Um Vício Irresistível
Um Vício Irresistível
Por: Guinevere Moore
Capítulo 1
— Clarice, estou grávida. Você precisa se divorciar do Sterling o quanto antes, senão, quando a criança nascer, vai crescer sem pai. Que crueldade seria! — A voz chorosa da mulher ecoava pelo telefone.

Clarice Preston apertou as têmporas com os dedos, o rosto impassível enquanto respondia com frieza:

— Teresa, quer dizer mais alguma coisa? Fale logo, assim eu gravo tudo de uma vez. Vai ser útil no processo de divórcio para eu pegar mais dinheiro dele.

— Clarice, sua desgraçada! Está gravando?! — Teresa gritou, furiosa, antes de desligar abruptamente.

O som do telefone mudo ficou no ar. Clarice abaixou o olhar para o teste de gravidez que segurava nas mãos. As palavras "quatro semanas" saltavam da folha como se estivessem em negrito. Aquilo parecia um golpe, mas, ao mesmo tempo, uma chance de redenção.

Ela havia planejado contar a Sterling sobre a gravidez naquela mesma noite, mas agora sabia que isso era desnecessário. A decisão já estava tomada: aquele filho, apesar de vir em um momento inoportuno, seria sua salvação.

Depois de um dia exaustivo no escritório, Clarice voltou para casa. Assim que entrou, foi recebida por Catarina, a empregada.

— Sra. Clarice, segui à risca o cardápio que a senhora me passou de manhã. Assim que trocar de roupa, pode vir preparar as refeições.

Clarice tirou os sapatos e começou a caminhar para dentro da casa.

— Faça você mesma. Quero tomar um banho.

Catarina hesitou, surpresa, mas respondeu rapidamente:

— Ah? Claro, tudo bem!

A empregada ficou pensativa. Era estranho. Clarice sempre fazia questão de cozinhar para Sterling, mesmo quando estava doente. O que teria acontecido? Será que tinham brigado?

Clarice, exausta, deixou-se levar pela água quente do banho. O cansaço do dia a fez adormecer na banheira sem perceber.

Ela foi despertada de repente por uma sensação de peso sendo retirado de si. Assustada, abriu os olhos e deu de cara com os olhos escuros de Sterling Davis.

— Catarina disse que você não está se sentindo bem. Está doente? — Ele perguntou, num tom neutro, enquanto a expressão permanecia fria como de costume, escondendo qualquer sinal de emoção.

Ao encará-lo, Clarice lembrou-se do telefonema de Teresa Fonseca. Um sorriso amargo surgiu em seus lábios.

— Sua cunhada está grávida. Você quer que ela tenha o filho, né? — Perguntou ela, com sarcasmo.

Sterling confirmou com um simples "sim".

Clarice tentou encontrar algum traço de emoção no rosto dele, mas não encontrou nada. Desapontada, ela afastou-o com um leve empurrão, saiu da banheira e enrolou-se na toalha.

— Eu não permito que ela tenha esse filho! — Declarou Clarice, fria.

Nenhuma mulher aceitaria de bom grado a existência de uma amante, muito menos a ideia de que essa amante tivesse um filho dentro de seu casamento. Para Clarice, era claro: ou o filho dela ou o de Teresa permaneceria. Não havia espaço para ambos.

Se Sterling insistisse em manter o filho de Teresa, ela pediria o divórcio.

A reação de Sterling veio rápida e cortante. Seus olhos penetrantes fixaram-se nela como uma lâmina afiada.

— Quem decide se ela terá ou não o filho sou eu, não você! Clarice, estou te avisando: não toque no filho dela!

Clarice encarou o homem que dividia sua cama há três anos. Agora, ele a olhava como se fosse um inimigo mortal, pronto para despedaçá-la. A dor em seu peito era insuportável, como se uma faca estivesse sendo cravada lentamente. Ele estava claramente disposto a proteger aquele filho a qualquer custo. Não era de se admirar que Teresa tivesse tido a audácia de ligar para ela e exigir o divórcio.

Naquele momento, ela percebeu com clareza. Toda a paixão à primeira vista, o carinho que cresceu com o tempo, o amor que ela nutriu sozinha por ele... Tudo havia chegado ao fim.

Respirando fundo, Clarice engoliu o nó em sua garganta e, com a voz fria e firme, disse:

— Sterling, quero o divórcio.

Ela sabia que, quando o filho de Teresa nascesse, seria forçada a sair de cena. Era melhor tomar a iniciativa e encerrar aquilo com dignidade. Além disso, com a gravidez de Teresa, ela tinha provas suficientes da traição de Sterling para conseguir uma boa compensação financeira no divórcio.

O rosto de Sterling escureceu imediatamente com a menção do divórcio.

— Você quer se divorciar de mim? Por quê? É por causa do Asher? Ele voltou, né? O amor da sua vida?

Clarice ficou surpresa com a acusação, mas logo soltou uma risada irônica.

— Se você já sabe que eu amo o Asher, então assine logo o divórcio para que eu possa finalmente ficar com ele!

Nos três anos de casamento, ela havia feito de tudo para ser uma boa esposa. Apesar de nunca ter sido valorizada em sua própria família, onde sempre fora tratada como uma princesa inútil, ela se dedicou a aprender a cozinhar, a fazer bolos, a decorar flores... Tudo para agradá-lo.

Sterling tinha problemas de estômago. E foi ela quem, com três anos de esforço e refeições equilibradas, conseguiu curá-lo.

Ela tinha dado tudo de si por ele. E agora ele jogava na cara dela que ela amava outro homem? Como isso não poderia machucá-la?

Sterling rangeu os dentes, furioso. De repente, aproximou-se dela, a intensidade de sua presença esmagadora.

— Você é minha mulher, Clarice. Mesmo que nos divorciemos, continuará sendo minha. Esqueça a ideia de ficar com outro homem. Isso é um sonho! — Ele declarou, com uma autoridade que beirava a ameaça.

— Se você não assinar o divórcio, eu vou te processar por traição! — Clarice enfrentou o olhar dele sem hesitar, com uma voz firme e cortante. — Quando toda Londa descobrir que a Teresa é uma amante, a reputação dela vai pro lixo. Você, que a protege tanto, não vai querer isso, vai?

No passado, Clarice conseguia ignorar a presença constante de Teresa. Mas agora que ela estava grávida, era impossível fechar os olhos. Dividir o mesmo homem com outra mulher já era insuportável, mas agora, dividir até mesmo o pai dos filhos? Isso ela jamais aceitaria.

Sterling, com seu semblante frio e impenetrável, ergueu o queixo dela com os dedos longos e firmes. Seus olhos escuros eram gélidos, carregados de uma ameaça silenciosa.

— Se não quer ver o Grupo Preston afundar, é melhor agir com prudência. Não toque na Teresa! — As palavras dele eram como marteladas no peito de Clarice, cada sílaba carregada de um peso sufocante.

Ele a soltou com um movimento brusco e, sem pressa, ajeitou a roupa, recuperando a postura impecável de um elitista de alta sociedade. Quando saiu, deixando-a sozinha, ela olhou para o próprio reflexo no espelho e soltou um riso amargo.

Era irônico. Clarice, o rosto público da Torres Advocacia, uma das advogadas mais respeitadas de Londa, estava ali, reduzida a uma figura patética e submissa diante do próprio marido. Ela, que brilhava nos tribunais, era uma sombra diante de Sterling.

Respirando fundo, ela afastou os pensamentos e trocou de roupa. Vestiu algo confortável e desceu as escadas.

Ao entrar na sala de jantar, ouviu a voz suave de Sterling ao telefone:

— Não chore, eu estou indo agora mesmo.

Em seguida, ele saiu apressado, deixando para trás apenas o eco de suas palavras. Clarice olhou para os pratos cuidadosamente preparados sobre a mesa, mas perdeu completamente o apetite.

Pensando no filho que carregava, forçou-se a comer um pouco. Cada garfada parecia feita de cera, insípida e difícil de engolir.

De volta ao quarto, seu celular tocou. Era uma cliente. A mulher parecia embriagada e não parava de falar. Contava como, no início do casamento, ela e o marido haviam construído tudo juntos, enfrentando dificuldades, mas felizes. Agora, com dinheiro e estabilidade, ele a traía abertamente, rodeado de amantes.

As palavras da cliente fizeram Clarice pensar em seu próprio casamento. Três anos ao lado de Sterling e, fora um pequeno círculo de amigos próximos, ninguém sabia que eles eram casados. Pelo menos, a cliente ao telefone tinha vivido momentos felizes ao lado do marido. Ela, nem isso.

Uma melancolia tomou conta de Clarice. Antes, ela acreditava que estar ao lado do homem que amava era suficiente, mesmo que isso significasse humilhar-se. Agora, percebia que tudo não passava de uma ilusão. Ela não passava de uma "lambe-botas", uma idiota disposta a tudo por alguém que nunca a valorizou.

A cliente acabou adormecendo enquanto falava. Clarice desligou o telefone, olhou para o relógio e fechou os olhos, tentando dormir. Amanhã seria o começo de uma nova vida.

No meio da noite, o toque insistente do celular a despertou. Ainda sonolenta, atendeu.

— Sra. Clarice, desculpe incomodá-la, mas poderia vir até a Opulentia House buscar o Sr. Sterling? Ele bebeu demais.

Antes que ela pudesse responder, a ligação foi encerrada.

Clarice respirou fundo, irritada. Amanhã de manhã, eles iriam ao cartório para finalizar o divórcio. Se ela não fosse buscá-lo agora, ele provavelmente estaria tão bêbado que não conseguiria acordar a tempo, adiando ainda mais o processo. Resignada, levantou-se, vestiu um casaco e saiu.

"Depois do divórcio, ele pode se afogar em bebida por conta própria. Não será mais problema meu."

Ela já havia ido à Opulentia House várias vezes para buscar Sterling. O caminho era tão familiar que parecia automático. Quando entrou na sala reservada, viu Teresa sentada à mesa. Aquilo não a surpreendeu. Teresa era íntima daquele grupo de herdeiros ricos, enquanto Clarice, mesmo casada com Sterling, sempre se sentira como uma intrusa naquele círculo.

— Sra. Clarice, desculpe fazer você vir até aqui a essa hora. — Disse Valentino Bennett, o mais jovem do grupo, com um tom educado. Entre todos, ele era o único que demonstrava algum respeito por ela.

— Não tem problema. — Respondeu Clarice com um leve sorriso, sua voz sempre calma e controlada.

Os amigos de Sterling geralmente a desprezavam, chamando-a pelo primeiro nome, como se ela não significasse nada. Valentino, no entanto, sempre a tratava com formalidade, chamando-a de "Sra. Clarice". Talvez fosse porque ele era irmão mais novo de Asher, o homem que um dia havia sido importante em sua vida. Seja como for, ela tinha uma boa impressão dele.

De repente, uma voz fria e autoritária cortou o ambiente:

— A Sra. Teresa está aqui. Ela pode cuidar do Sterling. Sua presença é desnecessária. Pode ir embora.
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