A sala de reuniões estava cheia, o ar pesado com a mistura de perfumes caros e a tensão de quem esperava uma resposta minha. Os acionistas se revezavam apresentando números, gráficos e estratégias para expandir nossas operações no Brasil. Era o tipo de reunião que eu normalmente apreciava, mas hoje minha mente insistia em vagar.Stella.Deixá-la sozinha pela primeira vez em semanas me parecia errado, mesmo que ela tivesse insistido que estava bem. Ela precisava de tempo para si, eu sabia disso, mas isso não significava que eu não me preocupava. Eu sei que ela não aceitaria que eu continuasse a seguindo pelo apartamento, garantindo que não estava rapido demais.A última vez que algo me tocou assim foi a notícia da minha filha. Georgia foi a última coisa que me tocou verdadeiramente, que mudou meu coração completamente. Agora Stella parecia ter sido enviada diante de todas orações da minha avó e agora meu coração pedia para conversar com ela.Contar
Entrei no apartamento de Matteo ainda com o corpo tenso e as mãos trêmulas. Minha mente parecia presa naqueles minutos em que Henrique surgiu como um fantasma do passado, com seu sorriso ameaçador e aquelas palavras cortantes que pareciam me esmagar. Cada passo dentro do apartamento me lembrava o que ele havia dito, o tom de voz arrogante, como se tivesse algum direito sobre meu filho depois de tudo o que nos fez passar.O coração martelava no peito, e eu tentava respirar fundo, mas o ar parecia pesado. Matteo segurava a porta aberta para mim, o olhar sempre atento, sempre buscando algum sinal de que eu iria desabar a qualquer momento. E, honestamente, eu poderia.Ele não disse nada enquanto me guiava até o sofá, apenas me indicou com um gesto que eu me acomodasse. Fiz isso sem resistência, porque as forças tinham me abandonado assim que cruzamos aquela porta. Afundei nas almofadas e puxei as pernas para perto do corpo, tentando encontrar algum consolo no simples gesto de me encolher.
Eu ajeitava o nó da gravata diante do reflexo do micro-ondas, observando o tecido escuro do terno cair perfeitamente sobre os ombros. A manhã estava silenciosa, com o aroma do café fresco tomando conta da cozinha, mas minha mente estava longe, presa nos pensamentos que se recusavam a me abandonar desde a noite passada.A proposta que fiz a Stella parecia lógica na hora. Fingir um noivado resolveria os problemas dela e afastaria as ameaças de Henrique. Mas, agora, de pé ali na cozinha, percebia que o peso dessa decisão era muito maior do que eu esperava. Não era o fingimento que me incomodava, mas os sentimentos que vinham à tona, teimosos, insistentes, tomando conta do meu peito como raízes de uma planta que crescia sem permissão.Fechei os olhos por um instante, e a lembrança do sonho da noite passada me invadiu. Era tão real que quase podia sentir o cheiro das vinhas maduras, o
Saí da sala de reuniões ajustando os punhos da camisa e respirando fundo. A manhã tinha sido longa, cheia de números, projeções e discussões acaloradas, mas o pior já estava feito. Pelo menos por enquanto.Caminhei em direção à minha sala, esperando ter alguns minutos de paz antes da próxima reunião. No entanto, quando cheguei, encontrei Fiorella encostada na mesa, os braços cruzados e aquele olhar perspicaz que sempre me colocava em alerta.— Está me esperando, Fiorella? — perguntei, tentando soar casual enquanto me sentava na cadeira.— Claro que estou. Achei que depois de três reuniões seguidas, você teria um tempo para sua irmã preferida.Ri baixo, inclinando-me para trás na cadeira.— Você é minha única irmã.— Exatamente. — O sorriso dela foi afiado, mas algo no olhar me dizia que ela não estava ali apenas para conversas leves.Enquanto revisava rapidamente alguns papéis na mesa, percebi que Fiorella continuava me
Eu estava sozinha no escritório do apartamento de Matteo, o clique do teclado e o som das teclas se misturando ao silêncio pesado da sala. A luz suave da manhã entrava pelas janelas, iluminando as pilhas de documentos que Matteo me pediu para organizar. Meu foco deveria estar ali, nos papéis espalhados na minha frente, mas minha mente não parava de divagar. Não consegui evitar. Eu estava começando a me questionar sobre tudo. A proposta de Matteo ainda ecoava em minha cabeça, e, a cada novo pensamento, mais desconfortável eu me sentia. Um noivado falso. Não era nada do que eu tinha imaginado quando pensei sobre o futuro, quando sonhei, pela primeira vez, com a ideia de ser amada. Nunca imaginei que estaria nesse tipo de situação, onde as palavras “noivado” e “fingir” apareciam na mesma frase, e menos ainda que isso teria algo a ver com Matteo. Era tudo tão complicado, tão fora de lugar... A verdade é que o que mais me incomodava era como, de algum jeito, a proposta dele não parecia t
Eu nunca senti esse cheiro antes. Antes mesmo de abrir a porta do meu apartamento, ele já estava lá, algo quente, familiar e, ao mesmo tempo, completamente novo. Carne assada, eu acho, mas com um tempero que não consigo identificar. Destranco a porta e entro, deixando a gravata e a pasta sobre o aparador sem pensar. Tudo parece diferente hoje, como se o lugar tivesse ganhado vida. É quando ouço a música baixa vindo da cozinha. Meus passos me levam até lá, e então eu a vejo. Stella está de costas para mim, dançando enquanto mexe algo na panela. O vestido vermelho de alças finas desliza pelas curvas dela, e a pequena curva da sua barriga me faz parar. Por um momento, esqueço de respirar. Me encosto na bancada, sem fazer barulho, só para observá-la. O cabelo dela está preso, mas alguns fios escaparam e caem soltos, balançando com os movimentos suaves que ela faz. Ela parece tão... em casa. Minha vontade de tocá-la cresce a cada segundo. De passar minha mão pelos seus cabelos, de sent
A sala está silenciosa, exceto pelo som suave dos talheres contra os pratos. O aroma da carne assada ainda paira no ar, misturado à música baixa que continua tocando ao fundo. Estamos na mesa, um em frente ao outro, e tudo parece... em paz. Há algo especial na forma como Stella sorri enquanto corta um pedaço de carne e leva à boca.— Ficou mesmo bom — digo, limpando o canto da boca com o guardanapo. — Você estava preocupada à toa.— Não exagera. — Ela ri, um riso suave e leve, e se recosta na cadeira. — Se não fosse pela receita da minha avó, provavelmente você estaria pedindo uma pizza agora.— Então, parece que eu devo agradecer à sua avó. Ela devia cozinhar muito bem.O sorriso dela se torna mais nostálgico, os olhos brilhando de lembrança.— Cozinhava. Ela fazia de tudo, sabe? O tipo de comida que abraça a alma. — Stella apoia o cotovelo na mesa e o queixo na mão, olhando para algum ponto distante, como se estivesse vendo o rosto da avó naquele instante. — Minha mãe e ela eram tud
Meus dedos deslizam pelo tecido do vestido dela, tão macio quanto sua pele. Com cuidado, começo a puxá-lo para cima, revelando lentamente cada pedaço de pele que antes estava escondido. Quero saborear cada instante, gravar na memória cada expressão que toma conta do rosto dela enquanto me aproximo.Stella mantém os olhos fixos nos meus, um brilho de desejo e entrega brilhando em suas íris. Sua respiração é curta, entrecortada, e vejo seus lábios se entreabrirem como se ela estivesse prestes a dizer algo. Mas, em vez disso, ela solta um suspiro profundo quando finalmente deslizo o vestido por seus ombros, deixando-o cair em torno de sua cintura.Minha boca encontra o ponto suave logo abaixo de sua mandíbula, e quando beijo ali, sinto seu corpo arquear levemente contra mim. Os suspiros dela me deixam louco, cada som abafado me faz querer mais. Continuo explorando, meus lábios traçando um caminho lento e torturante por seu pescoço, absorvendo o calor de sua pele, o perfume que é único de