconteceu? — Clarice perguntou, confusa.

Jaqueline colocou o celular na frente dela e exclamou:

— Essa Teresa não tem vergonha nenhuma! Até comprou um trending topic!

Clarice olhou para a tela. O título dizia: [Famosa dançarina suspeita de gravidez; noivo é visto ao seu lado.]

Ao abrir a notícia, viu uma foto de um exame de ultrassom e outra de Sterling carregando Teresa para fora da Opulentia House. No pulso do homem, o inconfundível Patek Philippe que apenas Sterling possuía em toda Londa.

A visão daquela imagem fez os olhos de Clarice arderem. Seu coração parecia ser esfaqueado repetidamente, uma dor surda e imensa.

Mesmo tendo decidido se divorciar, ela não conseguia simplesmente apagar os nove anos de amor que sentia por Sterling.

Jaqueline percebeu o sofrimento em seu rosto e começou a bater na própria testa:

— Me desculpa, Clarinha! Eu esqueci que você está grávida. Não deveria ter te contado isso!

Clarice abriu a boca para responder, mas o toque do celular a interrompeu.

Vendo um número desconhecido, hesitou em atender. Poderia ser algum cliente, então decidiu atender.

Logo que atendeu, ouviu Sterling gritando do outro lado da linha:

— Clarice, só porque eu passei a noite no hospital com a Teresa, você comprou um trending topic para atacá-la? Você não acha que passou dos limites?

Clarice apertou o celular com força, tentando controlar suas emoções. Sua voz saiu fria e direta:

— Não fui eu.

Ela jamais se rebaixaria a usar truques tão baixos contra Teresa.

— Vai agora mesmo desmentir isso publicamente. Diga que comprou o tópico só para brigar comigo e prejudicar a Teresa. Se fizer isso, eu assino o divórcio. — Sterling falou com uma frieza que cortava como uma lâmina.

Clarice sentiu os olhos arderem de raiva e dor, mas manteve a voz firme:

— Sterling, você está louco? Quer que eu me incrimine por algo que não fiz? Quer acabar com a minha carreira?

Se ela admitisse ter comprado o trending topic, seria demitida do escritório de advocacia e ainda enfrentaria um processo de calúnia por parte de Teresa. Antes do fim do dia, sua reputação estaria completamente destruída. Ela, que era a advogada de divórcios mais respeitada de Londa, seria transformada em uma piada.

Sterling era cruel, mais do que ela imaginava.

— A gravidez da Teresa só era conhecida por você. Hoje de manhã a ultrassonografia estava em todos os lugares. Se não foi você, quem foi? — Ele retrucou, com um riso frio.

Clarice engoliu em seco, sua voz saindo carregada de dor:

— Quantas pessoas sabem da gravidez dela... Só ela mesma pode responder. Sterling, eu não fiz isso. E não vou assumir a culpa por algo que não fiz.

Ela sabia que tudo aquilo era obra de Teresa. A mulher havia planejado cada detalhe, desde o acidente de carro na noite anterior até o escândalo que explodiu naquela manhã. Teresa queria que ela fosse a culpada, mas Clarice não cederia.

— Clarice, ou você faz o que eu estou pedindo, ou sua melhor amiga perde o estúdio dela em minutos. E sua avó... Bem, o tratamento dela pode ser interrompido a qualquer momento. — Sterling disse com uma crueldade calculada.

Aquelas palavras atingiram Clarice como uma faca no peito.

Sterling sabia exatamente onde atacar. Ele ameaçava as pessoas que ela mais amava, explorando suas fraquezas. Ele era capaz de esmagá-la sem hesitar.

— Dou a você uma manhã para pensar. — Sterling disse antes de desligar o telefone abruptamente.

Clarice segurou o celular com força, as lágrimas acumuladas nos olhos, mas ela as conteve, recusando-se a deixá-las cair.

Jaqueline, que a observava tentando manter a compostura, sentiu o coração apertado. Sem hesitar, abriu os braços e envolveu Clarice em um abraço apertado. Começou a rir, mas logo as lágrimas escorreram. Por dentro, tomou uma decisão importante, sem contar a ninguém.

Quando conseguiu controlar as emoções, afastou-se suavemente e disse com seriedade:

— Clarinha, levanta, vai se arrumar. Eu preciso passar no estúdio.

Clarice assentiu com um pequeno movimento de cabeça.

— Vai lá. Se estiver muito ocupada, não precisa voltar.

Ela sabia que Jaqueline tinha um estúdio de design de joias e, com várias encomendas recentes, devia estar atolada de trabalho. Clarice não queria ser um peso para a amiga.

— Tudo bem. Vou indo. — Jaqueline a abraçou mais uma vez antes de sair.

Clarice terminou o café da manhã sozinha. Pouco depois, o celular tocou. Ao ver que era Isaac Machado, um frio percorreu sua espinha. Seus instintos gritaram que algo não estava certo.

Respirou fundo e atendeu. Antes que pudesse dizer algo, ouviu a voz de Jaqueline gritando do outro lado da linha:

— Sterling, seu desgraçado sem vergonha! Quer resolver alguma coisa? Pode vir pra cima de mim! Deixa a Clarinha em paz! Ela já quase…

Clarice sentiu o coração disparar. Interrompeu Jaqueline com urgência:

— Passe o telefone para o Sterling!

— Um momento! — Isaac respondeu do outro lado, e logo a voz fria e cortante de Sterling tomou conta da linha.

— Clarice, você mandou Jaqueline atacar Teresa. Já chamei a polícia. Se tem algo a dizer, fale com eles.

A notícia de que Sterling havia chamado a polícia fez o coração de Clarice afundar. Ela respirou fundo, tentando controlar sua ansiedade antes de responder:

— Já que você acha que fui eu quem mandou, libere Jaqueline. Eu vou com você até a delegacia.

Ela sabia que Sterling podia ser implacável quando queria. Assumir a culpa era a única forma de proteger Jaqueline. Não permitiria que a amiga fosse prejudicada. O estúdio de Jaqueline era tudo para ela, e Sterling poderia destruí-lo com um estalar de dedos. Se isso acontecesse, Jaqueline desmoronaria.

Sterling deu uma risada seca.

— Então será como você disse. — Ele respondeu, jogando o celular nas mãos de Isaac. — Solte Jaqueline. Busque Clarice e leve-a para a delegacia.

Do outro lado da linha, Jaqueline ouviu tudo e entrou em pânico.

— A Clarinha sofreu um acidente de carro ontem à noite! Ela ainda está no hospital! Você não pode levá-la para a delegacia!

Ela pensou em contar a Sterling sobre a gravidez de Clarice, mas reprimiu essa ideia. Um homem como Sterling não hesitaria em forçar Clarice a abortar, especialmente agora.
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