Capítulo 0003
Os pais de Olívia também foram enterrados por Sérgio.

No dia do enterro dos pais, Olívia trancou-se no armário novamente.

Sérgio a encontrou, mas não a forçou a sair, ao invés disso, abriu a porta do armário e entrou para ficar com ela.

— Tio, dentro do caixão também é escuro e frio assim? — Ela perguntou, com os olhos vermelhos: — Eu sonhei que a mamãe me chamava para ir ao caixão com ela. Ela disse que estava com medo e frio, sozinha lá dentro...

— Foi apenas um sonho — , disse o tio. — Não tenha medo, você não vai a lugar nenhum. Eu não vou permitir que ninguém a tire de mim.

Ela abraçou o pescoço do tio e sussurrou suavemente em seu ouvido: — Enquanto o tio estiver aqui, mesmo que eu esteja presa em um caixão, não vou ter medo.

...

Pelo visto, Sérgio ainda se lembrava disso.

Então ele entendeu mal, pensou que Olívia estava, mais uma vez, tentando insinuar algo para ele através do projeto ‘Caixão de Gelo’.

— Se o tio não gostar, posso mudar a direção do projeto, — Olívia disse suavemente. — É só um trabalho de férias, não fique zangado.

Sérgio manteve o rosto fechado e não disse nada, mas Beatriz interveio com um sorriso: — Sim, mude, caixão é algo tão mórbido. Uma moça jovem não deveria ter pensamentos tão sombrios, seja mais positiva.

Olívia recolheu todos os papéis espalhados no chão e, diante de Sérgio, jogou-os no lixo. Só então o semblante de Sérgio começou a relaxar.

Na calada da noite, quando todos já dormiam, Olívia levantou-se em silêncio para recuperar os papéis do lixo.

Ao voltar para o quarto, encontrou Beatriz, vestindo uma camisola, saindo do quarto de Sérgio.

Seus ombros e costas estavam cobertos de marcas sugestivas.

Não era preciso pensar muito para saber o que ela e Sérgio tinham feito no quarto.

Olívia forçou-se a desviar o olhar e repetiu para si mesma: não olhe, não pense nisso, ela é a noiva do tio, seja o que for que façam, é o que deve ser.

O tio gosta dela, ela pode fazê-lo feliz, e isso é o suficiente.

— Olívia, por que você não me encara? — Beatriz provocou, com um olhar desafiador, totalmente diferente de algumas horas antes: — Será que até agora você ainda não aceitou que é a mim que Sérgio ama, e não a você?

Olívia abaixou os olhos: — Não, eu já aceitei.

— Pare de fingir, você acha que não percebi? — Beatriz disse com desdém. — O jeito que você olha para o Sérgio não é normal. Mesmo que o chame de tio, ele a criou, então, tecnicamente, ele é seu pai adotivo. E você se apaixonou pelo seu próprio pai adotivo... Olívia, você tem problemas?

Olívia mordeu o lábio inferior com força, sem dizer uma palavra.

Será que ela realmente tinha problemas psicológicos?

Não era de se admirar que, ao descobrir seus sentimentos, o tio tenha começado a desprezá-la tanto. Afinal, esse tipo de sentimento era visto como tão inadequado aos olhos da sociedade.

— Ouvi dizer que você se tornou órfã porque sua mãe enlouqueceu e, no meio da noite, esfaqueou seu pai mais de cem vezes, até matá-lo. — Beatriz se aproximava lentamente, provocativa: — Não é de se admirar que você seja psicologicamente desequilibrada, é hereditário, sua mãe era uma louca perturbada, e você também é.

Olívia podia tolerar os insultos de Beatriz dirigidos a ela, mas não podia suportar que Beatriz insultasse seus pais falecidos.

— Cale a boca! — Ela avançou, agarrando o pescoço de Beatriz: — Você não sabe de nada, não tem o direito...

Antes que pudesse terminar, uma voz fria interrompeu abruptamente.

— Olívia, o que está fazendo?!

Sérgio, que aparentemente tinha acordado, estava na porta, olhando para Olívia com uma expressão de raiva.
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