Capítulo 3
Karina sentia um certo desconforto em relação ao primo Juan. Havia algo nele que a deixava intimidada, então, assim que entrou no carro, manteve-se quieta, sem ousar dizer uma palavra. O silêncio dentro do veículo era quase sufocante.

Alana, por outro lado, tinha os olhos fixos no rosário budista que Juan usava no pulso. Algo nele parecia familiar, mas sua mente, enevoada pela bebida, não conseguia conectar as lembranças. Ainda assim, flashes da primeira vez que encontrou Juan passaram por sua cabeça. Anos haviam se passado, mas o homem diante dela permanecia tão imponente quanto antes.

A casa de Karina ficava perto. Juan a deixou em segurança e, logo depois, se preparou para levar Alana de volta ao hotel.

Agora, apenas os dois estavam no carro. A voz grave de Juan quebrou o silêncio:

— Pretende ficar em Cidade Nyerere?

— Sim.

Alana hesitou por um momento antes de responder com um leve aceno. Eles não eram próximos, e a conversa morreu rápido. O silêncio voltou a dominar o ambiente, enquanto o ar gelado do ar-condicionado a envolvia. Sem perceber, Alana acabou adormecendo.

Não sabia quanto tempo havia se passado quando a voz baixa e rouca de Juan soou novamente:

— Alana, acorde.

Ela abriu os olhos de repente e encontrou o olhar profundo dele. Por um breve instante, ficou confusa.

— Juan?

Sua voz saiu baixa, preguiçosa.

A porta do carro estava aberta, e ele se inclinou para dentro, aproximando-se. O rosto dele, de uma perfeição quase desconcertante, estava a poucos centímetros do dela. Seus olhos eram frios e claros, e a fragrância que ele exalava era fresca, com um leve toque amadeirado de cedro.

Por um momento, Alana sentiu como se o homem à sua frente fosse o mesmo que havia marcado sua memória na juventude, aquele que ela nunca conseguiu esquecer completamente. Seus lábios se curvaram em um sorriso preguiçoso:

— Você é realmente muito bonito.

A embriaguez a dominava. Piscando lentamente, ela estendeu a mão e, sem aviso, passou-a pelo pescoço dele, puxando-o para mais perto:

— Quer transar comigo?

A última palavra saiu arrastada, em um tom indolente e provocante.

Juan pareceu hesitar por um segundo. Com calma, afastou uma mecha de cabelo do rosto dela e respondeu com uma tranquilidade quase fria:

— Você bebeu demais.

Alana riu baixinho, sentindo um leve arrepio onde ele a tocava. Mas não o soltou:

— Não.

O álcool a fazia se sentir ousada, mas em sua mente, imagens de Diego e dos sacrifícios que fizera por ele continuavam a surgir. Por três anos, ela havia reprimido quem era, e agora, com o peso do acordo com sua mãe, sabia que seu destino seria o de se submeter às regras da família Alves. Aquela noite, pensou, poderia ser sua última chance de liberdade.

— Então, Juan, você quer ou não?

Ela se inclinou ainda mais, seus cabelos negros como algas roçando o rosto dele, provocando uma leve coceira. Era um toque suave, mas que parecia se espalhar como uma corrente elétrica.

No instante seguinte, os lábios frios dele encontraram os dela. Juan segurou sua cintura com firmeza, e o calor de sua respiração se misturou ao dela:

— Alana, não se arrependa depois.

Ele mordeu de leve sua língua, um gesto que parecia tanto um aviso quanto uma provocação. O beijo se aprofundou, e Alana, sentindo o calor crescente entre eles, retribuiu cada vez mais intensamente.

Naquele momento, dentro do carro, o desejo tomou conta.

De lá, foram para o quarto.

Quando tudo terminou, Alana estava exausta, como se cada fibra de seu corpo tivesse sido tomada por uma onda de prazer insuportavelmente doce. Seus sentidos estavam entorpecidos.

Na manhã seguinte, ela acordou com os músculos doloridos. Quando abriu os olhos, as memórias da noite anterior começaram a voltar como flashes desconexos. Seu corpo ficou tenso.

Ela realmente havia dormido com Juan?

"Nem coelho come a grama ao redor do próprio buraco, ou seja, não pode fazer amor com amigo masculino próximo.", pensou Alana, lembrando de Liz, sua irmã mais velha. Uma sensação de absurdo tomou conta dela. Antes que pudesse organizar os pensamentos, o som do chuveiro parou abruptamente:

— Acordada?

Alana levantou o olhar e viu Juan sair do banheiro, vestindo apenas um roupão. A toalha presa em sua cintura revelava a silhueta esbelta e musculosa, com gotas de água escorrendo pelo abdômen.

Ela sentiu o rosto esquentar sem motivo aparente.

— Desculpe. Ontem à noite, eu bebi demais. — Disse ela rapidamente, tentando justificar o que havia acontecido.

Juan parou por um momento. Seus olhos frios se estreitaram levemente, e sua voz saiu mais distante:

— E daí?

Alana pegou as roupas espalhadas pelo chão, ignorando as marcas em seu corpo. Com um sorriso leve, mas sem desviar o olhar de Juan, ela respondeu:

— Ainda sou amiga da Karina, então o que aconteceu ontem, Juan, espero que não seja um problema para você.

Sua voz era preguiçosa, mas havia algo afiado em seu tom. Mesmo assim, ela teve a impressão de que suas palavras fizeram o rosto dele endurecer ainda mais.

Juan acendeu um cigarro, suas pupilas fixas nela como se a avaliasse. Então, com um tom casual, mas carregado de sarcasmo, perguntou:

— Você faz isso com outros homens também? Por exemplo, aquele tal Diego?
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