Capítulo 2
Alana não ficou muito tempo em Cidade Talatona. Originalmente, ela só havia permanecido ali por causa de Diego. Mas, agora que havia se formado e Diego estava apaixonado por outra pessoa, aquela cidade já não fazia sentido para ela.

Naquela mesma noite, ela comprou uma passagem de avião e voltou para Cidade Nyerere. Quando desembarcou, Karina Costa estava esperando por ela.

— Dessa vez, voltou para ficar? — Perguntou Karina com um sorriso.

— Voltei para ficar.

Nos anos anteriores, Alana mal passava tempo em Cidade Nyerere. Tudo por causa de Diego, que ela seguia por onde fosse. Consequentemente, os encontros com Karina eram raros. Agora que o acordo com sua mãe havia falhado, ela não tinha mais motivos para sair de lá.

Karina, que já tinha ouvido falar sobre o término entre Alana e Diego, não conseguiu evitar um suspiro. Ainda assim, preferiu mudar de assunto, abraçando o braço de Alana com um sorriso:

— Não vamos falar de coisas ruins. Hoje é dia de festa. Vou te dar as boas-vindas como você merece.

Alana riu e concordou com um aceno. Não recusou.

Karina a levou para o clube mais exclusivo de Cidade Nyerere. Pediu as melhores bebidas e organizou uma festa de solteira em grande estilo.

Depois de alguns goles, Alana já sentia seu humor melhorar. A tensão que carregava no peito parecia finalmente começar a se dissipar.

— Ainda bem que você terminou com o Diego. — Brincou Karina, com um sorriso travesso. — Naquela época, você virou outra pessoa por causa dele. Tão certinha, tão obediente. Parou de beber, deixou de correr com os carros, e ainda passava o dia inteiro na biblioteca. Achei que você tinha enlouquecido.

Alana era o oposto do que Diego gostava. Nascida na família Alves, uma das mais ricas e influentes de Cidade Nyerere, ela sempre foi apaixonada por aventuras. Gostava de agito, corridas de carro, cavalos, escaladas e até saltos de paraquedas. Era intensa, cheia de vida. Para ela, o amor nunca tinha sido mais que um detalhe insignificante.

Mas, por Diego, Alana abandonou tudo. Deixou de ser a mulher vibrante que sempre foi e se transformou em uma garota dócil e quieta, exatamente como ele gostava.

— Acho que eu estava fora de mim naquela época. — Disse Alana com um tom preguiçoso, sua expressão despreocupada enquanto pensava no passado.

Alana sempre foi linda, uma beleza que chamava atenção mesmo sem esforço. Nunca foi fã de se arrumar, mas isso só fazia com que sua aparência destoasse ainda mais. Agora, com o rosto relaxado e o charme natural que sempre teve, até o garçom que servia as bebidas ficou vermelho ao olhar para ela.

Karina apenas riu, balançando a cabeça:

— Então, agora que você e Diego terminaram, é verdade que vai voltar para a família Alves e assumir os negócios?

— Acordo é acordo. — Respondeu Alana, com uma calma quase indiferente, enquanto tomava mais um gole de sua bebida.

Laura Alves, mãe de Alana, tinha sido uma mulher extremamente forte. Após a morte do marido, enfrentou sozinha as disputas pelo controle do Grupo Alves, uma das maiores empresas do país. Laura assumiu o peso da responsabilidade, mesmo com a saúde debilitada da filha mais velha, Liz Alves, e a personalidade livre e rebelde de Alana.

Laura nunca forçou Alana a seguir seus passos, mas deixou claro que, em algum momento, ela precisaria fazer uma escolha. Foi essa escolha que deu origem à aposta entre mãe e filha.

Alana perdeu. Mas ela não era do tipo que fugia das consequências.

Karina, no entanto, parecia cética:

— Todo mundo sabe que, na família Alves, você só pode assumir o controle depois de casar. A tia Laura já escolheu alguém para você?

— Não.

Alana entendia bem sua mãe. Laura Alves sempre foi uma mulher de personalidade forte, mas nunca foi excessivamente rígida na escolha de parceiros para a filha. A oposição ferrenha ao relacionamento com Diego, anos atrás, tinha mais a ver com a rivalidade entre as famílias Alves e Arruda do que com qualquer outra coisa.

— Alana, mesmo que você tenha perdido, tia Laura não vai te forçar a nada. E, olha só, homem é o que não falta por aí. Se precisar, eu te apresento meu primo.

O primo de Karina, Juan Dutra, era conhecido por ser uma verdadeira “flor no alto da montanha”. Distante, reservado, praticamente inalcançável. Mas sua beleza era de tirar o fôlego. Quando era mais jovem, Alana chegou a ficar fascinada por ele.

Naquela época, ainda imatura, ela viveu uma paixão secreta e breve, algo que logo desapareceu com o tempo. Desde então, os dois não se viam. Fora algumas lembranças vagas, ele havia se tornado apenas um rosto quase esquecido no passado.

Alana riu, achando que Karina estava apenas brincando. Mas, ao beber mais um gole de sua bebida gelada, sentiu um leve amargor se espalhar na boca. Talvez fosse apenas o efeito da noite que começava a chegar ao fim.

Quando finalmente decidiram ir embora, ambas estavam um pouco cambaleantes. Foi então que Karina, com uma expressão estranha no rosto, anunciou:

— Meu primo disse que vem nos buscar.

Ela própria estava um tanto intrigada.

Karina não tinha muita proximidade com Juan. Na verdade, os dois mal conversavam, e ele dificilmente demonstrava algum interesse por sua vida. Por isso, a mensagem inesperada a surpreendeu. Ele havia perguntado se ela estava com Alana e, antes que ela pudesse responder direito, ofereceu-se para buscá-las.

Karina, no entanto, não deu muita atenção ao gesto. Achou que fosse apenas um raro momento de preocupação repentina.

Poucos minutos depois, um Maybach discreto parou na entrada do clube. O vidro do carro desceu lentamente, revelando o rosto do homem ao volante. Era uma beleza quase sobrenatural: traços finos e precisos, pele tão clara quanto porcelana, uma aura de elegância quase opressiva. Sob a luz do luar, o rosto dele parecia brilhar, como se tivesse saído de uma pintura.

— Entrem.

A voz dele era baixa, grave e firme.

O olhar de Juan passou por Karina, mas foi Alana que ele realmente notou. Seus olhos fixaram-se nela por um momento, intensos e penetrantes. Alana sentiu o olhar dele e, quando suas visões se cruzaram, o coração dela pareceu dar um salto inesperado, batendo um pouco mais rápido do que deveria.
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