Capítulo 0008
A cerimônia foi muito animada, com Beatriz vestida em um vestido de noiva volumoso, irradiando felicidade enquanto se aninhava nos braços de Sérgio.

Sérgio também vestiu um terno preto elegante.

Tio está realmente muito atraente, pensou Olívia: ele é maduro e digno, com uma aura de nobreza. O tempo parece ter sido especialmente gentil com ele, sem deixar marcas em seu rosto. Já se passaram treze anos, e ele ainda é tão bonito quanto no dia em que me tirou do armário.

Seus olhos ficaram fixos nele, admirando-o por vários instantes antes de se aproximar para entregar o presente de casamento que havia preparado, com as duas mãos.

— Tio, felicidades pelo casamento, — ela o saudou de coração, desejando-lhe uma vida de felicidade e saúde.

Sérgio aceitou o presente e lançou-lhe um olhar profundo, sem dizer qualquer palavra.

Havia algo em seus olhos, uma emoção que parecia lutar para não ser revelada.

Infelizmente, Olívia não percebeu.

Após entregar o presente, ela deixou silenciosamente o casamento.

Perdoe a sua fraqueza, ela realmente não teve coragem de presenciar o tio se casando com Beatriz.

Desculpe, ela não tinha tamanha generosidade, ela sinceramente desejava felicidade ao tio, mas nunca aceitaria Beatriz.

Depois de sair do casamento, Olívia foi ao cemitério para deixar uma última flor para seus pais falecidos.

— Mãe, agora eu acho que entendo por que você escolheu se suicidar.

— …Viver é realmente doloroso.

— Por que você não me levou com você? Você odiava tanto o papai, mas levou ele. Você dizia que me amava mais, mas me deixou aqui sozinha.

O mundo é tão vasto, mas ela se sentia tão solitária.

Parece que desde o começo, nunca houve alguém que a escolhesse firmemente, que a amasse de forma incondicional e eterna.

Nem mesmo sua mãe...

— Tudo bem, mãe, se você não me amava tanto assim, o tio na verdade já fez muito por mim.

— Se vocês puderem me ouvir lá de cima, não me abençoem mais, abençoem a ele.

Dizendo isso, Olívia inclinou-se para beijar a lápide de seus pais e depois foi embora.

Ela foi sozinha a um restaurante, esperando pacientemente que o tio viesse celebrar com ela seu último aniversário.

No horizonte, fogos de artifício começaram a iluminar o céu, tão distantes e, no entanto, as letras eram claras: Parabéns, Sérgio Neves e Beatriz Lima!

Fogos de artifício durante o dia.

Que extravagância.

Extravagante, mas romântico, o tio era o tipo de homem que tratava a mulher amada como uma rainha.

Infelizmente, a pessoa que ele amava nunca foi ela.

O tempo passava lentamente, a festa continuava animada, até mesmo no restaurante as pessoas comentavam animadamente sobre o casamento: ‘O vestido de noiva da Beatriz valia milhões, com diamantes verdadeiros’, ou ‘Sérgio mimou tanto Beatriz que até contratou a cantora favorita dela para cantar ao vivo’…

Olívia ouvia em silêncio, o mundo era tão barulhento, e ela estava sozinha, quieta.

Finalmente, três horas se passaram, o tio estava para chegar, certo?

Quatro horas, o horário combinado já tinha passado, por que o tio ainda não chegou? Será que algo o atrasou?

Cinco horas, o casamento já havia terminado, ninguém no restaurante falava mais sobre isso, mas Sérgio ainda não havia chegado.

O celular tremeu de repente, uma notificação apareceu, Beatriz havia postado no Instagram:

[Casamento terminado, lua de mel começando, primeira parada: Provença, partindo agora.]

Abaixo do texto havia uma foto de duas passagens aéreas sobrepostas, a de cima com o nome de Beatriz, e a de baixo, sem precisar pensar, sabia-se de quem era.

O horário do voo era às cinco e meia da tarde.

Nesse momento, Olívia finalmente entendeu, o tio não viria.

O bolo sobre a mesa já começava a derreter, Olívia pegou o bolo, como uma marionete sem alma, e começou a comer.

Por que o creme está salgado? Não tem gosto bom...

Ela se forçou a comer toda a fatia do bolo, pagou a conta e saiu.

Olívia, que seu aniversário não seja feliz.

Olívia, que sua dor termine na morte.

Esses foram seus próprios votos de aniversário.

Ela dirigiu até o Grupo de Pesquisa em Criônica Humana, onde todos os funcionários já estavam a postos, aguardando apenas a sua chegada.

Seu aniversário não foi comemorado por ninguém, mas, ao menos, sua morte não passaria despercebida.

Mesmo que fosse por um grupo de estranhos.

Olívia refletiu por um momento e, em seguida, retirou uma carta de despedida de sua bolsa, entregando-a ao responsável pelo Grupo de Pesquisa em Criônica Humana.

— Se alguém vier me procurar, entregue esta carta a ele. Caso contrário... pode descartá-la.

Afinal, não havia nada de realmente importante nela.

O responsável aceitou a carta: — Eu a guardarei com cuidado.

Então, Olívia virou-se e caminhou lentamente em direção ao Caixão que lhe pertencia.

Ela se deitou ali, da mesma forma que fazia quando era criança, sempre que seu pai e sua mãe brigavam, ela se escondia no guarda-roupa. O espaço apertado do guarda-roupa a fazia sentir-se segura.

Este mundo é tão grande, tão complexo, que ela não conseguia lidar com ele.

Então, ela voltou para o seu ‘guarda-roupa’.

— Tudo pronto, iniciem o resfriamento!

Com a ordem do responsável, o frio tomou conta do ambiente, e Olívia rapidamente perdeu a consciência.

Adeus, tio, desejo-lhe felicidades no casamento.
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