Endi achou que teria vários dias de diversão garantidos, não teria pressa, não dessa vez, a cada palavra de Russo, tudo o que o capo pensava era que Jin Soh seria exatamente daquela forma se ainda estivesse vivo.Acendeu outro cigarro, mas terminou apagando em seguida, não tinha creme dental no banheiro do galpão e Mel rejeitava seus beijos sempre que ele fumava.Sorriu com o olhar perdido nos detalhes do piso, não foi Russo, nem o sangue, nem os gritos que o fizeram brilhar os olhos em um sorriso quase doce, foi a lembrança dela, da sua Miminho.— Eca, Endi! Por que você faz isso? Fica com gosto de cinza de crematório.— Espero que a minha mimadinha favorita não tenha provado cinzas de crematório. Vou ficar com nojo.Naquele dia, Mel fez um biquinho tão triste que Endi não resistiu, a levou para o quarto no meio do dia. Pensar nela sempre aquecia seu coração. Não conseguia entender como alguém conseguia olhar para Mel e sentir qualquer coisa que fosse ruim, a achava a pessoa mais doc
Russo sentiu o ódio crescer dentro de si, já não tinha mais o que perder, deixou o instinto sobressair a razão, pegou a faca ensanguentada e tentou cravar no pé de Endi. O capo deu um passo tranquilo para trás, quase como se brincasse com uma criança, mas o chute que voltou no rosto do soldado fez os ossos do nariz de Russo cederem ao golpe. O pai de Tank e Amara colocou a mão no rosto, abriu a boca para tentar respirar, e o sangue invadiu sua língua. O sabor ferroso misturado ao amargo da ânsia que insistia em voltar desde que cortou a própria carne. Endi virou a cabeça de lado, parecia analisar alguma coisa, até que falou calmo e tranquilo. — Quer mesmo fazer esse jogo, comigo? Russo começou a chorar como criança, a testa no chão e a saliva se misturando ao sangue entre os soluços desesperados. — Eu não fiz nada! Não fiz nada. Endi chutou a faca para longe do soldado, não que estivesse com medo do confronto, só não queria chegar em casa machucado, Mel ficava preocupada. — Va
Ninguém é completamente invulnerável, todo mundo tem um ponto fraco e esse ponto no capo tinha 1,47 de altura e gostava de balé.Mel sempre soube absolutamente tudo da vida do marido, Endi fazia questão de que ela tivesse certeza de que jamais a machucaria o único pedido era que ela não cruzasse aquele portal.— Miminho, não estou me escondendo de você, juro que não se um dia, qualquer dia, você achar que não sabe onde eu estou, pode me procurar aqui.Levou a esposa àquele lugar muito antes de usar pela primeira vez e ela acabou brincando sem ter ideia do motivo que Endi tinha construído um lugar como aquele.— Sempre me surpreendo com você! Nunca imaginei que gostasse de construir coisas. Esse lugar parece mais com algo que Dragon ou Muralha ficariam felizes.— Destruir, Miminho. Não fiz esse lugar para construir nada, vou desmontar coisas.— Preciso ficar preocupada?— Preocupada?Endi não queria ter que dar os detalhes do motivo por trás daquele lugar, mas se Mel perguntasse, ele d
Endi subiu ainda mais o vestido rosado que a esposa estava usando, acariciou as pernas de Mel enquanto os lábios percorriam seu colo com beijos lentos e molhados.Precisou tomar ar quando sentiu os dedos pequenos da esposa apertarem seus ombros, era bom tê-la daquele jeito. Não há nada mais excitante para um homem do que se sentir amado pela mulher que chama de sua, e ele era. Sabia que era.Puxou o decote do vestido com os dentes e quando a boca encontrou um dos seios, sugou devagar, a língua desenhou círculos lentos antes de mordiscar e o gemido baixo de Mel foi um incentivo, um som que alimentou ainda mais a fome que tinha dela.Endi a trouxe para o colo, de repente a ideia da meda pareceu ruim, sentiu as pernas dela se apertarem ao redor de sua cintura e Mel perdeu o fôlego quando sentiu a masculinidade firme roçar contra sua intimidade ainda coberta. A sensação incendiou o corpo feminino como quase como se fosse possível sentir prazer antes de ser tocada.E com ele, com Endi tudo
Endi tinha avisado onde estaria, organizou tudo, descascou um abacaxi e cortou em pedaços pequenos como a esposa gostava, verificou se os filhos estavam bem e beijou a testa de Edgar antes de pedir com um tom mais sério.— Cuida da sua mãe e da estrelinha, elas são sua responsabilidade Edgar e vou cobrar isso de você, entendeu?O garotinho olhou para o pai com os olhos tão frios quando os de Endi e confirmou como quem faz um checklist.— Ninguém entra, o porão é segredo, mamãe é quem manda, mas se estivermos em perigo eu cuido dela. Miram é neném ela pode pegar meus brinquedos, eu não posso pegar os dela.— Isso mesmo! E se não souber o que fazer?O garotinho levantou o pulso mostrando o relógio.— Chamo o papai.O relógio de Edgar, apesar de parecer um brinquedo tinha dispositivo que ao ser acionado soava um alarme no relógio do pai.Endi havia garantido que tudo estaria em ordem pelas horas que pretendia ficar fora, olhou o relógio, pensou que talvez tivesse se perdido no tempo, ver
Saudade! Uma palavra que simplesmente não tem explicação. É impossível falar sobre o que a saudade representa para cada pessoa.No caso de Mel, a ausência que sentia era de alguém que estava ali, o tempo todo e que ela adorava com todas as suas forças.— MuitaMel respondeu falando sobre a intensidade dos próprios sentimentos, mas se precisasse explicar temia que ferisse o marido.E com certeza a nostalgia que sentia não significava falta de amor. Talvez até excesso porque era completamente apaixonada por todas as versões do marido.— Eu só vou fechar o galpão e vamos para casa. Me espera?— Para sempreRodolpho acabou rindo, o amigo ficaria furioso com qualquer pessoa que ousasse interromper momentos como aquele, mas com Mel, Endi parecia feliz com a chegada dela.Também sentiu saudades, a esposa do subchefe não se parecia em nada com Mel, ela jamais iria até um lugar como aquele. Aurora não sabia sequer dirigir e mesmo com muito esforço do marido, a menina simplesmente não se intere
Máscaras, nunca conhecemos realmente as pessoas que estão ao nosso lado, sabemos que se aproximar de um leão é perigoso, que devemos evitar ratos e que manter a distância de serpentes é a melhor escolha para nos mantermos seguros.Ainda assim, ninguém nos ensina que o ser humano é o topo da cadeia alimentar por um único motivo.Ele é capaz de fingir!O homem não venceria um leão pela força, nem afastaria ratos com palavras, muito menos eliminaria todas as serpentes do mundo sem colocar a si mesmo em risco.Ele faz o oposto do que seria natural, se esconde antes de atirar, envenena os animais pequenos com armadilhas aparentemente deliciosas e mesmo com os répteis o homem usa enxofre, arapucas e até a violência, jamais a inteligência.O que chamam de ser racional, nada mais é do que a capacidade de vencer pela mentira.Mas infelizmente, não somos ensinados a ter cuidado com o ser humano, o pior e mais dissimulado dos animais.Endi sabia disso, muitas vezes precisou lidar com a mentira e
Mel deixou a garota em casa, tentou explicar que não eram assim, que a justiça é algo muito maior do que apenas seguir as regras de um livro e que Endi fazia tudo o que estava ao seu alcance para que ninguém se sentisse da forma como Amara estava se sentindo. — Você falou dos homens do conselho, mas se esquece que até o meu pai pagou pelos erros que cometeu, já foi condenado a câmara, mesmo quando era o chefe. Meu sogro nunca foi privilegiado por ser quem é e mesmo o meu irmão ficou meses esperando pela morte quando se levantou contra uma de nós. Eu nunca pedi por nenhum deles, porque sei que Endi olha todos os fatos antes de decidir, por que eu pediria pelo seu irmão? — Porque vocês não o conhecem, Tank é rude às vezes, mas é a melhor pessoa que eu conheço. Se o seu marido é mesmo a pessoa que diz, então me deixa falar com ele, dizer o que ele não sabe e se ainda assim ele decidir condenar o meu irmão, eu vou embora sem falar mais nada. Quando Mel ouviu sobre as coisas que Amara vi