O passado tinha deixado suas marcas, mas Russo ainda se achava um injustiçado, alguém que merecia ser visto e que Sombra pela personalidade que tinha havia o perseguido por não conseguir entender que aquele episódio no bar era coisa de homens, algo normal.Foi o que disse na época quando foi interrogado.— Meu, ela queria, a gente também. Ninguém a forçou a nada, aliás tinha mais de dez meninas bem mais bonitas do que aquela gordinha e não tocamos em nenhuma. Foi uma transa, fizemos um favor, ela estava carente.— Ela tinha dezessete anos seu imbecil!— Dezessete? Pois estava bem acabada, ate as tetas estavam caídas!Russo ainda se lembrava da surra que levou no dia em que teve aquela conversa com o antigo subchefe, ficou oito dias hospitalizado, mas não havia o que discutir, Sombra já era um dos homens mais respeitados desde antes de ascender ao poder.Agora, finalmente achava que o filho de Sombra o recompensaria por todas as injustiças que acreditava ter passado.Subiu os degraus a
Ser casado era algo que Russo encarava de uma forma bastante diferente de Endi. O soldado acreditava que casamento e diversão eram coisas completamente separadas, por isso, se considerava viúvo, sempre se consideraria assim, não havia nenhuma chance de outra mulher ocupar o lugar que Rosie havia ocupado em sua vida.— Sou viúvo, chefe. A minha esposa faleceu há muito tempo.Endi olhou para o próprio café, pensou por alguns instantes antes de continuar.— Então o subchefe deve ter se enganado, ele me disse que a sua esposa é linda. Queria saber mais sobre ela e o que você sente pela moça, mas acho que foi um equívoco, pode ir.O capo se levantou e foi em direção a mesa de trabalho.— Não! Espera.Russo pensou que se Endi estava questionando sobre Dállia talvez estivesse interessado em sexo fácil e discreto, nada melhor do que a esposa de um dos soldados, ninguém desconfiaria.Talvez pudesse ganhar bem mais com a menina que ele comprou dos traficantes do que só algumas noites de aventur
Endi ouviu cada palavra que Russo disse sentindo o ódio crescer em seu peito, a coisa que mais abominava, também era o que ainda assombrava sua mente.Seu maior arrependimento era não ter sido capaz de evitar que Mel se ferisse, desde que a viu pela primeira vez, até hoje, essa era sua maior prioridade, mas não estava com ela quando a sua Miminho precisou.As imagens daquele dia faziam o seu peito sangrar, mas estavam lá, como navalhas cravadas que o lembravam da sua fraqueza.O atual capo sempre foi apaixonado pela filha do Fera, hoje sabia disso, não tinha mais do cinco ou seis anos quando a conheceu, os cabelinhos da menina ainda não cobriam toda a cabeça da menina que andava meio desajeitada e mesmo assim insistia em tentar correr.A pele vermelha pelo sol quente e os olhos que pareciam duas joias reluzentes. A achou tão bonita que nunca mais conseguiu se afastar dela. Ainda se lembrava da primeira vez que a fez chorar.Mel queria brincar de escalar os brinquedos do condomínio, ma
Endi achou que teria vários dias de diversão garantidos, não teria pressa, não dessa vez, a cada palavra de Russo, tudo o que o capo pensava era que Jin Soh seria exatamente daquela forma se ainda estivesse vivo.Acendeu outro cigarro, mas terminou apagando em seguida, não tinha creme dental no banheiro do galpão e Mel rejeitava seus beijos sempre que ele fumava.Sorriu com o olhar perdido nos detalhes do piso, não foi Russo, nem o sangue, nem os gritos que o fizeram brilhar os olhos em um sorriso quase doce, foi a lembrança dela, da sua Miminho.— Eca, Endi! Por que você faz isso? Fica com gosto de cinza de crematório.— Espero que a minha mimadinha favorita não tenha provado cinzas de crematório. Vou ficar com nojo.Naquele dia, Mel fez um biquinho tão triste que Endi não resistiu, a levou para o quarto no meio do dia. Pensar nela sempre aquecia seu coração. Não conseguia entender como alguém conseguia olhar para Mel e sentir qualquer coisa que fosse ruim, a achava a pessoa mais doc
Russo sentiu o ódio crescer dentro de si, já não tinha mais o que perder, deixou o instinto sobressair a razão, pegou a faca ensanguentada e tentou cravar no pé de Endi. O capo deu um passo tranquilo para trás, quase como se brincasse com uma criança, mas o chute que voltou no rosto do soldado fez os ossos do nariz de Russo cederem ao golpe. O pai de Tank e Amara colocou a mão no rosto, abriu a boca para tentar respirar, e o sangue invadiu sua língua. O sabor ferroso misturado ao amargo da ânsia que insistia em voltar desde que cortou a própria carne. Endi virou a cabeça de lado, parecia analisar alguma coisa, até que falou calmo e tranquilo. — Quer mesmo fazer esse jogo, comigo? Russo começou a chorar como criança, a testa no chão e a saliva se misturando ao sangue entre os soluços desesperados. — Eu não fiz nada! Não fiz nada. Endi chutou a faca para longe do soldado, não que estivesse com medo do confronto, só não queria chegar em casa machucado, Mel ficava preocupada. — Va
Ninguém é completamente invulnerável, todo mundo tem um ponto fraco e esse ponto no capo tinha 1,47 de altura e gostava de balé.Mel sempre soube absolutamente tudo da vida do marido, Endi fazia questão de que ela tivesse certeza de que jamais a machucaria o único pedido era que ela não cruzasse aquele portal.— Miminho, não estou me escondendo de você, juro que não se um dia, qualquer dia, você achar que não sabe onde eu estou, pode me procurar aqui.Levou a esposa àquele lugar muito antes de usar pela primeira vez e ela acabou brincando sem ter ideia do motivo que Endi tinha construído um lugar como aquele.— Sempre me surpreendo com você! Nunca imaginei que gostasse de construir coisas. Esse lugar parece mais com algo que Dragon ou Muralha ficariam felizes.— Destruir, Miminho. Não fiz esse lugar para construir nada, vou desmontar coisas.— Preciso ficar preocupada?— Preocupada?Endi não queria ter que dar os detalhes do motivo por trás daquele lugar, mas se Mel perguntasse, ele d
Endi subiu ainda mais o vestido rosado que a esposa estava usando, acariciou as pernas de Mel enquanto os lábios percorriam seu colo com beijos lentos e molhados.Precisou tomar ar quando sentiu os dedos pequenos da esposa apertarem seus ombros, era bom tê-la daquele jeito. Não há nada mais excitante para um homem do que se sentir amado pela mulher que chama de sua, e ele era. Sabia que era.Puxou o decote do vestido com os dentes e quando a boca encontrou um dos seios, sugou devagar, a língua desenhou círculos lentos antes de mordiscar e o gemido baixo de Mel foi um incentivo, um som que alimentou ainda mais a fome que tinha dela.Endi a trouxe para o colo, de repente a ideia da meda pareceu ruim, sentiu as pernas dela se apertarem ao redor de sua cintura e Mel perdeu o fôlego quando sentiu a masculinidade firme roçar contra sua intimidade ainda coberta. A sensação incendiou o corpo feminino como quase como se fosse possível sentir prazer antes de ser tocada.E com ele, com Endi tudo
Endi tinha avisado onde estaria, organizou tudo, descascou um abacaxi e cortou em pedaços pequenos como a esposa gostava, verificou se os filhos estavam bem e beijou a testa de Edgar antes de pedir com um tom mais sério.— Cuida da sua mãe e da estrelinha, elas são sua responsabilidade Edgar e vou cobrar isso de você, entendeu?O garotinho olhou para o pai com os olhos tão frios quando os de Endi e confirmou como quem faz um checklist.— Ninguém entra, o porão é segredo, mamãe é quem manda, mas se estivermos em perigo eu cuido dela. Miram é neném ela pode pegar meus brinquedos, eu não posso pegar os dela.— Isso mesmo! E se não souber o que fazer?O garotinho levantou o pulso mostrando o relógio.— Chamo o papai.O relógio de Edgar, apesar de parecer um brinquedo tinha dispositivo que ao ser acionado soava um alarme no relógio do pai.Endi havia garantido que tudo estaria em ordem pelas horas que pretendia ficar fora, olhou o relógio, pensou que talvez tivesse se perdido no tempo, ver