Capítulo 0002
Os pais de Olívia faleceram quando ela ainda era muito pequena.

Nos jornais antigos, ainda havia reportagens sobre o caso:

【A Senhora de família rica sofre surto e ataca o marido com dezenas de facadas enquanto ele dormia, tirando a própria vida em seguida, deixando apenas uma filha órfã de cinco anos.】

Olívia era essa criança de cinco anos.

No inverno rigoroso, ela se escondia no guarda-roupa vestindo apenas seu pijama, tão congelada que quase perdia a consciência, mas não ousava sair.

Foi então que Sérgio a encontrou e a tirou de lá.

— Olívia, querida, não tenha medo, o tio está aqui. Com o tio por perto, ninguém irá te machucar.

Ela se aconchegou no colo do tio, sentindo uma breve sensação de segurança.

Sérgio a levou para casa, e talvez por compaixão pela sua tragédia, ele a mimava ao extremo. Tudo que ela desejasse, mesmo que fosse uma estrela no céu, ele se esforçaria para conseguir.

A morte trágica dos pais deixou um grande trauma psicológico em Olívia. Nos primeiros tempos após ser levada por Sérgio, ela sentia uma falta extrema de segurança. Não importava o que Sérgio fizesse, ela o seguia a todo momento, e bastava não vê-lo para que sua crise de pânico fosse desencadeada.

Certa noite tranquila, Sérgio a levou ao telhado, apontando para a estrela mais brilhante no céu.

— Olívia, está vendo aquela estrela? O tio a comprou para você.

Ele entregou a ela o certificado de propriedade da estrela e, tocando gentilmente na ponta do nariz dela, disse: — Agora essa estrela é sua. Quando o tio não estiver por perto, ela cuidará de você em meu lugar.

Olívia foi até a janela, puxou a cortina, querendo ver sua estrela mais uma vez.

Mas o céu estava coberto de nuvens, e sua estrela desaparecera.

Na manhã seguinte, a responsável pelo Grupo de Pesquisa em Criônica Humana ligou, pedindo que Olívia fosse fazer um exame de saúde.

— Não há necessidade disso, certo? — O sorriso de Olívia era um tanto melancólico.

Ela estava prestes a morrer, para que fazer exames médicos? Mesmo que se examinasse mil vezes, as células cancerígenas não desapareceriam.

— Srta. Soares, precisamos determinar o método de criopreservação e o melhor momento para isso, com base em sua condição de saúde — , explicou a responsável. — Isso é para aumentar suas chances de sobrevivência, por favor, coopere.

Olívia não tinha motivos para recusar e então foi de carro até lá.

Depois de um dia inteiro de exames, finalmente tudo terminou. Na saída, a responsável lhe entregou uma pilha de materiais: — A forma do Caixão de Gelo e o local onde ele será armazenado no futuro podem ser escolhidos. Estes são os materiais relacionados, você pode dar uma olhada.

Olívia acenou com a cabeça, agradeceu com um leve sussurro e voltou para casa com os documentos.

As luzes da sala de estar estavam acesas, e o coração de Olívia deu um salto: o tio tinha voltado?

Ela se sentiu fraca, mesmo após ter sido tratada de modo tão cruel por ele, ainda assim... ela queria vê-lo!

Controlando o coração acelerado, Olívia entrou rapidamente na sala de estar.

Lá estava Beatriz, usando uma camisola de seda.

— Olívia, você voltou? — Beatriz a recebeu calorosamente. — Já jantou? Sérgio está na cozinha preparando algo. O que você gostaria de comer? Diga-me e eu pedirei a ele para fazer.

Sua postura era totalmente a de uma anfitriã.

Um amargo sentimento surgiu no coração de Olívia. Ela balançou a cabeça, prestes a dizer que não estava com fome, quando Sérgio surgiu da cozinha com um prato recém-preparado.

— Você chegou na hora certa — , disse Sérgio. — Beatriz e eu estamos noivos agora. A partir de hoje, ela é a dona desta casa, e todas as grandes e pequenas decisões serão tomadas por ela.

Olívia, cabisbaixa, respondeu com um tom abafado: — Entendi.

Sérgio esperava um confronto, mas ficou surpreso ao ver sua aceitação tão calma. Seus olhos revelaram um raro vislumbre de espanto.

— Não seja tão sério, vai assustar a Olívia — , Beatriz repreendeu com um tom brincalhão. — Olívia, não ligue para ele. Vamos jantar.

Dito isso, ela puxou Olívia em direção à sala de jantar.

Olívia não esperava que Beatriz a puxasse de repente, e, num momento de distração, os papéis que segurava caíram todos no chão.

Sérgio franziu a testa, abaixou-se para pegar uma folha do projeto do Caixão de Gelo e perguntou: — O que é isso?

Embora estivesse extremamente nervosa por dentro, Olívia manteve-se relativamente calma por fora e explicou sem demonstrar emoção: — É um projeto para o 'Caixão de Gelo'. É um material que eu pesquisei para um trabalho de férias. Antes do recesso, o professor nos deu a tarefa de projetar um produto livremente. Eu queria criar um caixão de cristal que preservasse corpos, então procurei algumas referências na internet e as imprimi.

Ela estava no primeiro ano da faculdade, cursando design, então essa explicação parecia plausível.

No entanto, o rosto de Sérgio continuava sombrio: — Olívia, você está louca?
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