Capítulo 6
Pela primeira vez, Alana achou difícil associar o homem diante dela ao mesmo Diego que, anos atrás, a havia acalmado repetidamente quando ela estava cega temporariamente. Durante aquele terremoto, Diego a resgatou e ficou ao seu lado até que a equipe de resgate chegasse. Foi esse gesto que a fez nutrir sentimentos por ele por tanto tempo. Mas nunca imaginou que o homem que esteve com ela no escuro, oferecendo conforto, pudesse ser tão cruel agora.

— Srta. Alana, uma mulher deveria se valorizar mais. Esse tipo de insistência não vai te levar a nada. — Natalie comentou, com um tom suave.

A expressão de Natalie parecia calma e resignada, como se estivesse lidando com a ex-namorada obsessiva de seu atual namorado de forma magnânima.

Alana abriu a boca, pronta para esclarecer a situação, mas, de repente, alguém se aproximou do gerente e sussurrou algo em seu ouvido. O gerente empalideceu e então olhou para Diego com uma expressão séria:

— Desculpe, Sr. Diego, mas a sua associação de membro foi cancelada pelo nosso proprietário. O senhor não é mais um membro do restaurante e, por isso, pedimos que se retire.

— Cancelada? — Diego ficou rígido, sua expressão mudando rapidamente. Ele sabia que o restaurante tinha uma reputação impecável, e o dono era conhecido por ser misterioso e seletivo.

Mesmo assim, Diego tentou manter a compostura e perguntou:

— O que isso significa? O que o seu chefe quer dizer com isso?

— Lamento, mas essa foi uma decisão do proprietário. — O gerente respondeu educadamente, estendendo a mão em um gesto que indicava a saída. — Por favor, pedimos que os dois se retirem.

Alana, que estava assistindo a cena, soltou uma risada baixa, seus olhos preguiçosos observando a mudança na expressão de Diego.

Diego lançou um olhar feroz para Alana, cerrou os dentes, mas, percebendo que não adiantaria causar uma cena ali, cedeu e saiu do restaurante com Natalie.

Do lado de fora, Natalie, que havia ficado claramente desconfortável com o que acontecera, hesitou antes de falar, os olhos ligeiramente vermelhos:

— Diego, você acha que isso foi por causa da Srta. Alana?

— Não seja ridícula. — Diego respondeu em um tom sombrio, visivelmente irritado. — Acha que Alana teria esse tipo de influência?

— Mas dizem que o dono do restaurante é muito rico... E se a Srta. Alana, por raiva de você, se aproximou dele de propósito? Ela realmente parece ter mudado muito.

As palavras de Natalie fizeram Diego franzir ainda mais as sobrancelhas. Ele também tinha notado que Alana estava diferente naquela noite. Não era só a aparência. Havia algo em sua postura, uma confiança que ele não reconhecia.

— Ela está se iludindo. — Diego respondeu, com uma risada seca. — Com o histórico dela, qualquer pessoa só estaria brincando com ela. Não se preocupe com isso.

Natalie, tranquilizada pela resposta, deixou um leve sorriso curvar seus lábios e continuou seguindo Diego obedientemente.

Do outro lado, Alana já havia terminado o encontro daquela noite. Enquanto pensava no ocorrido no restaurante, ficou curiosa sobre quem seria o misterioso dono do lugar.

De repente, uma figura familiar apareceu à distância. Juan estava vindo em sua direção, seus passos firmes e elegantes.

— Que coincidência, Juan. — Alana disse, como se tivesse esquecido completamente o que havia acontecido entre eles na outra noite. Seu tom era educado e tranquilo.

Os olhos de Juan pousaram sobre ela, frios e profundos. Sua voz grave soou com uma calma que parecia carregar algo mais:

— Está aqui para um encontro?

Alana assentiu. O fato de ela estar saindo com possíveis pretendentes já havia se espalhado, então não era surpresa que Juan soubesse.

— Ordem da tia Laura? — Ele perguntou, seus olhos escuros parecendo avaliá-la.

Alana não conseguiu entender o que ele queria dizer e levantou os olhos para ele, confusa.

Foi então que Juan, subitamente, continuou com suas palavras:

— Que coincidência. Minha família também começou a me pressionar para casar.

Ele encontrou o olhar de Alana, e então, com um tom casual, quase despreocupado, perguntou:

— Então, Alana, o que acha de se casar comigo?

A voz dele era rouca, mas calma, com um charme gelado que parecia mexer com ela. O coração de Alana acelerou por um instante. Ela definitivamente não esperava que Juan fosse direto assim.

— Posso saber o motivo? — Alana perguntou, hesitante, como se já tivesse uma ideia, mas quisesse confirmar. — Se for por causa daquela noite... Não há necessidade. Pelo menos, você foi ótimo na cama, e eu também me diverti bastante.

Para Alana, o que aconteceu naquela noite foi um acordo tácito entre adultos. Além disso, ela havia sido a primeira a tomar a iniciativa.

— Se você quer um motivo... — Juan disse, enquanto girava o rosário budista em seu pulso, sua voz com um tom leve. — Que tal "interesses mútuos"? Você é amiga da Karina, e eu confio no julgamento dela.
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