Capítulo 5
Alana manteve a calma e continuou:

— Pode ficar tranquila, eu e Diego terminamos de vez. Mas, já que vou assumir a família Alves, é melhor que meu casamento seja algo estável. Escolher alguém que eu não odeie parece mais sensato.

Laura nunca havia apoiado o relacionamento entre Alana e Diego. Por um lado, detestava ver a filha sendo influenciada por sentimentos, deixando de lado a razão. Por outro, a rivalidade entre a família Arruda e a família Alves era evidente.

Embora a família Arruda não tivesse o mesmo prestígio da família Alves, ainda era uma inimiga.

De fato, Laura não era tão controladora em relação ao casamento de Alana quanto parecia. Seu foco e exigências sempre haviam recaído mais sobre Liz.

Os olhos de Laura brilhavam com um olhar severo enquanto analisava Alana por alguns segundos.

— Está bem. — Laura disse, com um tom firme. — Você pode escolher a pessoa. Mas, Alana, eu espero que você cumpra sua parte no acordo. Não me decepcione.

Alana assentiu.

Laura, ocupada com outros assuntos, virou-se e subiu as escadas.

Na sala, restaram apenas Alana e Liz. Embora fossem oficialmente irmãs, a relação entre elas era distante e fria.

Liz, balançando propositalmente a pulseira caríssima que Laura havia comprado para ela em um leilão, soltou uma risada sarcástica:

— Alana, você realmente acha que vai encontrar alguém melhor que o Nelson? Todo mundo sabe que você se rebaixou por causa do Diego. Acha mesmo que alguém vai te querer depois disso?

Embora as famílias Alves e Arruda pertencessem a círculos sociais diferentes, o caso de Alana com Diego havia se espalhado pelos bastidores. Era um segredo mal guardado, comentado por muitos.

Alana lançou um olhar breve para Liz, sem se abalar. Nunca havia nutrido sentimentos em relação à irmã adotiva. Quando Nelson havia rompido o noivado para se casar com Liz, Alana, na verdade, sentiu alívio. Ainda assim, Liz sempre parecia guardar rancor e encontrava maneiras de provocá-la.

— Nelson? — Alana arqueou as sobrancelhas e deu uma risada debochada. — Se você está feliz com ele, pode ficar. Mas, só um conselho, certifique-se de que ele faça exames regularmente. Ouvi dizer que ele anda se divertindo bastante por aí.

— Você...!

Liz ficou furiosa, respirando pesadamente enquanto encarava Alana. Ela sabia bem que Laura era muito mais exigente com Alana, enquanto demonstrava indulgência e cuidado com ela, Liz. Isso a irritava profundamente.

"Por quê? Por que Alana pode herdar a família Alves e eu não? Só porque sou filha adotiva?"

Enquanto observava Alana sair da sala, o olhar de Liz estava carregado de ressentimento e inveja.

Alana, por outro lado, não se preocupava com o que Liz sentia.

Depois que começaram a circular rumores sobre o fim de seu relacionamento com Diego, muitos amigos começaram a sugerir encontros para ela. Durante os três dias seguintes, Alana conheceu várias pessoas, mas nenhuma conseguiu despertar seu interesse.

Naquela tarde, enquanto se preparava para sair de um restaurante, ouviu uma voz que reconheceu imediatamente:

— Alana? Que coincidência.

Era Natalie, segurando o braço de Diego. Ela usava roupas de grife, suas expressões ainda tão delicadas e comportadas quanto antes.

Diego, ao notar Alana, franziu as sobrancelhas. Algo nela parecia diferente. Seu rosto estava maquiado de forma impecável, os lábios tingidos de vermelho, o cabelo preto solto em ondas perfeitas. Havia uma aura de confiança e despreocupação que ele não se lembrava de ter visto antes.

Ela não parecia nem um pouco com a garota submissa de antes.

— O que você está fazendo aqui? — Ele perguntou, cortando o pensamento e adotando um tom frio.

Aquele restaurante era exclusivo para membros e pessoas de alto nível. Na mente de Diego, era impossível que Alana tivesse acesso a um lugar como aquele.

Alana ergueu os lábios em um sorriso divertido:

— Por que eu não estaria aqui?

— A Srta. Alana está trabalhando aqui? — Natalie riu suavemente, com um tom de falsa compaixão. — Este restaurante paga bem, mas é surpreendente ver alguém formada em uma universidade renomada trabalhando como garçonete.

— E o que tem de errado com ser garçonete? — Alana respondeu, lançando um olhar casual para as roupas caras de Natalie. — Ganhar o próprio dinheiro é muito melhor do que depender de um homem.

Natalie ficou pálida, mordendo os lábios enquanto tentava parecer vulnerável.

Diego, no entanto, bufou com evidente aversão:

— E o que tem se eu gasto dinheiro com a minha mulher? Quando terminamos, eu te dei um milhão como compensação, mas foi você que decidiu recusar. Alana, com essa atitude, você acha mesmo que tem capacidade de trabalhar aqui?

Diego deu um passo à frente, chamando o gerente do restaurante. Ao lado, Natalie manteve-se quieta, mas seu olhar fixo em Alana carregava uma satisfação disfarçada.

Alana lançou um olhar aos dois à sua frente. De repente, tudo parecia ridículo. Se ela realmente fosse uma universitária recém-formada e sem dinheiro, a atitude de Diego naquele momento seria o suficiente para arruinar seu emprego e tornar sua vida ainda mais difícil.

Natalie, que deveria ser a pessoa mais capaz de entender o impacto daquilo, simplesmente assistia de forma apática enquanto Diego a humilhava.

"Primeiro amor? Que piada. O caráter dele nunca prestou."

Logo, o gerente chegou ao local, apressado e visivelmente preocupado.

— Esta garçonete tem uma atitude horrível. Não acho que ela deva continuar trabalhando aqui. — Diego declarou friamente.

O gerente parou por um momento, confuso, e logo tratou de esclarecer:

— Deve estar havendo algum engano, Sr. Diego. A Srta. Alana é uma de nossas clientes premium, não uma funcionária.

— O quê?

Diego ficou atônito, franzindo as sobrancelhas com incredulidade. Como Alana poderia ser uma membro premium de um restaurante tão exclusivo?

Ele se lembrou de como ela costumava ser. Alana era alguém que hesitava em comprar até mesmo comida de rua, que achava caro gastar em uma caixa de morangos, sempre economizando cada centavo. Agora, ela estava ali, como uma cliente VIP? Para ele, não havia outra explicação: Alana devia estar usando algum plano sujo e premeditado para chamar sua atenção.

A irritação em seu olhar atingiu o ápice.

— Alana, o que você está tentando fazer? Tudo isso é para continuar me perseguindo e tentar voltar para mim?

Alana levantou os olhos com calma, os lábios pintados de vermelho curvando-se ligeiramente antes de soltar uma palavra:

— Idiota.
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