— Você não ouviu o que seu pai disse? Ligue para quem ele mandou! — Letícia falou apressada, lançando um olhar significativo ao marido. Túlio já estava furioso, e com Clarice desmaiada, insistir naquele momento só pioraria a situação. Se Túlio passasse mal de tanta raiva, quem assumiria a responsabilidade? Letícia rapidamente olhou para Rebecca e apontou para a bolsa de Clarice, indicando que ela pegasse o celular. Rebecca, ao pegar o celular de Clarice, acabou puxando junto um monte de lenços de papel amassados. O problema foi que, ao se soltarem, um comprimido branco caiu no chão e começou a rolar. Rebecca, assustada, abaixou-se rapidamente para recolher o celular e se desculpou em pânico: — Eu não fiz de propósito! Assim que terminar a ligação, eu recolho o remédio! — Em seguida, discou apressadamente o número de Jaqueline. Túlio fixou os olhos no comprimido no chão por alguns segundos e, então, virou-se para Sterling. — Clarice está doente? — Ele perguntou, com a voz
A dor nas costas de Teresa era insuportável. O velho desgraçado tinha batido nela com muita força. Ela sentia uma mistura de raiva e humilhação. Esse ódio, ela jurou, seria vingado. Virgínia, observando Teresa se sentar, permaneceu tranquila enquanto ligava o carro e saía pela porta da frente da mansão. — Teresa, me diga a verdade. O filho que você está esperando é mesmo do Durval? — Virgínia perguntou, sua voz fria como gelo. O coração de Teresa disparou, e ela respondeu com uma voz um pouco aguda: — Eu já te disse que é filho do Durval! O que você quer dizer com isso? Está me acusando? Virgínia lançou um olhar cortante pelo retrovisor e disse calmamente: — Melhor que seja mesmo do Durval. Se não fosse, Virgínia não deixaria Teresa viver em paz. Teresa sentiu um calafrio percorrer seu corpo. Ela apertou os braços em volta de si mesma, tentando se proteger do medo que crescia dentro dela. Em sua mente, tomou uma decisão: ela precisava fazer Sterling se casar com ela.
Sterling estendeu a mão apressado para segurar Clarice. O corpo dela perdeu o equilíbrio e, ao perceber que estava prestes a cair, Clarice não teve mais coragem de continuar fingindo que estava desmaiada. Ela abriu os olhos imediatamente e tentou segurar o apoio da cadeira, mas acabou agarrando a mão do homem. Após uma breve hesitação, ela se apoiou na força dele para se sentar ereta. Letícia ficou tão assustada que seu rosto empalideceu. Só depois de ver que Clarice estava bem, ela conseguiu respirar aliviada. Letícia se aproximou rapidamente e, nervosa, começou a se desculpar: — Me perdoe, eu não fiz de propósito. Com medo de que Clarice a colocasse em uma situação difícil, Letícia estava visivelmente tensa, torcendo as mãos de forma nervosa, com as veias saltadas nas costas delas. Clarice soltou a mão dele, virou-se lentamente e olhou para Letícia com um olhar doce. Sua voz saiu suave: — Sra. Letícia, foi a senhora quem me ajudou. Eu é que deveria agradecer. Muito obr
Ele só queria passar a vida sozinho, mas nunca imaginou que acabaria se casando com Clarice. Túlio olhou para ele e soltou um suspiro profundo. — Conheço Clarice há mais de dez anos, e ela já salvou minha vida uma vez. Sei exatamente que tipo de pessoa ela é. Durante esses três anos ao seu lado, mesmo enfrentando dificuldades, ela nunca reclamou nada comigo, nem disse uma única palavra ruim sobre você. Sterling franziu o cenho, confuso. Se Clarice nunca tinha se queixado para Túlio, como ele sabia o que acontecia entre eles? Ele duvidava que Túlio tivesse alguma espécie de dom sobrenatural para adivinhar as coisas. — Não pense que foi Clarice quem veio me contar. Há pessoas de minha confiança na Villa Serenidade. Eu sei de tudo o que acontece por lá. Uma vez, perguntei discretamente a Clarice se ela pensava em se divorciar de você. Ela não me respondeu diretamente, mas estava claro que o pensamento de separação já havia passado pela cabeça dela. — Túlio fez uma pausa, e sua exp
Sterling franziu o cenho e demonstrou irritação. — Vovô, o que o senhor quer dizer com isso? Como ele poderia querer se divorciar de Clarice? E quanto a casar com Teresa, isso era ainda mais impossível! Ele e Teresa não tinham esse tipo de relação. Túlio encarou o rosto dele com seriedade e disse: — Primeiro me responda. Ele havia conversado com Clarice da última vez, e ela mencionou que daria uma chance a Sterling. Mas, depois do que aconteceu hoje, Túlio não tinha certeza se Clarice já tinha tomado a decisão definitiva de se divorciar. — Eu nunca cogitei me divorciar de Clarice! — Sterling respondeu com firmeza. Ele jamais faria algo tão absurdo. Além disso, ele só sentia atração física por Clarice. Se eles se divorciassem, ele teria que se contentar com métodos solitários para satisfazer suas necessidades, e isso, com o tempo, certamente o deixaria com problemas na cabeça. De qualquer forma, ele não tinha a menor intenção de se separar dela. — Mas o que você e Teresa
Naquele momento, ela estava tão focada em fingir que estava desmaiada que nem percebeu como estava a saúde de Túlio. — Clarinha, não se preocupe com meu corpo. Eu estou bem, muito bem. Mas e você? Já foi ao hospital fazer um exame? Está tudo bem com a sua saúde? — Túlio perguntou com um tom calmo e suave, como se estivesse com medo de assustar Clarice do outro lado da linha. — Eu estou ótima, vovô. Não preciso ir ao hospital e gastar dinheiro à toa. — Respondeu Clarice com uma risada leve. — Estou guardando dinheiro para comprar coisas boas para o senhor! Túlio soltou uma gargalhada feliz. — Você é mesmo uma menina muito boa e dedicada! Clarice sempre foi assim: carinhosa, gentil e altruísta. Para Túlio, ela nunca falava sobre os problemas que enfrentava, apenas sobre as coisas boas. — Vovô, muito obrigada pelo jantar de aniversário que o senhor preparou para mim hoje. Apesar de o final não ter sido tão bom, eu preciso agradecer. Obrigada por cuidar tão bem de mim! Se não
Clarice fez seu desejo: que ela e Sterling se divorciassem o mais rápido possível e que os bebês em seu ventre viessem ao mundo com saúde, para que ela pudesse finalmente conhecê-los. Após fazer o pedido, ela soprou as velas de uma vez. Jaqueline tirou as velas do cupcake e as jogou no lixo. Em seguida, entregou uma colher para Clarice. — Já estava tarde e só consegui comprar esse cupcake. Vai ter que se contentar com ele. Clarice pegou a colher e, com um sorriso, tirou um pedaço do bolinho. Em vez de comer, ela estendeu a colher na direção de Jaqueline. — A primeira mordida é sua. Jaqueline tentou recusar, mas, ao olhar para os olhos esperançosos de Clarice, não conseguiu dizer não. Sem escolha, abriu a boca e comeu o pedaço de bolo. — Espere aí, vou preparar uma lasanha para você. Quando terminar o bolo, a lasanha já estará pronta! — Disse Jaqueline, saindo apressada em direção à cozinha. Clarice desviou o olhar de Jaqueline e voltou a encarar o pequeno cupcake à sua
— O que o médico disse? Ele falou algo específico sobre cuidados com os gêmeos? — Jaqueline colocou a taça de vinho sobre a mesa e se aproximou, pousando a mão gentilmente na barriga de Clarice. Sua voz saiu baixa, quase um sussurro. Ela ainda não conseguia acreditar que Clarice estava grávida de dois bebês. Só de imaginar como seria quando eles nascessem, Jaqueline já achava a ideia divertida. — O médico enfatizou bastante que eu não posso ter relações. — Clarice suspirou enquanto pensava que, vivendo na mesma casa que Sterling, ele provavelmente tentaria algo. Ela sabia que não conseguiria recusar. Sterling era muito mais forte que ela e, nesse aspecto, sempre foi extremamente insistente. A frequência com que ele a procurava só reforçava isso. — E se você voltar para casa, acha que Sterling vai conseguir se controlar? Se você recusar, que desculpa vai usar? — Jaqueline franziu a testa, preocupada. — Quer saber? Por que você não se muda para cá? Essa casa é grande, tem espaço de